Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 177 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Commendador

COMMENDADOR (saboreando uma pitada)

Bem diziam os escriptores da gentilidade: estavam fóra de si os deuses quando inventaram o homem, e mal recobraram o tino desataram a rir pondo os olhos na sua obra. Tudo n'elle é vão. Vana mortalitas, como lhe chamava Plinio, o Historiador. Movem-se por um fio… (sentando-se) Tudo está em saber-lho atar. (Entra o morgado esboforido e derreado.) Chega a proposito, morgado… ia-me tardando… Que é isso?… Teve alguma coisa?… Aposto que fez das suas… Não quer domar esse genio!…

 

MORGADO (lisongeàdo)

Não posso. Muitas vezes quero ter mão em mim… mas qual… todo eu sou fogo.

COMMENDADOR

Deixe, deixe. «Casarás, amansarás!»—Foi briga, pendencia, rixa, desafio?… Pois nem pensando em sua prima, deixa descançar a espada! Quer ser como Lucio Licinio Dentato, que oito vezes em repto singular saiu vencedor á vista de dois exercitos?…

 

MORGADO (mais lisongeado)

Cada vez o vejo mais: o commendador é um amigo devéras… um amigo como ha poucos…

 

COMMENDADOR (sorrindo)