Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 178 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Morgado

Ainda agora dá por isso!—Homem, é boa a fama de valente para captivar as damas, mas nem tanto que assuste. Brigou?

MORGADO

Nada. (com fatua arrogancia.) Não acho já quem queira.

 

COMMENDADOR (comsigo)

Miles gloriosus!

MORGADO

Quê?

COMMENDADOR

Estou morto por saber o que teve… que o morgado não vinha no seu natural.

MORGADO

Que havia de ser?—Esta manhã, para matar o tempo, fui até á feira das cavalgaduras… alli pela banda do nascente do passeio… Bem sabe o meu fraco. Estava na barraca dos juizes, segundo o costume… Tudo entendedores de mão cheia… Não sei como se passou o tempo… o caso é que deram dez horas… Era a hora a que tinhamos ajustado o nosso encontro aqui… Despedi-me á pressa… instaram-me que ficasse… Se elles não pódem passar sem mim! Foi preciso dizer-lhes que tinha que fazer na baixa, e era tarde já… O Domingos Sanches… aquelle polvorista rico… Decerto conhece… (gesto negativo do commendador.) Ora, não conhece outra coisa!… O Domingos Sanches quiz por força que viesse no seu lasão… um lasão melado… bonito animal… mas de maus signaes… gazio dos olhos, e bebendo em branco… «Não és boa peça, não,» disse eu logo commigo… «esperem que vão ver o que é o morgado da Gesteira a cavallo!…» (enthusiasmando-se.) Estava tudo attento… Monto… como eu costumo montar… O cavallo, apenas me sente, começa a defender-se, e a negar-se… Eu aperto-lhe as esporas… Elle atira dois saltos encabritados… Eu cozo-me com a sella… Elle furta-me o corpo…