The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 19 de 43

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The Risk

19. Brenna

19

 

 

BRENNA

 

Já é quarta e não tive nenhuma notícia da HockeyNet. Tudo bem que Ed Mulder não falou quando as vagas de estágio seriam preenchidas. Imagino que possa levar semanas, mas estou ansiosa para saber.

Ainda que não o tenha impressionado, uma parte de mim se agarra à ideia de que tenho uma chance. Tá, talvez esperança seja para tolos. Mas então sou tola.

Meu pai ainda está na arena quando chego em casa depois de um longo dia na faculdade. A programação era treino de fortalecimento pela manhã e na pista de gelo à tarde, então acho que ele só deve voltar umas seis ou sete.

Faço o jantar. Nada de mais, só macarrão e salada. Como em frente à TV, assistindo à HockeyNet. O que é muito irritante, porque quem quer que tenha feito o compacto deixou de fora os melhores momentos do jogo dos Bruins de ontem à noite. Eu poderia fazer um trabalho de seleção muito mais criterioso. Só espero poder ter a chance.

E aqui estou eu, sendo tola de novo.

Meu celular toca na mesinha de centro. É uma mensagem de texto.

JAKE: Posso te ligar?

Opa. O friozinho no estômago que isso desperta é preocupante. Falamos por telefone ontem à noite, a maior parte do tempo sobre o jogo dos Bruins que estávamos vendo.

Não posso negar que nosso encontro no boliche foi bem mais divertido do que eu esperava. E o orgasmo foi igualmente inesperado. Eu não pretendia ficar de pegação com Jake. Achei que tivesse mais força de vontade, mas o cara é irresistível. Mesmo agora, dias depois, continuo pensando nele. Em seus dedos dentro de mim, em sua boca quente colada à minha… Connelly é muito bom no que faz. Eu não queria nada além de fazer o cara se sentir bem depois, até que recebi uma ligação de Eric.

Sempre que acho que fui clara, que estabeleci limites firmes em relação a ele, Eric demonstra uma persistência ainda maior. E não me parece certo ser chata com ele ou pedir que me deixe em paz. Me sinto refém do nosso passado.

É tudo bobagem.

O que Jake disse quando estávamos falando sobre passado no O’Malley’s me vem à cabeça. É bobagem mesmo. E, pode acreditar, eu amaria deixar o passado pra trás. Infelizmente, é muito mais fácil falar do que fazer.

Pelo menos dessa vez Eric não veio com nenhuma exigência. Depois da ligação veio uma mensagem de texto, se desculpando por pedir dinheiro. Mas não importa. Acabou totalmente com o clima.

Por outro lado, eu estava a segundos de colocar o pau de Jake na minha boca, então talvez Eric tenha me feito um favor. Ele me salvou de chupar O INIMIGO.

Mas, sendo sincera, já faz um tempo que não penso mais em Jake nesses termos.

Quando termino de comer, pego o celular. “Seus sentimentos por mim estão saindo de controle, Jake”, digo depois que ele atende.

A risada profunda faz cócegas no meu ouvido. “Não se acha, gatinha.”

“Você acabou de me chamar de ‘gatinha’. Como eu não ia me achar?”

“Verdade.” Outra risada. “O que está fazendo?”

“Já jantei e estou assistindo ao compacto na HockeyNet.”

“Nada do Mulder ainda?”

“Não.”

“E da Scully?”

Sorrio. “Você me mata de rir. Teve aula hoje?”

Ainda estou surpresa com o fato de que ele vai se formar em psicologia — descobri isso no longo telefonema de ontem. Tinha assumido que ele estudava comunicação ou rádio e TV, como a maioria dos atletas faz.

“Não. Quarta é meu dia de folga. Em geral, coloco a leitura em dia, limpo a casa, esse tipo de coisa. E você, grandes planos pra hoje à noite?”

“Ainda não sei. Talvez tome alguma coisa com Summer, só nós duas. E você?”

“Vou sair pra beber também. Eu e os caras vamos ao Dime.” Ele faz uma pausa. “Eu convidaria vocês para irem junto, mas a resposta seria não… certo?”

“Dã. Não posso ser vista em público com jogadores de Harvard. Já basta que um deles tenha me dado um orgasmo na semana passada.”

“Acho que você está exagerando nessa história de rivalidade”, Jake diz, achando graça. “Odeiam a gente tanto assim na Briar?”

“Com toda a certeza. Brooks, em particular. Não gostam do estilo de jogo dele.”

“Isso porque funciona.”

“Ah, é? Está me dizendo que você não tem problema nenhum com provocação verbal? Com todas as faltas que ele força e incita? Com o jeito duro como Brooks joga?”

“É parte do jogo”, Jake diz. “Eu mesmo faço essas coisas. Em menor grau que Brooks, claro, mas também provoco e incito os melhores. E não se engane: seu time faz o mesmo. Já ouvi a sujeira que sai da boca dos caras da Briar no gelo. Aquele Hollis fala merda da minha mãe o tempo todo.”

“E ele é bom nisso? Porque no xaveco o cara é péssimo.”

“E como você saberia?” Quase posso ouvir Jake franzindo a testa.

“O cara dá em cima de mim desde que nos conhecemos.” Não menciono a vez em que fiquei bêbada e nos pegamos, porque é insignificante. “Bom, mas agressão verbal e física são coisas diferentes”, aponto.

“Brooks nunca ultrapassa o limite.”

“Ultrapassa, sim. Aliás, ele estabelece o limite onde bem quiser, então decide se vai ultrapassar ou não.”

“E só com Brooks é assim? Todo mundo traça seus próprios limites, não acha? Todos decidimos quais deles estamos dispostos a ultrapassar.”

“Justo.” A curiosidade me impele a perguntar: “Que limite você não cruzaria? O que Jake Connelly nunca faria?”.

A resposta é rápida. “Dormir com a mãe de um amigo. Nunca faria isso.” Ele para. “Bom… não de novo.”

Morro de rir. “Você dormiu com a mãe de um amigo? Quando? Onde?”

“Foi tipo aquela cena em American Pie”, ele diz, inocente. “Eu estava no último ano do ensino médio e um dos caras do time deu uma festa enorme na casa dele. Fiquei bêbado e subi as escadas à procura do banheiro, mas sem querer acabei no quarto da mãe dele.”

Sou tomada por um acesso de risadinhas incontroláveis. “Ela estava de camisola de renda? Fumando com uma piteira tipo Audrey Hepburn?”

“Não, ela estava de agasalho de ginástica. Era rosa-chiclete, e acho que tinha ‘gostosa’ escrito na bunda.”

“Ai, meu Deus, você trepou com a mãe de Meninas malvadas.”

“Não tenho ideia de quem seja essa.”

Rio ainda mais, enxugando as lágrimas. “Não consigo acreditar que uma mulher mais velha te seduziu.”

“Por que não? Ela era gostosa, o sexo foi bom. Eu curti.”

Meu escárnio não o abala nem um pouco, e esse é um dos motivos pelos quais estou começando a gostar dele, apesar de não querer. Jake tem uma confiança de aço que admiro de verdade. Nada incomoda esse cara. Ele é tão seguro de si, de sua masculinidade, de sua habilidade. Não tem um pingo de insegurança nele.

“Ué, mas se foi tão bom, por que você nunca mais vai fazer isso?”, pergunto.

“Porque me custou um dos meus melhores amigos”, ele diz, triste, então me dou conta de que Jake pode, sim, se abalar. “E você? Qual é sua história de pegação mais constrangedora?”

“Hum… Não sei.” Penso a respeito, mas mesmo se me viesse à mente uma situação como a dele, não seria capaz de contar, porque ouço a porta do carro batendo do lado de fora. “Argh. Meu pai chegou”, digo a Jake.

“Ainda não consigo acreditar que você voltou a morar com ele. Alguma notícia sobre sua casa?”

“Tiraram toda a água e agora vai uma equipe só pra limpar. Acho que não vai demorar muito.” Ouço a chave na fechadura. “Tenho que ir. Nos falamos mais tarde.”

Mais tarde?, uma vozinha me provoca.

Ah, isso é ruim. Conhecer melhor Jake não deveria estar na minha programação.

“Espera”, ele diz, áspero. “Quando vai ser nosso próximo encontro de mentira?”

Tenho que sorrir. “Encontro de mentira?”

“É. Quando vamos precisar enganar o Mulder de novo?”

“Hum, provavelmente nunca. Não é como se eu tivesse sido convidada pra algo mais.” Franzo o nariz. “Por que quer saber?”

“Não é esse o combinado? Um encontro de verdade por um encontro de mentira? Quero o de verdade.”

Meu coração bate mais forte. “Você só quer me comer.”

“É. E muito.”

Pelo menos ele é sincero. “Bom, acho que os encontros de mentira já eram, sinto muito.”

A voz dele sai mais grossa. Rouca e adorável. “E os encontros de verdade?”

Mordo o lábio inferior. Então, puxo o ar. “Acho que ainda podem rolar.”

“Ótimo. Vamos tentar essa semana? Talvez depois do jogo beneficente.”

Ouço os passos do meu pai se aproximando da sala. “A gente combina. Tenho que ir.”

Desligo assim que meu pai entra na sala. “Oi”, ele me cumprimenta. Seu olhar ausente vai direto para a televisão.

“Oi. Tem comida no micro-ondas. É só esquentar.”

“Ótimo. Obrigado. Estou morrendo de fome.” Ele vira e vai para a cozinha.

“Como foi o treino?”, pergunto.

“Davenport deu uma de rebelde”, ele responde da cozinha, e fica claro que está descontente. “Não sei o que está acontecendo com o garoto.”

“Talvez esteja com problemas com garotas. Ouvi dizer que está passando o rodo nas fãs.”

Meu pai aparece à porta e passa a mão pelo cabelo raspado. “Mulheres”, ele murmura. “São sempre o motivo.”

“Na verdade, o que eu quis dizer foi que Hunter está sendo um cretino, usando as garotas para não ter que lidar com seus próprios problemas. Mas tudo bem, pode botar a culpa de tudo na gente, mulheres diabólicas e demoníacas.” Reviro os olhos. “Você não dizia esse tipo de coisa pra mamãe, espero.”

“Não”, ele diz, curto e grosso. “Sua mãe não era o demônio. Tinha questões. Mas todos temos.” Meu pai olha para mim, então o micro-ondas apita e ele vai buscar o jantar.

Fico feliz que tenha saído. Estou cansada de seus julgamentos severos. Ele nunca vai me deixar esquecer meus erros.

Queria saber como outras pessoas vivem com o fato de que seus pais têm vergonha delas. Faz anos que carrego nos ombros o peso de ter envergonhado meu pai, e ainda não sei como lidar com isso.

A noite das garotas que eu e Summer tínhamos programado não se concretiza. Assim que entramos no Malone’s damos de cara com Hollis, Nate e Hunter no bar. Quando nos veem, Nate sugere pegar uma mesa, e é impossível dizer não para um cara com covinhas. Então nos apertamos em um lugar perto da sinuca e Hollis anuncia que vamos virar shots.

“Depois do treino de hoje, estamos precisando”, ele diz, sombrio.

Aceno para Jesse Wilkes e a namorada dele, Katie, que estão jogando sinuca em uma mesa mais distante. Katie retribui o aceno com entusiasmo.

“Foi terrível”, Nate concorda com Hollis.

Volto a olhar para eles. “Meu pai comentou que foi meio tenso hoje.” Encaro Hunter como quem sabe de tudo.

“Ah, então o treinador está falando mal de mim pelas costas?”, ele brinca.

“Tenho certeza de que disse na sua cara qualquer coisa que tenha me dito. Conheço meu pai, e ele não é de medir as palavras.”

“Ah, Hunter levou uma bela bronca hoje”, Nate confirma, com os olhos brilhando.

“O que você fez pra merecer?”, pergunto a Hunter.

Ele dá de ombros. “Cheguei dez minutos atrasado.”

“Acho que ele ficou mais puto com o fato de você estar com uma garota no vestiário”, Hollis argumenta.

Meu queixo cai. “Você levou uma garota pro vestiário? Ele pegou vocês dois juntos?”

Hunter balança a cabeça, irritado. “Cara, foi totalmente inofensivo. Dormi na casa dela ontem à noite, ela me deu uma carona até lá e quis fazer um tour rapidinho pelo lugar. Por isso me atrasei pro treino.”

“E quem era?”, Hollis pergunta. “A garota da festa do Jesse? Ou a prima de Montreal do Pierre?”

“Ah, olha só, que conquistador”, brinco. “Sua vida é um verdadeiro desfile de mulheres.”

Ele sorri para mim. “Quem não gosta de um desfile?”

“Eu adoro”, Hollis concorda. “Quando era pequeno, a parada do orgulho gay em San Francisco, onde eu morava, era tão…” Ele se interrompe quando o celular se ilumina, então o leva à orelha. “Você não pode me ligar a cada cinco minutos, Rupi. Não é assim que funciona.”

Quando ouço a voz aguda dela do outro lado da linha, escondo o rosto no braço e começo a rir. Summer também solta risadinhas ao meu lado.

“O que você quer, rastrear meu celular? Estou com o pessoal, tá?” Hollis ouve o que ela diz. “Brenna e Summer estão aqui também.” Ele ouve de novo. “Se está tão preocupada, vem aqui encontrar a gente, porra. Eu te convidei.”

Ele convidou? Está convidando a garota pros programas agora?

“Então arranja uma identidade falsa!”, ele rosna. “Quer saber? Não estou nem aí se você está brava. Pronto. Falei. Não ligo. Você está sempre brava com alguma coisa, e isso me deixa louco.”

Estranhamente, não distingo nenhum traço de hostilidade genuína no tom dele. É quase como se Hollis tivesse sido sugado pelo tornado tóxico que inadvertidamente — bom, deliberadamente — colocamos no caminho dele.

“Tá…” Hollis para a cada segundo para ouvir. “Tá… Tá… Tá… Não, não vou. Não, não vou pedir desculpas. Pode vir se quiser. Não vou aí te ver. Tchau, Felicia.”

Ele desliga.

Levanto as sobrancelhas. “Você desligou na cara dela?”

Hollis me ignora. Seus ombros musculosos se inclinam para a frente enquanto ele digita freneticamente no celular.

“Escrevendo pra ela?”, Nate arrisca, seco.

“Só pra pedir desculpas por ter chamado ela de Felicia”, Hollis murmura, então o celular toca e ele atende. “Já falei que não posso conversar agora. Desculpa por ter chamado você de Felicia, mas é sério… Tchau, Felicia.”

Ele desliga e começa a digitar imediatamente, imagino que para pedir desculpas pelo segundo “Felicia”.

Nate olha para os outros na mesa. “Esse agora é meu programa favorito no mundo. O de vocês não?”

Summer ainda está morrendo de rir. “É uma maluquice, e eu adoro.” Ela joga o cabelo loiro por cima do ombro antes de sair do banco. “Vou mudar a música. E aproveitar pra pedir as bebidas. Está a fim do quê?”, ela me pergunta. “Tequila? Uísque?”

“Vodca”, decido.

Nate dá uma risadinha. “Garotas amam vodca.”

“Ah, desculpa, prefere alguma coisa docinha e frutada pro seu paladar delicado?”, pergunto, num tom educado.

Hunter ri.

“Shots de vodca pra todo mundo”, digo a Summer.

Ela vai embora, e não deixo de notar como os olhos de Hunter se demoram em sua bunda. Summer fica bem como ninguém de jeans justo.

“Ainda a fim dela, então?”, digo, cutucando seu braço.

“Não.” Ele parece totalmente sincero.

“Sério?” Franzo a testa. “Então por que continua sendo um babaca com a garota?”

“Não estou sendo um babaca. Só estou vivendo minha vida, Brenna.”

“Com uma garota diferente a cada noite?”

“E daí?” Hunter descansa os braços musculosos na mesa e entrelaça os dedos. Gosto das mãos dele. Pode estar agindo como um cretino ultimamente, mas tem ótimas mãos. “Estou na faculdade. Se quero trepar com todo mundo, posso muito bem fazer isso.”

“Claro. Mas já ouviu falar em trepar com todo mundo sem ser um babaca com os amigos?”

“Não estou sendo um babaca”, ele repete. “Mas não vou fingir que Fitz não me fez de idiota. Eu perguntei se tinha alguma coisa rolando entre os dois, e o cara disse que não. Então me deixou chamar Summer pra sair, sabendo que ela estava a fim dele. Aí, no meio da noite, ela sai e vai dar pra ele.” Hunter ri de leve. “Como sou eu o babaca?”

“Ele te pegou nessa”, Nate diz.

É, não posso negar que Hunter está certo. Mas sou amiga de Summer, e sei que ela não fez isso para magoá-lo.

Hunter leva uma mão ao meu ombro. “Chega pra lá. Preciso sair daqui.”

“Não precisa ir por minha causa.”

Ele revira os olhos. “Só vou mijar.”

Depois que Hunter desaparece na multidão, Nate senta no lugar dele e passa o braço nos meus ombros. “E aí, o que me diz da final? Alguma dica de como parar Connelly?”

Vacilo. Por que teria dicas de como parar Jake? Avalio a expressão de Nate. Ele sabe que saí com o cara no fim de semana? Será que alguém nos viu?

“Por que está me perguntando isso?”, murmuro.

“Porque você sabe tudo de hóquei”, ele diz na hora. “Porque está morando com seu pai e tenho certeza de que ele te fez ver horas e horas de gravações de jogos.”

Ah. Estou um pouco paranoica. “É verdade”, admito.

“Então me dê algo que possa usar contra Harvard.”

“Bom, não sei se já te disseram isso, mas… Jake Connelly é muito rápido.”

Nate ri e brinca com uma mecha do meu cabelo. “Cara, eu não tinha ideia. Alguém me disse que o apelido dele era raio, mas achei que fosse só porque curtia tempestades.”

Dou risada. “Ouvi dizer que ele adora sair na chuva.” De repente, fico séria. “Falando sério, é quase impossível parar Connelly. Ele é o melhor jogador de nível universitário no país.”

“Valeu”, Nate resmunga.

“Olha nos meus olhos e diz que você é melhor que ele.”

Depois de um segundo, Nate faz careta para mim. “Tá. Ele é o melhor jogador universitário do país.”

“Você pode tentar diminuir o ritmo dele. E, quanto a Brooks Weston, não cai na armadilha dele.”

“É mais fácil falar do que fazer.” Hollis entra na conversa. “Quando se está cheio de adrenalina e o cara te provoca… você só quer dar uma tacada nele.”

“Verdade”, Nate concorda. “Ele é um babaca.”

“Quem?”, Summer pergunta, de volta à mesa.

“Brooks Weston”, respondo. “Seu melhor amigo.”

“Ele não é meu melhor amigo. Só estudamos juntos na escola.”

Hollis a acusa: “Você encontrou o cara algumas vezes este ano”.

“E?”

“Viram, pessoal?” Hollis aponta para Summer. “Essa é a cara da deslealdade.”

“Com quem ele está falando?”, murmuro para Nate. “Somos nós o pessoal?”

“Acho que sim.”

“Ah, meu Deus”, Summer exclama quando Hollis volta a digitar. “Essa garota mantém você na rédea curta. Sabe que não precisa responder, né?”

“Ah, é?” Seus olhos azuis brilham, desafiadores. “Quer que a maluca invada nossa casa para gritar comigo no meio da noite?”

“Pra mim tanto faz. Ela não gritaria comigo.”

“Ah, éééé?”, Hollis repete, arrastando o “é” dessa vez. Ele sacode o iPhone no ar. “É só eu mandar uma mensagem dizendo que você fez algum comentário maldoso sobre Rupi e vai ser no seu número que ela não vai parar de ligar.”

Summer fica branca. “Nem se atreva.”

“Foi o que pensei.”

Nosso garçom traz os shots de vodca, mas esperamos que Hunter volte para beber. Ele se senta ao meu lado e pega seu copo. Todos levantamos os shots, incluindo Hollis, que fica olhando o tempo todo para o celular. Na rédea curta mesmo.

“Um brinde a acabar com Harvard na final”, Nate diz.

A vodca abre um caminho de fogo ao descer pela garganta até o estômago. Ufa. Esqueci como é forte. É a bebida que mais bate em mim.

“Argh, tem gosto de bunda”, Hollis choraminga. “Odeio vodca. E odeio essa música. Foi você que escolheu?”, ele pergunta a Summer quando começa a tocar “Shake it Off” no bar.

“Qual é o problema com a Taylor Swift?”, ela pergunta. “Todo mundo ama.”

“Não, nem todo mundo ama a Taylor Swift”, ele a contraria. “Todo mundo ama Titanic. Todo mundo ama as Kardashian. Mas passa longe de todo mundo amar…”

Ele é interrompido pela aproximação de Jesse e Katie. Jesse está com a jaqueta do time e Katie está de casaco, então imagino que tenham vindo se despedir. Mas ele se dirige a Nate em um tom ultrajado. “Vem comigo lá fora. Agora.”

Fico em alerta no mesmo instante. É incomum jogadores mais novos dando ordens ao capitão.

“Tudo bem?”, Summer pergunta, preocupada.

“Não. Vem ver.” Sem dizer mais nada, Wilkes vira e se dirige à porta pisando firme.

Olho para Katie. “O que aconteceu?”

Ela só suspira e diz: “Nunca se deve mexer com o carro de um cara”.

Ih.

Quando saímos, Jesse já está a dez metros de distância, com a jaqueta preta e prata tremulando com a brisa da noite. Mesmo que eu não o tivesse como ponto de referência, conseguiria identificar seu carro.

É aquele que parece com um marshmallow, branco e fofinho.

“Ah, não”, Summer murmura.

Na verdade, o carro de Jesse é um Honda Pilot preto. Agora está todo coberto de creme de barbear. Ou talvez de chantili. Quando chego perto, mergulho o dedinho na substância branca e a levo ao nariz. É doce. Coloco o dedo na boca e confirmo que estamos lidando com chantili.

“Os filhos da puta de Harvard fizeram isso”, Jesse anuncia, com o rosto contorcido de raiva. “Não podemos deixar os caras escaparem na boa. Eu vou lá.”

“Não vai, não”, Nate diz.

Os olhos do outro se acendem. “Como não? Eles não podem mexer com meu carro!”

“É uma pegadinha idiota, Wilkes. Se for até Cambridge e der um escândalo, ou pior, se retaliar com outra pegadinha idiota, vai estar se rebaixando ao nível deles. E somos melhores que isso. Somos adultos.”

O rosto de Jesse parece um tomate. Ele não lembra um adulto no momento. Só um garoto de dezenove anos que teve o carro vandalizado. Eu entendo. É um saco. Mas Nate está certo. Retaliar nunca é a resposta.

“Como você sabe que foram os caras de Harvard?”, tenho que perguntar.

Jesse passa um pedaço de papel pautado para mim. “Isso estava preso no limpador do para-brisa.”

Summer olha por cima do meu ombro enquanto desdobro o bilhete. Reprimo um suspiro, porque a mensagem não poderia ser mais clara.

Vamos bater tanto em vocês na final que vão virar chantili!