Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 35 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Trinta e Cinco

TRINTA E

CINCO

 

Marina

Eu encaro o hom em que é e não é Jam es através de olhos em baçados. O solavanco de eletricidade que ele m e deu não m e deixou inconsciente desta vez, apenas chiou dolorosam ente através de m im , com o facas em m inhas veias.

— Por que você está fazendo isso? — pergunto.

Ele observa a j anela com as sobrancelhas franzidas.

— Acho que você deveria gritar de novo. Não tenho certeza se eles ouviram , e estou ficando cansado de esperar por eles.

— Quem ? — eu falo chorando.

— Vocês. Vocês lá fora, correndo por aí e tentando m e m atar. A pessoa que atirou em Jam es do lado de fora do hospital? Foi você. A pessoa que você será um dia, pelo m enos.

Um a lágrim a escorre pela m inha bochecha. Eu não sabia que era possível ficar com mais m edo do que fiquei apenas m om entos antes.

— Você é louco.

— Eu sei que é m uita coisa para absorver de um a vez só. — Ele coloca a m ão no m eu om bro enquanto sua voz tenta ser gentil, o que m e dá arrepios. — Mas você sabe que estou dizendo a verdade.

Eu fecho os olhos, querendo que este pesadelo acabe. Vou acordar na m inha cam a quente ao som de Luz m e cham ando para descer para o café — waffles e m orangos — e, depois, o Jam es de verdade e eu vam os ver um film e. Quando os trailers com eçarem , terei esquecido por com pleto este sonho louco e terrível.

— Não — eu falo através de dentes apertados. — Você não é ele.

— Sim . — Ele tira um a m echa de cabelo solta dos m eus olhos. — Sou eu, apenas um pouco m ais velho e sábio do que o m eu eu que você conhece.

— Não, não, não!

Minha voz sai do controle agora. Esse não é o Jam es. Esse não é o Jam es do futuro, um hom em que enfim resolveu a charada do tem po e veio m e deixar inconsciente e m e am arrar. É im possível.

— Não quero m achucar você, Marina — ele diz —, m as a Em ... Ela é a única pessoa com quem eu sem pre pensei que poderia contar, e ela m e traiu. — Ele fecha a boca com um estalo. — Preciso fazer com que ela entenda o que fez. Ela está determ inada a deixar que apenas um de nós sobreviva a isso, e tem de ser eu. No futuro, eu estou m udando o m undo.

Estou ansiosa para ver Jam es, o Jam es de verdade, com um a intensidade repentina e louca. Lem bro-m e da dor nos olhos dele quando eu o abandonei no restaurante e, m ais do que tudo, quero voltar para aquele m om ento e m udar isso, abraçá-lo e dizer que o am o e nunca m ais vou deixá-lo.

— Vai ficar tudo bem , m enina — ele diz, e a com paixão na voz é um a paródia zom beteira daquela do m eu am igo.

Viro a cabeça depressa em direção a ele, a raiva m om entaneam ente encobrindo m eu m edo.

— Nunca m e cham e assim !

Ele baixa os olhos para m im com um a tristeza genuína neles.

— É um a pena que você nunca vá entender.

Ao m eu lado, Finn tosse e ergue a cabeça.

— Ah, m eu Deus, Finn — eu digo. Acho que posso chorar de alívio por não estar m ais tão sozinha.

— Mas que... — ele fala. Olha para o hom em em frente a nós e pisca, com o se esperasse que ele desaparecesse. Ele se sacode contra as am arras. — Que m erda está acontecendo aqui? — ele grita.

— Nós estam os salvando o m undo — Jam es diz.

 

Em

Os pássaros nas árvores acim a das nossas cabeças pulam no ar em um a agitação de penas quando o grito racha o silêncio. Com eço a correr antes m esm o de ter consciência do que é o som , com o se m eu corpo entendesse antes do m eu cérebro. É Marina sofrendo dor, e algo assim é intolerável.

Finn m e segura em volta dos om bros, puxando-m e para trás quando eu teria invadido o chalé, atravessando qualquer parede ou pessoa parada entre m im e m inha versão m ais nova. Eu o em purro e m e debato em seus braços.

— Finn, m e solta! É a Marina!

— Eu sei! — Ele m e chacoalha. Seu aperto em volta do m eu braço m achuca, m as é reconfortante tam bém , m antém m eus pés no chão. — Nós vam os aj udar a Marina, Em , m as você não pode entrar correndo lá.

Jam es está branco com o um osso.

— Eu fiz a Marina gritar.

— Eu vou entrar — Finn diz. — Se acabar em briga, eu posso dom inar o Jam es.

— Eu tam bém — Jam es diz.

— Não...

— Essa foi a única coisa que ele pediu para vocês, certo? Que m e levassem j unto para m ostrar que não estou ferido? — Ele olha para Finn sem hesitação. — Se eu não for, ele vai m achucar a Marina de novo.

Eu cubro a boca com a m ão.

— Certo — Finn concorda. — Tem outra entrada na casa?

— Claro, tem um a porta nos fundos.

— Em , você pode tentar entrar escondida por trás? — Finn pergunta. — Se puderm os distraí-lo por tem po bastante, talvez você tenha um a chance.

— Jesus — Jam es sussurra.

— Você consegue lidar com isso? — Finn pergunta. — Porque é aquele m onstro com o seu rosto ali ou a Marina. Não tem com o os dois escaparem dessa.

De repente, fico surpresa com com o Jam es parece pequeno. Ele sem pre foi com o um deus para m im , um gigante com 17 anos, alguém que eu tinha de erguer o pescoço para ver, tanto física quanto m etaforicam ente. Porém , em bora ele ainda sej a uns bons 20 centím etros m ais alto que eu, não passa de um a criança. Posso ter apenas dois anos a m ais que ele, m as tam bém tenho dez vidas extras de experiência. Jam es parece suave, frágil.

— Só m e im porto com a Marina — ele diz.

A resposta acalm a Finn, que faz que sim com a cabeça, de m á vontade. Jam es explica para m im com o contornar devagar a casa até a varanda dos fundos, onde há um a porta que leva à cozinha. Ele tira um a chave prateada sim ples do seu chaveiro e a coloca na m inha m ão.

— Não é só disso que ela vai precisar — Finn diz.

Meus olhos vão para o volum e quase invisível sob a bainha da cam iseta de Jam es. Ele levanta o olhar para m im , com desconfiança. Sei que estam os im aginando a m esm a coisa: ele vai entregar a arm a e eu vou apontá-la para a sua cabeça e apertar o gatilho. Claro, ele arriscou tudo ao escolher confiar em m im e m e aj udar a salvar Marina, m as, se há algo que aprendi com Jam es, é que ele acredita que os fins j ustificam os m eios. Se esse m enino cair m orto aos m eus pés, todos os m eus problem as serão resolvidos. Marina estará segura do louco que a tem com o refém , e Cassandra nunca será construída.

É o que eu deveria fazer. O único problem a é que eu sei agora, com certeza, que não consigo.

Talvez sej a m esm o um sinal de força, com o Finn disse, ou talvez eu sej a m uito covarde, m as não posso m atar a parte de m im que ainda am a Jam es. Ainda acredito que exista bondade no m undo. Milhares de pessoas ou m ais podem sofrer por causa da m inha fraqueza, m as eu m e conheço agora. Só tenho de esperar que a m enina lá dentro sej a m ais forte quando sua vez chegar.

— Está tudo bem — digo. — Eu não consigo. Queria conseguir, m as não posso.

Dentro do chalé, Finn grita.

— Vam os — o m eu Finn diz —, tem os de ir!

Jam es tira a arm a do cinto, olhos fixos nos m eus. Depois, vira-se e a j oga nas árvores que contornam a entrada.