Os Primeiros Amores de Bocage
Commendador
MORGADO (como protestando)
Devo, devo… Heide dever, e heide pagar… juro-lhe. Juro por… pela cruz da minha espada.
COMMENDADOR
Se podesse jurar por outra coisa!
MORGADO (offendido)
Duvída?
COMMENDADOR
Ha viver e morrer.—Homem, a commenda, bem sabe, apenas me chega para viver com decencia… e parcimonia.—Suetonio, e outros auctores, louvam a parcimonia como virtude; mas Terencio tem que a dureza da vida não é para gente adiantada… e eu sou da opinião de Terencio!—O morgado não ha-de querer que perca assim setenta moedas!
MORGADO (desconfiado)
Deseja alguma segurança?
COMMENDADOR (saboreando a pitada)
Quasi nada. O morgado faz-me uma escriptura de divida de trinta mil cruzados!… e sou eu que lhe hei-de pôr a data!