Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 190 de 281

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Os Primeiros Amores de Bocage

Commendador

MORGADO (como protestando)

Devo, devo… Heide dever, e heide pagar… juro-lhe. Juro por… pela cruz da minha espada.

COMMENDADOR

Se podesse jurar por outra coisa!

 

MORGADO (offendido)

Duvída?

COMMENDADOR

Ha viver e morrer.—Homem, a commenda, bem sabe, apenas me chega para viver com decencia… e parcimonia.—Suetonio, e outros auctores, louvam a parcimonia como virtude; mas Terencio tem que a dureza da vida não é para gente adiantada… e eu sou da opinião de Terencio!—O morgado não ha-de querer que perca assim setenta moedas!

 

MORGADO (desconfiado)

Deseja alguma segurança?

 

COMMENDADOR (saboreando a pitada)

Quasi nada. O morgado faz-me uma escriptura de divida de trinta mil cruzados!… e sou eu que lhe hei-de pôr a data!