Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 101 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Gonçalo

Veia exuberante! Seiva excessiva! Torrente impetuosa!—Os annos o corrigirão.

BOCAGE

Não sei… Nasci assim. Acho-me assim ao entrar no mundo. Corrige-se isto?

GONÇALO

Quando se não corrige, mata. E o sr. Bocage ha de viver.— Desculpe se o turbei nas suas contemplações… Não pude resistir… posto saber o fito d'ellas.

 

BOCAGE (sorrindo)

Das minhas contemplações de agora? Duvido (passeiando com Gonçalo).

GONÇALO

Quer que o vá perguntar ao honrado mercador Manuel Simões, que móra n'aquelle primeiro andar, para onde entrou haverá uma hora, com a sua interessante afilhada a sr.^a morgada D. Felicia? Bem se vê que está todo no seu enlevo… Tem por mysterio o que se passa nas ruas!… Presumo que não anda ahi por causa da morgada velha… (Bocage protesta) Logo vi.—E a viuva, diga-me? Quando ha quinze dias nos encontrámos na Torre da Palma parecia meio apaixonado.