Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 261 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

D. Maria Joanna

Não me contive eu tres annos… padecendo a ausencia… sem uma palavra de esperança ou de conforto… vendo-a repartir sem differença graças que só para mim cubiçava, agrados pelos quaes dera a vida?

D. MARIA JOANNA

Não verão o avarento!… Ahi está o que estes senhores querem… e ahi está porque eu fugia de prender-me!… Se não fazemos differença nos agrados, um côro de suspiros, uma circular de queixumes… todos a mesma coisa… Apenas temos a fraqueza de mostrar uma preferencia, o favorecido converte-se em tyranno, e pede-nos conta… até dos sorrisos passados.—Bem me dizia em Paris o cavalheiro de Florian… um moço de gosto e saber.

GONÇALO

Que lhe dizia?

D. MARIA JOANNA

Que para uma dama era inestimavel presente de Deus a mocidade e a independencia.

 

GONÇALO (picado)

Ah!… (tristemente) Repito-lhe então as suas mesmas palavras:— estamos a tempo ainda!…