Os Irmãos Karamázov

Fiódor Dostoiévski · Capítulo 8 de 50

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Os Irmãos Karamázov

Capítulo 8

— Rogamos-lhe de todo o coração — respondeu o padre abade. —

Senhores! Permito-me — acrescentou ele — rogar-vos instantemente que deixeis em repouso vossas querelas fortuitas, que vos reunais no amor e na união fraternal, implorando ao Senhor, no nosso pacífico jantar...

— Não, não, é impossível — gritou Piotr Alieksándrovitch, fora de si.

— Ora, se é impossível a Piotr Alieksándrovitch, também o é a mim, e não ficarei. Por isso é que vim. Estarei agora em toda parte com o senhor, 89

Piotr Alieksándrovitch: o senhor ir-se-á embora e eu também; o senhor ficará e eu também ficarei. O senhor feriu-o acima de tudo ao falar em união fraternal, padre abade; ele não quer confessar-se meu parente. Não é, Von Sohn? Ei-lo aqui, Von Sohn. Bom dia, Von Sohn.

— Ê a mim que... ? — murmurou estupefato o proprietário Maksímov.

— Naturalmente, a ti. Sabe vossa reverendíssima quem é Von Sohn?

Foi caso num processo criminal: mataram-no num lupanar — é assim que chamais, creio, esses lugares —, mataram-no e despojaram-no e, malgrado sua idade respeitável, meteram-no num caixote e expediram-no ^e Petersburgo para Moscou, no furgão das bagagens, com uma etiqueta. E

durante a operação, as mulheres do bordel cantavam canções e tocavam harpa, isto é, piano. Pois aí têm os senhores, essa personagem é Von Sohn.

Ressuscitou dentre os mortos, não é, Von Sohn?