Os Primeiros Amores de Bocage
Felicia
D. MARIA GERTRUDES (com esforço)
Não foi nada… Um affrontamento.
FELICIA
O melhor é recolheres-te ao teu quarto. Queres?
D. MARIA GERTRUDES (vivamente)
Não, não, minha mãe… Não é nada.
(Retomam todos os seus logares. O marquez senta-se de novo.)
MARQUEZ (a Manuel Simões)
Então, Manuel Simões, consente?
MANUEL SIMÕES
Que remedio… É desejo d'elle… e v. ex.^a approva.
MARQUEZ (tirando o decreto, desdobrando-o sobre a meza, e tomando a penna.)
Vamos… é pôr o nome, e podemos dar os parabens ao novo guarda marinha.
(Bocage passa lentamente por detraz de todos dirigindo-se ao bufete.)
MANUEL SIMÕES (tristemente, ao filho)
Sempre cuidei que te acharia ao pé de mim… para me fechar os olhos.
FRANCISCO (lançando-se-lhe commovido nos braços)
Meu pae!
MARQUEZ (acabando de ler o decreto)
«Samora Correia, em 31 de janeiro de 1786. Com a rubrica de Sua
Magestade.»—Está em ordem. (Sem levantar os olhos.) O nome todo?
BOCAGE (atraz do marquez)
Manuel Maria Barbosa Hedois de Bocage!
(Espanto nos circunstantes.)
MARQUEZ (erguendo attonito o rosto, e depondo a a penna)
Quê?
BOCAGE (mostrando Francisco nos braços do pae)
Será elle que deva partir?