Todos os Nossos Ontens
Nove
Marina
Depois de Jam es sair, nervoso, Vivianne pede licença para ir ao banheiro, e eu vago até a j anela da sala de espera, observando a entrada dos fundos do hospital. Leva apenas um m inuto para Jam es em ergir. Ele se parece com qualquer outro funcionário do hospital com o uniform e azul e o casaco preto, m as eu poderia reconhecê-lo de olhos fechados. Ele anda de um lado para o outro ao lado da baia da am bulância e, depois, senta-se no m uro de pedra baixo que contorna a entrada. Sua cabeça afunda nas m ãos.
Ao m eu lado, Finn está m exendo e rem exendo no baralho. Até o som é nervoso, o fut-fut-fut im paciente das cartas parecendo m e j ulgar por não ser capaz de deixar Jam es ter sequer esse pequeno m om ento para si m esm o.
Meus olhos perdem o foco, e, na m inha m ente, vej o Jam es em pé na porta, gritando com igo, pedindo para deixá-lo em paz. O cachorrinho idiota que o segue por toda parte.
Não foi assim que eu im aginei que esta noite seria.
Luz deixa seu tricô para apertar m inha m ão, m as não quero ser tocada agora. Cruzo os braços na frente do peito e belisco o lado de dentro do cotovelo para evitar chorar. Não vou chorar na frente de Finn Abbott de novo. Lá em baixo, Jam es fica em pé e com eça a balançar os braços para se m anter aquecido.
Então, há um estrondo.
Não é com o o som no salão de baile do hotel. Três andares acim a, filtrado pelo barulho da cidade e pelos painéis de vidro grossos, é m ais com o um estouro do que um a explosão, m as, ainda assim , dou um gritinho. Estou de volta ao salão de baile, vendo sangue se espalhar pelo peito de Nate, m as, desta vez, é Jam es, e eu não consigo respirar.
— Foi só o escapam ento de um carro — Finn diz.
— Não, não foi!
Aperto o rosto contra a j anela. Jam es ainda está em pé, ainda inteiro, m as parece estar a cem quilôm etros de distância. Coloco as m ãos contra a j anela, com o se pudesse alcançá-lo de algum a form a. Sigo o olhar dele até o estacionam ento, e é aí que a vej o. Um a m enina, o rosto obscurecido pelas som bras. Segurando um a arm a.
O ar escapa dos m eus pulm ões, e o tem po desacelera até se arrastar. A m enina cai atrás de um carro, e um m enino em quem eu não tinha reparado antes se curva para puxá-la de volta e levantá-la. Eles com eçam a correr, m as a m enina para sob o poste de luz e se volta de novo para o hospital. De repente, o rosto dela e o do m enino que tenta puxá-la são ilum inados, seus traços ficam claros.
O m undo balança em frente a m im , e eu aperto a cabeça. Estou alucinando.
Policiais com uniform es pretos saem correndo do hospital, e o m undo se m ove depressa de novo. Eles cercam Jam es e o carregam de volta para dentro, m esm o enquanto ele aponta para o estacionam ento e luta contra eles.
Eu não im aginei isso.
Alguém acabou de atirar em Jam es.
Saio correndo da sala.
Esqueço o elevador e desço a escada até o térreo, dois degraus por vez. Em algum lugar atrás de m im , ouço Finn dizer m eu nom e. Repasso m entalm ente o que vi: um a m enina com um a arm a, um m enino aj udando-a, parando sob um poste de luz e olhando para o hospital...
É aí que m inha m ente dá um tranco e para. Porque os rostos que vi, m esm o a distância e no escuro, eram tão fam iliares, pareciam -se tanto com ...
Chego ao patam ar do prim eiro andar e corro para o pronto-socorro, onde Jam es está sentado na sala de espera, cercado por um a nuvem de hom ens de terno e uniform e. O hospital está fervilhando. O agente encarregado está gritando ordens para um a enferm eira, que repassa tudo o que ele diz por um sistem a de alto-falante. Estão fechando o prédio todo, ninguém tem perm issão para entrar nem sair, e eu estou nadando contra o fluxo de pessoas em pânico para tentar chegar até Jam es.
— Jam es! — eu cham o. — Jam es!
— Marina!
Ele m e vê na m ultidão e faz um aceno para eu m e aproxim ar, e os policiais que o cercam afastam -se para m e deixar passar.
— Você está bem ? — pergunto. — O que aconteceu?
Ele parece um pouco confuso, m as a salvo.
— Alguém atirou no hospital.
Finn chegou até m im e o ouve.
— Ah, m eu Deus.
Eu o em purro.
— Viu? Eu disse para você. Eu vi quando atiraram nele.
Um policial parado ao lado de Jam es para de falar abruptam ente no seu rádio.
— Com licença, a senhorita disse que viu o atirador?
— Sim , eu estava olhando pela j anela. — Viro-m e de volta para Jam es. — Você está bem ? Não está m achucado?
— Estou bem — ele diz. — Mas você está branca com o um a folha de papel. Você está bem ?
Eu quase rio, m as sai com o um tipo de soluço engasgado, e j ogo os braços em volta do pescoço dele. Mesm o de olhos fechados, o m undo ainda está girando. Levo um a das m ãos à cabeça dele, para segurá-lo com força, e sinto algo quente e escorregadio entre m eus dedos.
— Senhorita, com o o atirador era?
Eu m e afasto e baixo o olhar para m inha m ão. Está m anchada de sangue, verm elho-vivo contra m inha pele.
— Ele está sangrando. — Minha voz sai baixa e fraca, e tenho de m e esforçar para elevá-la. — Alguém aj ude, ele está sangrando!
Jam es toca em sua cabeça escura e tira os dedos ensanguentados com um a expressão confusa. A m ultidão se fecha em volta dele de novo e o leva para um a sala de exam es ali perto. Vou segui-lo, m as o agente que estava dando ordens antes bloqueia m eu cam inho.
— Senhorita, eu sou o agente especial Arm ison — a parede de hom em vestida de preto diz. — Preciso saber agora: com o era o atirador?
Em
— Droga!
Eu bato a m ão contra a lateral de um prédio de tij olos a seis quarteirões do hospital. Arde, m as eu m ereço.
— Tudo bem , Em .
Ando de um lado para o outro.
— Não está tudo bem , e você sabe! Era a nossa chance e eu estraguei. Não acredito que errei!
— Você errou — Finn pergunta — ou desviou a m ira?
— E-eu não sei. — Cerro os punhos até m inhas unhas m orderem m inhas palm as. — Não sei m esm o.
— Tudo bem . Ainda tem os dois dias antes de o doutor voltar para nos buscar. Tudo o que tem os de fazer é segui-lo e esperar por outro m om ento em que ele estej a sozinho.
Encolho os om bros para afastar a m ão que Finn coloca em m eus om bros e inclino a testa contra a parede áspera.
— Eu só... vi o rosto dele. E ele era o James de novo, sabe?
— Eu sei.
— E o que quer que tenha acontecido com igo... — Viro-m e para olhar para ele. — Que diabos foi aquilo?
— Assim que você apertou o gatilho, seus olhos ficaram desfocados, e você com eçou a piscar com o doida. — Ele faz que não com a cabeça, com o se estivesse tentando se im pedir de ver aquela im agem . — Você não conseguia m e ouvir nem m e ver. Foi com o se você tivesse ido embora.
— Vi a cena de quando conheci Jam es — digo. — Foi com o reviver aquilo.
— Ah, cara — ele sussurra. Estende a m ão para m im de novo, m as para. — Sinto m uito.
— Ele só... — Eu m ordo o lado de dentro do lábio. — Ele não fez nada de errado.
— Ainda não.
Finn pega m eu rosto entre as m ãos com tanta delicadeza que deve achar que qualquer coisa m ais do que isso vai m e quebrar.
— Mas nós dois sabem os que não vai durar. O Jam es que conhecíam os j á se foi.
Pela prim eira vez em m eses, eu choro. Não as lágrim as de m enininha que costum ava derram ar, fungando e fazendo bico, deixando lágrim as rolarem pelo m eu rosto com o alguém em um film e, m as soluços profundos e guturais que sacodem m eu corpo todo.
Finn m e segura com força, com o se receasse que eu chacoalhe até ficar em pedaços e seus braços fossem a única coisa que pudesse m e m anter inteira.
Acho que ele pode estar certo.
Marina
— O atirador — o agente Arm ison diz de novo. — Com o era o atirador?
— Eu... — Não consigo pensar com Jam es do outro lado daquela parede, sangrando, talvez m orrendo. Tento segui-lo, com o se atraída a ele pela gravidade, m as o agente dá um passo em frente a m im . — E-eu não sei...
— Sim , você sabe. — O agente Arm ison inclina o rosto para perto do m eu, seus olhos são a única coisa que eu vej o. — Concentre-se agora. Com o era o atirador?
Tenho de contar. É a única m aneira de eles pegarem as pessoas que atiraram em Jam es. Mas com o falo isso? Com o conto a ele o que vi?
— Havia dois deles...
Ele pega o rádio.
— Aqui é o Arm ison. Esperem para ouvir as descrições. — Ele olha de novo para m im . — Certo. Com o eles eram ?
— Um era um a m -m enina, e um era um m enino — digo. — Eles se pareciam ...
— Se pareciam com quem ?
— Eles eram iguaizinhos — viro-m e para Finn — a nós dois.
O agente Arm ison m e encara por um segundo.
— Quer dizer que tinham m ais ou m enos a idade de vocês? Tinham a m esm a cor de cabelo, o quê?
— Não, quero dizer que eles eram exatamente iguais a nós. Talvez um pouco m ais velhos, m as, tirando isso... — Paro ao ver a expressão dele. — Eu sei que parece loucura, m as...
Ele volta a falar no rádio.
— Aqui é Arm ison. Descartem m inha últim a m ensagem .
— Não! — eu falo. — Vocês têm de pegar os dois!
— Marina... — Finn toca no m eu cotovelo.
— A senhorita passou por um choque...
— Não! — Eu puxo m eu braço de Finn. — Não estou im aginando coisas, foi isso que eu vi!
— Eu sei. Tudo bem — o agente Arm ison diz. — Vam os entrar em um a das salas daqui, e eu vou fazer m ais algum as perguntas à senhorita, tudo bem ?
— Para quê? — pergunto. — Você não vai acreditar em m im . Por acaso é ao m enos legal m e interrogar sem m eus pais aqui?
— Não está sendo presa, senhorita...?
— Marchetti — Finn oh-tão-solícito inform a.
— Venha com igo, senhorita Marchetti — o agente Arm ison diz —, e pode m e explicar exatam ente o que viu. Seu am igo pode vir conosco tam bém .
— Ele não é m eu am igo — eu digo, m as vou, pois posso ver que não há alternativa.
Estam os à porta da sala de intervalo dos funcionários para onde o agente Arm ison está nos levando quando Luz e Vivianne nos encontram . Vivianne, que é advogada, m as tam bém o m ais próxim o que Jam es tem de um a fam ília neste m om ento, está claram ente dividida quanto a onde ela é m ais necessária. Ela se vira para Luz.
— Você pode ir ficar com o Jam es? — ela pede. — E vir m e cham ar se ele estiver m uito ferido ou perguntar por m im ?
Luz faz que sim com a cabeça, e eu aponto para ela aonde levaram Jam es. Pelo m enos, alguém estará com ele. Arm ison nos leva para dentro da sala de intervalo dos funcionários, m as m inha m ente segue Luz até a sala de exam es m ais à frente pelo corredor. Se Jam es não estiver bem , não sei o que farei. Certa vez, vi no Good Morning America, um a m ulher que foi golpeada nas costas com um a faca de cozinha pelo ex-nam orado e andou pelo shopping, totalm ente distraída, até alguém da praça de alim entação sugerir que ela fosse para o hospital. Se isso pôde acontecer, talvez Jam es tenha levado um tiro e nem tenha percebido.
Finn está m enos agitado.
— É só um corte ou algo assim , M. Não se preocupe tanto. Vai ficar com rugas.
— Talvez você devesse se preocupar um pouco m ais — eu retruco. — Sei que é difícil para você entender, Finn, m as alguns de nós se importam de verdade com as coisas e não conseguem apenas fazer piada com tudo...
— Ei. — Os olhos de Finn soltam faíscas. — Eu m e im porto com as coisas. Você não faz ideia do que está falando.
Ele passa raspando em m im para sentar-se à m esa de alm oço e m e deixa para trás. O agente Arm ison faz um gesto para Vivianne e eu nos sentarm os, tira do bolso do peito um a caneta-tinteiro chique, que parece fora do lugar nas suas grandes m ãos quadradas, e abre um pequeno bloco de anotações.
Ele anota nossos nom es e inform ações básicas e, depois, diz:
— Certo, senhorita Marchetti. Agora, conte de novo o que viu.
A suavidade da voz dele m e dá nos nervos. É a m aneira com o se fala com crianças e pacientes com doenças m entais.
— Eu estava observando o Jam es pela j anela. — Cuspo cada palavra. — Ouvi um tiro e olhei para o estacionam ento. Havia um m enino e um a m enina fugindo e, quando eles se viraram , vi seus rostos. Eles eram iguais a Finn e eu. O m esm o corpo, o m esm o cabelo, o m esm o rosto.
Arm ison se vira para Finn e Vivianne.
— Algum de vocês viu algum a coisa?
Os dois fazem que não com a cabeça. Eles estavam bem ali, m as eu era a única à j anela. Eu daria tudo para um deles ter estado em pé ao m eu lado, para poder m e apoiar.
— Viu m ais algum a coisa estranha hoj e, senhorita Marchetti? — o agente Arm ison pergunta com delicadeza, com o se um a palavra errada pudesse m e desm ontar.
— Não! — Eu bato o punho contra a m esa. — Sei que parece loucura, m as é verdade! Você tem de acreditar em m im !
Vivianne coloca um a m ão no m eu j oelho.
— Está tudo bem , Marina.
— Acredito que está sendo sincera, senhorita Marchetti — o agente diz —, m as está sob um estresse trem endo. A m ente reage a isso de j eitos estranhos às vezes.
— Certo. — Eu aperto os lábios para interrom per o choro de frustração que sinto subir em m inha garganta. — Mas eles estão lá fora e estão fugindo porque você não m e ouve.
O agente Arm ison baixa o olhar para o bloco de anotações, incapaz de m e olhar nos olhos, e sinto Finn se rem exer na cadeira ao m eu lado. Que bom . Espero estar deixando-os desconfortáveis.
— E quanto a m ais cedo, quando o congressista levou um tiro? — o agente Arm ison pergunta. — Vocês dois estavam lá, certo? O que viram ?
Eu cruzo os braços em frente ao peito e não falo nada. Não tenho nenhum a inform ação útil, de qualquer form a, j á que tudo o que vi foi o m esm o que todas as outras pessoas: Nate caindo no chão, pessoas se espalhando. Está claro que eu poderia ter pegado as digitais do atirador e o núm ero de seguridade social, que não fariam diferença para esse cara.
Finn está m ais inclinado a aj udar do que eu.
— Eu j á falei com um dos agentes no hotel sobre isso — ele conta —, m as tenho certeza de que o atirador disparou de dentro da saída de incêndio no canto direito no fundo do salão.
Vivianne baixa a cabeça e fecha os olhos. Pergunto-m e se o que ela está im aginando é ainda pior do que o que vim os.
— Algum as pessoas e eu tentam os correr atrás dele — Finn continua. — A porta levava a um corredor de serviço, m as j á estava vazio quando cheguei lá, e provavelm ente havia um a dezena de portas que davam em partes diferentes do hotel. Verificam os algum as que não estavam trancadas, m as o atirador j á tinha ido em bora havia m uito tem po.
A surpresa nubla m inha raiva por um m om ento. Finn m e disse que tinha ido atrás do atirador, m as acho que a realidade da história não tinha m e atingido até este m om ento. Enquanto eu estava encolhida na cadeira, sem poder fazer nada de bom para ninguém , Finn estava caçando um aspirante a assassino.
— Você viu o atirador? — Arm ison pergunta.
Finn faz que não com a cabeça.
— Outro cara disse que teve um vislum bre dele. Roupas escuras, boné de beisebol cobrindo o rosto. Foi isso. Com o o atirador conseguiu passar pelo Serviço Secreto?
— Estam os investigando isso — Arm ison diz enquanto faz um a anotação no seu bloco. — Vocês sabem de alguém que teria m otivo para querer m achucar os Shaw?
— É claro que não — respondo.
Vivianne faz que não com a cabeça.
— Ninguém .
— Bem ... — Finn diz.
Eu olho para Finn boquiaberta.
— Você só pode estar brincando.
— Talvez o Nate — Finn continua. — Só por ele ser congressista.
— Certo. Algum louco da direita talvez, m as...
— Mas não Jam es. Ninguém poderia ter algo contra o Jam es.
Eu o perdoo, só um pouco.
— É possível que o segundo tiro tenha sido apenas um a coincidência — Arm ison diz.
— É um a baita de um a coincidência, não é? — Finn com enta.
— Sei que parece assim , m as teria sido m uitíssim o difícil alguém àquela distância reconhecer o sr. Shaw no escuro, usando uniform e de hospital. Estou inclinado a pensar que foi um a pessoa m entalm ente desequilibrada procurando atenção, ou talvez atividade de algum a gangue. Vam os verificar as câm eras de segurança do estacionam ento e, até term os sob custódia quem quer que tenha sido, a Polícia do Capitólio vai designar um a equipe de proteção para ficar com o sr. Shaw e garantir que ele fique seguro.
— Essas são todas as perguntas? — Vivianne questiona.
— Podem os ver o Jam es? — acrescento.
— Por ora, acabam os. Vocês vão ter de verificar com os m édicos.
Finn e Vivianne apertam a m ão do agente por cim a da m esa, m as j á estou na porta. O m esm o agente que estava aguardando na sala de espera no andar de cim a agora está em frente à Sala de Exam es A, e faz um aceno da cabeça e um gesto para eu entrar quando m e aproxim o.
Lá dentro, Jam es está sentado em um a das cam as, os pés balançando com o um m enininho. Ele está pálido, m as perfeitam ente inteiro, e o nó no m eu estôm ago se desfaz. Luz está dando tapinhas na m ão dele, e um a m édica está fazendo um curativo na cabeça dele acim a da orelha esquerda.
Jam es m e lança um sorriso abatido.
— Parece que fui atingido por um estilhaço de tij olo. Nada m uito dram ático.
— Tudo bem — Finn diz, aparecendo atrás de m im . — Coisas sem graça com binam com você.
— Dem os uns pontos só para garantir — a m édica explica a Vivianne, tirando as luvas. — Tudo pronto, Jam es.
— Posso ver m eu irm ão agora? — ele pergunta.
— Vou ligar lá em cim a e verificar.
A m édica usa um telefone preso a um a parede, e eu dou um passo m ais para perto de Jam es. Toco na cabeça dele com delicadeza.
— Dói?
— Eles anestesiaram antes dos pontos. Com o está?
O cabelo perto do ferim ento foi cortado, deixando-o com um pedaço careca acim a da orelha.
— Ridículo — respondo, com todo o m edo que ainda era bom beado pelas m inhas veias transform ando-se em um a vontade totalm ente inapropriada de rir.
Ele ainda está aqui, ainda seguro. E apenas um pouquinho m enos lindo com um tufo de cabelo cortado da cabeça.
A m édica desliga o telefone.
— Você pode ver o congressista agora.