Todos os Nossos Ontens
Trinta
Em
Richter em erge do restaurante sozinho e vai até a barraca do m anobrista. Meu estôm ago dói ao vê-lo, com o se o m eu corpo tivesse passado a associar o rosto dele com dor. Olho para Finn, m as ele ainda está em outro lugar. Seguro a m ão rígida dele.
Richter entra no carro quando o m anobrista o traz, m as não vai em bora. Deixa-o parado, soltando fum aça no ar frio. Cada m om ento que ele se dem ora, m eu corpo fica m ais rígido.
— Vá em bora — eu sussurro. — Vá em bora!
Porém , ele não vai. E, alguns m inutos depois, Marina e o Finn m ais j ovem saem do restaurante. Sem Jam es.
O nariz e as orelhas de Marina estão verm elhos; ela esteve chorando. Os m ovim entos de Finn são abruptos e bravos conform e ele sai da calçada e faz sinal para um táxi. Ele e Marina entram e vão em bora.
— Ah, m eu Deus. — Eu chacoalho o om bro de Finn. — Acorde! Eles deixaram o Jam es! Por favor, Finn!
Mas sei que não vai adiantar. Estou sozinha agora. Eu m e atrapalho para pegar a arm a no porta-luvas.
Jam es sai do restaurante. Seus olhos estão fixos no carro parado e ele faz um aceno com a cabeça para Richter atrás do banco do m otorista. Talvez eu tenha dez segundos antes de ele entrar e os dois irem em bora.
Meus dedos estão pesados e desaj eitados quando coloco a m ão dentro do porta-luvas. Não vou conseguir. Seguro a arm a nas m ãos e abro a porta do carro com violência. Jam es j á pisou fora da calçada e está entrando no banco do passageiro de Richter.
Eu fico em pé e levanto a arm a por cim a do teto do carro, m irando em Jam es, que está com a m ão na m açaneta da porta. Ele levanta o olhar para m im . Nossos olhos se encontram .
Eu aperto o gatilho.
Nada acontece.
Jam es se encolhe e entra desaj eitado no carro.
Baixo os olhos para a arm a. Está em perrada. Maldita m erda sem iautom ática.
— Droga!
Bato o punho no teto conform e o carro de Richter sai acelerado. Jogo a arm a no chão do carro e corro pela calçada atrás deles. Preciso pelo m enos ver para qual direção eles estão indo. Chego à esquina e vej o que seguiram pela Fourteenth Street, para longe do centro. Está no fim da tarde; o tráfego vai aum entar logo. Talvez isso os atrase o bastante para eu os alcançar. Será que consigo tirar Finn do banco do m otorista? Ele deve ter uns 20 quilos a m ais do que eu, m as se eu conseguir em purrá-lo...
Um a m ão se fecha sobre a m inha boca.
Um braço apertado em volta do m eu torso faz com que sej a im possível resistir. Por um m ilésim o de segundo, penso que Finn acordou e essa é sua ideia perversa de um a brincadeira. Talvez quatro anos antes, ela fosse, m as não agora. Então, reconheço a sensação do corpo contra as m inhas costas, o cheiro de am aciante de roupas e xam pu caro no m eu nariz. Com eço a estrem ecer e gritar contra a m ão sobre a m inha boca.
— Calm a, m enina — o doutor diz no m eu ouvido. — Não vou m achucar você.
Tento chutar, m as ele é m uito alto e forte. Ele m e segura praticam ente no ar, o braço com o um a cinta de aço em volta de m im , m antendo m eus braços presos dos lados do corpo.
— Eu poderia m atar você agora — ele diz, a voz suave e quente contra m inha pele resfriada — e isso não faria com que você parasse, não é? Você sim plesm ente continuaria tentando. Então, que escolha eu tenho a não ser m e livrar dela?
Marina. Eu protesto contra a m ão dele.
— Dói, não é? — A voz dele está cheia de em oção. — Eu teria entendido se você tivesse tentando m e m atar. Fiz tudo o que pude para convencer você do bem que eu estou fazendo, m as sei que você está tendo dificuldade para ver. Mas aquele m enino? Que é tão inocente? Com o você poderia, Marina? Com o você poderia fazer isso?
Eu fecho os olhos contra m inhas lágrim as, que queim am .
— Agora você vai saber qual é a sensação.
Ele m e solta e, enquanto eu puxo o ar para gritar por aj uda, sinto a picada da agulha hipodérm ica e o m undo fica escuro.
Acordo na calçada com um a dor no pescoço e Finn desesperado ao m eu lado.
— Graças a Deus — ele suspira, tirando o cabelo do m eu rosto. — Que diabos aconteceu?
Por um m om ento, não consigo falar por causa do choro soluçado, louco e sufocante que sobe pela m inha garganta.
— O doutor voltou.
— O quê?
— O doutor! Ele foi atrás da Marina e do Finn.
Finn em palidece.
— Por que eles? Por que sim plesm ente não nos m atou?
— Porque ele sabe que apenas voltaríam os e tentaríam os de novo — respondo. — Se ele m atar os dois agora, antes de Cassandra ser construída...
— Nunca terá de se preocupar conosco — Finn term ina. Ele bate o punho no concreto. — Eu program ei Cassandra para dizer que viaj am os para o dia sete. Ele não deveria ter voltado antes de am anhã.
Eu m e esforço para ficar em pé, e Finn m e aj uda.
— Ele deve ter vindo m ais cedo, pensando que poderia nos m atar no m om ento em que reaparecêssem os no arm azém .
— Então algo deu a ele a dica de que j á tínham os voltado e saído de lá.
A m ão de Finn aperta m eu cotovelo.
— Você não acha que...
— Connor. — De que outra form a ele teria sabido que nós j á estávam os aqui, a m enos que conseguisse a inform ação com o nosso hom em infiltrado? — Se o doutor fez algum a coisa com ele...
— Ele nunca estará lá para nos aj udar a escapar de novo — Finn diz. — Esta é nossa últim a chance.
— Vam os!
Eu com eço a correr para o carro, Finn logo atrás. Não desacelero, em bora estej a tão dolorida por ter sido derrubada que parece que estou desm ontando em cada ligam ento.
— Você precisa ir atrás da Marina e do Finn, m anter os dois a salvo. Ligue para m im no m om ento em que encontrá-los. Eu vou pegar o Jam es.
Eu abro com violência a porta do lado do m otorista, m as, antes que possa entrar, Finn pega m inha m ão. A expressão nos olhos dele m e faz parar de repente, m as levo um m om ento para entender o porquê.
Ou eu vou m atar Jam es ou o doutor vai m atar Marina, o que significa que acabou para nós.
Ele m e dá um beij o suave nos lábios.
— Eu am o você.
Eu dem oro um últim o segundo para m em orizar o lindo rosto dele.
— Eu am o você tam bém .
Ele m e entrega as chaves do carro.
— A gente se vê do outro lado.