Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 37 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Trinta e Sete

TRINTA E

SETE

 

Em

Marina m e encara, e eu m e pergunto se isso é horror nos seus olhos. Quero esconder m eu rosto dela, tranquilizá-la dizendo que ela nunca será eu. Ela abandonou Jam es naquele restaurante, algo que eu nunca poderia ter feito. Ela j á é m ais forte do que eu.

— Feche os olhos, Marina — eu peço. Ela hesita. — Por favor! Não quero que você vej a isso.

Os olhos dela se fecham devagar. O doutor aperta a arm a contra a cabeça dela e todos os m úsculos do m eu corpo ficam tensos.

— Diga onde estão os docum entos — ele fala.

Por um m om ento, só posso ficar de queixo caído.

— Você orquestrou tudo isso para m e fazer um a pergunta tão idiota?

— Quero que você sinta a traição que eu senti, m as bem que posso cuidar de alguns assuntos ao m esm o tem po. Talvez agora você enfim responda. Você nunca teve nada a perder, m as — ele chuta a perna da cadeira de Marina — ela tem bastante.

— Que bem isso faria para você? O tem po vai apagar todos nós antes... — Oh, Em idiota. — O Richter. Você está em contato com ele até m esm o agora. Você conta para ele onde os docum entos estão, aqui, antes de o tem po engolir você, e ele vai saber no nosso futuro antes m esm o de nós term os ido em bora.

A expressão im passível do doutor confirm a a ideia.

— Foi assim que ele ficou sabendo do seu trabalho na Johns Hopkins para com eço de conversa, não? Você o encontrou, não foi o contrário — eu falo. — Nunca entendem os com o você conseguiu fazer Cassandra funcionar tão rápido, m as é porque ele j á está construindo, não está? E ele deve saber do Nate tam bém . Meu Deus, eu sou tão boba.

Jam es se vira para m im .

— O que tem o Nate?

Eu troco olhares com Finn por cim a da cabeça dele. Tudo faz sentido agora. Sem pre nos perguntam os com o o atirador conseguiu chegar até Nate, passando pela equipe do Serviço Secreto do vice-presidente com tanta facilidade. Todas essas perguntas som em se havia alguém de dentro puxando as cordinhas, tirando agentes das posições e conseguindo que certas portas estivessem destrancadas e certas câm eras de segurança estivessem m isteriosam ente quebradas. O caso superfechado do governo contra Mischler, que nós descobrim os que não tinha nada a ver com o tiro, tudo deve ter sido trabalho de Richter tam bém .

O doutor tem um toque de pânico nos olhos agora. Seu segredo está tão perto de ser exposto.

— Você m e dá noj o — falo.

Ele aperta a arm a um pouco m ais perto da têm pora de Marina com o resposta.

— Onde estão os docum entos?

É tão ridículo, m as não posso deixar de sorrir.

— Não estou com eles.

— Então você escondeu em algum lugar, ou deu para alguém .

— Que droga, Jam es! — eu digo. — Eu queim ei os docum entos anos atrás!

— Não. — Ele faz que não com a cabeça em sacudidas curtas e rápidas. — Não, você sabia que eles eram a sua única apólice de seguro. Não arriscaria...

— Eu m e livrei deles, e você sabe. — Eu suspiro. — Acho que você sem pre soube.

— Eu vou m achucar a Marina — o doutor diz, apertando a m áquina de choque na m ão livre. — Eu j uro...

— Estou falando a verdade! Nunca se tratou dos docum entos. A questão sem pre foi você e eu. — O resto da sala desaparece, até haver apenas o doutor e eu. Jam es e eu. — Enquanto aqueles papéis estivessem por aí, você tinha um a desculpa para m e m anter por perto. Se ao m enos conseguisse m e convencer de que o que você estava fazendo era certo, talvez pudesse enfim acreditar de verdade, não é? Por isso você m e m anteve naquela cela por todos aqueles m eses, em bora soubesse que os docum entos não existiam m ais. É por isso que você está aqui agora!

— Não. Não.

— Sem pre fom os você e eu, Jam es. — Minha voz falha, e percebo que com ecei a chorar. — Por isso eu não consigo m atar você, e você não consegue m e m atar. Porque, m esm o que isso signifique o fim do m undo, eu am o você dem ais.

— Você sabe que ela está dizendo a verdade — Finn diz com delicadeza. — Eu vi quando ela queim ou os docum entos em um a parada de cam inhões em West Virginia.

Ao som da voz de Finn, m eu coração se parte um pouco. Eu estava tão concentrava em Jam es que quase m e esqueci de que ele estava ali. Ele entende que m eu am or por ele, que arde sincero e puro e que m e guiou em m eio a tanta escuridão, é m uito diferente do m eu am or de infância ainda existente por Jam es? Eu m e viro para olhar para ele e vej o m eu coração partido refletido no seu rosto, m as ele sorri.

— E quanto ao m eu irm ão? — o Jam es m ais j ovem pergunta, olhando entre m im e a versão m ais velha de si m esm o. — Alguém m e diga o que isso tem a ver com o Nate.

Minha garganta dá um nó. Mesm o agora, eu o pouparia se pudesse.

— Está na hora de contar para ele — Finn diz.

— Diabos, cale a boca, Abbott! — o doutor diz. Ele bate a arm a de choque contra a garganta de Marina com um a força cruel, que gera um grito de dor e surpresa nela. Ela m antém os olhos fechados, no entanto. Pergunto-m e se a olhada que deu em m im a horrorizou tanto que ela não vai arriscar de novo.

— Não faça isso! — eu grito.

— E quanto ao Nate? — Jam es quer saber.

— Em — Finn m e cham a —, nós tem os de...

— Parem ! — o doutor diz.

Marina grita conform e a eletricidade a atravessa. Quero correr até ela, j ogar m eu corpo entre ela e o doutor, m as tenho m edo do que ele pode fazer se eu m e m exer.

— Pare, não a m achuque!

— Marina! — o Finn preso na cadeira grita, puxando suas cordas. Os olhos dele estão abertos agora e passam depressa por todos nós, com pânico cada vez m aior. — Seu filho da m ãe!

Jam es lança um olhar cortante para sua versão m ais velha.

— Com o você pode ser tão cruel?

O doutor tira a arm a de choque da lateral do corpo de Marina, e ela cai na cadeira, puxando fôlegos curtos. Os olhos dele, enquanto m iram Jam es, estão tristes.

— Você vai descobrir.

— Não, não vou. — Jam es j oga as palavras com o arm as. — Nunca vou ser com o você. Você m achuca pessoas inocentes, você é tudo o que eu odeio.

— Em . — O olhar de Finn está pesado. — Ele tem de saber. Nós tem os de contar a ele.

— Contar o quê? — Jam es questiona.

Eu faço que não com a cabeça. Não posso fazer isso com ele.

— Não.

— O m undo não é tão preto no branco quanto você pensa — o doutor diz para sua versão m ais j ovem . — Você vai ficar surpreso com o que pode fazer quando é necessário.

— Em , ele tem de saber! — Finn afirm a. — Ele precisa saber do que é capaz.

— Cale a boca, Abbott! — o doutor diz.

— O que eu tenho de saber? — Jam es fala.

Eu faço que não com a cabeça. Há vozes de m ais, am arras e alianças de m ais, cam inhos de m ais que eu poderia tom ar.

— Não posso.

— Conte para m im !

Do outro lado da sala, Marina chora de dor conform e o doutor a acerta com a arm a de choque de novo.

— Pare! — eu grito, e m inha voz está áspera.

— O que eu tenho de saber?

— Todos calem a boca, ou eu vou m atar a Marina!

O doutor substitui a arm a de choque contra a pele dela pela pistola.

É o lim ite para Finn. Ele se j oga pela sala e se atraca com o Jam es m ais novo no chão, enrolando as duas m ãos no pescoço do m enino.

— Sinto m uito — ele diz entre os dentes apertados. — Sinto m uito m esm o.

Jam es arranha as costas das m ãos de Finn, abrindo cortes profundos nelas, seu rosto ficando verm elho. Eu solto um choro soluçado, m as não posso m e m exer, nem para aj udar Finn nem para im pedi-lo. Sei que esse é o presente dele para m im . Ele m ataria seu m elhor am igo para eu não ter de fazer isso, para salvar a vida de Marina.

— Saia de cim a dele! — o doutor grita, histérico. — Saia!

Vej o um a oportunidade na sua distração. Eu m e j ogo nele esperando que tenha baixado a guarda o suficiente para eu conseguir recuperar a arm a.

— Pare! — Marina choram inga.

— Jam es! — o Finn m ais novo berra, puxando com tanta força as am arras que quase vira a cadeira.

Tento lutar com o doutor para tirar a arm a, m as não sou páreo para ele. Dou um bom soco, m as ele m e em purra para longe com tanta força que m inhas pernas cedem debaixo de m im . Bato a cabeça contra um arm ário e caio desaj eitada no piso, tonta. Olho pelo chão até onde Finn está prendendo Jam es. Jam es está chutando e lutando, m as Finn é m ais forte. Todos aqueles m eses de flexões na sua cela; não acredito que estej a m esm o chegando a isso. A sala é toda barulho e m ovim ento, grito e luta e fogo dentro da m inha cabeça.

E, então, fica em silêncio.

É um silêncio que eu conheço. Do tipo que, na verdade, é um som tão alto que seu cérebro não sabe com o interpretar no com eço.

O Finn m ais j ovem , ainda preso na cadeira, cai para a frente, o peito enchendo-se de verm elho.