O presbytério da montanha

António Feliciano de Castilho · Capítulo 52 de 78

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O presbytério da montanha

Capítulo IV

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Na réga, e ao vir da flor, e ao dar do fruto, ¿como ha-de não pensar em seus maiores? Um lh'o plantou, os outros lh'o trataram;

¿Como ha-de recusar-lhe uma saudade,

um suspiro, um suffragio, um elogio?

A gratidão medita á mesma sombra

onde já meditára o amor paterno.

Esta arvore mortal é o santo marco,

em que se juntam, se entrelaçam, crescem, dos idos o interesse e o dos vindoiros;

nó de affeição, que os seculos reune.

 

*

¿Vedes vós essa mãe, que ha tantos annos chora um filho alem-mar, em longes terras? Mostrae-lhe um passageiro a dar á vella

para o porto feliz; ¡com que ternura

lhe não dará, chorando, um longo abraço, que leve, que lh'o entregue, ao seu querido, e todo o amor de mãe lhe exprima n'elle!... ¡E com quanto alvoroço o desterrado

não cingirá o amavel mensageiro!...

Eis o emblema da arvore, cruzando

viva e lembrada o Oceano das edades,

mensageira de int'resse aos paes e aos filhos.

 

IV