The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 40 de 43

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The Risk

40. Jake

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JAKE

 

Volto ao vestiário e me sinto centrado de imediato. Forte. Motivado. Agora que sei que meus pais estão na arquibancada torcendo por mim, me sinto ainda mais determinado a jogar bem.

Vou vencer Michigan hoje, depois vou reconquistar Brenna. Não me importo de me jogar a seus pés e implorar. Vou ter minha garota de volta.

Embora os uniformes e equipamentos do time já tenham sido trazidos, sempre carrego uma mala comigo. É nela que guardo minha fita adesiva e outras coisas, incluindo minha pulseira. Abro o zíper e reviro o conteúdo em busca das contas que me são tão familiares. Mas não encontro nada.

Então lembro, e o medo toma conta de mim em um segundo.

Emprestei a pulseira a Brenna.

Daí terminei com ela e não peguei a pulseira de volta.

Caralho.

Caralho, caralho, caralho.

Uma voz furiosa na minha cabeça quer saber por que Brenna não entrou em contato comigo nos últimos três dias para me lembrar de que estava com a pulseira. Ela sabe como é importante para mim, mas nem se deu ao trabalho de ligar? Brenna nem precisaria me ver. Weston poderia ter ido buscar a pulseira.

Mas Mike Hollis disse que Brenna está de coração partido. E por culpa minha. É claro que ela não ia se desdobrar para me fazer um favor.

O pânico se acumula dentro de mim, e faço uma série de respirações profundas. Me forço a me acalmar. É só a porra de um amuleto. Não preciso de uma pulseira de criança para ganhar o jogo. Não foi isso que nos fez vencer o regional. Não foi isso que me fez ser draftado pelos Oilers. Uma pulseira não…

“Jake.”

Viro a cabeça para a porta. Hazel entra, hesitante.

“Você não deveria estar aqui”, digo.

“Vou ser rápida, prometo. Eu…” Ela se aproxima, parando a dois passos de mim. Vejo sua garganta se movimentar como se engolisse em seco, várias vezes, pelo visto. Ela tira algo do pulso e entrega para mim.

A onda de alívio que me atinge é quase suficiente para me derrubar. Pego a pulseira dela. Preciso de toda a minha força de vontade para não trazer o amuleto para junto de mim e começar a chamá-lo de “my precious”, como Gollum. Mas puta que o pariu. Que susto.

“Eu nem ia te entregar”, Hazel diz, e a vergonha em seu tom faz com que eu estreite os olhos pra ela.

“Como assim? E por que está com isso?”

“Brenna apareceu e pediu pra te dar.”

“Agora?”

Hazel balança a cabeça devagar. “Há uma meia hora.”

“Então foi meia hora antes da nossa conversa no corredor?” A raiva me domina e me queima por dentro. “Você está de brincadeira comigo? Estava usando essa pulseira enquanto conversávamos?”

“Sim, mas…”

“E não me devolveu? Me desejou sorte e me deixou ir embora sem me entregar?”

“Me deixa terminar”, ela pede. “Por favor.”

De novo, preciso de muita força de vontade para calar a boca. Vou deixar que Hazel termine em respeito a dezesseis anos de amizade. Mas estou tão bravo que minhas mãos tremem.

“Eu não ia te dar pra que não ficasse sabendo que Brenna está aqui”, Hazel sussurra.

Meu coração bate mais rápido. Não de raiva dessa vez, mas por conta da presença de Brenna. Terminei com ela, e ainda assim veio até aqui para devolver meu amuleto.

“Mas então me dei conta de que isso faria de mim não só a pior amiga do mundo, mas uma merda de pessoa. Atrapalhar seu ritual para tentar manter você longe daquela garota? Porque tenho ciúme dela?” Hazel evita meu olhar incrédulo. “Eu não teria como consertar isso depois.”

Meu estômago se revira. Não quero ter essa conversa agora. Pelo menos não com Hazel. Agora que sei que Brenna está em algum lugar nessa arena, é a única pessoa com quem quero falar.

“Sempre gostei de você”, Hazel confessa.

Droga. Bom, não posso fugir agora.

E a confissão exige tanta coragem que não posso deixar de admirá-la. “Hazel”, começo a dizer, com um tom áspero.

“É besteira, eu sei. Mas é difícil não sentir algo por Jake Connelly, sabe?” Um meio sorriso triste ergue o canto de sua boca. “Sei muito bem que você só me vê como amiga, mas acho que uma parte de mim sempre achou que seria como uma daquelas comédias românticas ridículas, e que um dia você ia acordar e perceber que sempre tinha sido eu. Mas isso não vai acontecer.”

Não vai mesmo.

Não digo isso a ela, porque não quero magoá-la ainda mais. Só que Hazel pode ver isso em meus olhos. Não sinto esse tipo de coisa por ela, só a vejo como amiga. Ainda que não estivesse apaixonado por outra pessoa, nunca aconteceria nada entre a gente.

“Sinto muito, Jake.” Um remorso genuíno toma conta de sua expressão. “Você tem todo o direito de estar puto comigo. Mas espero que o fato de ter voltado pra devolver a pulseira e contar que Brenna está aqui compense um pouco não ter feito isso antes. Fiz besteira. Fui egoísta, e reconheço isso.” Ela olha para o chão. “Não quero perder sua amizade.”

“E não vai perder.”

Ela levanta os olhos chocados para os meus. “Não vou?”

“Claro que não.” Suspiro. “A gente se conhece desde sempre, Hazel. Não vou jogar fora anos de amizade por causa de uma mancada. Aceito suas desculpas.”

Ela parece aliviada.

“Mas, se for mesmo minha amiga, vai se esforçar de verdade pra conhecer Brenna. Acho que você vai gostar dela. E, se não gostar, é só fingir que gosta.” Inclino a cabeça para desafiá-la. “Se você estivesse com alguém de quem não gosto, eu fingiria. Apoiaria você independente de qualquer coisa.”

“Sei disso. Você é uma das melhores pessoas que conheço.” Hazel revira a bolsa verde atrás do celular. “Sei que esqueceu o celular, mas posso procurar o perfil nas redes sociais e…”

“Oi?”

“O perfil de Brenna”, Hazel diz. “Ela veio até aqui devolver a pulseira e entregou pra mim em vez de vir até você pessoalmente, então imagino que estejam brigados. E você não pode entrar no gelo antes de resolver as coisas.” Ela coloca a senha, e o anel prateado do dedão fica batendo contra a capinha do aparelho. “Ela está no Face ou no Insta? Você pode mandar uma mensagem do meu celular.”

“Não precisa. Sei o número dela de cor.”

“Sério? Você decorou o número dela?

Assinto.

“Nossa. Não sei nem o número da minha mãe de cor.”

Dou de ombros, incomodado. “Achei que era bom decorar caso precisasse.”

Hazel fica quieta.

“O que foi?”, pergunto, na defensiva.

“É só que…” Ela parece impressionada. “Você está mesmo apaixonado.”

“É. Estou.”