Os Primeiros Amores de Bocage
Gonçalo
Veia exuberante! Seiva excessiva! Torrente impetuosa!—Os annos o corrigirão.
BOCAGE
Não sei… Nasci assim. Acho-me assim ao entrar no mundo. Corrige-se isto?
GONÇALO
Quando se não corrige, mata. E o sr. Bocage ha de viver.— Desculpe se o turbei nas suas contemplações… Não pude resistir… posto saber o fito d'ellas.
BOCAGE (sorrindo)
Das minhas contemplações de agora? Duvido (passeiando com Gonçalo).
GONÇALO
Quer que o vá perguntar ao honrado mercador Manuel Simões, que móra n'aquelle primeiro andar, para onde entrou haverá uma hora, com a sua interessante afilhada a sr.^a morgada D. Felicia? Bem se vê que está todo no seu enlevo… Tem por mysterio o que se passa nas ruas!… Presumo que não anda ahi por causa da morgada velha… (Bocage protesta) Logo vi.—E a viuva, diga-me? Quando ha quinze dias nos encontrámos na Torre da Palma parecia meio apaixonado.