Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 18 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Dezoito

 

Em

Finn estaciona o Honda na lateral da estrada a 90 m etros da guarita dos Shaw e apaga as luzes.

— O que acha que eles estão fazendo aqui? — pergunto.

— Não sei. Talvez só quisessem sair da cidade?

— Bem , eles provavelm ente querem dorm ir um pouco, então duvido que vão em bora antes de am anhecer. O que significa que vai ser um a longa noite para nós.

Eu abaixo m eu banco e enrolo um a das cam isas extras que Connor nos deu em baixo da cabeça.

— Ugh. Estou tão cansada deste carro.

— Eu tam bém . A gente devia roubar um novo logo. Vão procurar por um .

— Podem os pegar um com bancos de couro? E um rádio m elhor?

— Pode apostar. — Finn solta o cinto de segurança. — Vem , vam os sair um pouco daqui.

— O quê?

Ele abre a porta, o que deixa um a raj ada de ar gélido entrar no carro.

— Vem logo.

— Está gelado! — eu falo, m as j á estou fechando o zíper do m eu agasalho até onde ele chega e saindo do autom óvel.

Finn sobe no capô e m e oferece a m ão.

— Está gostoso e quentinho aqui em cim a.

— Você é tão esquisito.

Mas eu subo no capô ao lado dele. Está quente, após horas de m otor funcionando e aquecendo o m etal. Ele se deita, dobrando as m ãos sob a cabeça, e eu faço isso tam bém .

As estrelas são chocantes. Faz tanto tem po desde que eu as vi, e j uro que se m ultiplicaram na m inha ausência. Aqui fora, longe da cidade, elas são com o pequeninas explosões de luz. Milhares de diam antes aloj ados na atm osfera.

— Uau — eu sussurro.

— É. Eu tinha esquecido que elas eram tão brilhantes.

Nós ficam os sentados em silêncio, encarando o céu, e, depois de alguns m inutos, Finn pega m inha m ão e a esfrega na sua para esquentá-la.

— No que você está pensando? — eu pergunto.

— Nas panquecas do Connor.

— Hum m m . E chocolate quente.

— Ah, m eu Deus — ele gem e. — Eu poderia m atar você por m e fazer pensar em chocolate quente agora. Eu faria qualquer coisa para conseguir um pouco.

— Você que com eçou com essa história de panqueca!

— Você perguntou! E, além disso...

O m undo gira sob m im e o resto do que Finn diz se perde. Agora eu sei o que é, m as não tenho certeza se isso torna a coisa m ais fácil de aceitar ou ainda m ais aterrorizante. Só tenho tem po de agarrar a m ão de Finn antes de a corrente se enrolar na m inha cintura e m e puxar do presente.

Está escuro, apenas a fraquíssim a luz azul de segurança do corredor invadindo a j anela na porta da m inha cela. Tam inez, um dos nossos guardas da noite, apagou as luzes há m uito tem po, m as não consegui dorm ir.

Finn, é claro, está dorm indo há horas. Babaca.

Ouço passos do lado de fora e m e sento na cam a. Um soldado que não reconheço abre a porta de correr da cela e o doutor entra.

— Obrigado, Greggson — ele fala. — Pode nos deixar.

Então, vai ser um a daquelas noites.

O soldado faz um a saudação e fecha a porta depois de sair. O doutor se senta no chão da cela, encarando-m e. É estranho vê-lo ali no chão de concreto com seu j aleco branco de laboratório e calças caras, levantando os olhos para m im . Isso o faz parecer pequeno. Eu aperto m ais o cobertor em volta de m im e espero.

Os olhos dele baixam para o seu colo.

— Sinto falta de você, Marina.

Odeio essas noites. Acho que as odeio m ais do que qualquer outra coisa.

— Estou bem aqui — digo. — Foi você quem foi em bora.

— Eu entendo, sabe, por que você m e odeia. — Ele exam ina suas m ãos com atenção. — Fiz coisas terríveis.

— Quer m eu perdão? Foi por isso que veio aqui?

— Não sei. Talvez. — Ele puxa um fôlego trêm ulo. Meu Deus, ele está chorando? — Talvez eu só precise ficar com um a am iga esta noite.

— Não sou sua am iga — respondo. — Você pode m e prender aqui para sem pre e fazer confidências para m im toda noite, m as nunca serei sua am iga de novo.

— Marina, não é com o você pensa — ele diz, e o desespero em sua voz é palpável agora. — Se você soubesse o que eu sei... São necessários alguns sacrifícios terríveis, m as estam os fazendo coisas boas...

— Estou cansada. Posso voltar a dorm ir agora?

Ele estende a m ão para m im .

— Por favor, eu preciso que você entenda...

— Boa noite, doutor.

A m ão dele fica pairando no ar, trem endo, e cai ao longo do corpo dele. Ele se m exe com o um velho ao ficar em pé e bate na porta para que o deixem sair. O soldado que eu não conheço reaparece e abre a porta.

O soldado que eu não conheço.

— Cadê o Tam inez? — eu falo. — É o turno dele.

O doutor para e não olha para m im .

Meu estôm ago aperta. De repente, percebo por que o doutor está aqui.

— Ah, m eu Deus. O que você o m andou fazer?

— Eu não tive escolha — o doutor diz, e a porta se fecha atrás dele com um baque.

— Em !

Eu pisco e puxo o ar. O m undo se endireita, e eu vej o estrelas, de verdade.

— Em , acorde! — A voz de Finn está engasgada. — Você está quebrando m eus dedos.

Sinto a m ão de Finn na m inha. Eu a estou apertando com toda a m inha força. Solto-a e ele aninha a m ão ao peito.

— Caram ba, m enina — ele diz. — Quando você ganhou essa força absurda?

— E-eu sinto m uito.

Eu m e forço a ficar em pé e esfrego os olhos. A lem brança pode ter sido breve, m as os efeitos dela estão durando m ais do que os das outras. Ainda sinto o m edo na boca do estôm ago e vej o a som bra das paredes da cela em frente aos olhos.

— Você está bem ? — ele pergunta. — O que você viu?

Faço que não com a cabeça. Não quero falar a respeito daquilo.

— Quanto tem po eu fiquei apagada desta vez?

— Dez m inutos — ele responde. — Talvez 15. Pareceu um a eternidade.

Eu estrem eço. O capô do Honda está frio sob nós e o frio da noite invadiu m inha corrente sanguínea.

— O que está acontecendo conosco?

— Você... — Finn hesita e faz que não com a cabeça, e eu percebo o quanto ele está pálido. — Enquanto estava apagada, você m eio que... piscou por um segundo. Com o um hologram a ou algo assim . Eu tive m edo de que você fosse desaparecer. — Ele toca na m inha bochecha. — Tipo, m uito m edo.

— Sinto m uito — eu sussurro.

Tento im aginar o quanto eu ficaria assustada se pensasse que Finn estava desaparecendo e m e deixando sozinha para encarar tudo isso, m as m e im peço porque só a ideia j á é horrível dem ais.

Ele sorri.

— Acho que posso perdoar você.

— Jam es sem pre disse que o tem po deve ter um m ecanism o para consertar paradoxos — digo. — Talvez ele estej a tentando descobrir a que m om ento pertencem os de verdade. Talvez estej a tentando nos apagar.

— Cada flash parece estar durando m ais e m ais — Finn com enta. — Você acha que isso significa...

Faço que sim com a cabeça. Posso não ser um gênio da ciência, m as sinto a verdade disso. O tem po está vindo nos pegar, está vindo depressa.

É quando a viatura de polícia passa por nós, seguindo para a casa dos Shaw.