Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 225 de 281

Páginas do PDF

Os Primeiros Amores de Bocage

Morgado

O que lhe invejo é o socego.

COMMENDADOR

Claudiano diz: «O espirito do sabio é similhante ao cume do Olympo; fica tão superior aos ventos e ás nuvens, que nunca as tempestades o inquietam.»

MORGADO

Mas eu que não sou sabio… nem tenho pena… aqui estou agora… (olhando em redor) Ninguem nos ouve… Aqui estou agora sem dinheiro, sem casamento, e sem esperanças.

 

COMMENDADOR (saboreando a pitada)

Sem esperanças!… Porquê?—Sua prima tem ainda a casa de Val-moreo. Cinco mil cruzados de renda, creio que me disse… Não é o mesmo, seguramente… um terço apenas do que era… mas nas suas circumstancias actuaes… Pela minha parte sou justo. (olhando em redor, em voz baixa) A escriptura de divida, não será já de trinta, será de dez mil cruzados. Dispenso a sege.

MORGADO

Pois teima ainda! Não se desenganou com o desastre do outro dia?

COMMENDADOR