The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 42 de 43

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The Risk

Epílogo - Brenna

Epílogo

 

BRENNA

 

St. Paul, Minnesota

Da última vez que vi a final ao vivo, foi acompanhando o time dos sonhos do meu pai: Garrett Graham, Dean, irmão de Summer, e dois Johns, Logan e Tucker. Eles venceram. Fiquei feliz, claro, mas nem de perto tão absorta quanto durante a partida entre Harvard e Ohio State.

Está três a um para Harvard. Faltam cinco minutos. Em um mísero segundo pode sair um gol, então ainda não ganhamos o jogo. A vitória não está garantida, e não vou me gabar antes dela. Mas estou confiante.

Ao meu lado, estão os pais de Jake, Lily e Rory Connelly, torcendo com todo o vigor. É divertido assistir ao jogo com eles — Lily se sobressalta sempre que algo acontece, e pode ser qualquer coisa; depois de cada golpe, Rory faz uma careta e diz: “Isso vai doer amanhã”. Dá para perceber que não são fãs do esporte. Não conhecem as regras direito e não parecem se importar. Mas, sempre que Jake está com o disco, eles levantam e gritam até não poder mais.

Queria que meu pai estivesse aqui, mas ele está assistindo em casa. Só que ele conseguiu os ingressos desse camarote para a gente, o que significa que temos os melhores assentos da arena… e privacidade o suficiente para que os pais de Jake conduzam um interrogatório.

As perguntas durante os dois intervalos são rápidas e implacáveis.

Onde vocês se conheceram?

Há quanto tempo estão juntos?

Sabe que ele vai se mudar pra Edmonton, não?

Acha que vai se mudar pra lá também?

Por que não pede transferência da faculdade?, a mãe dele perguntou, com uma cara tão esperançosa que quase dei risada.

Quando voltaram sua atenção ao gelo, virei para Hazel, amiga de Jake, e perguntei: “Eles são sempre assim?”.

Ela sorri com ironia e diz: “Isso é importante pra eles. Jake nunca namorou”.

Tá, não vou mentir: fico feliz em ser a primeira garota a conhecer os pais de Jake. Hazel não conta, porque eles a tratam como uma filha. Para ser sincera, ela está se esforçando. Me perguntou sobre a faculdade e quis saber do que gosto, como se quisesse mesmo me conhecer.

Mas ela não gosta de hóquei, o que é sempre um ponto negativo comigo. Ainda não consigo acreditar que estou assistindo ao jogo mais importante no hóquei universitário masculino com três pessoas que nem gostam do esporte. Dá para acreditar? Pelo menos meu pai está me mandando mensagens a noite toda comentando o jogo, o que é legal.

Gosto de como está nosso relacionamento agora. Ficou fácil. E não sei de Eric desde aquela noite em que fomos buscá-lo. Na verdade, ele mal me passou pela cabeça. Finalmente, estou deixando essa parte da vida para trás e focando no que tenho à frente.

E o que tenho à frente é incrível. Jake patina como um raio pela superfície brilhante do gelo. Num minuto, está no meio do rinque com o disco; no outro, está diante do gol dando um tiro.

“GOOOOOOOOOL!”, soam os alto-falantes.

A arena toda fica ensandecida. Está quatro a um agora. Talvez o jogo esteja mesmo ganho, no fim das contas. Pelo menos é o que parece. Já consigo avistar a vitória em alguns minutos. Está quatro a um, e Harvard tem tudo sob controle. Meu namorado tem tudo sob controle.

Os pais de Jake levantam de novo, gritando. Eu também. Meu celular toca umas dez vezes no bolso. Deve ser meu pai. Ou Summer, que está assistindo ao jogo em casa com Fitz e os outros, incluindo Nate, que está de boa comigo de novo. Cara, poderia até ser uma mensagem de Hollis. Ele está todo amiguinho desde que salvei seu relacionamento com Rupi. Os dois estão oficialmente juntos agora, e ele parece adorar contar a todo mundo que tem namorada.

O que me faz pensar se, como Jake, Hollis nunca tinha namorado antes. De qualquer maneira, fico feliz por ele. Rupi é doida, mas no bom sentido.

O tempo corre. Olho para o relógio com felicidade pura entalada na garganta, no peito, no coração. Jake merece isso. Merece encerrar sua carreira universitária com essa vitória. Ele arrasou hoje, e sei que vai arrasar em Edmonton também.

Quando o sinal toca, os colegas de Jake saltam do banco e vão para o gelo. É um pandemônio. Estão todos radiantes. Até Pedersen parece feliz. Não daquele jeito “toma essa!” dele. Por um momento, dá para ver que ama de verdade o jogo e seus jogadores. Pode jogar um pouco mais sujo que a maioria, mas gosta tanto de hóquei quanto o restante de nós.

Meu celular toca de novo. Saio do abraço dos pais de Jake e o pego. Imagino que seja meu pai, mas é um alerta de mensagem de voz. Então a vibração de antes era por conta de uma ligação. Posso estar alucinando, mas o visor diz “ESPN”. Deve ser alguém do telemarketing, com um daqueles discursos: “Você já tem acesso a todos os recursos oferecidos pela ESPN?”.

Mas pessoas do telemarketing nunca deixam mensagem. Ou deixam?

“Volto em um segundo.” Toco o braço de Lily para avisá-la e me afasto alguns passos para ouvir a mensagem.

No momento em que a voz na gravação diz meu nome, quase desmaio.

“Brenna, oi. Aqui é a Georgia Barnes. Desculpa ligar num sábado, mas estou aqui organizando meu novo escritório. Queria falar com você agora porque, a partir de segunda, vou estar atolada de coisas. Peguei seu número com Mischa Yanikov, gerente de palco na HockeyNet. Mas vamos manter isso entre nós, porque não sei se pegar seu telefone do currículo e passar à concorrência é muito correto. Vai ser nosso segredinho.”

Meu coração dispara. Por que Georgia Barnes está me ligando? O que ela quer dizer com “novo escritório”? E na ESPN? Ela vai começar a trabalhar lá?

A próxima frase soluciona o mistério.

“Bom, ainda não liberaram o comunicado à imprensa, mas saí da HockeyNet. A ESPN me fez uma oferta que eu seria idiota em recusar. Vou poder contratar um assistente, e adoraria que você viesse fazer uma entrevista. Sei que ainda está na faculdade, então, se conseguir o emprego, vamos ter que chegar a um horário adequado a você para quando as aulas voltarem. Pode ser uma vaga fixa, então… Bom, mas estou me adiantando. Até onde sei, Ed Mulder não te contratou porque você não se saiu bem na entrevista. Mas tenho a impressão de que não é o caso.”

A risada confiante dela me faz sorrir.

“Bom, me liga quando vir esta mensagem.” Ela passa o número. “Adoraria marcar uma entrevista. Acho que você seria ótima para o cargo. Bom, então nos falamos logo. Tchau.”

A mensagem termina e olho para meu celular em choque.

“Tudo bem?” Hazel vem até mim.

“Tudo.” Balanço a cabeça algumas vezes. “Tudo ótimo.”

Tudo ótimo? Não. É ainda melhor do que eu poderia imaginar. Tenho uma entrevista na ESPN para trabalhar como assistente de Georgia Barnes. Jake acabou de ganhar o torneio nacional. É o melhor dia da minha vida.

Tudo o que quero fazer agora é descer para que o primeiro rosto que Jake veja ao sair do vestiário seja o meu. Sou a maior fã dele. E tudo bem, porque ele é meu maior fã. Torcemos um pelo outro. Somos bons um para o outro. E mal posso esperar para descobrir o que o futuro nos reserva.