The Risk

Elle Kennedy · Capítulo 15 de 43

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The Risk

15. Jake

15

 

 

JAKE

 

No verão passado, passei algumas semanas na Itália com Brooks e os pais dele. Os Weston têm uma propriedade em Positano, uma das regiões mais ricas da Costa Amalfitana. O lugar em si era impressionante, mas Brooks e eu também exploramos as redondezas, incluindo Nápoles, Pompeia e o famoso Vesúvio. Imagino que morar perto de um vulcão seja inacreditavelmente estressante. Eu ficava o tempo todo de olho nele, me perguntando quando ia entrar em erupção — e sabendo que isso podia acontecer de verdade. Sabendo que tinha o poder de varrer da Terra toda uma civilização, como aconteceu com Pompeia.

Brenna parecia um vulcão esta noite.

O número de vezes em que o vapor saía das orelhas dela parece brincadeira. Eu daria risada da raiva mal disfarçada dela se não estivesse com raiva também.

Theo Nilsson é um cara legal, mas os Mulder nem tanto. Ed, em particular, é o completo babaca que Brenna disse que era. Ele corta a esposa sempre que pode. É grosseiro com o pessoal da cozinha. E menospreza Brenna e cada palavra que ela diz.

A comida em si pelo menos está ótima. Amo comer, então adorei o cardápio: vieira frita, bolinho de bacalhau, couve-flor assada. Minha nossa. E o peixe branco da entrada era uma delícia. Se dependesse de Brenna, Ed Mulder podia muito bem engasgar com ele e cair morto sobre a mesa.

“Há quanto tempo vocês dois estão juntos?”, Lena Nilsson pergunta a Brenna.

Minha namorada de mentira consegue sorrir para a esposa de Nils. “Não muito. Só faz alguns meses.”

“Começamos a sair no começo do semestre”, acrescento.

“E o que o pai dela acha disso?”, Mulder diz, dando risada.

O pai dela. Em vez de dirigir a pergunta a Brenna, ele fala comigo. Noto que os dedos dela apertam o garfo com mais força. Parece que poderia enfiá-lo no olho de Mulder.

Brenna responde por mim. “Meu pai não sabe.”

Ele levanta as sobrancelhas. “E por que não?”

“Estamos sendo discretos pelo momento. Nossos times estão disputando o mesmo campeonato o ano todo, e agora vão se encontrar na final da conferência.” Brenna pega o copo de água. “Decidimos que é melhor não causar.”

Olho para todos na mesa com um sorriso no rosto. “Então, imagino que nem precisemos pedir que, se por acaso encontrarem com Chad Jensen, não mencionem que me viram com a filha dele.”

Lena sorri de ponta a ponta. “Que romântico! Um amor proibido!”

Brenna fica tensa ao ouvir a palavra “amor”. Pisco para a esposa do meu futuro colega de time e digo: “É o melhor tipo”.

“Lindsay, esses centros de mesa são maravilhosos”, Karen Mulder diz, mudando de assunto. “Foi você quem fez?”

A esposa silenciosa e elegante de Mulder só assente, humilde. Tenho a impressão de que não fala muito. Também tenho a impressão de que Mulder prefere assim.

“São lindos mesmo”, Brenna concorda, olhando para três vasos estilo vitral com um arranjo de flores do campo e ramos de mosquitinho.

“São só vasos com flores”, Mulder desdenha. “Não acho que mereçam tantos elogios.”

Dave, o irmão dele, acha aquilo hilário.

“Ed”, Lindsay diz, tensa. É a primeira vez que a vejo direcionar qualquer emoção negativa ao marido. Qualquer emoção que seja, aliás.

“Que foi?” Ele acaba com o vinho branco que tinha na taça. “É um enfeite de mesa. Quem se importa? Sempre me impressiona o tipo de bobagem que você considera importante.”

Brenna pousa o garfo na mesa. Vejo suas narinas e seus lábios se abrirem. Por baixo da mesa, ponho a mão em sua coxa.

Ela fecha a boca e vira para mim, mas não consigo decifrar sua expressão. Sinto sua coxa firme e quente sob a palma da minha mão. Não consigo me segurar. Faço uma leve carícia.

Brenna morde o lábio inferior.

Reprimo um sorriso. Então, acaricio sua coxa de novo. Queria poder acariciar outras partes dela também. A blusa justa caiu bem, e meus dedos formigam de vontade de tocar nos peitos dela.

Porra. Estou desesperado para que esta noite acabe com a gente se pegando. Por isso pedi por um encontro de verdade. Essa garota me deixa louco e tudo o que quero é passar uma noite com ela. Nas últimas vezes que a vi, meu corpo reagiu de um modo primitivo.

E nem estou na seca. Fiquei com uma menina do Boston College na semana passada. Nos conhecemos numa festa, nos demos bem, ela ofereceu uma carona e me chupou no carro. Depois fomos para o banco de trás e, a julgar pelo brilho nos olhos da garota quando finalmente tirei a cabeça do meio das pernas dela, deve ter ficado bastante satisfeita.

Também achei que eu tivesse ficado. Mas estou cheio de tesão desde que Brenna apareceu no bar com aquela blusa sensual e se esfregou toda no Coby. E o vestidinho indecente com que ela estava no show do Danny então? Nossa. Estou muito a fim dessa garota.

Pelo resto do jantar, discutimos principalmente hóquei. Brenna não estava brincando — Ed Mulder é obcecado pelos Oilers e sabe tudo sobre eles. Durante a sobremesa, ele não para de falar sobre o último draft, escrutinando Nils sobre o que ele acha das últimas escolhas e dos novos talentos.

Embora me sinta mal a respeito, estou dando mais atenção a Mulder do que a Brenna.

Sinto seu olhar acusatório em mim enquanto dissecamos os novatos da próxima temporada. Finjo não perceber que ela está descontente, afinal, é minha carreira também. Estou jantando com meu futuro colega de time. É claro que vou dar prioridade a Nils.

A raiva vulcânica de Brenna parece quase sufocante, mas os detalhes sobre os Oilers que Nils fornece são interessantes pra caramba. Talvez eu seja um babaca, mas minha atenção fica cada vez mais focada no que tem de bom no meu futuro, em vez de no relacionamento ruim de Brenna e Mulder.

As garotas com quem eu saía na escola sempre me acusavam de ser egocêntrico e obcecado por hóquei, mas qual é o problema disso? Trabalhei minha vida inteira para me tornar um jogador profissional. Nunca enganei uma mulher ou fiz qualquer promessa. Deixo claro desde o começo que o hóquei é minha prioridade.

Então, quando Mulder sugere que a gente vá beber alguma coisa no escritório, tenho que tomar uma decisão. Dá para notar que Brenna não gosta da separação entre homens e mulheres, e não posso culpá-la. Estamos no século XXI.

Mas Theo Nilsson faz um sinal para que eu os acompanhe, e vou estar patinando com o cara no outono. Fora que, no fundo, sou mesmo um babaca egocêntrico.

Então o sigo.

“Você está puta”, digo.

“Como assim, Jake? Por que eu estaria puta?”

Ela curte um sarcasmo.

E eu mereço. Passei mais de uma hora no escritório de Mulder. São dez horas e estamos na rua esperando pelo carro enquanto Brenna se recusa a me olhar.

“Ah, espera aí!”, ela continua, e o escárnio é audível em seu tom. “Pode ser por que eu tive que ficar na sala de estar com as outras mulheres, onde ficamos nos chocando e desmaiando só para poder acordar umas às outras com sais de cheiro?”

“Isso é muito bizarro. Era isso que as mulheres ficavam fazendo antigamente?”

“Podia muito bem ser!” As bochechas dela estão vermelhas de raiva. “Tem noção do tapa na cara que foi pra mim? Ver você se mandar para falar sobre esportes com o cara que deveria estar me entrevistando para uma vaga no jornalismo esportivo?”

O remorso me atinge. “Eu sei.” Solto o ar. “Já na hora sabia que estava agindo como um babaca.”

“Mas seguiu em frente mesmo assim.” Os olhos dela brilham. “Porque é mesmo um babaca.”

“Ei, agir como um babaca uma vez não faz de alguém um babaca”, contesto. “E você também estava agindo apenas em seu próprio interesse esta noite. Queria falar com Mulder sobre o estágio para provar que estava à altura. E eu queria provar que estava à altura do meu futuro trabalho.”

“Mas você não veio com essa intenção. Nem sabia que Theo Nilsson ia vir.”

“É verdade, mas me adaptei. Nils estava aqui e decidi aproveitar. Você teria feito o mesmo.”

“Você veio aqui pra me ajudar, Connelly. Mas em vez disso só ajudou a si mesmo. Que perda de tempo”, ela murmura. “Deveria ter convidado outro cara. Devia ter vindo com o McCarthy.”

“Pra começar, você nem teria sido convidada se não tivesse mencionado meu nome”, aponto. “Então não teria a oportunidade de convidar ninguém. Fora que essa história de McCarthy já era. Até onde sei, ele ficou com uma garota depois da semi e os dois têm se visto todos os dias.”

Brenna me encara.

“O que foi?”, digo dando de ombros. “Não tenho nada a ver com isso.”

“Acha que me importo que McCarthy esteja saindo com outra?” Ela me lança um olhar incrédulo. “Esqueci o cara no segundo em que ele deixou que você mandasse no pau dele. O problema é que você não me ajudou em nada no jantar.”

“Só não ajudei no fim”, argumento. “No resto do tempo, fiquei fazendo propaganda sua. Você sabe.”

Brenna não responde. Então o carro chega e ela entra nele pisando forte. Coloquei a estação de trem como primeiro destino, para deixar Brenna, então depois de entrar me inclino para o motorista e dou um tapinha no ombro dele. “Na verdade, vamos para outro lugar. Pode nos deixar no O’Malley’s, na Boylston?”

Brenna vira a cabeça. “Não. Vamos pra estação.”

O cara olha de um para o outro.

“Vamos”, murmuro para Brenna. “Você precisa de uma bebida.” Acho que ela não tomou nem uma gota de álcool esta noite. As outras mulheres tinham todas bebericado vinho rosé. “Uma bebida de verdade.”

“Tá. Pro O’Malley’s”, ela murmura para o motorista.

Pouco depois, estamos um em frente ao outro em uma mesa apertada. É sexta à noite e o pub está lotado, mas demos sorte e chegamos no exato momento em que um casal estava saindo. Nenhum de nós diz nada enquanto esperamos que a garçonete venha pegar nosso pedido. O lugar está tão barulhento que a ruiva de cabelo enrolado tem que gritar quando nos cumprimenta.

Brenna dá uma olhada no cardápio, então levanta a cabeça. “O que vocês beberam no escritório de Mulder?”, ela pergunta, seca.

“Conhaque”, digo.

“Remy Martin?”

“Hennessy, puro.”

“Dois, por favor”, ela diz à garçonete.

“Já volto”, a ruiva diz.

Quando a garçonete vai embora, olho para Brenna com um arrependimento sincero. “Desculpa por ter ido sem você. Estou me sentindo mal mesmo por ter feito isso.”

“Tá”, ela diz.

Não tem sarcasmo em seu tom, então sei que está sendo sincera. Só que não tenho certeza a respeito de quê. “Isso quer dizer que você aceita as desculpas ou só que acredita que me sinto mal?”, pergunto.

“Você que sabe.”

Ótimo. A Jensen de quem aprendi a gostar está de volta em plena forma, curvando os lábios em um leve sorriso. Senti falta dela esta noite.

“Mulder foi um idiota”, digo, com sinceridade. “Quer mesmo trabalhar para alguém assim?”

“Te garanto que qualquer canal no mundo tem um ou dois desses. E eu não teria que trabalhar com o cara. Responderia a um dos produtores mais juniores e provavelmente nem teria muito contato com Mulder. Espero.” Sua expressão se torna agridoce. “Fiz um tour pelo escritório na segunda e vi onde gravam o Hockey Corner. Foi superlegal.”

“Kip e Trevor? Adoro eles! Imagina que incrível seria ser convidado para o programa?”

“Isso pode acontecer com você no futuro, considerando que é uma estrela do hóquei.”

“E você? Quer ficar à frente das câmeras ou atrás?” Pisco. “Recomendo à frente. Pensa só no tesão que daria no público masculino.”

“A ideia de um monte de fãs de hóquei se masturbando ao me ver é muito animadora. O sonho de toda menina.”

Fico feliz em ver que ela está começando a descontrair. Seus ombros finalmente relaxam, pois estavam mais rígidos que madeira. Quando a garçonete volta com o conhaque, levanto meu copo para Brenna.

“Saúde”, digo.

Depois de hesitar por um segundo, ela bate o copo no meu. “Saúde”, repete.

Bebemos, olhando um para o outro por cima da borda do copo.

“Estou curioso”, digo.

Ela toma outro gole. “Sobre?”

“É por causa do seu pai que você quer tanto esse estágio? Ele que insistiu? Ou está esperando impressionar o cara?”

Brenna revira os olhos. “Não, não e não. É claro que foi por causa do meu pai que comecei a ver hóquei, mas ele não tinha como me obrigar a gostar. A culpa é toda do jogo.”

“E como foi crescer com ele? Parece um cara durão.”

“E é.”

Brenna não fala mais nada, o que me deixa cauteloso.

Ela nota minha expressão e diz: “Relaxa, tive uma infância normal. Meu pai não era violento nem nada do tipo. Só não somos mais tão próximos. E ele pode ser bem babaca às vezes. Tipo, ou sigo as regras dele ou vou embora. Acho que é uma coisa de técnico”.

Penso no meu próprio treinador e na cara que faz toda vez que alguém menciona Chad Jensen. “Pedersen odeia seu pai.”

“É um lance recíproco. Eles têm um passado.”

“Passado”, repito, balançando a cabeça em negativa. “É tudo bobagem. Não sei por que as pessoas não deixam as coisas pra lá. Por que não deixar o passado no passado? Acabou. O que você ganha remoendo?”

“Verdade.” Ela parece reflexiva. “Tento não pensar no passado.”

“Você não acabou de dizer que não tem nada de sinistro ou perturbador no seu passado?”

“Não, eu disse que minha infância foi normal. Nunca disse que não tinha nada de sinistro ou perturbador no meu passado.”

Óbvio que isso desperta minha curiosidade. “Me deixa adivinhar. Você não quer falar a respeito.”

“Exatamente.”

Tomamos o conhaque. Observo sua boca, o jeito como o lábio inferior se agarra à borda antes que Brenna devolva o copo à mesa. A língua sai para lamber a gota que restou no lábio. Estou obcecado pela sua boca.

“No que está pensando?”, Brenna pergunta.

“Acho que você não quer saber.”

“Arrisca.”

“Estou pensando na sua boca.”

A boca em questão se curva lentamente. “O que tem ela?”

“Fico imaginando que gosto tem.”

“Provavelmente de conhaque.”

Apoio o copo na mesa e levanto.

“Onde você…” Brenna se interrompe quando me sento ao seu lado no banco. “Não estou no clima, Connelly.”

“No clima pra quê?” Estamos sentados tão perto um do outro que nossas coxas se tocam. Estico um braço por cima do encosto do banco e apoio o outro na mesa, virando o corpo na direção dela. “Vamos. Não quer descobrir?”

“Descobrir o quê?”

“Se a gente tem química.”

“A química é superestimada.”

“Discordo.” Lambo meu lábio inferior, e noto que ela acompanha com o olhar.

Brenna suspira. “Você é bem sensual.”

Sorrio. “Eu sei.”

“E bem metido.”

“Sei disso também.”

Ela tira o cabelo de cima do ombro. Não sei se está tentando chamar a minha atenção para sua pele, mas é o que acontece. Quero enterrar meu rosto naquele pescoço comprido e fino e respirá-la.

“Você é bem sensual”, repito, com a voz rouca.

Ela sorri. “Eu sei.”

“E metida.”

“Sei disso também.”

“Então somos parecidos.”

“Talvez. E provavelmente é por isso que nunca vai dar certo.”

Inclino a cabeça. “Como assim?”

“Nunca vamos ser um casal.”

Em resposta, solto uma risada baixa e sedutora. “Quem disse que quero que a gente seja um casal? No momento, só quero ver se rola química.”

Brenna se aproxima, e sua respiração quente faz cócegas no meu maxilar. Ela apoia a mão no meu joelho e faz uma carícia com o dedão antes de escorregá-la bem devagar na direção da virilha. Ela não tem como desviar do volume na minha calça. Mas não o pega nem aperta. Só passa uma unha pela extensão do meu pau duro, e eu gemo alto.

“É claro que temos química”, Brenna diz, com a boca perfeita a centímetros do meu rosto. “Ambos sabemos disso. Nunca houve dúvida quanto a essa questão.” Ela levanta uma sobrancelha. “Então por que não para com essa besteira de precisar descobrir se temos química e diz o que realmente quer?”

“Tá”, digo, porque não vou fugir do desafio. “Quero te beijar.”