The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 20 de 43

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The Risk

20. Brenna

20

 

 

BRENNA

 

Tic, tic, tic.

Ignoro a chuva batendo contra a janela do quarto. Não lembro quando começou, mas foi em algum momento depois de ter voltado do Malone’s. Estou focada num trabalho para a faculdade desde então, mas agora o barulho está começando a me irritar. O lado bom é que a chuva vai lavar todo o chantili do carro de Jesse Wilkes, então talvez ele pare de choramingar a respeito.

Tic, tic.

Então, meu celular toca.

JAKE: Por favor, me diz que não estou jogando pedrinhas na janela do quarto do seu pai.

Sento na hora. Do que Jake está falando?

Ligo para ele na hora. “É você aqui fora?”, pergunto.

“Ah, então você está ouvindo”, ele resmunga. “Só decidiu ignorar.”

“Não. Ouvi um tic-tic no vidro, mas achei que fosse a chuva.”

“Como pode ter ouvido um tic-tic e achado que era chuva? Chuva é mais um plim-plim.”

“Então enfia esse plim-plim no rabo, Jake.”

A risada rouca dele faz cócegas no meu ouvido. “Vai me deixar entrar ou não?”

“Por que não tocou a campainha como uma pessoa normal?”

“Ah, legal, então posso fazer isso?”, ele diz, brincando. “Vou lá agora mesmo…”

“Fica quieto. Meu pai está na sala vendo TV.”

“Sei bem disso. Vi o homem pela janela. Por isso as pedras.”

Reviro o cérebro pensando em uma maneira de deixá-lo entrar. Não dá para chegar até a escada sem passar pela sala. E, mesmo se desse, essa é uma casa antiga e barulhenta. O quarto e o quinto degraus rangem como se o lugar fosse mal-assombrado. É nosso sistema de alarme.

“Hum… tá. Acho que o único jeito de subir até minha janela é pelo cano de escoamento.”

“Está falando sério? Vai me obrigar a bancar o Romeu? Não posso entrar por trás?” Ele ri. “Hmmm!”

“Seu nível de maturidade me impressiona. E, não, você não pode entrar pela porta dos fundos. Dá de cara pra sala. Meu pai vai te ver.”

“Tenho uma ótima ideia”, Jake diz, animado. “Você pode vir aqui.”

“Ele vai perguntar aonde é que estou indo. Além do mais, está chovendo. Não quero sair.”

“Eu sei que está chovendo, não é como se eu quisesse ficar aqui fora!” Ouço um suspiro alto e irritado. “Você é tão difícil, porra. Um segundo.”

Ele desliga. Por um momento, me pergunto se desistiu e foi para casa. Espero que não, porque não quero um cara que desista tão facilmente.

Tenho que sorrir quando ouço um rangido de metal, seguido por um farfalhar chegando cada vez mais próximo. Finalmente, uma pancada forte sacode a janela, e vejo um punho através do vidro embaçado e marcado pela chuva. Me aproximo e um dedo se levanta. O do meio.

Tentando não rir, abro a janela. A tela está rasgada há anos, então tenho uma visão perfeita do rosto molhado de Jake. Uma faixa de sujeira marca sua bochecha linda.

“Não acredito que me obrigou a fazer isso”, ele acusa.

“Não te obriguei a nada. Foi você quem apareceu sem me avisar. Quer me ver tanto assim, é?” De repente, me sinto culpada. Não porque o cara subiu pelo cano de escoamento por mim, mas por causa da alegria que sinto só de vê-lo.

Acabei de passar horas com um grupo de jogadores de hóquei de Briar, ouvindo-os acusar Harvard da brincadeira infantil que foi feita com o carro de Jesse Wilkes. E fiquei sentada ali, cheia de segredos. Sabendo que tenho falado com Jake, que saí com ele, que o beijei…

Parece que estou traindo meus amigos. Ao mesmo tempo, não estamos mais na escola. Não vou parar de sair com alguém porque meus amigos dariam um chilique.

“Entra”, digo. “Se alguém passar de carro e vir metade do seu corpo pendurada pra fora da janela, vai chamar a polícia.”

Jake passa pela janela e aterrissa com graciosidade no chão de taco. “Vou tirar as botas pra não encher seu quarto de lama.” Ele desamarra os cadarços e deixa os sapatos sob a janela. Então tira a jaqueta e sacode os cabelos molhados, como um cachorro que acabou de tomar banho.

Os respingos atingem meu rosto. “Valeu”, digo, sarcástica.

“Imagina.”

De repente, as mãos dele estão na minha cintura. Não, esquece isso. As mãos frias e molhadas dele entram por baixo da minha blusa.

“Você está tão quentinha.” Jake suspira feliz, então esfrega o cabelo molhado no meu pescoço.

“Você é tão sem noção”, informo, tentando me soltar. “Estou te odiando muito nesse momento.”

“Não é verdade”, ele diz, mas me solta e avalia meu quarto rapidamente com os olhos. “Não é como eu esperava.”

“Eu já estava morando sozinha quando meu pai comprou esta casa. Nem eu nem ele nos demos ao trabalho de dar um toque pessoal ao meu quarto. Agora quer me dizer por que apareceu aqui do nada? Na verdade, espera. Primeiro quero saber o que foi aquela idiotice que vocês fizeram no Malone’s esta noite. Foi muito imaturo.” Mandei uma mensagem para ele quando voltei do bar, mas Jake não deu nenhuma explicação. Ou resposta, agora me dou conta.

“Ei”, ele diz, na defensiva. “Não me culpe pela idiotice dos outros caras do time. Fui atrás depois que você me escreveu. Parece que os bandidos do chantili são dois caras do segundo ano, Heath e Jonah. Eles estavam em Hastings esta noite, completamente bêbados. Disseram que foi só uma brincadeira.”

“Uma brincadeira idiota. Eu poderia ter bolado algo bem mais diabólico.” Lanço um olhar severo para ele. “É melhor ficar de olho nos seus jogadores. Jesse Wilkes queria ir até Cambridge esta noite pra se vingar. Eu e Nate o convencemos a não fazer isso, mas o cabeça de vento quase começou uma guerra de pegadinhas sem graça.”

A expressão de Jake parece sofrida. “Obrigado por isso. A última coisa de que preciso é de jogadores revoltados da Briar aparecendo no Dime. Mas não se preocupe, vou falar com os dois amanhã.” Ele vai até a cama e se joga nela, ficando totalmente à vontade.

Admiro o corpo longilíneo esticado sobre o colchão. Jake está de calça cargo e suéter preto. A blusa de frio não fica ali por muito tempo — ele a tira e a joga no chão, então volta a se acomodar. A camiseta que estava por baixo é tão fina que parece ter sido lavada mil vezes. Tem um furo perto da barra, e a estampa quase apagou. Mal consigo distinguir as palavras Gloucester Lions.

“É o seu time da escola?”, pergunto, tentando não focar em como o tecido fino revela o peitoral mais impressionante que já vi. E isso é dizer muito, já que estou sempre cercada de caras fortões.

O corpo de Connelly é maravilhoso. Sem discussão.

O sorriso torto que ele abre para mim dispara um arrepio pela minha espinha. “Isso.” Ele pega meu laptop fechado e coloca na mesa de cabeceira, então dá uma palmadinha no espaço vazio ao seu lado. “Vem aqui.”

“Não.”

“Por quê?”

“Porque se eu for aí a gente vai se pegar e meu pai pode ouvir.” Assim que digo essas palavras fico me sentindo ridícula. É como se eu tivesse quinze anos de novo, e Eric tivesse acabado de entrar escondido no meu quarto.

Mas eu o recebia com certa frequência. E, em todo aquele tempo, nunca fomos pegos.

A lembrança da minha discrição no passado permite que eu me junte a Jake na cama. Eu me acomodo ao lado dele de pernas cruzadas. Jake pega minha mão, acariciando a palma com o dedão em círculos preguiçosos.

“Por que está aqui?”, solto sem perceber. “Você não fez todo o caminho só pra falar sobre o chantili.” Algo me passa pela cabeça do nada. “Como sabia onde eu morava?”

“Vim porque queria te ver”, ele diz apenas. “Quanto à segunda pergunta, vou exercer meu direito constitucional de me manter calado pra não me incriminar.”

“Ai, meu Deus. Por favor, me diz que você não ficou me stalkeando na internet nem nada do tipo.”

“Nada do tipo.”

“Então, como?”

Ele dá de ombros, inocente.

“Connelly.”

“Tá. No meu primeiro ano, jogamos contra a Briar e apanhamos feio. Seu pai foi um babaca com Pedersen depois do jogo, e, bom, a gente gostava do treinador e queria dar o troco por ele, então…”

“Então o quê?”, pergunto.

“Então dirigimos até Hastings mais tarde e enchemos a entrada da casa do seu pai de papel higiênico”, ele murmura.

Fico espantada. “Foi você? Eu me lembro disso! Meu pai ficou puto.”

“Fomos nós. Em minha defesa, eu tinha dezoito anos e era meio idiota.”

“E não mudou muito”, digo, brincando.

Ele entrelaça seus dedos nos meus e aperta. Forte.

“Ai”, reclamo.

“Nem machucou.”

“Machucou, sim.”

“Não machucou nada.” Ele faz uma pausa. “Machucou?”

“Não machucou”, admito.

“Tonta.” Jake leva minhas mãos aos lábios e beija os nós dos meus dedos.

Olho para ele, tentando entendê-lo. Está sempre me mostrando outros lados de si mesmo. É irritante. “Ainda não consigo acreditar como você é pegajoso.”

“Pegajoso tipo chato ou só no sentido de ficar encostando em você o tempo todo?”

“A segunda opção. Eu não esperava que você fosse do tipo carinhoso, de verdade.” Aperto os lábios. “Não curto muito isso.”

“Já falamos sobre isso, linda. Você ama isso.”

“Para de me dizer o que eu amo. Falei que não curto isso.”

“Claro que curte.”

Solto um grunhido, exasperada. Não posso negar que gosto do senso de humor bobo dele. Traço com a ponta do dedo o desenho do escudo do Gloucester Lions. “Você jogava algum outro esporte na escola?”

“Não. Só hóquei. E você?”

“Jogava vôlei, mas nunca levei muito a sério. E certamente não era boa o bastante pra conseguir uma bolsa pra faculdade por conta disso. Nem entrei na Briar direto, aliás.”

Jake parece surpreso. “Sério?”

“Minhas notas não eram das melhores.” Minhas bochechas ficam vermelhas. “Fiz dois anos numa faculdade comunitária antes de conseguir transferência pra Briar.”

“Então você era mesmo uma menina levada, hein?”, ele brinca.

“Era mesmo”, admito.

“Gosto de meninas levadas.” Jake pega uma mecha do meu cabelo e a enrola no dedo. “Você cresceu por aqui?”

Faço que não com a cabeça. “Cresci em Westlynn. É uma cidadezinha de New Hampshire. Continuei estudando lá mesmo depois de meu pai começar a trabalhar na Briar. Era onde estavam todos os meus amigos. E meus primos.”

E meu namorado, mas deixo essa parte de fora. Mencionar Eric nunca é uma boa ideia. Já senti na pele como acaba com o clima.

“Eu não era das mais responsáveis no ensino médio”, admito. “Meu pai nunca me deixa esquecer. Foi também por causa disso que saí de casa assim que pude.” Um milhão de perguntas passam pelos olhos de Jake, então mudo de assunto antes que ele tenha a chance de fazê-las de fato. “Gloucester é uma cidade pesqueira, não é?”

“Isso.”

“Sua família tem um barco?”

“Meu avô tem.” Jake continua brincando com meu cabelo, sem prestar muita atenção. Parece que uma parte dele precisa estar sempre em movimento, seja brincando com uma mecha ou acariciando meu joelho. “Meu pai trabalha com construção, mas meu avô trabalhou a vida inteira em um barco. Sempre trabalho com ele nas férias de verão.”

“Sério? Fazendo o quê?”

“Mergulhando atrás de vôngole.”

“Fala sério, Jake. Que nojo.”

“Estou falando!” Ele sorri. “Eu pego moluscos no verão. Meu avô e eu fazemos isso juntos. É um negócio muito lucrativo. Ganho dinheiro o bastante pras despesas do ano todo.”

Tento não rir, mas meus lábios se contorcem. “Você pega moluscos.”

“Isso.” Ele passa a língua pelo lábio inferior de um jeito sensual. “Deixa você louquinha, não deixa?”

“Não sei que efeito tem em mim, mas com certeza não é excitação que estou sentindo agora.”

“Hum-hum. Sei.”

“Você se dá bem com seu avô?”

“Claro, ele é um velhinho durão. Amo o cara.”

“E seu pai?”

“Também é durão. Nos damos bem na maior parte do tempo.” As mãos de Jake entram por baixo da minha blusa de novo. “Bom, e se a gente parasse de falar de família agora?”

Seus dedos já não estão gelados. Estão quentes e secos, e parecem o paraíso deslizando pela minha pele nua.

“Quer dar uns pegas?” Ele levanta uma sobrancelha.

“Pode ser.” Meu coração bate forte quando inclino a cabeça para beijá-lo. No momento em que nossos lábios se tocam o calor se espalha pelo meu corpo.

Para mim, um beijo é a coisa mais íntima que existe. Mais que sexo oral e penetração. Pode ser apenas o mero ato de bocas se tocando, línguas dançando. Mas um beijo, no fundo, é uma experiência emocional. Ou pelo menos para mim é. Qualquer um pode me dar um orgasmo, mas nem todo mundo consegue tocar minha alma. Um beijo pode fazer com que me apaixone por alguém. Eu sei porque já aconteceu. E é por isso que às vezes beijos me assustam.

“Amo te beijar”, Jake sussurra, e me pergunto se está lendo minha mente.

Seus lábios estão quentes contra os meus enquanto Jake me empurra para trás com delicadeza. Abro as pernas e ele posiciona seu corpo poderoso entre minhas coxas, me beijando de novo, de novo e de novo.

O tesão se acumula dentro de mim. Faz meu clitóris pulsar. Afasto a boca e olho em seus olhos cheios de luxúria. “Nem pude brincar da última vez”, digo. “Só você se divertiu.”

Ele abre um sorriso presunçoso em resposta. “Quem gozou foi você. Tenho certeza de que isso quer dizer que só você se divertiu.”

“Mas nem pude te torturar.” Me apoio em um cotovelo e dou um empurrão firme em seu peito, forçando-o a deitar de costas. Quando está à minha disposição, levanto a bainha de sua camiseta e exponho seu tanquinho duro.

Meu coração acelera quando olho para Jake. Seus músculos são perfeitamente definidos, insinuando um “V” de babar que desaparece dentro da calça. Levo os lábios ao centro do peito dele, e um arrepio percorre seu corpo largo. O gosto é de sabonete cítrico e um toque de sal. É delicioso. Vou levantando a camiseta conforme minha língua vai subindo por seu peito, revelando mais e mais pele. Chego ao mamilo e o mordo de leve.

Jake geme.

“Xiu”, sussurro antes de passar a língua pelo círculo escuro.

“Desculpa. Esqueci.”

Provoco o outro mamilo, então vou beijando seu pescoço. A camiseta está toda enrolada ali, mas não a tiro, porque continuo muito consciente de que meu pai está lá embaixo vendo TV. Acaricio seu pescoço, passando o dedo pela barba por fazer que marca seu maxilar.

Ele solta um ruído rouco em aprovação. Esfrego meus lábios nos seus, mas o contato é breve. Estou ocupada admirando seu rosto lindo.

Os olhos de Jake se abrem totalmente. São de um verde-escuro sem fim. “Você parou de me beijar”, ele murmura. “Por que parou de me beijar?”

“Porque quero fazer outra coisa. Mas preciso que fique quietinho. Vai ficar? Por mim?”

Ele passa a língua no lábio superior, para umedecê-lo, então faz o mesmo com o inferior. “Vou tentar.”

Desço o zíper.

Com os olhos brilhando de desejo, ele levanta a bunda para que eu possa descer sua calça e sua cueca. Suas coxas são durinhas e não têm muito pelo, só uma leve penugem. A quantidade perfeita.

Fico com água na boca ao ver seu pau. Ah, gostei disso.

Fecho os dedos em seu pau grosso. Sinto o membro grande e duro na minha mão, e o calor aveludado me deixa molhada. Aperto minhas coxas uma contra a outra, me contorcendo para controlar a vontade. Já faz um tempo que não fico assim louca para ter alguém dentro de mim. Movimento a mão de forma lenta e provocativa, e xingamos os dois. Só quero tirar minhas roupas e mergulhar em seu pau duro, então cavalgar até os dois gozarem.

Mas isso pode esperar. Lambo os lábios e abaixo a cabeça para envolvê-lo com minha boca.