Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 103 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Gonçalo

«Ainda que o seja? Pouco vem ao caso.»

BOCAGE

«Reservas commigo! Vamos, confidencia por confidencia. Confesse que não deita luto pela morte da minha paixão da Torre da Palma.»

 

GONÇALO (sériamente)

«A sr.^a D. Maria Joanna Galvão nunca me deu direito para me offender de qualquer preferencia sua.»

BOCAGE

«Podia não se offender, e custar-lhe. E não seria da minha parte loucura constituir-me rival do unico amigo verdadeiro que ainda encontrei?… (Movimento de Gonçalo.) Oh! não, não cuide que lhe quero forçar os segredos… não pense que foi generosidade…» Já que me obriga, digo-lhe tudo. Peço-lhe só que não seja severo. Ou venha dos annos ou do temperamento, o amor em mim é egual á musa, compraz-se no improviso. Rebenta em chammas, mas a chamma fulge e esvae-se como relampago… Depois… outra fraqueza ainda… é tão superior ás damas que tenho conhecido, a sr.^a D. Maria Joanna Galvão!… tão superior pela graça senhoril, pelo tracto do mundo e cultura do espirito!… (Pausa.) Encontrei-a, logo que cheguei, n'uma assembléa, em casa de sua tia D. Felicia onde me apresentaram… Ferviam os motes, e eu calado. Passei quasi todo o tempo escutando-a e reflectindo.