The Risk
6. Jake
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JAKE
O Dime é meu lugar favorito na cidade. É o epítome do pé-sujo. Lotado. Escuro. Tem três bolas faltando na mesa de sinuca, incluindo a oito. O alvo para os dardos está rachado no meio. O chope sai quase sempre aguado, e a comida é coberta por uma camada de gordura que se transforma em pedra quando chega na boca do seu estômago.
Mas, apesar das falhas, eu amo este lugar. É pequeno, o que significa que grupos maiores em geral não vêm aqui. A clientela é majoritariamente masculina, então é o lugar perfeito para ir quando não se está atrás de garotas.
O que não impede Brooks, claro. Ele consegue mulheres em qualquer lugar. Se for a um convento, vai seduzir uma freira. Se o levar a um funeral, vai trepar no banheiro com a viúva de luto. Ou sobre o caixão. O cara é um vagabundo.
Agora mesmo, está a uma mesa de canto dando uns pegas com nossa garçonete. Só tem duas pessoas trabalhando aqui esta noite, e Brooks está com a língua na boca de uma delas.
A outra é um cara mais velho de barba e óculos, que pigarreia alto o tempo todo. A garçonete o ignora. Quando ele diz: “Rachel, tem uma mesa esperando”, ela desgruda os lábios de Brooks por um momento e dispensa o colega de trabalho com um aceno. “Pode atender? A gorjeta é sua.”
Imagino que não queira mais trabalhar aqui e esse seja seu jeito de pedir demissão, porque não tem como escapar dessa ilesa. O outro atendente e o cara do bar trocam olhares soturnos, e tenho certeza de que um deles já ligou para o gerente.
Enquanto Brooks fica passando a mão na garçonete no canto, o restante de nós assiste ao jogo dos Bruins e ouve Coby Chilton reclamar do limite de duas cervejas que estabeleci. Ele pode choramingar a noite inteira. Não me importo. Vamos jogar contra Princeton amanhã à tarde e ninguém pode aparecer de ressaca. Proibi Potts e Bray de saírem esta noite. Não confio naqueles dois.
“Se você puder trepar com qualquer jogador de hóquei, morto ou vivo, quem seria?”, Coby pergunta a Dmitry. Considerando que há um segundo estava falando de cerveja, a mudança de assunto é chocante.
“Como assim?” Dmitry parece muito confuso. “Está falando de jogadoras mulheres?”
“E quando diz ‘morto’ está falando em trepar com um cadáver ou com ela quando estava viva?”, Heath pergunta.
“Não, estou falando da liga profissional masculina. E sem a parte da necrofilia.” Coby parece horrorizado.
“Espera aí, você está perguntando com que cara treparíamos?”, um defensor veterano pergunta.
Reprimo a risada.
“Isso. Eu escolheria Bobby Hull. Gosto dos loiros. E vocês?”
“Espera aí. Chilton”, interrompe Adam Middleton, nosso novato mais promissor. “Você é gay?” O garoto de dezoito anos olha em volta na mesa. “Ele sempre foi e só descobri agora? Todo mundo sabia?”
“Bem que você queria…”, Coby retruca.
O calouro parece desconcertado. “Por que eu ia querer isso?”
“Porque sou ótimo na cama. Você está perdendo.”
“O que está acontecendo exatamente?”, Adam me pergunta.
Pressiono os lábios trêmulos um contra o outro. “Não faço ideia, cara.”
“Ouvi um grupo de garotas conversando sobre isso na Harvard Square outro dia”, Coby explica, terminando sua segunda (e última) cerveja da noite. Ele revira os olhos de forma dramática. “E elas escolhiam os piores caras. Tyler Seguin! Sidney Crosby!”
“Eu pegaria o Crosby”, Dmitry diz. “Nem precisaria visualizar uma garota pra ficar duro. Bastaria pensar nas estatísticas dele.”
Todo mundo na mesa começa a rir. Sinto o celular vibrar no bolso e o pego.
HAZEL: Tá fazendo o quê? Estou em casa entediada
Respondo dizendo que saí com o time.
HAZEL: Usa camisinha!
Minha risada sai alta, chamando a atenção de Coby. “E essa risadinha aí?” Ele faz cara feia. “É melhor não estar de papo com uma garota. Não podemos pegar ninguém, lembra?”
“Só proibi distrações”, corrijo.
E até agora funcionou. McCarthy estava em seu melhor no treino da manhã, provando que o rolo com Brenna Jensen era o motivo de seu desempenho ruim recente. Ele não veio esta noite porque queria ficar em casa para assistir às gravações dos jogos de Princeton na temporada para se preparar para amanhã. Viu só o que acontece quando se elimina distrações incômodas?
“E não estou de papo com uma garota”, acrescento. “É só a Hazel.”
“Ah, legal, diz que mandei um oi”, Coby pede.
Hazel foi comigo em um evento do time no ano passado, então a maior parte dos caras a conhece. Coby gostou dela na hora. É claro que ele gosta de qualquer coisa com peitos. E, aparentemente, de loiros também, não importa o gênero.
“Vai me dar o número dela?”, ele reclama.
“Não. Você está proibido de sair com minhas amigas.” Não quero que Chilton chegue nem perto de Hazel. Ele não leva nada a sério e quebraria o coração dela. Hazel é inexperiente demais para alguém assim.
Para ser sincero, acho que ela nunca teve um namorado de verdade. Imagino que saia, porque é uma garota de vinte e um anos muito bonita, mas nunca a vi com ninguém. No passado, achei que pudesse ser lésbica, mas tampouco a vi com mulheres, e tenho certeza de que já a vi secando um cara ou outro. Acho que só não leva muito jeito pra coisa. E Coby leva jeito demais.
Um assobio alto corta o rock tocando alto no bar. Vem da direção da mesa de sinuca. Os dois homens ali abandonaram o jogo para encarar a porta.
Sigo o olhar deles e… opa.
Brenna Jensen está atravessando o salão. E está bem gostosa.
Usa botas de couro de salto alto, saia curta e jaqueta de couro preta. Seu cabelo chocolate cai solto sobre os ombros e seus lábios cheios estão vermelho-sangue.
Outra garota de cabelo escuro a segue. Também é bonita, mas Brenna prende toda a minha atenção. Seus olhos escuros pegam fogo, e cada molécula de calor é dirigida a mim.
“Connelly.” Ela chega na nossa mesa com um sorriso falso no rosto que deixa os dentes à mostra. “Garotos. Legal encontrar vocês aqui. Posso me juntar a vocês?”
Finjo que sua chegada não me abalou nem um pouco. Mas a suspeita se enrola dentro de mim como uma cascavel. “Claro.” Aponto para a única cadeira vazia. “Mas só tem um lugar.”
“Tudo bem, não vamos demorar.” Ela se dirige à amiga. “Quer sentar?”
“Não precisa.” A garota parece estar achando graça de tudo isso, seja lá o que isso for. “Vou ligar pro Lamar. Me encontra quando tiver terminado.” Ela vai para o balcão, com o celular grudado na orelha.
“Está tão quente aqui”, Brenna comenta. “Todos os corpos apertados nessa caixa de sapato estão gerando um baita calor.” Ela desce o zíper da jaqueta.
O que está usando por baixo faz todo mundo arregalar os olhos.
“Porra”, ouço Coby murmurar.
A blusa mal cobre a barriga lisa e macia, e tem um decote profundo o bastante pra mostrar peitos impressionantes. Ela não está usando sutiã, então dá para notar a silhueta dos mamilos, dois pontos rígidos despontando no tecido. Meu pau se agita dentro da calça.
Ela avalia meus colegas antes de focar em mim. “Precisamos ter uma conversinha, Connelly.”
“É mesmo?”
Ela passa os olhos pela mesa de novo. Cada um, incluindo o modesto novato, Adam, é avaliado cuidadosamente. Para meu desgosto, quem é escrutinado por mais tempo é Coby, cujo queixo está tão caído que quase chega ao chão grudento do Dime.
“Senta logo”, digo, sombrio.
“Tudo bem.” Ela levanta uma sobrancelha, vai até Coby e senta no colo dele.
Ele solta um ruído estrangulado. Em parte surpreso, em parte curtindo.
Estreito os olhos para Brenna.
Ela sorri. “Qual é o problema, Jake? Você me mandou sentar.”
“Acho que uma cadeira seria mais confortável.” Minha voz sai afiada.
“Ah, mas estou superconfortável aqui.” Ela passa um braço esguio pelo pescoço de Coby e apoia a mão em seu ombro largo. Ele tem um metro e noventa e cinco de altura e quase cento e dez quilos, o que a faz parecer pequena em comparação.
Não deixo de notar a maneira como as mãos de Coby envolvem o quadril de Brenna para mantê-la ali.
“Jensen”, aviso.
“Jensen! Ei!” Brooks, que interrompe a pegação para respirar, finalmente nota a chegada de Brenna. “Quando chegou? A Di Laurentis veio com você?”
“Não, Summer está em Hastings.”
“Ah, que droga.” Ele dá de ombros e volta ao hóquei de amígdalas com a garçonete que logo estará desempregada.
“Então”, Brenna diz. Pode estar no colo de Coby, mas só tem olhos para mim. “Você mandou Josh terminar comigo.”
Levanto a garrafa de cerveja e tomo um gole lento, considerando o que ela disse. “Terminar, é? Achei que não estivessem juntos.”
“Não estávamos. Mas tínhamos um lance legal rolando. Eu gostava dele.”
Ela é estranhamente franca. A maior parte das mulheres não admitiria o quanto gosta do cara de quem acabou de levar um fora. Sinto um aperto esquisito no peito diante da ideia de que estivesse mesmo interessada em McCarthy.
“Gostava das mãos dele em mim”, ela continua com uma voz rouca, e de repente percebo que todos os homens à mesa a devoram com os olhos. “Gostava dos lábios dele… dos dedos…”
Adam, o novato, solta uma tosse estrangulada. Eu o calo com um olhar mortal. Ele toma um gole de cerveja.
“Acho que vai ter que encontrar outros dedos, mãos e lábios para te manterem ocupada”, digo a Brenna.
Quando Coby abre a boca, eu o encaro antes que possa se voluntariar. Ele fecha a matraca de imediato.
“Já disse que você não manda em mim”, Brenna fala, com frieza.
“Não mandei em você. Foi McCarthy quem decidiu terminar.”
“Não acredito. E não gosto que interfira na minha vida.”
“Não gosto que interfira no meu time”, retruco.
Os caras ficam virando o pescoço para mim e para Brenna conforme nos alternamos.
“Vamos mesmo ter essa conversa aqui?”, ela pergunta em um tom entediado. Seu indicador desce pelo braço de Coby.
Os olhos dele se acendem.
Merda. Brenna não só é muito gostosa como é hipnotizante. A bunda perfeita dela no momento está pressionada contra a virilha de um jogador de hóquei cheio de agressividade e ansiedade reprimidas por conta da semi de amanhã.
“Você veio até aqui só pra gritar comigo, gatinha? Porque isso não vai trazer o pobre McCarthy de volta.” É uma provocação. Na maior parte porque é divertido ver os olhos escuros dela arderem de raiva, como dois carvões quentes queimando na churrasqueira.
“Tem razão. Não vou conseguir McCarthy de volta. Então, talvez seja hora de encontrar um substituto.” Ela pega a mão de Coby que está em seu quadril. Então, entrelaça seus dedos com os dele, e eu franzo a testa quando a vejo acariciar a palma da mão dele com o polegar.
Parece que Coby vai gemer. A música abafa o som, mas sua expressão torturada me diz que está se deixando afetar. Olho para ele. “Foco, cara. É só um joguinho.”
“Não é um joguinho. Acho que nosso garoto aqui é uma delícia.” Ela joga o cabelo sedoso por cima do ombro e inclina a cabeça para encontrar o olhar admirado dele. “Qual é seu nome?”
“Coby.” A voz dele sai grossa.
Merda. Temos problemas. Ele olha para Brenna como se ela estivesse pelada. Aliás, acho que todo mundo no bar a olha assim.
“Eu sou Brenna”, ela arrulha. “É ótimo te conhecer.”
“É mesmo”, ele retruca, engolindo em seco visivelmente.
Brenna sorri para mim, então desenlaça os dedos dos dele e sobe a palma da mão até o peito musculoso de Coby. Ela a pressiona contra o escudo de Harvard estampado no moletom cinza, deixando a palma aberta sobre o peitoral esquerdo. “Seu coração está batendo tão forte. Está tudo bem?”
“Tudo ótimo.” Ele está completamente enfeitiçado. Por debaixo das pálpebras pesadas, Coby admira as curvas do corpo dela. Então se remexe na cadeira, provavelmente por causa de uma ereção.
“Foca em mim, Chilton”, ordeno. “Não deixa a garota te atrair pro lado negro.”
“Não ouve esse cara, Coby. Quer que Connelly controle sua vida? Ele acaba com toda a diversão. Quem gosta desse tipo de gente?” Ela se aproxima dele. “E o que mais você faz além de jogar hóquei? Gosta de dançar?”
“Amo”, Coby murmura. Seu olhar está fixo no peito dela.
Sei muito bem que ele é péssimo na pista de dança. “Coby, não cai nessa. Ela não está interessada.”
Ambos me ignoram.
“A gente devia sair pra dançar. Ia ser tão legal.” Ela acaricia o peitoral dele antes de deslizar a mão até a barba. Então, a acaricia também. “Aposto que ter meu corpo mais pertinho do seu ia fazer seu coração bater ainda mais rápido.”
Adam volta a tossir. Ao lado dele, Dmitry parece totalmente fisgado. Todos parecem. Brenna tem esse efeito nos homens.
Faço cara feia para Coby. “Ela está brincando com você. Quer dar o troco pelo que supostamente fiz com ela.”
Brenna sorri em desafio. “Na verdade, acho Coby bem interessante.”
“Tenho certeza disso”, digo. Para o idiota, ofereço incentivo. “Você consegue, cara. Se afasta da escuridão.”
Quando Coby finalmente fala, as palavras saem estranguladas, como se fossem arrancadas à força de sua boca. “Desculpa, Jake. Acho que estou apaixonado.”
Brenna ri e escorrega do colo dele com facilidade.
Coby levanta também. “Vamos dançar”, ele diz, animado.
Suspiro. “Fracote.”
Brenna suspira também ao tocar o braço do meu colega de time. “Desculpa, mas Connelly estava certo. Eu só estava brincando com você.”
Ele olha embasbacado para ela. “Sério?”
“Sério. Estava te manipulando, e peço desculpas. Você era um peão desavisado no pequeno jogo de xadrez entre mim e seu capitão.”
Coby parece tão decepcionado que tenho que reprimir uma risada. Não tenho pena dele. Eu avisei.
Brenna vira para mim. “Viu como foi fácil?” Ela balança a cabeça, irritada. “Ó, não vou insistir nessa coisa do McCarthy porque era algo temporário. Mas que sirva de aviso, Connelly. Fica fora da minha vida. Amorosa, sexual ou o que for. Você não tem o direito de forçar alguém a terminar comigo. Foi muito infantil.”
“E o que você fez agora não foi?”, desafio.
“É claro que foi. Não posso negar. Desci ao seu nível porque estava tentando provar um ponto. Caso se intrometa na minha vida, vou me intrometer na sua. Se continuar me acusando de distrair seus jogadores, vou começar a fazer isso de verdade. E, baseado no que acabei de ver, não vai ser muito difícil.” Ela dá um tapinha no ombro de Coby. “De novo, sinto muito por ter te envolvido nisso. Se vale alguma coisa, acho você muito gostoso, e tenho uma amiga chamada Audrey que quero que você conheça. Você é exatamente o tipo dela.”
A expressão de Coby se ilumina. “Sério?”
Brenna pega o celular. “Dá um sorrisinho. Vou mandar uma foto sua e ver se fica interessada.”
Assisto em total descrença a Coby de fato posar para uma foto. É inacreditável, mas ele flexiona os bíceps. E então, para piorar, diz: “Valeu”.
O idiota está agradecendo Brenna. Meus colegas de time são inacreditáveis.
Ela guarda o celular na bolsa e seus olhos procuram os meus. “Aproveite o resto da noite, Jake.” Então, pisca para mim. “E não esqueça… se mexer comigo, vai ter troco.”