The Risk
9. Jake
9
JAKE
Eu não estava planejando beijar Brenna. Só ia até lá para salvar a garota do cara de quem claramente estava tentando fugir. Mas os lábios dela estavam bem ali. Cheios, vermelhos e tão tentadores que não pude resistir.
Roço minha boca na dela no que é mais uma provocação que um beijo. Mas acho que caio mais na provocação do que ela, e logo me arrependo, porque, porra, quero mais. Quero língua. Quero tudo.
Mas não posso ter. Vim resgatar a garota, não dar uns pegas.
Já saí com Hazel, e vi minha amiga aguentando as investidas de alguém que não curtia várias vezes para reconhecer o pedido de socorro nos olhos de uma mulher. É algo entre “Deus, acabe logo com isso” e “Alguém me tire daqui, por favor”.
Os olhos de Brenna transmitiam esse pânico revelador. Nem pude acreditar quando a vi do outro lado do salão. Meu primeiro pensamento, ainda que insano, foi de que tinha me seguido até aqui, mas logo soube que não podia ser. Não é o estilo de Brenna Jensen. Quando superei o choque de vê-la, notei que tentava desesperadamente chamar o garçom, e entrei em ação.
Conforme afasto meus lábios dos dela, meu corpo inteiro se rebela. Meu pau grita comigo e minha boca exige outro beijo. Um de verdade agora. Em vez disso, vou para trás dela e envolvo seu corpo esguio com meus braços.
“Oi, gatinha”, murmuro, inclinando a cabeça para seu pescoço. Minha nossa, o cheiro é bom.
Ela fica tensa por um segundo antes de relaxar. “Ei. Chegou tarde.” Ela levanta a cabeça para olhar em meus olhos. Nos comunicamos através deles, então Brenna diz ao outro cara: “Ronny, este é meu namorado, Jake”.
“Ah.” A decepção fica clara em seu rosto. “Eu não sabia… Ah, desculpa.”
“Não tem problema”, ela diz, tranquila.
“Claro que tem.” Ele me olha com remorso. “Eu estava xavecando sua garota. Foi mal, cara.”
“Tudo bem.” Desço uma mão pelo braço nu de Brenna. É um gesto leve, mas também possessivo. Traduzindo: ela é minha.
Noto um toque de inveja no rosto dele. “Há quanto tempo estão juntos?”
“Cerca de um ano”, minto.
“E demorou a passar”, ela resmunga.
Ronny franze a testa.
“Não liga pra ela.” Meus dedos agora sobem pelo braço de Brenna, e sua respiração se altera. Hummm. Ela gosta do toque. Guardo essa informação para usar depois. “Pode acreditar, essa garota é louca por mim. Me liga o dia todo pra dizer que me ama. É o que os psicólogos chamam de obsessão.”
“Ah, nem me venha falar em obsessão”, Brenna diz, com doçura. “Ele me escreve poemas lindos toda noite antes de ir para a cama. Em geral, sobre meus olhos. E meus lábios.”
“E a bunda dela”, digo com uma piscadela. Minha mão desliza por seu corpo delicioso para apertar a parte mencionada. É uma péssima ideia, porque a bunda de Brenna é firme e gostosa, e a sensação é incrível. Fico meio duro na hora.
“Nossa. Vocês dois estão… apaixonados mesmo, hein? É legal de ver. Essa cultura de pegação está matando o amor. Parece que todo mundo é descartável, sabe?” Ele sorri para nós com tanta sinceridade que me sinto mal por mentir. “Vocês formam um casal bonito.”
Dou um beijo no ombro de Brenna. Outra péssima ideia. A pele dela é quente, e o cheiro é ótimo. “É. Esse amor veio pra durar.”
“Pra todo o sempre”, ela acrescenta, sorrindo para mim.
Ronny termina a Corona e deixa a garrafa na mesa. “Bom, não vou mais atrapalhar vocês. Mas valeu pela conversa. Aproveitem a noite.”
Depois que ele vai embora, Brenna se solta dos meus braços e coloca uma distância de dois passos entre nós. Ela franze os lábios vermelhos. “O que está fazendo aqui?”
“Eu poderia te perguntar a mesma coisa.”
“Mas eu perguntei primeiro.”
Dou de ombros. “Vim com a banda.”
“Sei. Claro que veio. Não deveria estar comemorando a grande vitória com seus amigos de Harvard?” A expressão sombria dela deixa bem claro como se sente quanto à nossa classificação.
“Já falei que sou amigo da banda. Fiz ensino médio com o guitarrista.”
Viro para me certificar de que Danny não está bravo por ter sido abandonado. Mas o cara está envolvido em uma discussão animada com um cara usando moletom do Metallica. Quando nossos olhos se encontram, sinalizo indicando que preciso de uns minutos. Ele assente e continua conversando.
“Bom, então você deveria dizer ao seu amigo que eles precisam tocar mais que catorze minutos”, Brenna diz. “Pisquei e já tinha acabado.”
Dou risada. “Eu sei. Mas é o primeiro show dos caras, não dá pra reclamar.” Faço um sinal para o garçom passando e ele para à nossa mesa. “Me traz uma cerveja, por favor? E outro drinque pra minha namorada.” Aponto para o copo vazio dela.
“Não sou…” Ela desiste de protestar, porque o cara já foi embora. “Eu não queria outro, Connelly”, murmura.
“É por minha conta. O mínimo que pode fazer é beber uma comigo. Acabei de te salvar, afinal de contas.”
Ela abre um sorriso seco. “Acha que foi isso que acabou de acontecer?”
“Foi. Sua expressão dizia claramente ‘Alguém me tira daqui’.”
Brenna dá uma risada profunda antes de passar uma mão pelo cabelo vasto e brilhante. “Eu queria mesmo cair fora”, ela confirma. “Porque te vi.”
Estreito os olhos.
“É verdade. Quer dizer, por favor… por acaso pareço uma donzela em perigo? Acha mesmo que não conseguiria me livrar daquele cara sozinha?”
Brenna tem razão. Ela não é uma donzela em perigo. Meu estômago se contorce com a ideia de que estava tentando fugir de mim, e não de Ronny. O golpe no ego não é bem-vindo. “Então, não ganho nem um ‘valeu’ por tentar ser legal?”
“É assim que você se vê? Como legal?” Brenna pisca. “Nunca ouviu dizer que caras legais terminam por último?”
“Você ainda não me disse por que está aqui. Usando isso.” Aponto com a cabeça para o vestido dela — e espero que minha expressão não revele o que penso dele.
Porque, caralho, que vestido. É indecentemente curto, e tão decotado que deixa minha boca seca. Cadê minha cerveja? Estou morrendo aqui. O tecido brilhante se agarra a cada curva tentadora do corpo dela, envolve seus peitos empinados e redondinhos, pelos quais qualquer homem daria seu primogênito para poder tocar. E as pernas… minha nossa. Ela não é muito alta — deve ter estatura mediana, perto de um metro e sessenta e sete —, mas o vestido curto e as botas de salto fazem parecer que as pernas dela não têm fim.
“Eu ia sair pra dançar esta noite”, ela responde, firme. “Mas minha prima me deu o bolo no último minuto.”
“Que saco.”
“Total.”
As bebidas chegam, e eu viro um belo gole para recuperar a umidade muito necessária da garganta. Brenna Jensen é gostosa demais, e eu não deveria tê-la em minha presença esta noite. Ainda estou curtindo o barato da vitória de hoje. A adrenalina ainda corre no meu sangue. Acabamos com Princeton. Eles não tiveram chance. Agora o universo colocou Brenna no meu caminho, e isso está mexendo com minha cabeça e me dando ideias.
Quando a vi com Ronny, pensei que salvá-la seria um jeito de me desculpar pela história do McCarthy.
Mas, agora que está à minha frente nesse vestido, não penso em me desculpar. Penso em beijá-la. Em tocá-la. Em pegar sua bunda durinha. Não, mais do que isso.
Uma sucessão de imagens obscenas polui a minha mente. Quero inclinar seu corpo sobre a mesa e comer ela de quatro. Descer minhas mãos por aquela bunda macia. Enfiar meu pau com uma estocada só, devagar… Aposto que ela ia arquear as costas e gemer.
Tenho que morder o lábio para não soltar um grunhido. Por sorte, Brenna não nota. Está ocupada demais tomando seu drinque de canudinho. Ela faz uma careta e devolve o copo à mesa.
“Desculpa, Connelly, mas não consigo. Tomei dois em menos de uma hora, e já estou me sentindo meio tonta.”
“Onde vai dormir?”, pergunto, com a voz grossa. “Não vai voltar dirigindo para Hastings esta noite, vai?”
“Não, vou de Uber.”
“Vai ser uma viagem cara.”
“Oitenta dólares”, ela diz, pesarosa. “Mas é melhor que voltar para o dormitório da minha prima.”
Assovio. O convite para dormir na minha casa está na ponta da minha língua, mas consigo me refrear. É uma das piores ideias que já tive. Além disso, ela nunca toparia.
Firmo meus dedos em volta da garrafa e me forço a aceitar a verdade: estou com tesão.
Continuo ligado por causa do jogo. Meu sangue corre quente, meu pau está duro e Brenna é muito sensual. A presença dela está causando um curto-circuito no meu bom senso.
Quando dedos quentes de repente tocam meu pulso, pulo como se tivesse sido eletrocutado. Abaixo os olhos e encontro Brenna brincando com minha pulseira. Ela toca uma bolinha cor-de-rosa, e seus lábios se retorcem como se tentasse não rir.
“Pulseira legal”, ela comenta. “Assaltou o quarto de uma menina de oito anos?”
“Engraçadinha.” Reviro os olhos. “É um amuleto. Sempre uso em dia de jogo.”
“Atletas e suas superstições.” Ela aperta os lábios. “Meu segundo palpite é que encontrou um grupo de escoteiras e as roubou.”
“Errou de novo.”
“Então você é um viajante no tempo dos anos 1960 e…”
“Sinto muito por decepcionar você”, interrompo com um sorriso, “mas a pulseira não tem uma história envolvente. Perdi uma aposta com um colega de time no primeiro do ensino médio, então tive que usar isso por um mês.”
O tom dela é seco. “A ideia era ameaçar sua masculinidade?”
“Dá pra acreditar?” Pisco. “Ele claramente não me conhecia muito bem. Tenho total confiança na minha masculinidade.” Meu pau duro nesse mesmo instante é um exemplo disso, mas estou tentando não focar nele, na esperança de que passe. Giro a pulseira rosa e roxa. “Mas acho que ele roubou da irmã mesmo. Espero que não fosse muito apegada a ela, porque nunca mais viu a pulseira.”
“Ela tem poderes mágicos?”
“Ô se tem. Não perdemos um único jogo naquele mês. Detonamos todos os times. Estou falando de quatro rodadas. Então, quando a tirei…” Um arrepio gelado percorre minha coluna.
Brenna parece fascinada. “O que aconteceu quando você tirou?”
“Não posso falar. Sofro de transtorno do estresse pós-traumático.”
Ela deixa uma risada melódica escapar. Não posso negar que gostei de ouvir. Não, gostei de saber que fui eu quem a fez rir. Essa garota linda e irritável, a mais espertinha que já conheci, que não perde a oportunidade de me cutucar.
“O primeiro jogo d.P., depois da pulseira… É como eu marco o tempo agora”, explico.
Ela parece estar se divertindo. “Claro.”
“Bom, nós perdemos. Não, nós perdermos feio. É inacreditável como jogamos mal.” A lembrança ainda traz o calor da humilhação às minhas bochechas. “Poderíamos muito bem ter nos deitado e deixado o outro time passar por cima. Foi a derrota do século.” Faço uma pausa dramática. “Fomos detonados. Oito a zero.”
O queixo de Brenna cai. “Oito a zero? Acho que nunca vi um jogo de hóquei em que um único time marca oito gols. Nossa. Nunca tira essa pulseira, ou vocês vão…” Ela se interrompe. “Na verdade… posso pegar emprestado?”, Brenna pergunta, abrindo um sorriso doce.
Sorrio também. “Até parece. Ela vai estar no meu pulso quando formos campeões. Falando nisso…” Pego o celular. Estive acompanhando o jogo entre Briar e Yale a noite toda, mas agora faz uma meia hora que não confiro o placar. “Ah, veja só, gatinha. Adivinha quem foi pra prorrogação.”
O bom humor dela se esvai. “Quanto está?”, Brenna pergunta.
“Dois a dois.” Pisco, inocente. “Se me lembro bem, Briar tinha um gol de vantagem até os últimos dois minutos do terceiro período. Parece que seu time amarelou e deixou Yale empatar.”
“Não estou preocupada. Briar vai ganhar.” Ela dá de ombros de maneira despretensiosa. “Dito isso, vou pra casa. Tenha uma boa noite, Connelly.”
Uma pontada de uma decepção peculiar me atinge. Quero que Brenna fique. Que porra é essa?
Volto os olhos para o palco, onde Danny continua conversando. “Eu te acompanho até a porta”, ofereço.
“Completamente desnecessário. Não preciso de acompanhante.” Ela dá um tapinha no meu braço. “Boa noite, Jakey.”
Apesar da recusa, eu a sigo.
“Já falei que não preciso de acompanhante.”
“É, você falou mesmo.”
Ela para no bar e entrega ao garçom uma nota de vinte. “Pode cobrar a cerveja dele aqui também.” Ela olha por cima do ombro. “Agradeça à provedora aqui, Jakey.”
“Valeu.” Abro um sorriso exageradamente lascivo. “Adoro que tomem conta de mim.”
Brenna suspira. “Te odeio.”
Eu a sigo pela escada estreita. “Não odeia, não.”
A casa de show fica no subsolo de um prédio, então temos que subir um andar até a saída. Brenna vai na minha frente, de modo que sua bunda fica a poucos centímetros do meu rosto. Quase engasgo. Jesus. Quase dá pra ver tudo.
Quando chegamos, eu a paro colocando uma mão em seu ombro. “Você gosta de mim”, digo a ela.
Brenna me avalia lentamente. “Acho que é o contrário. Você gosta de mim.”
Dou de ombros. “Você é o.k.”
Um sorriso se insinua nos cantos de seus lábios. “Não… Você acha que sou mais do que o.k. É louco por mim.”
“Ah, qual é? Quanta bobagem.”
“Então está dizendo que se eu te pedisse pra ir pra casa comigo agorinha você diria não?” Ela lambe os lábios, aqueles lábios vermelhos e sensuais, e se aproxima.
Lambo meus lábios também. “Diria.”
Ainda sorrindo, Brenna se aproxima mais. Ela me empurra para a parede, centímetro a centímetro, até que seu corpo esguio fique pressionado contra o meu e o topo de sua cabeça faça cócegas no meu queixo.
“Acho que você diria sim”, ela sussurra. Então sobe as mãos pelo meu peito, parando-as nas clavículas.
Levanto uma sobrancelha. “Acha mesmo que vou cair nesse truque? Vi quando fez a mesma coisa com Chilton na outra noite. Não sou tão burro quanto ele.”
“Você é homem. Homens são burros.” Brenna levanta os olhos para mim, e, porra, é a mulher mais bonita que eu já vi. É ousada e feroz, características que combinadas com sua beleza tornam difícil lutar contra ela.
No entanto… não deixo de notar a maneira como uma veia pulsa forte em sua garganta. Como respira mais rápido. Ela não é inabalável, essa garota. Consigo fazê-la estremecer.
“É fácil falar. Se eu dobrasse a aposta, acho que sairia correndo pela porta.”
“Acha que estou blefando?”
“Acho. Você só faz isso.” Apoio a mão no quadril dela. Minha pegada é leve, quase descuidada, mas o toque proposital obtém a resposta esperada.
Vejo fogo em seus olhos.
“Se eu deslizasse a mão para baixo do seu vestido, o que aconteceria?”, pergunto.
Minha intenção era abalá-la, mas a pergunta me atinge também. Fico de pau duro. Gosto de joguinhos assim, em que um provoca, brinca e desafia o outro até que algo acontece. Até que alguém cede.
“O que aconteceria?”, repito. Meus dedos escorregam levemente para brincar com a barra de seu vestido incrivelmente curto.
Brenna não desvia os olhos. “Você descobriria que estou seca como o deserto.”
“Hum… Duvido. Acho que descobriria que está prontinha pra mim.” Puxo o tecido elástico, então encontro o local onde começa a pele. Passo o dedão pela coxa dela e vejo seus lábios se abrindo. “O que acha? Vamos ver se minha hipótese está correta?”
Mantemos o olhar fixo no do outro. Roço as juntas da minha mão na pele dela. É inacreditavelmente macia, e meu pau dói de tão duro. É como um ferro quente contra o jeans. Daí, ele começa a vibrar.
Percebo, então, que é o celular. Está no meu bolso, e tão próximo do meu pau sedento que a vibração me dá um arrepio de prazer.
“Não vai atender?”, Brenna pergunta como quem sabe o que se passa. Seu corpo ainda está colado ao meu, suas mãos continuam no meu peito, e tenho certeza de que sente minha ereção contra sua barriga.
“Não. Estou ocupado.” Minha mão continua abaixo da linha do vestido, a centímetros do paraíso.
Ela estremece de repente, então mexe na bolsinha pendurada no ombro. O celular dela está tocando também? Só pode significar uma coisa…
Tiro a mão da coxa dela. Pego o celular antes e passo os olhos pelas mensagens responsáveis por toda a vibração. Brenna verifica suas notificações e solta um gritinho vitorioso que ecoa pelas paredes pretas da escadaria estreita.
“É!”, ela exclama. “Porra!”
Relutante, olho em seus olhos. “Parabéns.” Briar venceu Yale na prorrogação. Quem marcou o gol da vitória foi o capitão Nate Rhodes.
O sorriso de Brenna ilumina seu rosto por inteiro. Depois se transforma numa curva presunçosa, mais de desdém do que de alegria, antes de se tornar um sorriso malicioso em desafio.
“Então. Acho que nos vemos na final.”