Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 29 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Vinte e Nove

VINTE E

NOVE

 

Marina

A m ão de Jam es cai do m eu aperto de repente frouxo. O assassino de Nate capturado. A onda de em oção que as palavras m andam por m im é tão intensa que sinto com o se tivesse agarrado um fio de eletricidade e não pudesse soltar.

Eu m e viro para olhar para Jam es. Ele parece pálido e frio, com o alguém tirado de um lago congelado depois de ter caído nele.

— Quem ? — pergunto, porque ele não consegue falar.

Richter se senta de novo no sofá e enfia o telefone no bolso.

— O nom e dele é George Mischler. Ele é do Serviço Secreto.

— Ah, m eu Deus — eu falo, virando-m e para Jam es. — Você estava certo.

Richter faz que sim com a cabeça.

— Eu estava de olho nele desde o com eço. Por fora, é claro, eu não poderia parecer suspeitar de um dos m eus hom ens até ter provas. Por isso eu tive de descartar sua preocupação quanto ao atirador ter recebido aj uda de alguém de dentro, e peço desculpas por isso. Minha equipe acabou de prender Mischler na casa dele, onde encontraram as credenciais que ele usou para ter acesso ao prédio e um a arm a que corresponde ao calibre usado no tiro no seu irm ão. Estam os fazendo o exam e de balística agora, que m ais do que provavelm ente vai ser a m esm a arm a, e tenho confiança de que ele vai confessar tudo logo.

Richter se inclina para a frente, quase colocando a m ão sobre a de Jam es, m as decidindo não fazê-lo no últim o instante.

— Sei que isso não traz seu irm ão de volta, m as espero que saber que o assassino dele vai para a prisão pelo resto da vida sej a algum conforto para você.

— Posso m esm o confiar em você? — Jam es diz baixinho, a voz parecendo um a súplica.

— Nate ainda tinha um a investigação sobre ele — Finn, m ais coraj oso do que eu, diz. — Se ele tiver algo a esconder, pode ter incrim inado esse tal de Mischler.

Richter levanta as m ãos.

— Jam es, olhe. Tenho certeza de que seus am igos estão tentando aj udar, m as isso é fantasia. Mischler tinha acesso, ele tem um a arm a. Depois de term inarm os de vasculhar a casa e o com putador dele, tenho certeza de que vão encontrar o m otivo tam bém . Você precisa confiar em m im quanto a isso. Pegam os o cara, e eu não sou seu inim igo. Não culpo seu irm ão por ser superprotetor, m as quero trabalhar com você, só isso.

Jam es esfrega as têm poras.

— Com o eu posso ter certeza?

— Vam os — eu digo, envolvendo o braço de Jam es com m inha m ão. Não sei por que ainda estam os aqui, ainda falando com esse hom em . Jam es não pode estar pensando de verdade em trabalhar com ele, pode?

— Tem os um a im agem — Richter diz — de um a câm era de vigilância do outro lado da rua em frente ao Mandarin. Ela m ostra Mischler saindo do hotel 97 segundos depois de seu irm ão levar um tiro.

Jam es levanta o olhar. As rugas de preocupação entalhadas na testa dele som em , a expressão de tortura tornando-se de decisão.

— Eu quero ver. Depois de ver, então podem os conversar sobre... outras coisas. Trabalhar j untos.

Meu queixo cai.

— O quê?

— Vou buscar o carro — Richter avisa. — Não vai se arrepender disso, Jam es.

Richter sai do sofá e, antes que ele estej a longe o bastante para não escutar, Finn diz:

— Você está louco?

— Não posso explicar isso para vocês agora — Jam es fala —, m as eu preciso saber, com certeza, se posso confiar nele.

— Então peça para ele enviar a im agem escaneada para você — Finn sugere —, m as não precisa ir com ele. Nate sabia que esse cara não era coisa boa, Jim bo. Você não pode estar seriam ente pensando em trabalhar para ele.

— Eu só disse que vou conversar sobre o assunto.

— Sim plesm ente vam os em bora! — falo. — Por que falar sobre isso?

— Porque pode ser im portante! — Jam es bate o punho na m esa, fazendo os talheres pularem . — Olhem , eu não espero que vocês dois entendam .

— Ah, certo, porque nós som os burros dem ais para com preender? — Finn pergunta. — A Marina e eu concordam os com m uitas m erdas doidas nas últim as 24 horas, Jam es, m as entrar para o tim e desse cara? Você quer m esm o fazer um a linda pesquisa científica com ele?

— Você não pode confiar nele — digo. — Ele é um m entiroso, nós sabemos disso. Você está vulnerável agora, e não deveria tom ar nenhum a decisão que...

— Eu não sou criança, tudo bem ? — Jam es diz. — Eu sei o que estou fazendo. Então, ou vocês confiam em m im ou não.

— Sinto m uito, cara — Finn com eça —, m as eu não confio. Não agora.

Jam es olha para m im , e Finn tam bém . Sinto os olhares deles com o m ãos pesadas nos m eus om bros, cada um tentando m e levar para um a direção diferente. Finn está certo; Jam es perdeu a noção e está agindo cada vez m ais com o alguém que eu não reconheço. Mas Jam es...

Eu o am o. Preciso dele. Posso m esm o abandoná-lo agora? Ninguém nunca se im portou com igo com o ele se im porta.

Não é?

De repente, as palavras que estavam se acum ulando dentro de m im por anos estão prontas para sair.

— Por que você m e beij ou? — pergunto.

Por um m om ento, a im obilidade e o silêncio caem sobre nós. Eu respiro fundo, enchendo-m e de ar, perm itindo-o preencher o vazio que as palavras deixaram para trás.

Finn baixa os olhos para a m esa, passando a unha sobre um a ranhura na m adeira, fingindo que nenhum de nós existe. A boca de Jam es trabalha sem fazer som por um m om ento enquanto ele m e encara e, depois, seu olhar baixa para o colo.

— Marina, podem os conversar sobre isso depois?

— Não, eu preciso falar sobre isso agora. Preciso saber o m otivo.

Ele encolhe um pouco os om bros, ainda sem conseguir m e olhar nos olhos.

— Não sei. Nós dois estávam os chateados. Só... aconteceu.

— Você m e am a? — eu pergunto.

Não acredito em com o as palavras saem com facilidade da m inha boca agora.

Finn se levanta e sai andando. Eu apenas o ouço deixar a m esa, porque m eus olhos estão fixos em Jam es.

— Am a? — insisto. — Porque eu am o você, Jam es, e acho que você sabe disso.

Ele cora.

— É claro que eu am o você.

— Com o um a irm ã? Ou com o outra coisa?

— Eu não sei! — Ele estende a m ão para a m inha e a pega pelas pontas dos dedos. Passa o polegar descendo pelo m eu dedo indicador. — Às vezes eu acho que talvez... m as não tenho certeza.

Às vezes eu acho que talvez. Meu Deus, o incêndio de esperança que aquelas palavras teriam acendido em m im alguns dias antes, m as agora só estou brava. Tiro m eus dedos da m ão dele.

— Então, por que você m e beij ou? Se sabia com o eu m e sinto e não tinha certeza, por que fez isso com igo?

— Eu não sei!

— A m enos que... — Minha pele fica fria. — A m enos que você tenha feito isso para m e m anter com você. Dar só um pouquinho de esperança para m im e, então, eu nunca iria em bora, certo? Eu concordaria com qualquer coisa. E m e beij ar foi apenas o X da sua equação.

Eu recuo, afastando-m e dele, e ele estende a m ão para m im .

— Marina...

Mas ele não nega. Não acho que possa.

— Eu am o você, Jam es — digo —, m as não posso continuar fazendo isso. Não é bom para nenhum de nós. Vá com o Richter se você quiser, m as terá de fazer isso sem m im . Eu não confio nele e não vou fazer parte disso.

Fico em pé e Jam es agarra m eu pulso.

— Marina, espere.

Eu paro, porque um pedacinho de m im não pode deixar de ter esperança. Eu m e viro para olhar para ele e sei, para m inha vergonha, que ele poderia m udar m inha decisão com um a palavrinha.

— Por favor — ele diz. — Por favor, não m e deixe sozinho.

Menina idiota. Eu m ordo a parte de dentro do m eu lábio para evitar que ele trem a.

— Sinto m uito — falo e saio andando.