The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 5 de 43

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The Risk

5. Brenna

5

 

BRENNA

 

A tensão se instala no meu corpo, transformando meus ombros em pedra e minha coluna em ferro. Meus dedos, no entanto, parecem geleia, e começo a tremer. Por sorte, não estava mais passando rímel, ou teria furado meu olho.

“Ele mandou mensagem?” Fico incomodada com minha voz fraca. “O que diz?”

Tansy me passa o celular. Meu olhar recai de imediato sobre a mensagem. É curta.

ERIC: Me liga. Preciso falar com vc

O desconforto desce pela minha espinha como gotas de água pingando de uma torneira vazando. Merda. O que ele quer agora?

Tansy expressa o que estou pensando: “O que ele quer?”. Ela parece muito mais desconfiada que eu.

“Não sei. E, respondendo à sua pergunta, nunca mais falei com ele.”

Não é totalmente verdade. Recebo notícias de Eric duas ou três vezes por ano, em geral quando está muito louco ou completamente bêbado. Se não atendo, ele continua ligando, de novo e de novo, até que eu atenda. Não tenho coragem de bloquear o número, mas meu coração se enche de farpas sempre que atendo e descubro como ele está mal.

“Ficou sabendo que minha mãe esbarrou nele, tipo, uns seis ou sete meses atrás? Perto do Halloween.”

“Sério? Por que ela não disse nada quando nos encontramos nas festas de fim de ano?”

“Não queria te preocupar”, Tansy confessa.

O ar fica preso na minha garganta. O fato de tia Sheryl ter pensado que eu ficaria preocupada diz muito sobre o estado de Eric quando ela o viu. “Ele estava chapado?”

“Minha mãe acha que sim.”

Solto o ar devagar. “Fico tão mal com isso.”

“Não deveria”, diz Tansy, com franqueza. “Foi ele quem escolheu continuar com esse estilo de vida. A mãe dele conseguiu um lugar naquela clínica de reabilitação supercara em Vermont, mas Eric se recusou a ir, lembra?”

“É, eu lembro.” Fico mal pela mãe de Eric também. É tão frustrante tentar ajudar alguém que se recusa a admitir que tem um problema.

“Ninguém está forçando o cara a beber ou se drogar. Ninguém o mantém refém em Westlynn. Ele pode sair da cidade quando quiser. A gente saiu.”

É verdade. Nada prende Eric em Westlynn, New Hampshire, a não ser seus próprios demônios. Eu mesma voei para Boston logo depois de me formar no ensino médio.

Não tem nada de errado com a cidade em que cresci. É um lugar perfeitamente satisfatório, que cumpre todos os requisitos de tranquilidade e excentricidade de uma cidade pequena. Meu pai e os irmãos dele nasceram e cresceram em Westlynn, e tia Sheryl e tio Bill ainda moram lá, com seus respectivos cônjuges. Meu pai esperou eu me mudar para ir ele mesmo para Hastings, em Massachusetts. Antes, levava uma hora para chegar a Briar, porque queria que eu continuasse estudando com meus primos e amigos. Acho que ele é mais feliz em Hastings. A cidade fica a cinco minutos do campus, e ele mora em uma antiga casa vitoriana espaçosa e cheia de charme.

Meu ex-namorado preferiu ficar em Westlynn. Após a formatura, a decadência começou. Ele se envolveu com as pessoas erradas e fez todo tipo de cagada. Westlynn não é controlada por traficantes, mas isso não quer dizer que não se possa conseguir drogas lá. Infelizmente, dá pra conseguir em qualquer lugar.

Eric está empacado. Todo mundo foi embora, mas ele continua no mesmo lugar. Não, ultimamente está num lugar ainda pior. Talvez eu não devesse sentir pena dele, mas sinto. E nossa história torna mais difícil esquecê-lo por completo.

“Acho que você não deve ligar.”

As palavras severas da minha prima me trazem de volta ao presente. “Acho que não vou mesmo.”

“Acha?”

“Tem noventa por cento de chance de não ligar, e dez por cento de ligar.”

“Dez por cento é alto demais.” Ela balança a cabeça. “O cara só vai te arrastar pra baixo se deixar que volte pra sua vida.”

Fico pálida. “Não precisa se preocupar com isso. Tem zero por cento de chance de acontecer.”

“Ótimo. Porque pelo visto ele continua obcecado por você.”

“Ele nunca foi obcecado por mim”, digo, em defesa de Eric.

“Está brincando comigo? Lembra quando você teve mononucleose no segundo ano e teve que faltar à escola por meses? Eric surtou total”, ela lembra. “Ligava a cada cinco segundos, não ia às aulas, pirou quando tio Chad disse pra ele parar de aparecer na sua casa. Foi intenso.”

Evito o olhar dela. “É, acho que foi meio exagerado. O que acha dessa blusa?” Aponto para minha miniblusa preta. É frente única e deixa minha barriga à mostra.

“Linda pra KCT”, Tansy declara.

“Você sabe que não economizou nenhum tempo falando KCT em vez de ‘cacete’, né? Só muda a entonação”, provoco, enquanto tento não demonstrar alívio com o fato de Tansy ter aceitado minha mudança de assunto tão prontamente.

Não gosto de ficar pensando sobre aquela época da minha vida. A verdade é que falar de Eric é tão exaustivo quanto era lidar com ele. Só de pensar nele, parece que acabei de escalar o Everest. Meu ex suga toda a minha energia.

“Falo a língua das redes”, Tansy retruca. “É a única que importa. Bom, você está mesmo ótima e eu estou ótima, então vamos sair e mostrar pra todo mundo como estamos ótimas. Pronta?”

Pego a bolsa de cima da cama da companheira de quarto dela.

“Pronta pra KCT.”

Acabamos em um pub irlandês na região de Back Bay. Chama Fox and Fiddle e é frequentado principalmente por universitários, a julgar pelos rostos jovens. Infelizmente, não tem quase ninguém com roupa de hóquei. Vejo duas camisas vinho e dourado, cores do Boston College Eagles. E só. Fico com saudades do Malone’s, o bar em Hastings em que os fãs de hóquei da Briar se reúnem.

Tansy verifica o celular quando entramos. Vamos encontrar o namorado dela aqui. Ou talvez seja o ex-namorado? O pau amigo? Com ela e Lamar, nunca se sabe. O vai e volta do relacionamento deles me deixa tonta.

“Ele não escreveu. Não deve ter chegado ainda.” Ela enlaça meu braço e me leva para o balcão. “Vamos pedir shots. Não tomamos shots desde o Natal.”

Tem uma multidão esperando para ser servida. Quando consigo a atenção de um garçom, ele me pede um minuto.

“Queria tanto que você estudasse aqui comigo”, Tansy diz, tristonha. “Poderíamos fazer isso o tempo todo.”

“Eu sei.” Eu adoraria estudar no Boston College com ela, mas não fui aceita. Não tirava notas boas na escola; meu relacionamento com Eric detonara minha habilidade de me concentrar nas aulas. Então, fui para uma faculdade comunitária até conseguir transferência para a Briar, onde estudo de graça, já que meu pai é funcionário.

“Boa! Estão passando os Bruins.” Olho para uma das telas penduradas no alto. Um borrão preto e amarelo passa conforme os Bruins partem para o ataque.

“Eba!”, Tansy diz, com entusiasmo fingido. Ela não liga para hóquei. Seu esporte preferido é basquete. O que quer dizer que só sai com jogadores de basquete.

Tento acenar para o atendente de novo, mas ele está ocupado servindo um grupo de garotas de vestido curto. O pub está surpreendentemente cheio para dez e meia da noite. Em geral, a essa hora as pessoas ainda estão fazendo um esquenta em outro lugar.

Tansy verifica o celular de novo, então escreve alguma coisa. “Cadê ele?”, murmura.

“Manda uma mensagem.”

“Acabei de mandar. Por algum motivo ele não res… Ah, espera, está digitando agora.” Ela espera até que a mensagem apareça. “Tá, ele… Ah, você só pode estar brincando comigo.”

“O que foi?”

Noto a irritação em seus olhos escuros. “Um segundo. Preciso ligar para ele para descobrir que porra é essa.”

Ih. Torço para que não sejam problemas no paraíso, porque sei que, às vezes, Tansy fica obcecada por seu namorado/ex-namorado/pau amigo. Ainda não tenho certeza do que eles são.

O que eu tenho certeza é de que esperava um fim de semana divertido com minha prima favorita, especialmente depois da entrevista horrorosa esta manhã. Minha nossa, aquilo foi péssimo.

Assisto ao jogo enquanto espero por Tansy. Nenhum dos caras no balcão vem pegar meu pedido, o que provavelmente é uma coisa boa, porque minha prima volta batendo o pé e parecendo raivosa.

“Você não vai acreditar”, ela anuncia. “O idiota confundiu o bar. Está no Frog and Fox, perto do estádio de beisebol. Este é o Fox and Fiddle.”

“Por que todo bar nesta cidade tem a palavra ‘fox’ em algum lugar?”

“Né? Nem posso ficar brava com ele, porque acontece.” Ela solta o ar exasperada. “Bom, ele está lá com amigos e não quer que todo mundo se desloque até aqui quando nós duas podemos simplesmente pegar um táxi e chegar lá em dez minutos.”

“Ele está certo.”

“Não se importa de ir?”

“Não.” Me afasto do balcão. “Só vou dar uma passada no banheiro antes.”

“Beleza. Vou chamar um carro. Me encontra lá fora?”

“Tá.”

Tansy sai do pub enquanto me dirijo ao banheiro. Apesar da multidão da sexta à noite, não tem fila. Entro e deparo com duas garotas na frente do espelho, conversando alto enquanto retocam a maquiagem. Assinto em cumprimento e entro numa cabine.

“Se quer ir ao Dime, então vamos”, uma das garotas diz.

“Já disse que não quero ir.”

“Tem certeza? Porque fica insistindo em falar sobre Jake Connelly e sua língua incrível.”

Congelo. Juro que o xixi para no meio como se fosse um truque de mágica.

“Não temos nenhum compromisso hoje”, a primeira garota diz. “Então, vamos logo ao Dime para você ver o cara. Talvez vocês acabem juntos de novo…”

“Duvido. Jake não se interessa por figurinha repetida.” A segunda garota parece desanimada. “Não tem por que irmos lá.”

“Nunca se sabe. Você disse que ele se divertiu.”

“Ele ganhou um boquete. É claro que se divertiu.”

Aperto os lábios para não sorrir. Olha só isso. Jake se deu bem na outra noite. Bom pra ele.

Então me lembro do que ele fez com McCarthy e não vejo mais graça naquilo. Volto a fazer xixi, louca para sair do banheiro e não ter mais que ouvir aquela conversa.

Um suspiro melancólico ecoa do lado de fora. “Você não tem ideia de como foi…”

“Na verdade, tenho. Porque você não para de falar a respeito.”

“Ele beija tão bem. E, quando me chupou, fez um negócio com a língua, tipo… nem consigo descrever. Foi meio que um beijo com uma viradinha.”

Fico extremamente constrangida. É claro que já tive esse tipo de conversa com minhas amigas, mas essa garota está sendo bem detalhista. E ela sabe que não estão sozinhas no banheiro. Ela me viu entrar.

“Fico surpresa que tenha retribuído o favor. Caras assim bonitos, em geral, nem ligam se a garota está curtindo ou não. Muitos deles só aceitam ser chupados e caem fora depois.”

Dou a descarga e saio da cabine fazendo barulho. “Licença, vou usar aqui”, digo, e aponto para a pia.

Elas se afastam, mas continuam falando. “Bom, ele não é nem um pouco assim”, a garota do Jake diz para a amiga. “Queria que eu fosse até o fim.”

Presto atenção na aparência das duas. A amiga é uma morena alta. Aquela com quem Jake ficou de pegação é baixinha, com cachos ruivos, peito grande e olhos castanhos enormes. Parece um cervo bem atraente.

Esse é o tipo de Connelly? Bambi sexy?

“Então vamos ao Dime”, a morena insiste.

Bambi Sexy morde o lábio inferior. “Não sei. Eu ia me sentir estranha aparecendo no bar favorito dele. Quer dizer, faz quatro dias que rolou. Ele provavelmente nem se lembra de mim.”

Coloco minhas mãos ensaboadas debaixo da água quente. Quatro dias e a garota está preocupada que ele tenha se esquecido dela? Ela se diminui tanto assim? Talvez eu deva me intrometer e aconselhá-la a não se dar ao trabalho de perseguir o cara. Jake a devoraria viva, como costuma fazer com pessoas como ela.

“Tá, então vamos ficar aqui”, a amiga diz quando estão saindo. “Devíamos encontrar uma…”

Não escuto mais nada quando a porta fecha. Seco as mãos com papel-toalha e penso sobre o que ouvi. Quatro dias atrás, Jake e sua língua maravilhosa deram uns amassos na Bambi sexy. Que hipocrisia!

Como ele tem a coragem de me dizer com quem posso sair e ainda mandar McCarthy terminar comigo? E aqui está ele, fazendo sexo oral em uma mulher-cervo gostosa e passando a sexta à noite em um bar, provavelmente tentando descolar garotas. Enquanto isso, o pobre McCarthy está sentado em casa, sem poder nem bater uma sem a permissão de Connelly.

Dane-se.

A resolução me faz endireitar os ombros quando saio para encontrar minha prima. Ela está na calçada, ao lado do parquímetro, em frente à porta traseira de um sedã esportivo preto. “Pronta?”, pergunta quando me vê.

Eu me junto a ela no carro. “Sim, mas houve uma mudança nos planos. Vamos fazer uma parada rápida antes.”