Os Primeiros Amores de Bocage

José da Silva Mendes Leal · Capítulo 205 de 281

Páginas do PDF

Os Primeiros Amores de Bocage

Commendador

Isso… Bem ao pé de mim, filha. (ao commendador) Não repare… Não me canço de repetir este nome de filha… Tinha-o quasi desaprendido!… Ainda o não creio… Ainda me parece tudo um sonho… Foi milagre, sr. commendador, não foi?

COMMENDADOR

Com razão symbolisaram os doutos e discretos o maternal affecto na ave chamada pelicano, figurando-a o dar-se a morte para dar vida aos filhos. (continúa como conversando.)

 

GONÇALO (dando o braço a D. Maria Joanna)

Se sua tia soubesse com quem desafoga aquelles enlevos!

D. MARIA JOANNA

E para que o ha de saber? Mais lhe vale ignorar sempre similhantes vilanias. (sentando-se.) Foi meu cumplice no cumprimento do dever. Seja-o no segredo d'essas iniquidades.—É dever tambem.

GONÇALO

A que não me obrigará com a perspectiva de tal cumplicidade?— Cumplice!… Mediu bem a palavra?

 

D. MARIA JOANNA (graciosamente)

Medi. (continuam conversando.)