The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 25 de 43

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The Risk

25. Jake

25

 

JAKE

 

“Cacete, Connelly!”

Com a exclamação incrédula, levanto a cabeça depressa e abaixo a blusa de Brenna pra cobrir seus peitos. Ela sai do meu colo e volta à cadeira do lado. Mas é tarde demais. Pedersen não é idiota. Viu a gente, e sabe exatamente o que estávamos fazendo.

“Oi, treinador.” Pigarreio. “Estávamos…” Decido que não adianta mentir. Não sou idiota também. “Desculpa”, digo apenas. “Aqui não é lugar pra isso.”

“Jura?”, ele solta. “Esperaria esse tipo de comportamento de Weston ou Chilton, mas não de você, Connelly. Em geral, não mistura as coisas.”

O treinador nem reconhece a presença de Brenna. Ele vai até a frente da sala e pega um laptop. De canto de olho, vejo Brenna alisando a frente da blusa. Ela ri discretamente, e percebo que está tentando colocar o sutiã de volta no lugar.

“Tenho uma reunião com os assistentes técnicos e esqueci isso”, ele diz, tenso. “E eu pensando que você estava sendo um jogador consciente, estudando as gravações sozinho. Mas moleques são assim, não é?” Cada palavra dele é afiada.

Brenna monitora cautelosamente os movimentos de Pedersen enquanto ele enfia o laptop debaixo do braço e se aproxima da porta. “Tira a convidada daqui, Connelly. Não é lugar para namoradas.”

“Não sou namorada dele”, Brenna solta. Sei que foi involuntário, porque ela fecha os olhos brevemente, como se repreendesse a si mesma por falar.

Pedersen finalmente se digna a olhá-la. Faz isso de forma lenta e decidida. Durante seu escrutínio, sua cara se fecha mais e mais, até que suas sobrancelhas estão praticamente se tocando. “Você é filha do Chad Jensen.”

Merda.

Brenna pisca. Pela primeira vez, não tem uma resposta espertinha na ponta da língua.

Quero mentir e dizer que está enganado, mas Pedersen claramente a reconheceu. Ele coloca o laptop a uma mesa perto da porta e se aproxima lentamente. Seu olhar cínico assimila sua blusa amarrotada, seu cabelo despenteado.

“Nos conhecemos em um jantar há alguns anos”, ele diz. “De ex-alunos de Yale. Você ainda estava na escola. Chad te levou.”

“Ah.” Ela engole em seco. “É, eu lembro.”

“Brianna, certo?”

“Brenna.”

“Isso.” Ele ergue os ombros largos. “Ainda que nunca tivesse te visto, reconheceria você na hora. É a cara da sua mãe.”

Brenna faz um péssimo trabalho tentando esconder o choque. Ou talvez nem esteja tentando. Ela fica de queixo caído diante do treinador. “Você conheceu minha mãe?”

“Fizemos faculdade juntos.” O tom dele é duro, e sua expressão é desprovida de emoção. O que não tem nada de extraordinário, considerando que o repertório emocional de Pedersen é limitado. Suas opções são raiva e reprovação.

O treinador continua encarando Brenna. “Você parece mesmo com ela.” Ele balança a cabeça, virando para se dirigir a mim. “Você não me disse que estava saindo com a filha de Jensen.”

Brenna responde por mim. “Ele não está. É só que… não é nada. Por favor, não diga nada ao meu pai, está bem?”

Pedersen levanta uma sobrancelha para mim, como se quisesse saber o que eu acho.

Dou de ombros. “É verdade. Só aconteceu hoje.”

“Só estou aqui agora porque estava chovendo forte e Jake achou que eu não devia esperar pelo Uber na chuva. Falando nisso…”, diz Brenna, com uma animação fingida. Ela levanta o celular. “Meu carro chegou. Acabei de receber a mensagem.”

A capinha do celular está voltada para o treinador, enquanto a tela está voltada para mim. Posso ver tranquilamente que não chegou nenhum alerta.

“É melhor eu ir”, Brenna diz, apressada. “Obrigada por ter me deixado esperar aqui dentro, Connelly. Foi bom te ver de novo, sr. Pedersen.”

“Foi bom ver você também.”

“Eu te acompanho”, ofereço.

Pedersen me encara. “É melhor você ir também. Já tivemos uma queda de energia. Não quero você aqui no escuro se acontecer de novo.” Ele vai embora.

Solto o ar que acabo de perceber que estou segurando. “Merda”, digo.

“Merda”, Brenna ecoa. “Acha que ele vai contar pro meu pai?”

“Duvido. Não é como se fossem melhores amigos.”

“Exatamente. E se ele contar por puro despeito?”

“Não é o estilo do treinador. Ele prefere deixar toda a agressividade pro gelo.”

Chegamos ao saguão e descobrimos que o dilúvio continua a toda do outro lado das enormes janelas. O céu está quase preto. Rajadas de vento fazem os galhos se chocarem e um já caiu sobre o capô de um carro. Por sorte, não é a Mercedes de Weston, que peguei emprestada. Posso quase chamá-la de minha, considerando como Brooks a dirige pouco.

Meus olhos vão da janela para Brenna, que está fechando o zíper da jaqueta de couro. “Acho melhor ir pra minha casa”, sugiro, sério.

“Claro que acha.”

“Não estou brincando, gatinha. A tempestade está feia, e você sabe que a estrada deve estar perigosa. Os motoristas parecem maníacos nesse tempo.” Falo com mais firmeza. “Espera na minha casa. Por favor.”

Brenna finalmente segue. “Tá.”

São nove horas e a tempestade ainda não arrefeceu. A energia acabou por volta das seis, então acendemos algumas velas e jantamos sobras de pizza fria. Brooks desenterra uns jogos de tabuleiro e vamos os três para a sala de estar jogar. Brenna e Brooks têm se provocado a noite toda, pegando no pé um do outro como se fossem velhos amigos.

Quando entrei no apartamento com Brenna, Weston ficou de queixo caído. Mas a verdade é que ele não se importa com o lugar onde ela estuda, quem é o pai dela ou para que time torce. Para Weston, uma garota bonita é uma garota bonita, e ele a aceita na hora. Ou pelo menos até termos um momento a sós. Quando Brenna vai ao banheiro, Brooks abre o tabuleiro de Scrabble e pergunta: “McCarthy sabe?”.

“Sabe o quê?”

“Sobre você e a gostosa que está no nosso banheiro.”

“Não”, reluto em admitir.

“Não acha que deveria contar?”

“Seria bom, não?”

Brooks ri. “Hum. É. Você diz ao pobre coitado pra terminar e depois fica com ela? É dureza, cara.”

“Não estou com ela. E eles não namoravam”, aponto.

“Mas McCarthy gostava dela.”

“Ele está com aquela tal de Katherine agora.” McCarthy continua saindo com a garota que conheceu depois da semi. O que indica que talvez não ligasse tanto para Brenna quanto para ter alguém.

“Ainda assim é sacanagem, cara”, Brooks argumenta. “Sei que você é o capitão do time e tal, mas tem que fazer a coisa certa e falar com ele.”

“Fazer a coisa certa? Desde quando você tem uma consciência?”, pergunto, surpreso.

“Sempre tive.” Ele sai do sofá. “Vou pegar uma cerveja. Quer?”

“Não.”

“Jensen!”, Brooks grita. “Cerveja?”

Brenna aparece no corredor. “Claro. Valeu.” Ela se junta a mim no sofá e pega seu suporte de letras. “Bom, vamos nessa.”

Alguns minutos depois, o jogo começa. Brooks pega algumas almofadas que a mãe comprou para a gente e as espalha no chão. Ele rearranja os quadradinhos de madeira em seu suporte. “Ah, me deixa ir primeiro. Tenho a melhor palavra do mundo.”

Brenna sorri. “Vamos ver, espertinho.”

Ele baixa as letras que formam “rala”.

“Essa é a melhor palavra do mundo?”, Brenna zomba. “Rala?”

“Claro. Rala-e-rola é meu hobby favorito.”

“Hum, bom, vamos ver quantos pontos a palavra vale…” Ela verifica o valor de cada letra. “Mais o bônus… Catorze pontos.”

Brooks comenta no mesmo instante: “É ótimo pra uma primeira jogada”.

“Você claramente nunca jogou Scrabble com meu pai.”

Ele ri. “O treinador Jensen também é durão no Scrabble?”

“Ah, ele é completamente louco por esse jogo. É o tipo de cara que consegue triplicar o número de pontos de palavras de duas ou três letras, e quando vejo estou perdendo por duzentos pontos.”

“Aí não tem graça”, Brooks diz. “Jogo pelas palavras, não pelos pontos. É a sua vez, Connelly.”

Terminando no “a” dele, escrevo “bunda”.

“De ‘bunda-bolha’”, explico, inocente.

Brooks me mostra o dedo do meio. “Vai se foder.”

Brenna sorri. “Perdi alguma coisa?”

“Ele tem bunda-bolha”, digo a ela.

“Tenho bunda-bolha”, ele diz, desanimado.

“Ah. Isso é legal?” Brenna baixa os olhos surpresos para suas peças. Ela rearranja algumas enquanto tenta pensar em uma palavra.

“Quer ver?”, Brooks oferece.

“Na verdade, não.”

“Ah, me deixa mostrar. Só seja sincera e me diga o que acha.”

Brenna me olha. “Isso é sério?”

“Pior que é. A namorada dele fez um comentário a respeito, e agora Brooks está todo complexado.”

“Ela não é minha namorada”, ele diz.

Penso em outro termo. “A boceta amiga?”

“Aí tudo bem.” Ele levanta. “Muito bem, Jensen, olha só.”

O idiota abaixa a calça até os tornozelos, mostrando a bunda para minha… namorada? Boceta amiga? Sério, não sei que termo usar.

Vejo à luz das velas os lábios de Brenna tremendo, como se ela tentasse muito não rir.

“E aí?”, ele pergunta. “Comentários?”

Os olhos dela se mantêm fixos no traseiro dele. “Você tem uma bela bunda, Weston”, ela concede. “Eu não me preocuparia quanto a isso.”

Brooks levanta a calça. “Sério?”

“Sério. É uma ótima bunda.”

Ele abre um sorriso. “Repete pra mim.”

“Não.”

Então Brooks dirige seu sorriso a mim. “Sua garota gosta da minha bunda. Ela é a fim de mim.”

“Não”, Brenna diz, achando graça. “Não sei de onde você tirou essa ideia de que estou a fim de você, mas garanto que não estou.” Ela usa o R para formar “carro”.

“Boa”, digo.

“Obrigada, Jakey.”

Brooks volta a se jogar nas almofadas. “Jakey? É assim que estamos te chamando agora?” Ele parece adorar. “Curti. Vou usar o tempo todo.”

“Fique à vontade, Brooksy.”

“Para com isso. Não gostei.”

“Como imaginei.”

Conforme o jogo continua, fica mais pau a pau do que eu esperava, especialmente com Brooks envolvido. Estamos todos tão próximos em pontos que é impossível saber quem vai ganhar. Embora esteja me divertindo, não estou cem por centro concentrado no Scrabble. Fico o tempo todo olhando para Brenna. É difícil evitar. Ela é maravilhosa. E adoro ouvi-la rindo. Sempre que faz isso, o toque musical faz meu coração bater mais rápido.

Quando Brooks vai ao banheiro, chego mais perto de Brenna e enfio a mão por baixo de sua blusa.

Sou recompensado com uma risada. “Estamos no meio de um jogo de Scrabble e você simplesmente decide me apalpar?”

“Isso. Posso deixar a mão aí até ele voltar?” Com um sorriso travesso, dou um apertão no peito esquerdo dela.

“Você é tão esquisito.”

“Não sou, não.”

Ela ri. “Não pode simplesmente discordar quando dizem algo a seu respeito.”

“Por que não?”

“Porque… bom… acho que não sei.” Ela para de repente, com um ouvido ligado no que acontece do outro lado da janela. “Ei. Os trovões pararam.”

“Mas a energia ainda não voltou”, aponto.

“Ah, não? Achei que as velas fossem só pra dar o clima pro nosso ménage.”

“Vai rolar um ménage?!”, Brooks exclama, de volta à sala. Parece uma criança radiante. “Sério, Connelly? Você não quis com a Kayla, mas com a sua namorada tudo bem? Espera aí, por que estou reclamando? Cala a boca, Brooks”, ele se repreende.

“Kayla?”, Brenna repete.

“A namorada dele.”

“Ela não é minha namorada.”

“Você ia fazer um ménage com eles?” Brenna estreita os olhos para mim.

“Nem um pouco.” Olho para Brooks. “E diz isso pra Kayla, porque não quero a garota me encurralando pelada na cozinha de novo.”

“Ah, meu Deus, uma garota pelada na cozinha! Precisamos instalar um sistema de alarme! E arranjar um cão de guarda!” Ele revira os olhos de maneira enfática. “Bom, e aí? Vamos fazer ou não?”

Recuso a oferta sem muita delicadeza. “Não vai rolar um ménage, nem hoje nem nunca. Essa maluquice de ficar mostrando a bunda já é ruim o bastante.”

O olhar de Brenna volta para a janela. “Acho que tenho que ir logo mais.”

“Espera a energia voltar”, insisto. Não gosto de pensar nela na estrada agora. Tinha uma série de semáforos desligados quando viemos para cá, e vi mais do que uma batida.”

“Que horas são?”, Brenna pergunta. “Se eu for embora, o quanto antes melhor.”

Eu me inclino para olhar o celular dela. “Quase dez. Talvez você devesse…” De repente, a tela se ilumina com uma ligação. Como já estou olhando, acabo vendo quem é.

“Eric”, digo, com o tom mais duro do que gostaria.

De canto de olho, noto Brooks sorrindo para mim. Ele sabe exatamente como me sinto.

“É melhor atender”, digo.

Brenna parece estranhamente abalada. Ela pega o celular só para ignorar a chamada.

“Quem é Eric?” A tentativa de Brooks de soar casual falha. Mas fico feliz que tenha perguntado antes de mim, e ele pisca para mim, revelando que fez de propósito. Assinto, grato pelo favor.

“Ninguém”, ela diz, tensa.

Bom, a resposta não ajuda em nada. Brenna está saindo com alguém? Tem uma lista de caras com quem sai? Um banco de reservas cheio de McCarthys?

O ciúme queimando minhas entranhas não é nada agradável. Sou um cara competitivo, mas nunca tive que disputar a atenção de uma mulher. Nenhuma escolheu outro cara em vez de mim. Pode parecer presunçoso, mas não me importo. A ideia de Brenna saindo com outro cara não cai bem.

O que me leva a outra coisa que jamais fiz: nunca fui a pessoa que iniciou a conversa sobre exclusividade. Como se toca nesse assunto?

Quando o celular vibra com um alerta de mensagem de voz, fico ainda mais mal-humorado. “Não vai ouvir?”

“Não precisa. Sei o que ele quer.”

O ciúme indesejado queima ainda mais. “É mesmo?”

“Sim. De quem é a vez?”

“Minha”, Brooks diz. Enquanto ele mexe nas peças no suporte, o celular de Brenna toca de novo.

Ela ignora a chamada, e ele toca uma terceira vez.

“Atende logo”, murmuro.

Com a respiração pesada, Brenna pega o celular. “Oi, Eric. Já falei que não tenho tempo pra…” Ela se interrompe de repente no meio da frase. Quando fala de novo, a preocupação abrandou seu tom. “Como assim, você não sabe onde está?”

Brooks e eu trocamos um olhar preocupado.

“Calma, calma. Não estou entendendo. Onde você está?” Há um longo silêncio. “Tá, continua na linha”, Brenna finalmente diz, e juro que sua voz falha. Ela pisca depressa, como se lutasse contra as lágrimas. “Já chego.”