Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 115 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Commendador

Que precisa de dinheiro? O sr. Morgado precisa sempre… Que o mercador lh'o recusa? Encontro Manuel Simões, e acho-o enfadado. Não é preciso ser astrologo para adivinhar. Excellentes astrologos são os olhos… que sabem ver. Bem o disse o poeta Manilio, e melhor o explica Julio Firmico Materno, contemporaneo de Constantino Magno, nos oito livros que escreveu sobre o assumpto.

 

MORGADO (meio aborrecido)

Oito? Admiro-lhe a paxorra.—Mas, vamos, sr. Commendador… Estão já accendendo as luminarias. D'aqui a pouco enche-se ahi tudo de gente.—Que noticias?—Sabe que morreu Salvador Teixeira, o irmão mais velho de Gonçalo Mendo? Ficou senhor da casa agora o tenente, e…

COMMENDADOR

E… receia o competidor.

MORGADO

Receial-o! Porquê? Em quê? Um homem como eu não teme nenhum rival… Minha prima é senhora de gosto e de juizo… E em ultimo caso tenho modo infallivel de supplantar o tenente… (intencionalmente) ou qualquer outro.

 

COMMENDADOR (sorrindo)