The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 24 de 43

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The Risk

24. Brenna

24

 

BRENNA

 

É manhã de terça e uma loira magra me olha feio.

Marquei de encontrar minha amiga Audrey no Coffee Hut, mas ela está cinco minutos atrasada. Será que a loira magra no balcão está puta por eu estar segurando uma mesa para dois? Não pode ser. Ela também está sozinha. Por que deveria ficar com a mesa? Estamos nos Estados Unidos. Quem chega primeiro leva.

Ainda assim, mando uma mensagem para Audrey, porque o lugar está lotado e não posso ficar enrolando com a mesma xícara de café por muito mais tempo sem que um atendente venha me dizer que preciso liberar a mesa.

EU: Cadê vc? Estão querendo nossa mesa.

AUDREY: Ainda esperando pra falar com o professor.

Sério? Ela ainda está na sala? O prédio de jornalismo fica a dez minutos andando daqui. A próxima mensagem dela confirma o que eu temia.

AUDREY: Vou me atrasar no mínimo mais quinze minutos. Prefere esperar ou marcar à tarde?

EU: Não posso à tarde :( Minha aula começa à uma e termina às cinco. E jantar?

AUDREY: Não consigo :(

Argh. Apesar de fazermos o mesmo curso, faz um tempo que Audrey e eu não conversamos de verdade. Não interagimos muito durante as aulas, já que na maior parte do tempo recebemos um tema na hora e temos que escrever a respeito em seguida. Quase não vi Elisa, que estuda com a gente, esse mês também. Acho que é aquela época do ano, com trabalhos finais e provas, a temporada de hóquei nos finalmentes. Antes que eu perceba, vai ser maio e o semestre vai ter acabado.

EU: Tá, eu espero. Tô com sdd.

AUDREY: Ah, adoro vc! Chego logo.

“Brenna Jensen?”

Levanto a cabeça e deparo com a garota que estava me olhando feio do balcão. Ela está dois passos à minha frente agora, e sua cara não melhorou nem um pouco. Combina com o céu nublado do outro lado da janela.

“Te conheço?”, pergunto, cautelosa.

“Sou Hazel. Hazel Simonson.”

Isso não me diz nada. “Tá. A gente se conhece?”

Uma ruga se forma na testa dela, mas ainda não sei o que significa. “Jake nunca falou de mim?”

Minha mão aperta a xícara de café com mais força. “Você o conhece?”

“Conheço. Muito bem, na verdade.”

Tento manter a expressão neutra. Juro que se a garota vier me dizer que é namorada dele…

Não. Se ela fizer isso, é porque está mentindo. Jake não me parece do tipo golpista. Ele disse que não namora, e não acho que tenha outra.

“Posso sentar?”, Hazel pergunta com frieza.

“Na verdade, estou esperando alguém…”

Ela senta mesmo assim. “Te faço companhia enquanto a pessoa não chega.” Hazel apoia as mãos na mesa. “Temos algumas coisas para discutir.”

Eu me recosto na cadeira, mantendo a linguagem corporal relaxada. A dela é de confronto, e sempre rebato agressão com indiferença. É uma tática que costuma deixar o agressor maluco. “Olha. Hazel. Não quero ofender, mas não te conheço. Você diz que conhece Jake, mas ele nunca tocou no seu nome.”

Seus olhos castanho-claros se acendem por um momento.

“Me desculpa, mas não tenho como confiar em uma desconhecida que se senta comigo sem ser convidada e me encara como se eu tivesse matado o gato dela.” Cruzo as pernas e apoio uma mão leve sobre o joelho direito.

“Eu conheço Jake sim”, diz Hazel, seca. “Crescemos juntos em Gloucester. Estudamos na mesma escola. E conheço os pais dele, Lily e Rory”, ela diz.

Não tenho como confrontá-la nesse tema. Jake nunca mencionou o nome dos pais comigo.

“Tomamos café da manhã todos juntos no sábado. Na casa deles.” Sua expressão trai certa presunção. “Fui de trem com ele.”

Uma sensação incômoda me invade.

“Eu o conheço melhor que qualquer outra pessoa”, ela conclui. Agora não é mais certa presunção. Ela está sendo presunçosa pra caralho.

“É mesmo?”, digo.

“É. Sei que ele tem uma cabeça boa, e sei que é muito mais esperto do que parece. Não costuma se deixar enganar assim.”

A leoa está começando a mostrar suas garras. “Então, ele está sendo enganado?”

“Não se faça de boba.” Ela entrelaça os dedos com firmeza. “Sei muito bem quem você é. Fiz uma busca na internet quando ele me disse que estavam saindo.”

Consigo esconder minha surpresa antes que meus olhos a revelem. Jake contou a essa garota que estávamos juntos?

Hazel sorri. “Como eu disse, somos velhos amigos. Não temos segredos entre nós.”

A sensação ruim dentro de mim se intensifica. Começa a se agitar em um redemoinho quente de… acho que é ciúme. Mas com uma bela dose de raiva também. Afinal de contas, quem é essa garota?

Olho em seus olhos cheios de arrogância. “É ótimo que vocês dois sejam tão próximos. Apesar de que, se fosse verdade, você saberia que não estamos mais juntos.”

Dizer isso em voz alta desperta uma onda de arrependimento. Não posso negar que sinto falta dele. Não faz nem uma semana que pedi que fosse embora da minha casa, mas parece uma eternidade. Jake está sempre na minha mente, e as mensagens diárias dele só pioram a situação. A de ontem, sobre estar por perto caso eu mude de ideia… quase me fez ceder e ligar pra ele.

No último segundo, recuperei minhas forças. Lembrei a mim mesma por que foi melhor ter terminado. Não quero um namorado, menos ainda um que vai se mudar para outro país em alguns meses. E, tudo bem, talvez uma parte de mim ainda tenha vergonha do que aconteceu no meu quarto. Eu mal consegui encarar Jake depois. Ele viu da primeira fila meu pai me dando uma bronca no corredor como se eu fosse uma criança levada.

Foi humilhante demais.

“Sim, eu sei disso”, Hazel diz, interrompendo meus pensamentos. “Ele me disse que você terminou tudo. E pode dizer o que quiser sobre Jake, mas ele não é nada cínico…”

“O que cinismo tem a ver com isso?”, pergunto.

“Tudo. Eu sou cínica, e sei o que você está tramando.”

“Tá.” Estou começando a cansar dessa conversa.

“A filha do treinador Jensen começa a sair com o capitão do time de hóquei de Harvard durante os playoffs. Ela o conquista, mexe com a cabeça dele, então o deixa antes do jogo mais importante da temporada. Ele fica tão chateado que mal consegue se concentrar no hóquei, a única coisa que importa pra ele, aliás… Tudo porque a garota está dando um gelo nele.”

Outra sensação se junta ao coquetel que está sendo misturado dentro de mim. Culpa. “Ele está chateado?”

“Está. Parabéns. Você conseguiu o que queria.”

“Não era nem um pouco o que eu queria.”

“Sei. Claro que não.” Ela afasta a cadeira, mas não se levanta. “Fica longe dele. Jake e eu cuidamos um do outro desde criança. Não vou deixar que uma interesseira sabote a temporada inteira dele ou o distraia de seus objetivos.”

“Ah, você não vai deixar, é? Desculpa te decepcionar, mas, citando minha prima Leigh, que tem quatro anos: você não manda em mim.” Dou risada. “E sou o oposto de uma interesseira.”

“Sei”, ela repete.

“Ah, e só pra você saber, não vou sabotar porcaria nenhuma, mas é a última coisa que tenho a dizer a esse respeito. Não vou me explicar ou discutir meu relacionamento com Jake, porque não é da sua conta.”

Ela fica de pé, tensa. “Tanto faz. Você terminou com ele. É só não voltar atrás e não vamos ter problemas.”

Abro um sorriso largo sem nenhum calor. “Acabou?”

“Por enquanto. Aproveite o resto do dia.” Acompanho com os olhos enquanto a (suposta) melhor amiga de Jake no mundo inteiro se dirige à porta e sai do café.

Por um lado, gosto quando uma pessoa mostra as garras para defender alguém de quem gosta. Por outro, não gosto que tenha me acusado de sabotar a temporada de Jake, ou de que só saí com ele como parte de algum plano maligno.

Eu não tinha a menor intenção de ficar com ele. Ed Mulder e sua obsessão ridícula por Edmonton foram a única razão de termos saído pela primeira vez. Então, as coisas evoluíram porque é o que acontece quando duas pessoas têm química. É algo difícil de encontrar e ainda mais difícil de ignorar.

Rá. Queria ver só Hazel tentando resistir a Jake. Se ele fixasse seus olhos verdes nela e…

Algo me ocorre. O que acabou de acontecer foi mais do que uma garota tentando defender o amigo? Ela sente algo por ele?

Quando penso a respeito, não seria nenhuma surpresa.

Meu celular toca. Meio que espero que seja Jake, e meu coração acelera. Quando “HockeyNet” aparece no identificador de chamadas, ele acelera ainda mais. Finalmente.

Inspiro fundo, tentando me acalmar. “Alô?”

“Posso falar com Brenna Jensen, por favor?”, pede uma voz feminina animada.

“É ela.”

“Oi, Brenna. Sou Rochelle e ligo em nome do sr. Mulder. Ele gostaria que viesse amanhã para discutir a vaga de estágio.”

“Ah. Hum.” Penso rapidamente no que tenho programado. Minha primeira aula é à uma da tarde. Vai ficar apertado, mas acho que consigo. “Tudo bem, mas precisaria ser no primeiro horário. Tenho aula à uma.”

“Infelizmente, ele está ocupado a manhã inteira.” Eu a ouço digitar do outro lado. “Que tal no fim da tarde? Cinco e meia está bom pra você?”

“Posso dar um jeito”, digo, instantaneamente, porque não vou bancar a difícil.

“Ótimo. Nos vemos amanhã.”

Ela desliga.

A animação vibra dentro de mim. Lá no fundo, uma vozinha me diz para não colocar o carro na frente dos bois. Isso não significa que consegui o estágio.

Mas… como poderia não me sentir esperançosa? Ele não me faria ir até Boston só para me dispensar.

Ninguém é tão babaca assim, é?

“Acabamos escolhendo outra pessoa.”

Ah. Aparentemente Ed Mulder é tão babaca assim.

Na cadeira das visitas, engulo o ressentimento e consigo falar em um tom calmo: “Para as três vagas?”. Afinal, não havia só uma em disputa.

“Isso. Vamos contratar uns caras ótimos. Não me entenda mal, na parte acadêmica você está à altura, mas dois deles são atletas, e os três simplesmente têm algo a mais.”

Um pinto.

Eles têm um pinto, e eu não tenho.

Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso. Mas me forço a ser educada. “Entendo. Tudo bem. Obrigada pelo seu tempo.” Obrigada por ter me feito dirigir até aqui.

Mulder poderia muito bem ter me mandado um e-mail como qualquer outro babaca, mas nãããão… Tinha que provar que era o rei dos babacas.

Faço menção de levantar, mas Mulder ri e levanta uma mão. “Espera. Não foi o único motivo que me fez te chamar até aqui.”

Volto a sentar a bunda na cadeira. À minha revelia, ainda há um fiozinho de esperança dentro de mim. Talvez ele me ofereça outro cargo. Talvez pago, ou…

“Queria convidar você e Jake pra ver o jogo dos Bruins domingo.” Ele sorri para mim, como se esperasse que eu batesse palmas de alegria. “A rede tem um camarote no TD Garden. Meu irmão e minha cunhada vão também. Lindsay e Karen gostaram de te conhecer. Vocês podem conversar enquanto nós curtimos o jogo.”

Assassinato é crime em Massachusetts?

É crime em todo o país, tenho que me lembrar.

Talvez eu conseguisse um bom advogado, que alegasse autodefesa. O pai da Summer trabalha com isso. Tenho certeza de que conseguiria me tirar do Corredor da Morte.

A fúria borbulhando dentro de mim chega perto de transbordar. O babaca me fez vir até Boston só para dizer que não vai me contratar e para me convidar para ficar falando de crochê e decoração com a esposa e a cunhada enquanto ele e meu namorado de mentira assistem ao meu time jogando.

Ainda bem que não tenho uma arma.

“Obrigada pelo convite. Preciso falar com Jake”, digo, firme, esperando que a raiva não transpareça na minha expressão. “Te aviso.”

“Perfeito. Espero que dê certo. Minha esposa não para de falar sobre como vocês são um ótimo casal.” Ele pisca. “Não se preocupe, vai ser nosso segredinho.”

Forço um sorriso. “Obrigada.”

“Eu te acompanho.”

“Não precisa!” Minha expressão animada corre sério risco de se desfazer. “Sei o caminho. Tenha um bom dia, sr. Mulder.”

“Ed.”

“Ed.”

O sorriso falso desaparece no momento que saio da sala dele. Meus movimentos são rígidos ao pegar o casaco no cabideiro perto da porta. “Foi um prazer conhecer você”, digo a Rochelle.

“Você também. Boa sorte”, ela diz, simpática.

Saio para o corredor, mas não deixo o prédio de imediato. Quero passar pelo estúdio uma última vez, me demorar em uma última olhada. Quando chego lá, estão gravando o noticiário. Eu me aproximo um pouco, mantendo uma distância discreta, e vejo dois comentaristas analisando o jogo de ontem à noite do Ottawa Senators e o gol da vitória, marcado por Brody Lacroix. Um deles diz: “Geoff falou com Brody depois do jogo. Veja o que o novato tinha a dizer”.

De canto de olho, noto um borrão de atividade na cabine de controle. O diretor faz um sinal para alguém, e de repente um vídeo da entrevista surge na tela entre os dois apresentadores. O rosto irritante de Geoff Magnolia surge. É ele quem faz a maior parte das entrevistas no vestiário no pós-jogo, e os jogadores o veem como “um dos caras”.

A maior parte do tempo, Magnolia está ocupado demais trocando gracinhas com os jogadores para fazer qualquer pergunta sobre o jogo em si. Nesse caso, no entanto, ele tenta ser um jornalista de verdade ao conversar com a estrela do time, Brody Lacroix. Os dois discutem o sucesso do jogador no terceiro período, assim como na temporada até agora de modo geral. Em três momentos diferentes, Magnolia diz que os pais de Lacroix devem ter muito orgulho dele, e em todos o jogador retribui com um meio sorriso desconfortável. Ele acaba resmungando uma resposta qualquer, então dá as costas e vai embora.

Balanço a cabeça. “Retardado”, murmuro. No mesmo instante, ouço uma voz feminina dizer baixinho: “Idiota”.

Viro e deparo com Georgia Barnes, meu ídolo, a alguns passos de distância. Ela olha para mim, quase intrigada.

“Agora é hora dos nossos comerciais”, um dos apresentadores diz ao público. “Na volta, vamos para Nashville ouvir os palpites de Herbie Handler para o jogo dos Predators contra os Flyers.”

“Olha o break”, um operador de câmera grita.

Como se um interruptor tivesse sido ligado, o set ganha vida. Pessoas se movimentam e o burburinho de vozes ecoa pelo estúdio. “Alguém conserta essa luz”, um dos apresentadores reclama. “Está queimando minha retina.”

Um modesto assistente corre para resolver o problema da luz. Georgia Barnes volta a me olhar, depois vai embora.

Hesito por um momento. Então corro atrás dela e a chamo, toda desajeitada.

Georgia para no corredor bem iluminado e vira para me encarar. Está com uma saia risca de giz, uma blusa branca de seda e sapatilhas pretas. Apesar da roupa elegante, sei que tem fogo dentro de si.

“Desculpa incomodar”, digo. “Só queria que soubesse que sou sua fã. Acho que você é uma das jornalistas mais inteligentes e afiadas do país.”

Georgia responde com um sorriso caloroso. “Obrigada. Fico feliz.” Ela passa seus olhos astutos por mim. “Você trabalha aqui?”

Balanço a cabeça em negativa. “Acabei de ficar sabendo que não consegui a vaga de estágio que eu queria.”

“Entendi.” Ela assente, com pesar. “Dizem que é muito difícil mesmo.” Sua voz de repente adquire um tom seco. “Mas imagino que seja importante estar preparada: é um mercado muito difícil. Ainda mais para as mulheres.”

“Fiquei sabendo.”

Ela estuda minha expressão. “Por que chamou Geoff Magnolia de retardado?”

Uma onda de calor sobe para minhas bochechas, e espero não ter ficado vermelha. “Ah. É. Desculpa por ter…”

“Não precisa pedir desculpa. Só me diz por que fez isso.”

Dou de ombros, desconfortável. “Por causa das coisas que ele estava dizendo. Alguém precisa dizer a Magnolia para fazer uma pesquisa mínima antes das entrevistas. Ele mencionou os pais de Lacroix três vezes.”

“E daí?”, Georgia diz. O tom dela é leve, mas sinto que está me testando.

“E daí que a mãe dele morreu de câncer há menos de um mês. Magnolia deveria saber disso. E parecia que Lacroix estava prestes a chorar.”

“Sim. Ele deveria saber. Mas, como você disse, Geoff Magnolia é um retardado.” Ela abaixa a voz para um nível conspiratório. “Vou te contar um segredo… Qual é seu nome?”

“Brenna.”

“Vou te contar um segredo, Brenna. Magnolia é a regra, não a exceção. Se um dia vier trabalhar aqui, esteja preparada pra lidar com retardados diariamente. Ou pior: machistas bocudos que vão passar cada minuto de cada dia dizendo que você não pertence a este lugar porque não tem um pinto.”

Abro um sorriso triste. “Acho que passei por isso hoje.”

A expressão dela se abranda. “Sinto muito em ouvir isso. Tudo o que posso dizer é: não deixe que uma rejeição, uma batida de porta na cara, te impeça de tentar de novo. Continue se candidatando para trabalhar em canais de TV, abertos ou fechados, onde quer que estejam contratando.” Ela pisca. “Nem todo mundo quer nos manter de fora, e as coisas estão mudando. Ainda que devagar, prometo que estão.”

Fico meio embasbacada quando Georgia aperta meu braço antes de ir embora. Sei que ela está certa, que as coisas estão mudando. Só queria que fosse mais rápido. Demorou décadas para jornalistas mulheres poderem entrevistar atletas no vestiário. Uma repórter da Sports Illustrated teve que entrar com um processo para que a Justiça finalmente decidisse que banir jornalistas mulheres dos vestiários era uma violação à igualdade de direito constitucional.

Mas decisões judiciais não ajudam a mudar atitudes sociais. O fato da ESPN ter contratado mais colunistas e comentaristas do sexo feminino foi um avanço. Mas me deixa puta que as mulheres continuem encarando hostilidade e comportamentos machistas quando estão apenas tentando fazer seu trabalho, como qualquer jornalista homem.

“Oi, Brenna!” Encontro com Mischa, o gerente de palco que conheci na semana passada, perto dos elevadores. “Você voltou.”

“Voltei”, digo, irônica.

“Isso é bom, não?”

“Infelizmente, não. O sr. Mulder pediu que eu viesse só para me dizer pessoalmente que não fui escolhida.”

“Ah. Sinto muito. Que droga.” Ele balança a cabeça, visivelmente decepcionado. “Seria legal ter você aqui.”

“Bom, tenho certeza de que os escolhidos vão se sair bem.”

“Pode ser. Mas tenho um pressentimento de que é Mulder quem está perdendo por não te escolher.”

“Diga isso a ele.” Quando as portas do elevador se abrem, toco o braço de Mischa para me despedir. “Foi legal te conhecer.”

“Foi legal conhecer você também.”

Meu sorriso desaparece assim que fico sozinha no elevador. Lágrimas se acumulam em meus olhos, mas me proíbo de chorar. Não posso chorar. Era só um estágio. Tenho certeza de que vou encontrar um canal local ou uma estação de rádio onde trabalhar no verão, e no outono posso me candidatar de novo a uma vaga na HockeyNet, ou talvez até encontre um lugar melhor. Não é o fim do mundo.

Mas, droga, eu queria mesmo esse estágio.

Meus dedos tremulam quando tiro o celular da bolsa. Eu deveria pedir um carro para ir até a estação de trem. Mas penso na mensagem de Jake ontem, pedindo que eu ligasse.

Mordo o lábio.

Provavelmente é uma má ideia.

Mas eu ligo mesmo assim.

“Ei, você voltou a falar comigo!”, Jake diz quando nos encontramos vinte minutos depois. “O que fiz para merecer essa honra?”

Estou tão para baixo que nem consigo pensar em uma resposta espertinha. “Não consegui o estágio”, digo apenas. “Mulder escolheu três caras com pinto no meu lugar.”

“Em vez de três caras sem pinto?” Jake sorri, mas o bom humor não perdura. “Sinto muito, gatinha. É uma droga.” Ele estica o braço como se fosse me tocar, mas então pensa melhor e o recolhe.

Estamos na entrada da arena de Harvard, o que é uma blasfêmia total. Por sorte, nenhum dos outros caras do time aparece. Quando liguei para Jake, ele disse que o treino tinha acabado fazia horas, mas que tinha ficado para assistir umas gravações sozinho. Isso é que é dedicação. Embora eu admire isso, significava que eu tinha que vir encontrá-lo aqui. No apartamento dele teria sido muito melhor.

Para piorar, o céu decide espelhar meu humor e escolhe esse exato momento para soltar uma chuva forte sobre nós. Ficou friozinho e nublado o dia todo, mas de repente o céu está preto e chove a cântaros. Nosso cabelo fica ensopado em segundos.

“Vamos entrar”, Jake diz, então pega minha mão.

Corremos para o prédio. Faço uma careta diante de todas as flâmulas de campeonatos vencidos e das camisas carmesins emolduradas. “E se alguém vir a gente?”, sussurro, afastando o cabelo molhado da testa.

“Que vejam. Quem se importa? Só estamos conversando, não é?”

“Me sinto exposta. É um lugar de passagem”, murmuro.

Ele revira os olhos. “Tá bom. Vamos pra sala de vídeo. Não tem ninguém mais lá, e é um lugar reservado.”

Eu o sigo pelo corredor, devorando sua forma comprida com os olhos. Faz menos de uma semana que o vi, mas de alguma maneira esqueci como é alto e atraente. Ele não me abraçou ou deu um beijo para me cumprimentar. Nem eu. Agora meio que queria ter feito isso.

A sala de vídeo moderna rivaliza com a que temos em Briar. Desço o zíper da jaqueta de couro e a largo no encosto de uma cadeira próxima. Então me jogo em outra e faço uma cara triste. “Eu queria muito o estágio.”

“Eu sei.” Jake se senta ao meu lado, esticando suas pernas impossivelmente compridas. “Mas talvez seja melhor assim. Mesmo que Mulder não fosse seu chefe direto, você ia ter que interagir com ele. E o cara é péssimo.”

“Verdade.” Noto a imagem na telona. É o corpo esguio de Hunter Davenport preparado para a disputa de disco. “Está espionando a gente?”, brinco.

“Não estou espionando, estou fazendo a lição de casa. Por acaso os caras da Briar não estão fazendo a mesma coisa neste exato momento?”

“Bom, não vim aqui pra revelar os segredos do meu time, então não me faça perguntas a esse respeito.”

Ele olha para mim, com o rosto bonito de repente sério. “Então, por que veio?”

“Como assim?”

“Sua prima mora aqui. E imagino que tenha outros amigos aqui.”

“E?”

“Por que fui a primeira pessoa pra quem você ligou depois de receber a má notícia?”

Olho para ele. “Você não sabe se foi a primeira pessoa pra quem liguei. Vai ver ninguém mais atendeu.”

“Você ligou pra alguém mais?”, Jake pergunta, com educação.

“Não”, admito, o que me força a pensar a respeito. Por que foi que liguei pra ele? Saímos algumas vezes juntos, conversamos ao telefone, nos pegamos um dia ou dois. Não há motivo para ter corrido para Jake hoje. Tenho uma boa rede de apoio — Summer, Audrey, Elisa, entre outras pessoas. Por que não falei com qualquer outra pessoa?

“Por que eu?”, ele insiste.

Solto o ar ofegante. “Não sei.”

“Sabe, sim.” Ele ri baixo. “Você gosta de mim.”

“Não gosto de você.”

“Gosta, sim. Por isso me deu um pé na bunda semana passada.”

“Não, te dei um pé na bunda porque meu pai estava do outro lado da porta enquanto a gente fazia um meia-nove.”

Jake solta um grunhido. “Você não precisava ter mencionado isso.”

“O quê, meu pai?”

“Não, o que a gente estava fazendo.” Os olhos dele se acendem, sedutores. “Agora fiquei duro.”

“Parece que você está sempre duro”, digo.

“Vem testar essa teoria.” Ele dá um tapinha na própria perna enquanto sobe e desce as sobrancelhas de modo sugestivo.

Tenho que rir. “Que teoria? Você já admitiu que está duro.”

Jake cruza os tornozelos e fica olhando para o All Star por alguns segundos. “Tá. Então você está dizendo que me deu um fora porque seu pai quase pegou a gente.”

“Isso.”

Não é totalmente verdade. Mandei Jake embora porque não queria que me visse ainda mais vulnerável. No decorrer de uma ou duas horas, deixei que soubesse o quanto o queria, com quanto tesão me deixava. Também deixei que houvesse a discussão vergonhosa com meu pai, em que fui repreendida como uma criança e acusada de ser incontrolável.

Não quero que ninguém, muito menos um cara, me veja como meu pai me vê.

Sinto os olhos de Jake em mim. “O que foi?”, murmuro.

“Não acredito em você.” O tom dele fica mais áspero. “Do que você tem tanto medo que aconteça se a gente continuar saindo?”

“Não é medo. Só não vejo sentido, já que isso não vai a lugar nenhum.”

“Você só sai com caras com quem acha que pode ter um futuro?”

“Não.”

Ele parece pensar a respeito. “Vem aqui.”

Antes que eu possa piscar, Jake está me levantando da cadeira. Acabo em seu colo, e o volume em seu jeans é impossível de ignorar. Suspiro, resignada, e viro de frente, montando nele. Sinto seu pau cada vez mais duro pressionado contra mim, e é tão gostoso que não consigo não me esfregar contra ele.

Jake solta um gemido rouco. Desliza uma mão grande até a base da minha coluna, enquanto enfia a outra nos meus cabelos.

De maneira inconsequente, abaixo a cabeça. Passo a língua pelo encontro de seus lábios, e ele os abre para que eu possa entrar. Gemo quando nossas línguas se tocam. O gosto é de chiclete de hortelã, e seus lábios são suaves e quentes. Envolvo seu pescoço com as mãos, me perdendo em seu calor.

“Beijar você me deixa duro”, Jake murmura.

“Você já estava duro antes.”

“Porque estava pensando em beijar você.”

Dou risada, meio sem fôlego. “Você…” Um trovão me interrompe. As luzes do teto piscam por um segundo.

Jake ergue os olhos escuros. “O que foi isso?”

Acaricio os fios curtos em sua nuca. “Ah, está com medo?”

“Morrendo”, ele sussurra.

Nossos lábios se encontram no mesmo instante em que a luz pisca de novo. E então se apagam.

A escuridão nos engole. Em vez de nos sobressaltarmos, nos beijamos com mais ardor. As mãos de Jake vão para baixo da minha malha preta. Ele levanta o material fino e deixa meu sutiã à mostra, mas não o abre, só o abaixa para ver os peitos. Um calor úmido cobre meu mamilo. Jake o chupa com força, e eu estremeço, sem controle.

Jake aperta meus peitos enquanto continua com meu mamilo na boca, lambendo e chupando até que ele fica totalmente rígido em sua boca. Gemo, mais alto do que deveria, considerando onde estamos.

Ele responde pegando o outro mamilo e o provocando sem parar. Então ele projeta o corpo para cima, esfregado sua virilha na minha. Nossa. Esse cara… Me deixa com tanto tesão que é insano.

Quando estou começando a me acostumar com a sala escura, as luzes fluorescentes se acendem.

Jake levanta a cabeça, e seus olhos se iluminam quando dá uma bela olhada nos meus peitos. “Isso é lindo pra caralho.”

Gemendo, ele pega meus peitos e enterra o rosto entre eles.

Então, o treinador Pedersen entra na sala.