Os Primeiros Amores de Bocage
Morgado
COMMENDADOR (depois de breve pausa)
E depois?
MORGADO
Depois… caí!
COMMENDADOR (erguendo-se, sem poder suster o riso)
Caiu?… Cuidei… Caiu!…
MORGADO (mais enthusiasmado)
Mas como eu cai!… com todos os preceitos… Ficou tudo pasmado!
COMMENDADOR
Creio, creio… E o cavallo?
MORGADO
Fugiu.—Para não perder tempo, vim ás carreiras… Ahi tem a razão da demora.
COMMENDADOR
Bem empregada foi, visto que lhe proporcionou triumpho similhante. —Tacito conta que Julio Cesar, o fundador do imperio, tambem caiu d'um cavallo… Provavelmente caiu assim.
MORGADO
Favores, favores.—E a respeito do meu negocio? Fallou já a Manuel Simões?
COMMENDADOR
A respeito do seu negocio ainda não. Está ajustando umas contas, não tarda. E primeiro temos nós que fallar, porque emfim… (Sussurro na rua.—applicando o ouvido.) Espere. Não ouve?
MORGADO
Oiço. Parecem gritos de agarra! (Chegam ambos á janella do 2.^o plano, e debruçam-se para ver.)