Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 188 de 281

Páginas do PDF

Os Primeiros Amores de Bocage

Morgado

A amizade é o meu fraco. Chegue-se para aqui. Sente-se. Vamos ao que importa. (O morgado senta-se-lhe ao pé.) Manuel Simões não parece muito disposto a dar-lhe ao cincoenta moedas de que me disse precisava infallivelmente.

MORGADO

E preciso. Que faria eu diante de minha prima sem real?

 

COMMENDADOR (preparando a caixa para tomar uma pitada)

Mau era na verdade… Mas a Gésteira, que nunca chegou para muito, já não dá para mais… As vinte moedas, qne lhe arranjei o anno passado, foram-se n'um instante á banca, e ao loto de Génova… Manuel Simões sabe tudo isto perfeitamente, vê-o afogado n'um diluvio de hypothecas, e não é homem que deite o seu dinheiro pela janella fóra… (offerecendo-lhe a caixa) Toma?

 

MORGADO (erguendo-se consternado)

Mas então como ha de ser? Se me mandou vir aqui só para me dizer isso!…

COMMENDADOR

Hade ter as cincoenta moedas; abono-o eu.

 

MORGADO (sentando se e abraçando-o)

Isto é que é um amigo.