Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 150 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Bocage

A triste vacilava suspirando

Nos braços da incerteza suspeitosa,

Até que emfim se vae desenganando:

Então, desesperada e lacrimosa,

Do caro esposo os manes invocando.

«Ás ondas se lançou Ero formosa!»

(Alguns applausos.)

 

2.^o POETA

Bravo, Albano!… Descriptivo e sonoro!

 

1.^o POETA (a Bocage)

Correcto, não?

BOCAGE

Correcto, mas frio. Não admira. Uma paixão que vae por agua abaixo!

 

2.^o POETA

Mote. Venha mote.

MARIA GERTRUDES

«Os roubos que me fez a má ventura!»

BOCAGE (vivamente aos poetas)

Este para mim. (repetindo immediatamente)

«Os roubos que me fez a má ventura!»

Eu deliro, Gertruria, eu desespero

No inferno de incertezas e temores,

Eu da morte as angustias e os terrores

Por ti mil vezes sem morrer tolero!

Pelo céo, por teus olhos te assevero

Que ferve esta alma em candidos amores: Longe a riqueza, e os seus vãos favores, Quero o teu coração, mais nada quero.

 

VOZES (diversas)

Bravo! Bravo!

 

BOCAGE (continuando arrebatado)

Ah! não sejas tambem qual é commigo

A cega divindade, a sorte dura,

A varia deusa, que me nega abrigo!

Tudo perdi; mas valha-me a ternura;

Amor me valha, e pague-me comtigo

«Os roubos que me fez a má ventura!»

(Grande explosão de applausos.)