The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 17 de 43

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The Risk

17. Brenna

17

 

 

BRENNA

 

Jake me manda uma mensagem com o endereço de onde vamos nos encontrar quando estou jantando com meu pai. Fiz macarrão com legumes salteados, e ficamos em silêncio a maior parte do tempo, já que não temos muito a dizer um para o outro ultimamente.

Quando ele nota meu celular acender, um vinco profundo se forma em sua testa. “Nada de celular à mesa.”

“Nem olhei”, contesto. “Não posso impedir as mensagens de chegar.”

“Pode, sim. É só desligar.”

Olho descaradamente para o celular perto da mão direita dele. Meu pai já recebeu quatro e-mails desde que nos sentamos. “Então desliga o seu também.”

Ficamos nos encarando. Meu pai resmunga, enrola o macarrão no garfo e o leva à boca.

Não abro a mensagem de Jake até chegar ao quarto. Meu queixo cai quando descubro aonde vamos esta noite.

EU: Boliche???

JAKE: Algo contra?

EU: Não, mas sou péssima. Se quiser que dê jogo, fique sabendo que não vou estar à altura

JAKE: Não é uma disputa, vamos só nos divertir. Td bem?

EU: Td bem

JAKE: Às oito?

EU: Blz

Isso significa que tenho uma hora e meia para me arrumar, mas já decidi que não vou me arrumar toda para ele. Só concordei em sair com Jake esta noite porque ele foi ao jantar comigo.

Depois que tomo banho e me visto, abro o Google Maps e coloco o endereço do boliche. Fica a vinte e cinco minutos de carro, de modo que é muito mais perto de Hastings que de Cambridge.

Pouco depois, desço e me demoro à porta da sala. Meu pai está no sofá, avançando o jogo entre Harvard e Princeton do último fim de semana. Jake é um raio atravessando a tela, e eu me pergunto se meu pai veria graça na ironia de que estou prestes a sair com ele.

“Ei”, digo, para chamar sua atenção. “Posso pegar o Jeep emprestado? Vou encontrar um amigo.”

“Você e seus amigos misteriosos”, meu pai murmura, mantendo os olhos colados à tela. “Algum deles tem nome?”

“Todos têm.” Não digo mais nada.

Meu pai ri. “A chave está na entrada. Tente voltar em um horário razoável.”

Quero fazer algum comentário sarcástico, mas ele vai me emprestar o carro, então me seguro. “Não espere acordado”, digo apenas.

Jake já está lá quando chego ao estacionamento quase vazio em frente ao Bowl-Me-Up. O nome me deixa perplexa. Será algum tipo de gíria? Não tenho certeza do que “boliche-me” poderia significar.

Estaciono ao lado da Mercedes brilhante em que Jake está apoiado. Além dos nossos carros, tem um sedã, uma picape e cinco ou seis motos parados. É basicamente um estacionamento-fantasma. “Carro legal”, comento ao sair do Jeep. “Comprou com a grana do contrato do ano que vem?”

“Não. Na verdade, não gastei nem um centavo”, Jake admite. “É do Brooks.”

“E por que ele tem um carro desses?”

“Porque é milionário, e é isso que milionários fazem.”

Tenho que rir. “Faz todo o sentido.” Olho para a enorme placa acima de nós. Ao lado do nome tem um neon enorme de uma bola de boliche rosa que fica piscando. “Você vem sempre aqui?”, pergunto.

“Todo fim de semana fora de temporada. Esse lugar toca em alguma coisa dentro de mim.”

Isso me pega de surpresa. “Sério?”

“Não. Claro que não. Só escolhi aqui porque fica mais ou menos no meio do caminho.” Ele ri. “Que crédula.”

“É, eu mereço isso”, digo, com um suspiro. “Não sei por que acreditei que poderia ter alguma coisa dentro de você.” Tranco o carro e guardo a chave na bolsa.

Vamos até a porta, e Jake diminui a passada para acompanhar a minha. “Tenho um coração dentro de mim, entre outros órgãos”, ele diz. “Sente aqui.”

Ele pega minha mão e a coloca dentro do casaco aberto. Ah, cara, o peitoral dele é incrível. E posso mesmo sentir seu coração batendo.

“Está acelerado, Connelly. Preocupado com a possibilidade de apanhar de mim no boliche?”

“Nem um pouco. Você já disse que é péssima.”

Droga. É verdade. Reprimo a mim mesma por ter adiantado minha falta de talento.

Lá dentro também parece tudo abandonado. O lugar tem dez pistas, mas só duas estão em uso. No balcão fica um homem grisalho com a pele grossa de quem tomou muito sol. Ele nos recebe com um sorriso que forma rugas nos cantos da boca.

“Boa noite, pessoal! Querem sapatos?” A voz dele é rouca, como se fumasse dois maços de cigarro por dia.

Pegamos os sapatos, e o homem diz que podemos ocupar qualquer pista livre. Escolhemos a que fica mais longe dos outros clientes — um casal mais velho e um grupo de motoqueiros meio assustadores que desde que entramos estão provocando um ao outro e brigando entre si. Um deles, um cara gordo com uma barba cheia, acabou de fazer um strike e mantém os braços levantados numa pose vitoriosa.

“É assim que se faz, filho da puta!”, ele grita.

O homem no balcão estremece. “Não se preocupem com eles. São inofensivos, mas alguém precisa lavar a boca deles com sabão.”

“Não tem problema”, digo a ele. “Meu pai é técnico de hóquei. Já ouvi pior.”

Vamos até nossa pista e sentamos para trocar os sapatos. Jake termina antes, porque minhas botas são mais complicadas de tirar. “Vou pegar bebidas”, ele diz. “O que prefere? Cerveja? Refri?”

“Pode ser cerveja, valeu.” Não vejo problema em tomar uma ou duas cervejas. Até ir embora o efeito vai ter passado.

“Beleza”, ele diz antes de ir buscar.

Fico olhando para as costas dele e admiro sua bunda durinha. Cara. Não acredito que estou em um encontro com Jake Connelly. Como é possível?

Suspirando, calço os sapatos ridículos de boliche, então vou até a tela para inserir nossos nomes. No jogador número um, escrevo Brenna.

No jogador número dois, escrevo Jakezinho.

Confirmo e ainda estou sorrindo quando Jake volta trazendo duas garrafas de Bud Light.

Faço uma careta. “Sério?”

“Só tinham isso”, ele diz, pesaroso. “Não é exatamente um estabelecimento refinado.”

“Tudo bem”, garanto a ele. “Valeu.” Aceito a garrafa que Jake me entrega e dou um golinho. Argh. Ainda é a marca de que menos gosto.

“Vou colocar nossos nomes…” Ele para quando nota a tela, então suspira. “Sério? Você tem cinco anos de idade?”

“Não, mas o Jakezinho deve ter.”

“Vou te mostrar que não tenho nada de diminutivo”, ele rosna.

“Vai fazer o que, tirar o pau pra fora na frente dos motoqueiros e do velhinho simpático?”

Jake finge pensar a respeito. “Tem razão. Vou guardar pra depois.” Ele pega a garrafa de cerveja. “Saúde.”

“Saúde.”

Pela segunda noite seguida, brindamos. Isso é errado de muitas maneiras diferentes, não só porque ele joga por Harvard. Não costumo ter encontros. Não namoro sério desde Eric, nem quis namorar. E mesmo que eu quisesse, Jake seria o último cara que eu consideraria. Ele vai para Edmonton em alguns meses. Que tipo de relacionamento poderíamos ter?

Olho para o resto do boliche não muito animado, absorvendo o que vejo e escuto. Os pinos batendo uns contra os outros, a conversa alta dos motoqueiros, as luzes fortes, a superfície brilhante de madeira das longas pistas.

O que estou fazendo aqui?

“Brenna.”

Um arrepio me percorre quando ouço Jake dizer meu nome. Isso só confirma minha convicção de que eu não deveria estar aqui. Odeio que ele tenha tal efeito sobre mim.

“Você está pensando demais”, ele diz, simplesmente.

Umedeço os lábios, que de repente estão secos. “Como sabe disso?”

“Você fica com essa cara quando está analisando algo.” Jake dá de ombros. “E está questionando sua presença aqui.”

“Você não está?”

“Não. Já te falei, temos química e quero saber onde vai dar.”

Solto o ar. “Não vai dar em lugar nenhum, Connelly, pode ir tirando essa ideia da cabeça. Só vim porque você me obrigou.”

“Continua repetindo isso pra si mesma, linda.”

Sinto alguma coisa quando ele me chama de “linda”? Sim.

Gosto da sensação? Nem um pouco.

Tomo um gole desesperado de cerveja, então deixo a garrafa de lado. “Tá. Vamos lá.”