Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 244 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Felicia

D. MARIA GERTRUDES (com esforço)

Não foi nada… Um affrontamento.

FELICIA

O melhor é recolheres-te ao teu quarto. Queres?

 

D. MARIA GERTRUDES (vivamente)

Não, não, minha mãe… Não é nada.

(Retomam todos os seus logares. O marquez senta-se de novo.)

 

MARQUEZ (a Manuel Simões)

Então, Manuel Simões, consente?

MANUEL SIMÕES

Que remedio… É desejo d'elle… e v. ex.^a approva.

 

MARQUEZ (tirando o decreto, desdobrando-o sobre a meza, e tomando a penna.)

Vamos… é pôr o nome, e podemos dar os parabens ao novo guarda marinha.

(Bocage passa lentamente por detraz de todos dirigindo-se ao bufete.)

MANUEL SIMÕES (tristemente, ao filho)

Sempre cuidei que te acharia ao pé de mim… para me fechar os olhos.

 

FRANCISCO (lançando-se-lhe commovido nos braços)

Meu pae!

 

MARQUEZ (acabando de ler o decreto)

«Samora Correia, em 31 de janeiro de 1786. Com a rubrica de Sua

Magestade.»—Está em ordem. (Sem levantar os olhos.) O nome todo?

 

BOCAGE (atraz do marquez)

Manuel Maria Barbosa Hedois de Bocage!

(Espanto nos circunstantes.)

 

MARQUEZ (erguendo attonito o rosto, e depondo a a penna)

Quê?

 

BOCAGE (mostrando Francisco nos braços do pae)

Será elle que deva partir?