Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 6 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Seis

 

Marina

Jam es com e sua laranj a no banco de trás do carro alugado enquanto ele nos leva em direção ao Mandarin Oriental. De algum a form a, ele não percebe o açúcar ainda colado a um canto dos seus lábios, das em panadas de Luz. Se eu fosse Sophie ou Tam sin, eu m e inclinaria para a frente e lim paria para ele, m eus dedos dem orando-se sedutoram ente no final da boca. Eu o deixaria louco de luxúria, e ele m e pegaria em seus braços e m e beij aria. Tento m e forçar a m e m exer. Estendo a m ão para ele, m as perco a coragem com ela parada no ar e passo-a no cabelo em vez disso, colocando um a m echa não existente de volta ao lugar. Não consigo. Em vez disso, fico sentada im óvel e não digo um a palavra sobre o açúcar. Pelo m enos, posso apreciar o quanto é fofo.

Finn, em um sm oking que não lhe cai m uito bem , está esperando por nós do lado de fora do hotel. Ele faz um a reverência elaborada enquanto saím os do carro.

— Meu Lorde Shaw! E Lady Marina da Casa dos Esnobes!

Ele estende a m ão para a m inha e chega m esm o a beijá-la, e eu a puxo de volta antes de alguém poder ver. Por que ele sem pre tem de tentar m e fazer sentir um a idiota?

— Você tom ou banho com essa colônia? — pergunto. A nuvem em volta dele é espessa o bastante para fazer um gato engasgar. — Sabe, existe um a coisa cham ada sabão...

— É Eau de Homme — ele diz, endireitando sua gravata-borboleta. — Você sabe que não consegue resistir.

Eu sinto ânsia.

— Ah, a propósito, cara — Finn diz, inclinado a cabeça para Jam es —, você está com com ida no rosto.

Jam es lim pa o açúcar dos lábios e lança um olhar bravo fingido para m im , e eu escondo um sorriso.

Nós entram os, seguindo o fluxo de pessoas bem -vestidas até o salão de baile do hotel. O vice-presidente fará um discurso esta noite e, assim , a segurança é reforçada. Agentes do Serviço Secreto estão posicionados em intervalos regulares por todo o hotel, e nossos convites e identidades são com pletam ente verificados antes de serm os direcionados através dos detectores de m etal. Depois de serm os liberados, um atendente nos leva até nossos lugares, três cadeiras a um a grande m esa redonda no fundo do salão. Dois outros casais j á estão sentados, e eu vej o o distinto sinal das expressões deles se fechando quando três adolescentes chegam à sua m esa.

A expressão no rosto de um a m ulher m uda quando ela reconhece Jam es. Ela ergue sua taça de vinho com a m ão pesada de j oias — nova rica, m am ãe diria — e sussurra por trás da taça para o m arido. A cabeça do hom em gira para encarar Jam es, que está preocupado dem ais com desligar o celular para reparar. Estou prestes a perguntar a eles se seus pais lhes ensinaram que é grosseria encarar, o que deixará o j antar um pouco desconfortável, m as valerá a pena, quando Finn pigarreia alto ao m eu lado. Todos autom aticam ente olham para ele, e ele está olhando fixo para a m ulher e o m arido com um a frieza que nunca vi na sua expressão de pateta. O casal desvia o olhar no m esm o instante.

Jam es levanta os olhos do telefone.

— Você está bem ? Acho que estão trazendo água.

— Não, estou bem — Finn responde, piscando para m im , e eu m e viro para o outro lado.

O j antar é servido por garçons de fraque e luvas brancas, e os discursos com eçam . Posso ver que Jam es está prestando atenção a cada palavra, m as, depois de 20 m inutos, o senador Gainer com eça a parecer, pelo m enos para m im , um dos adultos de um episódio do desenho do Charlie Brown: muamp muamp muamp. Entre dar olhadas rápidas em Jam es — Jam es de smoking —, eu brinco com m eu salm ão e em purro os legum es do prato para form ar pilhinhas bem arrum adas. Depois de um tem po, crio um a paisagem com eles, um vale verde de brócolis na base da Montanha Salm ão, que se ergue na direção de nuvens fofas de arroz basm ati.

Percebo Finn m e observando, seu rosto ilum inado de zom baria. Quantos anos você tem, ele vai perguntar, quatro? Eu destruo m inha paisagem com o garfo e apoio a cabeça no om bro de Jam es.

— Entediada? — ele pergunta.

— Um pouco — sussurro.

— Bem , pelo m enos você está bonita.

Eu m e esqueço por com pleto de Finn. Eu m e esqueço de respirar. De repente, a ideia de separar Jam es de suas roupas não parece assim tão ridícula.

— Ei — eu falo baixinho, ouvindo as palavras saírem da m inha boca com o se eu estivesse separada do m eu corpo. — Quer vir até a m inha casa quando acabar? Meus pais foram para Vail hoj e de m anhã.

Jam es está observando o orador no palco.

— É, claro.

Ele costum a ficar na m inha casa quando m eus pais não estão, o que acontece constantem ente, então, não está entendendo. Mas não posso sim plesm ente dizer, em especial aqui, com Finn Abbott a m eio m etro de distância. Assim , em vez disso, coloco um a m ão hesitante na perna dele.

Se passasse m ais perto do j oelho dele, seria apenas am igável. Se eu desse um a batidinha, seria am igável. Mas m inha m ão está só um pouco alta dem ais na coxa dele, e tento canalizar Sophie quando lhe dou um leve apertão. Pode parecer um a atitude tranquila do lado de fora, m as m eu peito está tão apertado que eu m e pergunto se estou tendo um ataque do coração.

Jam es levanta o olhar para m im e vej o as engrenagens com eçarem a girar na cabeça dele.

— Ei — Finn diz. — O Nate subiu.

Puxo a m ão de volta e Jam es se vira na direção do palco. Eu m orro de m ais ou m enos 46 m aneiras diferentes enquanto acrescento isso à lista de m otivos pelos quais odeio Finn Abbott, e fecho os punhos trêm ulos por baixo da toalha de m esa.

Nate é o penúltim o a discursar, logo antes do vice-presidente. O prefeito McCreedy, que é um velho am igo da m am ãe e vem a todas as festas na nossa casa, apresenta-o. Um a “estrela em ascensão” do Partido Dem ocrata, recentem ente eleito líder da m inoria e subindo os degraus do Com itê de Inteligência da Câm ara dos Representantes.

Além disso, ele é um Shaw.

— Você acha que Nate vai concorrer à presidência um dia? — pergunto enquanto a m ultidão aplaude, tentando soar norm al.

Tam sin ou Sophie não ficariam m udas e trem endo, então eu tam bém não vou ficar. Estou casual.

Jam es encolhe os om bros.

— Ele nunca disse nada sobre isso para m im .

— Vai concorrer, sim — Finn fala. — Não da próxim a vez, m as depois disso talvez. Depois de ele ter sido senador ou governador.

— O que faz com que você tenha tanta certeza? — questiono.

— Ele tem tudo de que precisa. A linhagem , os recursos, o cabelo presidencial perfeito. Seria louco de não concorrer.

Jam es ri, sem ouvir o toque de zom baria que eu escuto nas palavras de Finn.

— Bem , acho que ele daria um ótim o presidente. Ele é inteligente e com passivo e firm e. Além disso, você sabe — viro-m e para Finn com um olhar severo —, ele tem um cabelo tão bonito.

— Você não deveria desprezar a im portância de um bom corte de cabelo, M. Ele realm ente...

Eu interrom po:

— Estou falando sério, Finn, não dá para você...

— ... diz m uito sobre um hom em !

— ... parar de ser um idiota por dez segundos?

— Pessoal, xiu! — Jam es diz. — Nate vai falar.

 

Em

Eu m e sento no asfalto congelado, apoiando-m e na lateral de um Civic salpicado de sal com Finn ao m eu lado. Ele esfrega as m ãos um as nas outras para afastar o frio, enquanto eu olho fixo para a arm a que está na m inha própria m ão aberta.

Não lem brava que um a arm a pesava tanto. Faz um tem po, m as não achei que fosse esquecer esse tipo de coisa e, agora, por algum m otivo, é tudo em que consigo pensar.

— Tem certeza de que você está bem para fazer isso? — Finn pergunta. — Porque eu posso fazer.

Faço que não com a cabeça.

— Eu atiro m elhor que você, e talvez só tenham os um a chance.

— Você atira um pouquinho m elhor do que eu.

— Ah, por favor, Abbott. Você é péssim o e sabe disso.

— Pode ser, m as eu não cresci com ...

Eu o im peço de term inar a frase. Não suporto ouvi-la.

— Eu vou fazer — falo.

As palavras saem m ais frias do que eu pretendia, com o se o ar as tivesse congelado assim que deixaram m inha boca, e Finn não discute m ais com igo.

 

Marina

 

Nate vai ao palco sob os aplausos trovej antes do salão de baile, baixando a cabeça e sorrindo de um j eito que tanto ele quanto Jam es herdaram do pai. Ao m eu lado, Finn coloca dois dedos na boca e solta um assobio ensurdecedor que m e faz pular e derram ar água m ineral na m inha m ão. O resto da nossa m esa se vira e olha feio, e eu o em purro, enquanto ele e Jam es riem . Jam es m e entrega seu guardanapo para m e secar.

Nate aj usta o m icrofone.

— Obrigado. Prim eiro, quero agradecer ao Com itê Nacional por m e receber e a todos vocês por terem vindo. Foi o apoio de vocês que aj udou nosso partido a recuperar a Casa Branca e, com sorte e com seu apoio contínuo, logo vam os recuperar o Congresso. Então, eu sinceram ente espero que estej am gostando dos seus salm ões que custaram 800 dólares cada.

Um a risada suave se espalha pela m ultidão. Finn baixa o olhar para seu prato vazio e o m eu quase sem ser tocado, horrorizado.

— Nosso sistem a político está quebrado — Nate diz. — Dinheiro e interesses especiais falam m ais alto em Washington do que as vozes de nossos cidadãos. Mas a beleza da nossa dem ocracia é que ela sem pre evolui, e nada que estej a quebrado é im possível de consertar se seguirm os com coragem e integridade, de olho nos nossos interesses em com um com o um povo.

Eu posso não entender de política, m as entendo Nate. A m aioria dos hom ens deste salão só se im porta com poder, m as, quando Nate fala de trabalhar pelo bem de todas as pessoas, sei que ele é sincero. Ele se im porta de verdade, enquanto a m aioria de nós só diz que se im porta. Olho para Jam es e sorrio com seu olhar de sincera adm iração ao observar o irm ão.

— Cabe a nós reconstruir nosso governo e a prom essa da nossa dem ocracia. Senão...

Algo explode. Um golpe violento rasga o ar, o som é tão alto que se parece m ais com levar um golpe do que com ouvir algo. Eu m e vej o curvada na m inha cadeira, as m ãos apertadas sobre as orelhas, sem m em ória de ter m e m exido. À m inha volta, as pessoas estão gritando e se espalhando, algum as correndo, outras caindo das cadeiras e deitando-se no tapete verm elho e dourado do hotel.

No palco, Nate caiu atrás da tribuna. Eu o encaro, im óvel, os gritos em volta de m im silenciando-se nos m eus ouvidos. Ele está olhando para a m ultidão, o rosto apertado contra o chão do palco e, por um segundo, j uro que ele está olhando bem para m im .

O que está acontecendo? Por que ninguém o está aj udando?

Então, eu vej o o sangue. Está nascendo no peito dele da form a com o as azaleias verm elhas extravagantes do pátio da sra. Murphy desabrocham quando o sol sai.

O m undo recupera a velocidade e o barulho com um estalo. Minha garganta parece dolorida, e percebo que estou gritando.

Nate levou um tiro.

Jam es se j oga na direção do palco, abrindo cam inho entre as pessoas para chegar ao irm ão caído. Finn, assim com o m eia dúzia de outras pessoas, vira-se e corre na direção oposta, para fora do salão. Eu vou atrás de Jam es.

Os agentes do Serviço Secreto cercaram o vice-presidente e o levaram para fora do salão, e um a fila deles form a um a barricada em frente ao palco, em purrando as pessoas que são j ogadas na direção deles com a m ovim entação da m ultidão em fuga. Atrás dos agentes, os hom ens que j á estavam no palco estão am ontoados em volta de Nate, inclusive o prefeito McCreedy e o senador Gaines, que está aj oelhado sobre Nate, apertando com a m ão o ferim ento em seu peito. Jam es corre com velocidade total para a fila de agentes com o se nem os visse. Eles o pegam pelo braço e o colarinho, segurando-o.

— É o m eu irm ão! — ele grita, a voz quase não é hum ana. — É o m eu irmão!

Eu encontro m inha voz.

— Ele é o Jam es Shaw, deixem passar!

Graças a Deus, o prefeito levanta os olhos e diz:

— Tudo bem , cavalheiros!

Do contrário, acho que Jam es poderia tê-los rasgado ao m eio. Ele está queim ando de terror, pegando fogo, e nenhum a força da natureza poderia tê-lo contido. Ele pula no palco, colidindo contra a segunda cam ada de hom ens entre ele e seu irm ão e abrindo cam inho à força. Eu só posso observar, im potente, detrás da fila de agentes conform e ele se aj oelha ao lado de Nate e aperta sua m ão.

Os olhos de Nate se reviram pela cena de um j eito horrível, com o se ele não conseguisse focá-los, e eu m e viro e vom ito pelo tapete decorado do salão de baile.