Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 108 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Manuel

Que me visitava em pessoa, elle mesmo… (olhando em redor) o grande marquez… E não foi só isso… De vez em quando mandava-me parar a sege á porta da loja… (esquecendo-se) É que tambem não torna cá homem como aquelle… (caindo em si e olhando em volta) que este não é somenos, em certas coisas! Vem, vem hoje… Podia lá deixar de lhe ter cá o afilhado! Vem hoje… hoje, em vespera de Corpo de Deus, faze idéa! E toda a gente pelas janellas!… E o que se hade fallar no arruamento!… E o que ahi não virá de encommendas!—Já mandei buscar mais um caixeiro.

FRANCISCO

Que não seja como o Zé Braga ou o Zeferino… Lembram-me ainda.

MANUEL

O Zé Braga estabeleceu-se na terra… e vamos, tem queda para o negocio… É nosso correspondente.

FRANCISCO

Ah!

MANUEL

O peralvilho do Zeferino… esse lá foi para esses Brazis… Não sae d'alli coisa de geito, verão… Confundia-me sempre o lemiste com os droguetes, e o panno jardo com as baetas!… Deu em fazer de faceira… já de chapeu á Anastacia… sempre em touros e presepios… Só lhe faltavam os polvilhos. Deixal-o. Cá me tenho remediado com outros dois novos, e marçanos não faltam.—Ai! nós aqui a fallar, a fallar, e lá em casa tudo cheio de gente!… A Monica estou que perde a cabeça!… Não me lembrava com o gosto de te ver, e de te fazer beijar a mão ao sr. marquez… que elle sempre hade puxar por ti!—Anda, rapaz, vamos… vamos!… (em acto de partir.)