Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 33 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Trinta e Três

TRINTA E

TRÊS

 

Em

— Por favor, não atire em m im — ele diz, parecendo pequeno e j ovem . — Eu tenho m uitas perguntas, e preciso de respostas.

Só faça, eu penso, m as, em vez disso, baixo a arm a um pouquinho.

— Você estava esperando por m im ? Mesm o sabendo que eu quero m atar você?

Ele faz que sim com a cabeça.

— Eu sei que é loucura, m as... o Richter m e trouxe aqui para m e m ostrar um a foto do assassino do Nate deixando o Mandarin. A Marina e o Finn não confiam nele e, assim , eles m e deixaram , m as ele m e mostrou a foto.

— É? Quem foi?

Não sei com o Richter poderia ter tido tem po para com eçar a incrim inar Mischler, m as tam bém não pode ter sido o assassino verdadeiro de Nate.

No entanto, no fundo, sei que só estou enrolando.

Jam es franze as sobrancelhas para m im .

— Você não sabe? Um agente do Serviço Secreto cham ado George Mischler.

— Ah, certo.

— Algo no rosto dele... Talvez sej a apenas porque ele é o hom em que m atou o m eu irm ão, m as algo nele parecia errado.

Estou achando que foi o trabalho apressado no Photoshop. Na m inha lem brança, Mischler só é preso dali a vários m eses; algo deve ter acontecido para adiantar a program ação de Richter.

— Eu com ecei a sentir com o se as paredes estivessem se fechando sobre m im . Perguntei se poderia ver a film agem das câm eras de segurança das pessoas que atiraram em m im no hospital, e Richter disse que não. Arrum ou um a desculpa sobre estar fora da j urisdição dele agora, e foi com o se um alarm e disparasse na m inha cabeça. Por que ele não m e deixaria ver? Ele deve ter visto e sabe que m ostra você e o Finn, não dois m em bros de gangue com o ele falou. Ele sabe que vocês são m eus am igos, então, por que não prendeu a Marina e o Finn ou pelo m enos m e contou sobre isso a esta altura?

Eu não falo nada. Só há um a explicação para isso.

— A m enos que — Jam es diz — ele saiba que na verdade é você e não ela. E, se ele sabe disso, o que m ais ele sabe?

Jam es fica em pé, e eu levanto a arm a de novo, m as ele não se aproxim a.

— Fiquei m uito chateado e corri para cá, achando que ia vom itar e, depois, não consegui m e forçar a voltar — ele conta. — Tudo em que eu conseguia pensar era em você e nas coisas que você m e disse. Eu preciso saber tudo, Marina.

Eu m e retraio.

— Não m e cham e assim . Sou apenas Em agora.

A com preensão invade o rosto dele.

— Do j eito que o Finn cham a você?

Eu paro.

— É.

— Por que você não usa m ais o nom e Marina? Eu sem pre adorei o seu nom e.

— É um nom e bobo. É o nom e de um a princesa de contos de fadas que recupera tudo o que ela j á perdeu.

— Meu Deus. — Jam es tom ba a cabeça para m im . — Quem é você?

Eu aperto a m ão em volta do cabo da arm a. Deveria atirar agora. Acabar com o sofrim ento de nós dois e poupar Marina do m onstro que está indo atrás dela. Mas ele parece tão triste e despedaçado. Talvez sej a idiota, m as acho que Finn estava certo antes. Ele m erece um a explicação do m otivo pelo qual vou colocar um a bala em sua cabeça. Talvez então eu realm ente consiga apertar o gatilho.

— Ainda assim eu vou m atar você, sabe — falo.

— Eu sei. E ainda assim eu vou lutar.

Eu m e sento no chão frio de azulej os, a arm a apontada para ele, e Jam es se senta em frente a m im .

— O que você quer saber? — pergunto. — Sej a rápido.

— Com o funciona? Se você m e m atar, vai criar um paradoxo.

— O tem po é sensitivo — eu digo —, com o você sem pre suspeitou. Ações com o esta ficam fixas no tem po. Um a som bra m inha sem pre estará aqui para m atar você, m esm o que eu sum a.

— E você sabe que — ele com eça — se você m e m atar, você vai m orrer tam bém ?

Faço que sim com a cabeça.

— Esta versão m inha vai desaparecer com pletam ente.

— Então você está em um a m issão suicida.

— Acho que sim , m as não penso nisso dessa form a. Se eu puder dar para a Marina um a chance de escapar das coisas pelas quais eu passei, pelas quais você m e fez passar — ele retrai o corpo com as m inhas palavras —, não m e im porto de abrir m ão desta m inha existência de baixa qualidade.

O que ela vai se tornar? Ela vai para a faculdade, vai ter filhos? Vai passar um ano m orando na Europa e vai saltar de paraquedas se for desafiada e todas as outras coisas com as quais eu costum ava sonhar na m inha fria cela de concreto?

Ele respira fundo enquanto absorve m inha resposta.

— Mas por quê... — As palavras se perdem , e ele para antes de tentar de novo, a voz m ais suave desta vez. — Se eu realm ente inventei um a m áquina do tem po, então, onde estão os m eus pais? Por que eu não salvei m eus pais?

É um a boa pergunta, um a que eu sem pre m e fiz. Jam es nunca teria ficado obcecado com a ideia de viagem no tem po para com eço de conversa se seus pais não tivessem m orrido quando ele era criança.

— Não tenho certeza — respondo. — Conhecendo a sua versão do m eu tem po tão bem quanto eu conheço, suspeito que você tivesse m edo de que, se salvasse seus pais e crescesse com um a fam ília com pleta e feliz, nunca teria se im portado o bastante com o tem po para descobrir com o controlá-lo. E você am a tanto o poder que isso dá que não poderia arriscar. Talvez exista um a linha do tem po em algum lugar em que você tom ou um a decisão diferente, m as não é esta, assim , ainda preciso deter você.

Jam es enterra os dedos no cabelo e baixa os olhos para o chão.

— Por que você quer m e m atar?

— Não quero. — As palavras saem m ais grosseiras do que eu queria. — Meu Deus, Jam es, eu nunca quis isso. Mas... as coisas estão tão ruins...

— Com o? — ele pergunta. — Preciso saber o que isso significa.

Eu suspiro e baixo a arm a para o m eu colo, em bora ainda possa erguê-la e dispará-la antes que ele possa se deslocar 15 centím etros de onde está sentado.

— Com eça cerca de um ano depois de agora. Você está trabalhando com o Richter e a SIA. Este lugar não são os Associated Institutes of Research, é a Security and Intelligence Adm inistration, um braço secreto da CIA que trabalha j unto com o Pentágono. Na m inha m em ória, as coisas acontecem , na m aior parte, do j eito com o estão acontecendo até agora. Você conhece o Richter porque ele está encarregado do caso do Nate. Ele está interessado no seu trabalho com a quarta dim ensão e tem recursos que você não vai conseguir em nenhum outro lugar. Nossa relação fica tensa. Eu não gosto do Richter e estou com m edo das m udanças que vej o em você.

— O que m uda?

— Você fica ainda m ais obcecado com o seu trabalho.

Im agino Jam es com 18 anos, explicando suas teorias para m im , a paixão em sua voz tão forte que é quase m aníaca.

— Seu idealism o é um a das coisas que eu sem pre am ei em você, m as, diante da perspectiva de realm ente conseguir m udar o m undo, você fica rígido. Está tão convencido de que está certo que não leva em consideração nenhum a dúvida. Já com eçou a acontecer... Você percebe?

Os olhos dele enxergam além de m im .

— A m aneira com o eu fui em bora com o Richter m esm o quando eles disseram que eu estava vulnerável e que ele não era digno de confiança.

— Vai ficar pior — eu conto. — Muito pior. Em algum m om ento... não tenho certeza quando... você vai desenvolver um a m áquina em um laboratório secreto do governo na área rural da Pensilvânia. Vai dar a ela o nom e de Cassandra. É aí que as coisas vão com eçar a m udar.

— Que tipo de coisas?

— Todo tipo. Por exem plo, antes de Cassandra, todos os países da Europa form avam um a grande nação cham ada União Europeia — falo. — Eles tinham um governo, um a m oeda, tudo. Existiria agora, m as você e Richter usaram Cassandra para voltar no tem po e im pedir que isso um dia acontecesse.

— Por quê? — Jam es pergunta, desnorteado.

Eu encolho os om bros.

— Richter convenceu você de que seria um a am eaça para os Estados Unidos.

— Com o você sabe disso?

— Você m e contou — respondo — durante um a das nossas conversas à m eia-noite. Às vezes, você vinha para a m inha cela à noite conversar com igo por horas. Na m aior parte do tem po, você queria falar sobre quando nós éram os crianças, m as, às vezes, m e contava o que você e o Richter estavam fazendo. Os líderes de governos que vocês tinham assassinado, os ataques terroristas que vocês bolaram ou im pediram , os desastres naturais sobre os quais vocês puderam alertar as pessoas. Lem bra-se de quando os diques se rom peram em Nova Orleans e inundaram o lugar todo?

— Claro — ele diz. — Mas a cidade foi evacuada antes.

— Não originalm ente. Você garantiu que todos saíssem de Nova Orleans antes de o furacão atingir o lugar, porque se lem brava da tragédia que tinha sido da prim eira vez.

— Viu? — ele fala, os olhos se arregalando com o os de um a criança. — Eu faço coisas boas. Isso é tudo o que eu quero, deixar tudo m elhor.

— Eu sei. — Por um m om ento, fico tentada a estender a m ão para ele, m as espero até a vontade passar. — Acho que é por isso que parte de m im tem tanta dificuldade em apertar este gatilho, porque sei que m esm o a futura versão sua, que fez tantas coisas terríveis, acredita de verdade que está agindo pelo bem m aior. Daqui a três anos, um a bom ba terrível vai explodir em Manhattan, m atando m ilhares e contam inando o nordeste.

A voz de Jam es m al é um sussurro.

— E eu im peço isso?

— Não é bem isso — falo. — Você, ou m ais provavelm ente o Richter, acha que im pedir um a explosão não é suficiente, porque apenas haverá outras. Em vez de im pedir as bom bas, você precisa evitar a vulnerabilidade do país a elas. Então, você vai m andar várias pessoas de volta no tem po... para um ano a partir de agora, dois anos, seis m eses... e fazer com que elas detonem um a série de bom bas m enores em m eia dúzia de cidades. Centenas m orrem em vez de m ilhares, e o governo aprova dezenas de novas m edidas de segurança que fazem com o que tem os agora pareça segurança de shopping. Um a identidade nacional biom étrica, nada de viagens sem autorização, supervisão eletrônica, escâneres corporais em todos os prédios, câm eras de segurança em todas as ruas. Fica im possível fazer ou dizer ou com prar qualquer coisa sem o governo saber. A bom ba nunca é detonada e, de algum as form as, estam os m ais seguros do que nunca, m as...

— Eu criei um estado policial — Jam es diz, o horror palpável em sua voz. — Um governo totalitário.

— O Richter é pior — eu afirm o. — Ele vê o tem po com o um a arm a, algo ainda m ais poderoso que bom bas para usar contra os chineses ou os norte-coreanos ou quem quer que ele vej a com o um a am eaça. Tenho certeza de que ele forçou você em m uitas das piores coisas para as quais você usou Cassandra, m as você estava tão cego na época que não podia perceber.

— Então, por que não m atar o Richter em vez de m im ? — Jam es quer saber.

— Nós tentam os isso. — Era o núm ero quatro da lista. Aquela versão m inha deve ter sido m uito durona. — Não funcionou. Acho que há várias pessoas igualm ente am biciosas e im piedosas que puderam assum ir o lugar dele na sua vida. Você acredita, Jam es, e ninguém pode tirar isso de você. No final, para você, tudo sem pre se resum e a núm eros. Você está disposto a m achucar algum as pessoas para salvar m uitas outras.

— Você é um a das pessoas que eu m achuco? — ele pergunta.

Eu faço que sim com a cabeça.

— Daqui a dois anos, a Marina e o Finn saem de Washington. É logo depois da prim eira bom ba, em São Francisco, e eles estão com m edo de que o Richter queira se livrar deles por causa do que eles sabem . A Marina tem a docum entação de alguns dos seus cálculos para Cassandra...

Jam es franze as sobrancelhas.

— Não, ela não tem . Só existem os m eus originais e as cópias que o Nate fez, que eu destruí.

— Bem , não vou contar a você onde ela consegue — falo. — Estou guardando esse segredo há anos e não vou parar agora. Quando o Richter vai buscar a Marina e o Finn, eles sum iram e levaram os docum entos.

De repente, o banheiro oscila. O tem po m e agarra pelo m eio do corpo. Não, agora não! Mas ele j á está m e arrastando, sugando-m e para a escuridão.

Minha visão fica clara. Estou no m eu quarto, andando de um lado para o outro. Finn está sentado na m inha cam a de pernas cruzadas.

— Você está m e deixando enj oado — ele diz.

— Sinto m uito pelo m eu terror estar incom odando o seu estôm ago — retruco. — Feche os olhos.

Ele pega m eu pulso enquanto passo dando outra volta.

— Ei, vai ficar tudo bem .

— Com o?

— Não sei. É só o que se deve dizer.

Eu rio, e o som quebradiço m achuca a parte de trás da m inha garganta. Pelo m enos posso contar com a sinceridade de Finn.

— Sente-se — ele pede. — Por favor.

Afundo com relutância na cam a e com eço a m exer em um a linha solta da coberta. Quando eu a puxo, o tecido em volta do fio rasga por toda a extensão da coberta, destacando a fraqueza da superfície do pano que, no resto, é uniform e. Isso m e faz pensar em tram polins cósm icos e pequeninos portais através do espaço-tem po. Estrem eço e aliso os am assados.

— Eu tenho m edo dele — falo baixinho. — Nunca pensei que teria m edo dele.

— Nem eu. Meu Deus, não estam os m esm o im aginando isso, estam os? — Finn pergunta. — Digo, todos nós sabem os que eu sou egocêntrico e pouco confiável, m as se você tam bém acha isso...

Eu engulo em seco. Odeio Finn por dizer isso em voz alta. Sem pre tive um orgulho secreto da m inha lealdade, do m eu apoio teim oso para as pessoas que am o. Pensei que Jam es e eu seríam os para sem pre, que nada poderia m e fazer traí-lo.

— Então é isso — Finn diz. — Tem os de ir em bora. Sair da cidade antes de ser tarde dem ais e nunca olhar para trás.

Tudo fica escuro e com eça a piscar, com o um rolo de film e que saiu da sua bobina, conform e sou j ogada para a frente no tem po de novo. Ainda estou no m eu quarto, m as dias m ais tarde. Estou arrum ando a pequenina bolsa que é tudo o que as pessoas que vão nos levar escondidos perm item que eu carregue. Não tem os os docum entos certos para viaj ar e ninguém sai de Washington sem os docum entos certos. Os fuzileiros arm ados nos postos de verificação cuidam disso. Os pais de Finn não podem aj udar e os m eus se recusam , m as j á há um a rede clandestina de pessoas que podem nos tirar daqui pelo preço certo.

Para Finn, é fácil. Ele está m orando no cam pus da Am erican University e, assim , pode escrever um bilhete para o seu colega de quarto deixando para ele sua televisão e seu estoque de Cherry Coke e desaparecer.

Eu tenho de esperar que m inha m ãe e o novo nam orado dela, ele com um terno e ela com um vestido de noite, saiam para um evento de caridade antes de poder correr pelo m eu quarto, separando os itens necessários de verdade das coisas que sim plesm ente não suporto deixar para trás. Arrum o m inha bolsa com algum as roupas extras, um a escova de dentes, o m aço de dinheiro que andei surrupiando da bolsa da m inha m ãe, um a nota por vez ao longo de sem anas, suas m elhores j oias para penhorar em troca de m ais dinheiro e as quatro folhas de papel desbotadas de um bloco am arelo que são m inha única apólice de seguro.

À porta, eu m e viro e olho para a m inha cam a, os pôsteres da parede, a coleção bagunçada de j oias e m aquiagem e papel de chiclete em cim a da côm oda. Já parece outro m undo, um lugar onde eu só vivi em sonho. No m eu criado-m udo, um porta-retrato está virado para baixo contra a m adeira. Eu o pego, estudando os três rostos que sorriem para m im . De repente, quero desesperadam ente levá-lo com igo.

Mas não há lugar. Eu o coloco de volta no criado-m udo e fecho a porta depois de sair.

Ando pelo corredor e desço a escada usando m eias, m eus tênis m ais resistentes na m ão. Chego à porta da frente quando Luz sai das som bras, seu rosto m arcado pela idade e pela tristeza.

Vê-la m e faz virar um a criança de novo no m esm o instante, e m eu lábio inferior trem e.

— Tenho de ir.

— Mi hija...

— Não é seguro aqui — digo. — Você não está segura com igo aqui.

Luz m e envolve nos braços e m e em bala, e eu choro as lágrim as que estava segurando.

— Eu am o você, Luz — falo, secando as lágrim as com m inha m anga.

— Te amo, mi hija.

Minha visão fica em baçada de novo, e vej o o contorno do rosto de Jam es e a parede de azulej os do banheiro através do fantasm a de Luz. As duas im agens piscam um a depois da outra, um a tom ando o lugar da outra e se fundindo antes de se separarem .

— Marina!

Jam es estende a m ão para m im , m as para pouco antes de m e tocar.

— Em!

O m undo gira e Jam es volta para a som bra. Estou de volta na m inha cela, o diretor parado em frente a m im , dizendo-m e com um a curva m aliciosa nos lábios que Luz está presa no Departam ento de Segurança Interna por suspeita de atividades terroristas.

— Diga onde estão os docum entos — ele fala.

Com eço a chorar. Isso foi antes de eu aprender a nunca, nunca chorar na frente de Richter. Antes de eu ter gastado todas as lágrim as da m inha vida e ter ficado seca e m orta por dentro. Sei o que vai acontecer. Um a parte suficiente de m im ainda se lem bra de estar sentada em um banheiro de escritório para saber que Richter, com a bênção de Jam es, vai prender Luz no cam po de detenção da Agência Federal de Controle de Em ergências em Long Island, tudo isso pelo crim e de m e am ar.

A m ão no m eu rosto m e traz de volta para o presente, e eu volto a m im m esm a. Estou deitada no chão frio do banheiro, olhando nos olhos dilatados de Jam es.

— Em ? — ele cham a.

Eu rolo para longe dele e m e esforço para recuperar o fôlego.

— Que diabos acabou de acontecer? — ele questiona. — Seus olhos se reviraram para trás e você caiu e com eçou a trem er e... e piscar.

— Está na hora. — Tento engolir para acabar com a secura na m inha garganta. — Sou um paradoxo, e o tem po não gosta disso. Está tentando m e apagar. E vai, m ais cedo ou m ais tarde. Estou surpresa por você não ter tentado pegar a arm a.

— Eu tentei. Seu corpo todo se tensionou e eu não consegui tirá-la da sua m ão.

Eu baixo os olhos para a m inha palm a, que tem um a m arca verm elha do cabo da arm a.

— Oh.

Jam es está claram ente abalado, m as m e pressiona.

— Você disse que o Finn e a Marina saem de Washington.

— Isso. Eles vão fugir por m ais de um ano, m as você vai acabar pegando os dois. Vai prendê-los no m esm o prédio onde esconde Cassandra. Vai m anter os dois lá por... quatro m eses? Talvez m ais. E quase todo dia Richter vai interrogá-los e perguntar onde os docum entos estão.

— Interrogar?

Eu só o encaro, lem brando-m e dos espancam entos, os dias sem fim em que não m e deixavam dorm ir, o som de Finn gritando na cela ao lado. Acho que não preciso dizer com todas as palavras para ele.

— Ah, m eu Deus — ele sussurra.

— Às vezes, você vai observar, m as não acho que você goste — conto. —

Você vai ficar com um a expressão com o se houvesse um a parede entre o que você vê e seu cérebro. Acho que está tentando se provar para o Richter, m ostrar para ele que você não é o geniozinho delicado que ele acha que você é.

Jam es baixa os olhos para o chão e, assim , tudo o que consigo ver é o topo da sua cabeça. Os cabelos escuros que costum am estar tão arrum ados ficaram em aranhados por causa dos dias na estrada e por ele passar os dedos pelos fios de novo e de novo. Em alguns m inutos, quando eu o fizer entender por que não tenho escolha, vou acertar um a bala no m eio deles.

— Mas, às vezes, à noite — continuo —, quando o prédio está silencioso, você vem até a m inha cela. Você se senta no chão em frente à m inha cam a, com o está fazendo agora, e m e diz o quanto odeia o que está acontecendo com igo. E que, se eu sim plesm ente desse ao Richter o que ele quer, você poderia m udar tudo. Você passa horas tentando m e convencer de todo o bem que está fazendo com Cassandra, as vidas sendo salvas, os desastres evitados, as m udanças m aravilhosas que o governo pôde fazer. Acho que você precisa que eu acredite j unto com você. Richter nos quer m ortos, tenho certeza disso, m as você faz com que ele nos m antenha vivos porque precisa que acreditem os que o que você está fazendo é certo. Você não consegue suportar a sem ente de dúvida que coloquei dentro de você por m e recusar a participar disso. E eu acho que, do seu j eito, você sente falta de nós. Não vai deixar ninguém se aproxim ar dem ais de você por m uito tem po, focado dem ais na sua m issão, e acho que sente falta da sua parte que conseguia fazer isso.

— Mas eu sei tudo isso agora — Jam es diz. — Não vou deixar que as coisas aconteçam assim .

Eu faço que não com a cabeça.

— Eu tentei. Não adianta. Você pode m e prom eter que não vai construir Cassandra, agora que sabe que pode?

Jam es hesita.

— Viu? — eu digo. — Você tem de fazer isso. E, depois de fazer, o resto da história cai com o dom inós. Esta é a m inha 15ª viagem no tem po. Eu deixei para m im um a lista de tudo o que fiz para evitar que o futuro acontecesse. Falei com você e com o Nate e com o dr. Feinberg. Tentei fazer com que você entrasse em Princeton em vez da Johns Hopkins, e tentei fazer com que você fosse expulso. Eu destruí seu com putador e todas as suas anotações. Eu m e livrei de um engenheiro que aj udou você a construir Cassandra. Tentei de tudo que podia para evitar isso, m as nada funcionou. Sinto m uito, Jam es, m as foi você quem tentou tanto m e convencer de que, às vezes, as pessoas têm de m orrer pelo bem m aior.

Eu levanto a arm a e Jam es pula em m im .