Os Primeiros Amores de Bocage
Morgado
COMPADRE THEOTONIO (elevando a voz)
Ora se ha um birbas assim!
COMPADRE ANASTACIO (impondo-lhe silencio)
Mais devagar, compadre, mais devagar, que o Bernardo é familiar do Santo
Oficio… como alguns fidalgos!
MORGADO (do outro lado, ao commendador olhando para a janella dum 2.^o andar)
Lá está uma palmilhadeira do meu conhecimento, no 2.^o andar, mesmo por cima da casa do mercador… (depois de reflectir, como achando) Ah!
COMMENDADOR (ironico)
Teve alguma lembrança feliz?
MORGADO
Tive. (olhando para a D.) Cá vem o rancho outra vez! (D. Felicia e D. Maria Joanna apparecem a uma das janellas do 1.^o andar da esquina. Maria Gertrudes a outra. Enchem-se as janellas.—Affluem suecessivamente os grupos.) Verá Verá que vergonhaça!… Digam que não sei varar um gamo, nem pegar n'uma espada, nem determinar uma mesa, se o poeta não fica hoje corrido!… (Sae precipitadamente pela D. dobrando a esquina. O commendador vê-o sair, encolhe os hombros desdenhosamente, e mette-se por entre os grupos. Compadre Theotonio e compadre Amancio giram na turba. Entra Bocage e os poetas. O grupo d'estes fica sobresaindo.)