Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 16 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Dezesseis

 

Em

Finn e eu estacionam os do outro lado da rua em relação ao hospital e esperam os. Meu estôm ago está dando um nó. Finn procura rapidam ente em nossa m ochila e acha um Snickers. Ele m e oferece m etade, e tenho de fingir que não estou com fom e, em bora não com a desde ontem . Não posso dizer a ele o que está errado de verdade: o flash de lem brança agudo que m e j ogou de volta na m inha cela de prisão, que tive a oportunidade perfeita de acabar com tudo isso colocando um a bala em Jam es através daquela j anela ou que hesitei porque Marina estava ao lado dele. Eu devo contar a ele, m as não consigo.

Eu m e odeio.

Devo parecer tão enj oada quanto m e sinto, porque ele coloca a m ão no m eu j oelho.

— Vai ficar tudo bem .

Olho para ele. Olho para ele de verdade. Por m uito tem po, ele foi apenas um a voz para m im e, agora, tem um corpo e um rosto novam ente. Quero m em orizar cada expressão para ninguém poder tirá-las de m im de novo.

Eu tento sorrir.

— Quando você passou a confiar tanto nas coisas?

— Mais ou m enos quando você passou a ser tão cínica, eu acho. Agora, tente respirar. É bom para você.

— É, é. — A porta da frente do hospital se abre e Marina sai. Bato no om bro de Finn. — Olhe!

Marina corre para a rua e cham a um táxi, o Finn m ais j ovem vindo logo atrás dela. Os fotógrafos e as equipes de reportagem ainda acam pados do lado de fora do hospital nem levantam o olhar, e os dois entram no carro e vão em bora.

— Aonde eles vão? — Finn pergunta. — Só eles dois?

— Não sei. — Estou feliz por não ter aceitado o Snickers, porque m eu estôm ago está dando cam balhotas. — Mas isso significa que Jam es está sozinho lá dentro.

Antes, Finn e eu tínham os de esperar Jam es sair do hospital sozinho porque não podem os fazer nada com ele enquanto os três estiverem j untos. Não podem os arriscar ficar cara a cara com nossas versões m ais j ovens; o tecido do tem po pode não ser forte o bastante para sobreviver a isso.

Porém , se Jam es está sozinho de novo, é nossa m elhor chance de fazer as coisas do j eito certo desta vez.

— Ele vai estar protegido ali dentro — Finn diz. — Vai estar com Nate, cercado por guardas arm ados.

— Não estou dizendo que vai ser fácil. Mas acho que tem os de tentar, não tem os?

— Você é louca, m as vam os nessa.

Passam os pela m ultidão de repórteres e sim patizantes, que não prestam m ais atenção a nós do que prestaram às nossas versões m ais novas, e nos aproxim am os da entrada do pronto-socorro. Paro de repente perto da frente da m ultidão. Estou próxim a o bastante para ver através das portas de vidro deslizantes. Além delas, agora há um detector de m etal portátil operado por dois policiais.

— Certo — Finn diz. — Mudança de planos.

— Qual é o novo plano? — pergunto.

— Não sei ainda.

Nós dois ficam os parados ali, pensando. Um a m enina da m ultidão m e entrega um a vela, e eu encaro a cham a trem ulante.

— A baia da am bulância? — eu sussurro.

Finn faz que não com a cabeça.

— Cham a m uita atenção. Além disso, vai estar protegida tam bém .

— Talvez você possa distrair os guardas e eu passo ao redor do detector de m etal?

— Muito arriscado. Pode funcionar com um , m as não com dois.

Eu suspiro.

— Então, tem os de deixar a arm a para trás. Achar outra coisa para usar em vez dela.

A m ultidão se m exe e se aperta contra nós, e Finn põe os braços em volta da m inha cintura e apoia o queixo no m eu om bro. Não tenho certeza se ele está fazendo isso para m e consolar ou para poder falar ainda m ais baixo do que o sussurro que estávam os usando para conversar.

— Você percebe que, nesse caso, a m elhor hipótese é um bisturi ou um a agulha hipodérm ica, certo? Vam os ter de m atá-lo de perto, talvez com nossas próprias m ãos.

Baixo os olhos para a calçada. Olhar para alguém atrás do cano de um a arm a e realm ente derram ar o sangue da pessoa com nossas próprias m ãos são duas coisas m uito diferentes.

— É, eu sei.

— Certo, então — ele fala baixinho.

Voltam os ao carro e colocam os a arm a no porta-luvas. Conform e serpenteam os de volta pelo m eio da m ultidão até a entrada do hospital, eu passo m inha vela para um a das pessoas da vigília, que está de m ãos vazias. Finn e eu param os para olhar um ao outro antes de entrarm os no hospital, e ele abre um sorrisinho tenso para m im . Faço que sim com a cabeça, e dam os um passo à frente j untos. Quando as portas de vidro se abrem , som os atingidos por um a forte lufada de ar quente que m e faz perceber com o eu estava com frio. Um policial m e oferece um a tigela para chaves e m oedas sem olhar para m im , o outro está com um a leve ruga franzida na testa enquanto olha entre Finn e eu.

— É, voltam os — eu falo, deixando o celular cair na tigela.

— Nós basicam ente m oram os aqui agora — Finn diz. — Então, se um a hora quiserem que a gente assum a aqui por um tem po...?

O policial ri.

— Isso é tentador. Eu aviso se quiser.

Ele faz um gesto para passarm os pelo detector de m etais um de cada vez e m e devolve m eu telefone.

— Cuidem -se — Finn diz.

O policial acena para nós com a cabeça.

— Vocês tam bém .

— Bem , não foi tão ruim — eu com ento conform e andam os em direção ao elevador. — Espero que a Vivianne e o Jam es prestem tão pouca atenção a Marina e Finn quanto o policial da porta.

— Nós vam os ser rápidos — Finn afirm a —, antes de eles perceberem que há algum a coisa errada. Além disso, o que eles vão fazer? Ver nossas roupas diferentes e rostos um pouquinho envelhecidos e dizer “devem ser a Marina e o Finn do futuro! Detenham os dois!”.

— Bom argum ento.

— Tudo o que tem os de fazer é nos aproxim arm os do Jam es por um segundo — ele fala. — Ainda som os Marina e Finn o suficiente para isso não ser um problem a.

Nós andam os ao longo do corredor, olhando para as portas de cada sala de em ergência que passam os. Todas estão ocupadas. No final do corredor, há um bebedouro, e eu finj o beber nele enquanto Finn se encosta na parede ao m eu lado.

— Você está com m uita sede falsa — ele diz.

— Estou esperando um a das salas ficar vazia — explico. — Aqui, beba você um pouco.

Nós trocam os de lugar, e Finn bebe enquanto eu fico de olho nas portas das salas de em ergência. Não podem os sim plesm ente entrar lá e pedir um a lâm ina ou agulha em prestada e, assim , tem os de entrar escondidos quando um a estiver livre.

De repente, as portas em arco a duas salas de distância de nós se abrem , e um m édico e um a enferm eira tiram em um a cadeira de rodas um hom em de rosto cinzento com um a perna quebrada de um j eito tão feio que eu m esm a m e sinto um pouco pálida. Eles o levam até o elevador, que sem dúvida vai conduzi-los ao andar das cirurgias lá em cim a, para consertar a perna. Finn olha para m im e acena com a cabeça, depois segue para a sala que eles acabaram de liberar. Ele para de repente à porta e recua, acenando para eu m e aproxim ar.

Eu m e j unto a ele e vej o que há um a enferm eira lá dentro ainda, arrum ando a sala. Dou um passo para a frente enquanto Finn fica apertado contra a parede ao lado das portas vaivém .

— Com licença, enferm eira? — eu falo.

Ela levanta o olhar.

— Sim ?

— Você pode m e aj udar?

Coloco um trem or na m inha voz.

Ela se aproxim a.

— O que foi?

— Meu pai. — Lim po um a lágrim a falsa do olho. — Meu pai acabou de ter um infarto e acho que foi trazido para cá, m as não sei onde ele está...

A enferm eira cam inha em direção a m im , para o corredor, deixando a sala de em ergência vazia. Atrás dela, Finn entra em silêncio.

— Você só precisa ir perguntar lá na recepção — ela diz, acenando com a cabeça para a direita. — Eles vão poder aj udar.

— Onde? — pergunto.

— Bem ali. — Ela aponta. — Está vendo aquele balcão com os com putadores e as enferm eiras?

Atrás dela, Finn encontrou um a bandej a de ferram entas cirúrgicas perto da cam a e tira um bisturi. Ele brilha com um reflexo da luz do teto conform e Finn o esconde na m anga.

— Ah, certo — eu falo. — Desculpe, eu sou m uito idiota.

— Tudo bem , querida.

Finn anda na direção da porta e eu puxo a enferm eira em um abraço. Ela fica rígida de surpresa, m as não m e afasta.

— Muito obrigada — eu falo chorando conform e Finn sai escondido da sala e com eça a andar na direção oposta pelo corredor. — Agradeço m uito pela sua aj uda.

A enferm eira dá um a batidinha nas m inhas costas e se afasta.

— De nada, querida. Agora, cuide-se.

Ela volta para a sala de em ergência, sem perceber nada, e eu verifico se ninguém está nos observando antes de alcançar Finn na escada.

— Bom trabalho — ele fala.

— Você tam bém não se saiu m al.

Pegam os a escada em vez do elevador. Dessa form a, podem os entrar na m ultidão do terceiro andar em vez de as portas se abrirem diante de nós, expondo-nos para todos. Quanto m enos tem po tiverem para olhar para nós, m enos chance terão de perceber os detalhes que não estão certos.

Penso no bisturi oculto na m anga de Finn a cada passo. Será que ele vai conseguir causar um estrago suficiente em Jam es no tem po que tiverm os de form a que não consigam salvá-lo aqui, em um hospital? Finn fica enj oado com fast-food por causa de algo que ele leu um a vez sobre com o m atam as galinhas. Com o vai conseguir cortar a garganta do seu antigo m elhor am igo?

Meu peito está arfando quando chegam os ao patam ar da escada, e não é só por causa de com o estou fora de form a. Coloco a m ão no braço de Finn quando ele vai abrir a porta entre a escada e o corredor.

— Espere — digo. — Deixe-m e recuperar o fôlego.

— Você está bem ?

— Estou — respondo. — Só preciso de um segundo.

Coloco um a m ão na parede para m e estabilizar. Não é verdade; não estou bem . Fui pega pela gravidade de Jam es Shaw de novo, m eu m undo sem pre gira em torno do dele e, desta vez, quanto m ais m e aproxim o dele, m ais enj oada m e sinto. Deveria haver um alívio ou até m esm o um tipo de satisfação vingativa em encerrar a vida dele e acabar com Cassandra para sem pre, m as não posso deixar de pensar nele deitado ao lado de Marina, segurando a m ão dela na sua, e isso m e assusta. E se eu estragar tudo de novo? Quantas pessoas vão sofrer por causa da m inha fraqueza?

Finn tira o cabelo do m eu rosto, os dedos frios dem orando-se nas m inhas bochechas e têm poras, acalm ando-m e.

— Prenda o cabelo — ele diz. — Eles com certeza vão reparar nisso.

— Boa.

Eu prendo m eu cabelo, na altura do om bro, para trás em um rabo de cavalo. Ele está pelo m enos 15 cm m ais curto que o de Marina.

— Pronta? — ele pergunta.

Eu respiro fundo um a últim a vez e faço que sim com a cabeça. Tenho de fazer isso; não tenho escolha. Finn em purra a porta da escada, e eu tento assum ir a atitude de Marina: insegura, m as territorial, bem -intencionada, m as desatenta. Meu coração está disparado e, por um m om ento, posso apreciar a ironia de m e preocupar em ser pega fingindo ser eu m esm a. Mas, depois, estam os andando em direção à sala de espera, onde reconheço a prim a Alice e o tio Perry, e não há espaço na m inha cabeça para m ais nada além do plano.

Finn coloca a cabeça dentro da sala.

— O Jam es está com Nate?

— Pensei que vocês dois tinham ido em bora — o tio Perry diz.

— Não, só fom os pegar roupas novas. — Finn faz um gesto indicando seu corpo.

— Jam es? — um a voz cham a.

Tantos anos depois, ainda reconheço o som da voz de Vivianne.

Um trem or passa por m im enquanto m e lem bro do que aconteceu a ela. O que vai acontecer a ela se não tiverm os sucesso.

Eu espero, todos os m úsculos tensos, que Jam es responda, que saia de qualquer sala onde estiver. Mas nada acontece.

— Jam es? — Vivianne cham a de novo.

Ela segue pelo corredor e m e vê na sala de espera. Vem direto até m im , e eu m e forço a ficar rigidam ente im óvel e não m order m eu lábio ou recuar.

— Não percebi que vocês dois tinham voltado — ela diz, e seus olhos, que ficam passando depressa pela área, m al reparam em m im . — Você sabe onde o Jam es está?

Faço que não com a cabeça, e ela passa por Finn e entra na sala de espera.

— Alguém viu o Jam es?

Ninguém viu.

— Ah, m eu Deus — Vivianne sussurra. Ela se vira e corre na direção de onde veio. — Agente Morris!

— Ele deve ter ido pegar um café, Viv! — um dos Shaw (eu vagam ente o reconheço com o Aaron) grita para ela. — Vou ver nas m áquinas.

— Vou ver no banheiro — Finn diz.

Ele agarra m eu pulso ao passar por m im e eu o deixo m e puxar para o pequeno corredor ao lado, onde ficam os toaletes.

— Ele não está aqui — Finn diz. — Deve ter saído escondido na m esm a hora que a Marina e o Finn.

— Vai encontrar com eles em algum lugar. Eu devia ter percebido que não tinha com o eles deixarem o Jam es aqui — falo.

Pelo corredor, portas batem e pessoas gritam . Um agente passa correndo por nós.

— Vam os dar o fora daqui.

Seguim os para a escada. Ao passarm os para a sala de espera, Finn diz:

— Não está no banheiro. Vam os ver no café.

— Vocês dois, fiquem bem aqui! — Alice Shaw grita. — Deixem os policiais cuidarem disso. Não quero que m ais nenhum adolescente desapareça debaixo do m eu nariz. Venham , sentem .

Finn e eu trocam os olhares. Não podem os ficar aqui. A Polícia do Capitólio vai fechar o hospital a qualquer m om ento. Só há realm ente um a opção, apesar de que nossas versões m ais novas não vão nos agradecer por isso.

Quando Alice vira sua atenção para a m ulher fazendo perguntas ao seu lado, nós nos viram os e correm os para a escada.

— Parem ! — Alice berra para nós, m as nem hesitam os.

Disparam os escada abaixo e atravessam os depressa a m ultidão no pronto-socorro. No lado oposto do salão, um policial recebe um cham ado pelo telefone. Eu em purro Finn para a frente. Não podem os nos dar ao luxo de ficarm os presos neste prédio enquanto eles procuram Jam es. Em algum lugar atrás de nós, ouço alguém correr, m as não há tem po para olhar. Finn e eu nos apertam os para passar em m eio à m ultidão e chegam os à porta da frente.

— Vam os em bora de verdade desta vez — Finn avisa para o policial de antes. — Prom eto!

Ele pega m inha m ão e m e puxa para fora, e desaparecem os no m eio da vigília na calçada.

Depois que estam os de volta ao carro, eu digo:

— Casa da Marina?

— Ele sabe que seria o prim eiro lugar onde o procurariam .

— Você tem razão. — O tem po está correndo de nós, cada segundo nos separa de nós m esm os m ais e m ais. — Aonde ele iria?

Eu olho fixo para a frente, tentando pensar, e um a figura de casaco preto sai de um a Starbucks e entra no m eu cam po de visão. Poderia ser qualquer um , m as eu o reconheço antes m esm o de um a BMW fam iliar parar no m eio-fio e Marina sair do banco do m otorista para deixar Jam es assum ir o carro de fuga.

 

Marina

Subo os degraus até a porta da frente da m inha casa dois por vez. Preciso pegar algum as roupas e com ida, falar para Luz aonde estou indo e, depois, Finn e eu vam os levar o carro de Jam es de volta ao hospital para pegá-lo. Se tudo saiu de acordo com o plano, ele vai ter despistado sua pequena equipe de proteção.

As luzes do andar de cim a estão acesas, o que não é com um para Luz, m as tenho m uitas outras coisas na cabeça para pensar dem ais nisso.

— Há sacolas na despensa — falo para Finn ao entrarm os. — Pegue o que quiser da cozinha. Vou correr até a área de serviço e pegar algum as...

— Marina? Você está em casa?

Eu congelo.

Ela não pode estar aqui.

— É a...? — Finn pergunta.

Minha m ãe vira em um canto e entra na cozinha, parecendo perfeitam ente arrum ada, bonita e aqui. Não consigo fazer nada além de encarar. Ela m e abraça, e o arom a fam iliar do seu perfum e m e transform a por um m om ento na m enininha que ficava olhando por cim a do om bro dela enquanto ela se sentava à penteadeira e se arrum ava para sair.

— Mam a? — falo com a voz baixa. — Por que você está em casa?

— Viem os assim que soubem os. — Ela m e solta e parece reparar em Finn pela prim eira vez. — Quem é este?

— É o Finn, m ãe. Você sabe, o am igo do Jam es.

— Oh — ela diz, olhando-o de cim a a baixo. — Você estuda na Johns Hopkins tam bém ?

— Ele estuda na Sidwell com igo.

A expressão dela não m uda em nada, com o se o sorriso estivesse pintado no seu rosto.

— Bem . Isso é ótim o. Talvez Finn queira subir?

Ela faz parecer um a pergunta, m as sei que não é, e Finn parece saber tam bém .

— É, claro. — Ele se afasta de nós. — Eu só vou... ahn, para o quarto da Marina?

— Tudo bem — m am ãe diz.

Não gosto m uito da ideia de Finn ir para o m eu quarto e rapidam ente tento lem brar se deixei algum a coisa constrangedora com o lingerie espalhada, m as ele se vira e sobe correndo a escada antes que eu possa sugerir outro local.

— Você conhece bem esse garoto? — m am ãe pergunta, colocando m eu cabelo para trás das orelhas com o sem pre faz quando ele cai no m eu rosto.

— Não m uito bem — falo. — Nós só viem os... pegar um as coisas para o Jam es. Com ida e coisas assim .

— Tudo bem . Daniel! — ela cham a. — A Marina está em casa!

— O papai está aqui tam bém ? — pergunto. — Por que vocês não atenderam às m inhas ligações?

— Não tivem os tem po, querida. — Ela coloca o braço em volta dos m eus om bros e m e leva para a sala de estar. — Daniel. Estam os aqui.

— Já estou indo! — a voz de papai vem da direção do seu escritório.

Minha m ãe m e senta no sofá e esfrega a m ão para cim a e para baixo pelo m eu braço. É estranho.

— Mãe, o que está acontecendo?

— Precisam os conversar sobre um a coisa — ela diz quando m eu pai entra na sala.

Suas calças estão am assadas das horas no avião; está claro que ele não tom ou banho nem trocou de roupa logo ao chegar em casa, com o a m am ãe fez.

— Marina. — Ele se inclina e beij a a m inha testa. — Com o você está?

— Nada bem — falo, em bora isso devesse ser óbvio.

Com o vou sair desta casa agora? Eles teriam um aneurism a conj unto se eu lhes dissesse que quero ir para Connecticut. Talvez possa dizer a eles que vou passar a noite na casa de Finn de novo; sem m encionar onde Finn m ora.

— Estou com Jam es no hospital desde o tiro...

— Luz deixou que você fosse para o hospital na noite passada? — Mam ãe fica rígida. — Com um atirador à solta e o circo da m ídia em volta daquele lugar? Juro que, às vezes, aquela m ulher não tem noção.

Eu fico ofendida.

— Ela não m e deixou ir. Eu sim plesm ente fui. Não podia deixar o Jam es lá sozinho.

Mam ãe alisa um vinco nos m eus j eans.

— Essa é outra coisa que precisam os falar...

— Am anda. — Papai olha feio para ela. — Em outra hora. A verdade, Mim i, é que...

Eu m e retraio com o apelidinho dele para m im e ele se senta na borda da cadeira para poder colocar a m ão no m eu j oelho. Isso, m ais o braço de m am ãe em volta dos m eus om bros, deixa-m e nervosa.

— Sei que não é o m elhor m om ento, m as infelizm ente é algo que não podem os adiar — papai diz. — Sua m ãe e eu pensam os m uito sobre isso e decidim os que será m elhor para nós nos separarm os por um tem po.

Eu os encaro. Isso está m esm o acontecendo?

Eles estão m esm o fazendo isso agora?

— Separar? — falo. — Quer dizer que vocês vão se divorciar?

Papai e m am ãe se olham .

— Isso m esm o, querida — ele diz.

— Eu... Por que estão m e dizendo isso? — Eu m e levanto. — Acabei de ver o Nate levar um tiro e vocês voltaram para casa para m e dizer que vão se divorciar?

— O m om ento é terrível, querida — m am ãe diz —, m as não podíam os adiar m ais.

— Por que não? — pergunto. — Há quanto tem po vocês sabem ?

Há anos, provavelm ente. Eu tento m e lem brar da últim a vez que eles pareceram felizes j untos e, no com eço, não consigo. Um a im agem acaba surgindo na m inha m ente: nós três em Paris. Eu estava observando um vendedor de rua fazer crepes com seu rodinho e, quando m e virei, peguei m eu pai se inclinando para beij ar m inha m ãe, seus lábios sorrindo uns j untos dos outros. Eu tinha doze anos. Afundo no sofá.

— Um tem pinho — m am ãe diz. — Nós viaj am os para acertar os detalhes e você não ter de se envolver nisso, m as, então, seu pai foi cham ado para um a reunião.

— Vou partir para Rom a pela m anhã — papai diz.

— Vou visitar seus avós em Nova York enquanto ele estiver viaj ando — m am ãe avisa — e vou levar você com igo.

— O quê? — eu sussurro.

Papai aperta m eu j oelho.

— Nós não querem os que você fique aqui com tudo o que está acontecendo agora.

— Querem que eu vá em bora? — falo. — Agora?

— É o m elhor, querida — papai diz. — Vou ficar em Rom a por pelo m enos um a sem ana e não há com o nós deixarm os você aqui sozinha com aquela loucura na casa do vizinho.

Eu engulo m eu m edo crescente.

— Então, você não pode ficar? Não posso deixar o Jam es...

Papai faz que não com a cabeça.

— Eu tenho de ir. Estão m e esperando.

Eu m e viro para m am ãe.

— Você não precisa ir. Fique aqui com igo.

— É m elhor se form os para Nova York, querida — m am ãe afirm a. — Acho que um tem po longe seria bom para todos nós. Você sabe que sua avó é m uito am iga da diretora da Spence, e o sem estre só está com eçando. Pensei que poderia dar um a volta lá e ver se você gosta.

— Por quê?

Os dois só ficam olhando para m im , com o se não conseguissem encontrar palavras. Leva um longo tem po para a verdade ser filtrada pelo m eu cérebro enevoado. Viro-m e para m am ãe.

— Vam os nos m udar? — eu sussurro.

— Nada está definido — ela diz —, m as estou pensando nisso. Sei que vai ser um a m udança para você, m as você sem pre adorou Nova York, e seus avós e a tia Celeste estão lá. Pense em todas as novas oportunidades que você terá em um a cidade com o aquela.

Minha garganta se fecha e tenho de forçar para as palavras passarem .

— Mas eu não quero ir em bora.

— Nada está certo ainda, querida — ela com enta. — Só quero que você fique de m ente aberta enquanto estiverm os lá.

— Eu não vou.

Mam ãe suspira.

— Marina. Sei que é um m om ento difícil, m as só estou tentando fazer o que é m elhor para você...

— Mentira!

De repente, a névoa no m eu cérebro desaparece e eu estou brava. Tão brava que com eço a trem er, com o se toda a raiva dentro de m im estivesse tentando explodir, em purrando m inha pele.

— Querida...

— Vocês não voltaram por m im . — Minha voz falha. — Vocês não se im portam com o quanto as últim as 24 horas foram difíceis para m im . Vocês vieram para m e em pacotar com o parte da bagagem .

O rosto de m am ãe fica duro.

— Já chega, Marina. Isso não é fácil para nenhum de nós.

— Querida...

Papai dá um passo em direção a m im .

Tento piscar para conter as lágrim as, m as não consigo. Saio do alcance de papai, recuando da sala.

— Eu odeio vocês — afirm o, com sinceridade.

Finn está m e esperando ao pé da escada, um a das m inhas bolsas j ogada sobre o om bro. Eu o odeio tam bém , por ouvir o que quer que tenha ouvido.

— Vam os — eu falo.

— Mim i! — papai m e cham a.

— Deixe que ela vá, Daniel — ouço m am ãe dizer a ele conform e saio correndo da casa, Finn em algum lugar atrás de m im .