Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 10 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Dez

 

Marina

Meu alívio m om entâneo desaparece. Luz diz que tem de ir para casa ver seus netos antes de ir trabalhar e, assim , ela m e abraça com força e, depois, Finn e eu seguim os Jam es e Vivianne até o quarto de Nate na UTI. Tudo em que consigo pensar é na m aneira com o aquele abaj ur se estilhaçou na hora em que Jam es bateu o punho contra ele quando éram os crianças. Eu soube desde aquele dia que havia um a rachadura aberta dentro dele. Só tive vislum bres dela nos anos desde então, m as tem o que ver Nate possa colocar pressão suficiente nele e o faça despedaçar de vez.

Um dos m édicos de Nate puxa Vivianne de lado para falar com ela, então, ficam os apenas nós três para entrar no quarto de hospital. Jam es para do lado de dentro da porta tão abruptam ente que eu m e choco contra ele. Seus om bros estão rígidos e eu viro a cabeça para olhar ao redor.

Nate está quase irreconhecível na cam a, m uito obscurecido por fios, m edicações intravenosas e curativos. Está preso a um respirador, o tubo grosso preso com um a fita, desaparecendo dentro da sua boca aberta e descendo pela garganta. A m áquina assobia baixinho conform e bom beia ar para dentro dos pulm ões dele e o deixa sair de novo, o ritm o robótico criando um a batida sincopada com o m onitor cardíaco ao seu lado. Nate está nu até a cintura, o peito enfaixado. O pouco de pele aparente está m anchado, ou de desinfetante ou de sangue. Seu rosto está de um a cor cinza de giz, exceto pelas pálpebras, de um roxo tão escuro que parecem feridas. Ele parece um a casca batida e descartada, nenhum brilho de anim ação para m ostrar que algo de Nate ainda está lá dentro.

Ele parece m orto.

Parece, de algum a form a, pior do que m orto.

A enferm eira que nos leva até lá vai direto para o lado dele e verifica um a das bolsas de m edicação intravenosa. Depois, olha de novo para nós, am ontoados na entrada.

— Tudo bem . Vocês podem tocar nele se quiserem .

Pego a m ão de Jam es e a aperto. Nenhum de nós se m exe. Não quero essa im agem de Nate na m inha m ente; se ele m orrer, não quero m e lem brar dele assim . Queria nunca ter seguido Jam es até aqui.

É Finn quem dá um passo à frente. Ele nos deixa acovardados na porta com o crianças, senta-se em um a das cadeiras ao lado de Nate e pega sua m ão com delicadeza.

— Oi, congressista — ele diz. — É o Finn. Jam es e Marina estão aqui com igo.

— Ele consegue ouvir? — Jam es pergunta à enferm eira.

— Não custa tentar, certo? — Finn interrom pe. — Os m édicos o consertaram m uito bem , congressista. Vai acabar com igo no basquete logo, logo, senhor.

Jam es dá um pequeno passo à frente e, depois, m ais um . Acaba indo até a segunda cadeira perto da cam a de Nate. Eu observo da entrada, odiando-m e pela m aneira com o m eus pés estão cim entados no chão. Finn nem queria ter vindo para cá. Ele teria deixado Jam es no hospital para lidar com isso sozinho, porque ele odeia hospitais, m as, agora, parece... parece...

Percebo com um choque que Finn j á fez isso antes.

— Jam es parece m uito m al— ele continua. — Acho que ele precisa do irm ão agora, então o senhor tem de aguentar, com binado, congressista?

Eu rezo para os olhos de Nate se abrirem . Posso im aginar exatam ente com o será. Suas pálpebras vão trem ular. Nós vam os ofegar, e a enferm eira vai sussurrar que é um m ilagre. Nate vai se virar para Finn e, com um a voz baixa e rouca, vai dizer: “Já disse para você m e cham ar de Nate”. E todos nós vam os saber que tudo ficará bem .

Porém , elas não se abrem . Exceto pelo peito subindo e descendo, ritm ado com o assobio do respirador, Nate está im óvel.

— Mas não se preocupe — Finn continua. — Nós estam os cuidando dele. Marina não o perdeu de vista. Ela é com o um cachorrinho m uito protetor e assustador.

Jam es estende a m ão e, devagar, pega a do irm ão.

Finn levanta-se e pega m eu braço.

— Vam os.

Pela prim eira vez, não discuto e deixo Jam es sozinho com o irm ão.

 

Finn e eu nos sentam os no corredor para esperar enquanto Vivianne se j unta a Jam es dentro do quarto. Pego m eu telefone e verifico as m ensagens de texto que venho ignorando. Chegaram a 43 agora.

TAMSIN: Ai, meu Deus, vc tá bem?

TAMSIN: O que tá acontecendo? Vc tá com o James?

SOPHIE: Acabei de saber! Manda msg e me avisa como vc tá, ok, bb?

202-555-9054: Oi, Marina, é o Alex Trevino da sua aula de biologia. Soube que vc estava lá hj, o q aconteceu?

TAMSIN: MARINA! ESCREVE PRA MIM, ESTOU ENLOUQ UECENDO AQ UI!!1!

SOPHIE: Estou vendo o jornal. É a coisa mais importante do mundo e você estava lá! O que está acontecendo??

Eu desligo o telefone de novo.

Agora que não estou m ais em pé, a exaustão desaba sobre m im . Não percebi o quanto estava cansada até este m om ento. Inclino a cabeça para trás contra a parede e, logo, não consigo m ais m anter os olhos abertos. Deixo-os se fecharem , dizendo a m im m esm a que só vou descansar por um m inuto.

— Marina.

Um a m ão toca em m eu j oelho.

— Marina, ei.

Abro os olhos irritados com esforço e levanto a cabeça do om bro de Finn. Meu Deus, adorm eci encostada nele.

— Desculpe — m urm uro.

— Não se preocupe com isso.

Ele faz um aceno com a cabeça em direção ao quarto de Nate, à porta do qual Jam es e Vivianne estão parados, conversando com um dos m édicos.

— Enquanto você estava dorm indo, a Viv m e perguntou se nós poderíam os tentar fazer o Jam es ir em bora por um tem po. Ela está preocupada que ele acabe ficando doente.

Olho para Jam es, usando as roupas am assadas do m eu pai que vieram da bolsa de Luz e com pontos na cabeça.

— Ele nunca irá.

— Talvez vá se nós dois pedirm os — Finn diz. — Ele precisa dorm ir um pouco, ou...

A rachadura. Talvez Vivianne e Finn a vej am tam bém .

— Certo — eu falo. — Vale a pena tentar.

Ficam os em pé e encontram os Jam es e Vivianne no m eio do corredor. Os olhos dele estão verm elhos, m as não sei dizer se é por chorar ou por estar acordado há quase 24 horas. Ele parece pronto para desm ontar.

— O m édico disse que devem os deixá-lo sozinho por um tem po — ele diz. — O sistem a im unológico dele está fraco por causa do traum a, e não querem que ele pegue nada enquanto ainda está em estado crítico.

— Nesse caso, acho que você deveria ir para casa e dorm ir um pouco — eu falo.

— É, cara — Finn acrescenta. — Você não pode ficar aqui.

Jam es faz que não com a cabeça, m as Vivianne não o deixa com eçar.

— Acho que eles estão certos, querido. Eu fico aqui e ligo para você se algum a coisa m udar.

O olhar de Jam es endurece conform e ele percebe que estam os nos unindo contra ele.

— Não posso deixar você sozinha aqui, Viv.

— Não vou ficar sozinha m uito tem po — ela fala. — A Alice deve chegar a qualquer m inuto.

Jam es faz um a careta. A prim a dele, Alice, é provavelm ente a m ulher m ais dom inadora que j á conheci — e eu m oro com m inha m ãe — e tem um gosto especial por interrogar Jam es.

— Melhor correr enquanto você ainda pode — Vivianne diz.

— Vam os voltar em algum as horas — Finn declara —, depois de você ter dorm ido um pouco e tom ado um banho.

— Por favor, Jam es — eu acrescento.

Jam es inclina-se contra a parede, deixando-a suportar seu peso.

— Vocês dois concordam desta vez?

— Eu sei, é estranho — Finn diz. — Eu m e sinto suj o.

Jam es suspira.

— Tudo bem . Mas só por algum as horas.

Finn vai para a sala de espera recolher nossas coisas, e Jam es e Vivianne voltam para o quarto de Nate para se despedirem . Fico andando pelo corredor, esperando.

— Com licença, senhorita — um a das enferm eiras na central diz.

Eu m e viro.

— Sim ?

— Encontram os isto na sala de espera — ela fala, estendendo um bloco de folhas am arelas para m im . — Acho que é do seu am igo.

Pego o bloco; é aquele em que Jam es ficou rabiscando com tanta intensidade durante horas. Há m eia dúzia de páginas lotadas de fórm ulas m atem áticas e anotações. Há apenas um trecho que faz algum sentido para m im . No topo, ele escreveu: “Era isso que estava faltando?”. O que quer que esses sím bolos signifiquem , são im portantes. Rasgo as páginas do bloco e coloco-as no bolso, agradecendo à enferm eira, e im agino o abraço que Jam es m e dará quando se lem brar de que as perdeu e descobrir que eu as salvei para ele.