Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 211 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

D. Felicia

Os homens da minha condição não perdem o seu tempo com…

 

D. MARIA JOANNA (atalhando ironicamente)

Com um insignificante como Molière. Acho-lhe razão.

D. FELICIA

Em operas, vi eu já o que se póde ver. Quem assistiu em Queluz á opera da Galathea!… Eram os annos do principe D. José, e estavam para se ajustar as pazes com a Hespanha… Quem assistiu a uma coisa d'aquellas…

D. MARIA JOANNA

Ah! esteve no theatro da côrte?

 

D. FELICIA (hesitando um pouco)

Estive… alguma coisa de longe… Não era onde devia estar… mas estive… Alcancei entrada pelo sr. marquez de Marialva, que esse sabe dar estimação a quem a merece… Estive… Por signal fui achar entre as açafatas a mulher d'aquelle da alfandega… que se não sabe d'onde lhe veiu o dom… Não tem senão um criado d'almofada… e quando lhe vão visitas, chama pelo nome e sobrenome o criado de porta abaixo, que não ha outro na casa, para figurar de escudeiro… Estava lá, estava alli, ella, em quanto pessoas que sempre se trataram á lei da nobreza… Açafata aquillo!… Não foi senão por empenho do Estacio, o bobo do paço, algum dia que teve a fortuna de fazer rir Suas Magestades… Aquillo açafata!… Ai!… Ai!… Maria, filha… a agua de Melissa… depressa!…