Todos os Nossos Ontens
Dezessete
Marina
Vam os até a casa ao lado e pegam os o carro de Jam es, um a BMW branca que era de Nate. Ele deve estar fugindo da vigilância agora, e nós vam os pegá-lo. Acabei de tirar m inha perm issão para dirigir, m as Finn m e pede para eu guiar de qualquer j eito.
— Ei, Marina... — ele diz enquanto estou saindo da casa dos Shaw.
— Podem os não falar sobre isso? — peço.
Estou prestes a chorar e m e esforçando para evitar as lágrim as. Não consigo falar, conter-m e e não bater nas coisas com o carro de Jam es ao m esm o tem po.
— É claro.
— Não conte para o Jam es, com binado? — eu falo.
— Não vou contar.
Finn m anda um a m ensagem de texto para Jam es quando estam os a um m inuto do hospital, e ele em erge da Starbucks do outro lado da rua assim que estacionam os. Senta no banco do m otorista, e eu entro no do passageiro.
— Foi tudo bem ? — eu pergunto, tentando m anter a voz leve e regular.
— Nosso m enino é um gênio — Finn diz, dando um a batidinha no om bro dele. — Aqueles policiais nem tiveram chance.
— Para ser j usto — Jam es responde —, um a criança de quatro anos poderia ter escapado dali. Eles não estavam m uito de olho em m im , j á que ainda estávam os no hospital. Eu disse que ia ao banheiro e, então, sim plesm ente peguei a escada e fui em bora.
Eu ouço a conversa, m as não estou prestando atenção de verdade. Fico pensando nos m eus pais. Eu costum ava brincar com Tam sin e Sophie sobre o inevitável divórcio o tem po todo; é praticam ente um rito de passagem para um adolescente. Porém , talvez eu não estivesse m esm o esperando que acontecesse, porque parece um soco no estôm ago, repentino e chocante.
O que vou fazer? Se eles têm de se separar, prefiro ficar com o m eu pai. Não brigo com ele com o brigo com m am ãe, m esm o que sej a na m aior parte porque ele nunca está em casa. Ele é um workaholic total, com o se ainda pensasse que é aquele m enino de classe baixa do sul de Boston que precisa brigar com unhas e dentes para chegar ao topo. E é por isso m esm o que m am ãe nunca m e deixaria m orar com ele. Ela tem tentado m e m oldar com o um a m iniatura dela desde que nasci; não vai desistir agora. Eu poderia viver com isso se ela sim plesm ente ficasse em Washington, m as, se ela m e levar para longe dos m eus am igos e da Luz... do Jam es... Não vou suportar.
Odeio isso. Odeio os dois. E odeio mesmo estar sentindo os olhos de Finn na m inha nuca.
— Marina? — Jam es diz.
Eu m e afasto dos m eus pensam entos.
— Sim ?
Ele m e entrega seu telefone.
— Pode m andar um a m ensagem de texto para a Viv por m im ? Só diga a ela que estou bem e que m e desculpe e volto para casa logo? Depois disso, tem os que tirar os chips dos nossos celulares; do contrário, poderiam usá-los para rastrear nossa localização.
— Acha que fariam isso? — Finn pergunta enquanto eu com eço a escrever para Vivianne.
— Não faço ideia, m as prefiro não arriscar.
— E se... eles precisarem falar com você?
Todos nós sabem os o que ele quer dizer. E se Nate morrer?
Jam es aperta os dentes.
— Vam os voltar de m anhã.
Jam es dirige pelo resto da tarde e com eço da noite, parando apenas um a vez para abastecer. Passo a m aior parte da viagem olhando para fora da j anela, tentando não pensar naquilo em que não consigo parar de pensar. Nenhum de nós conversa m uito.
— Você está bem ? — Jam es pergunta para m im quando cruzam os a fronteira, entrando em Nova York.
Não, eu não estou. Quero chorar todos os m eus problem as para ele e deixá-lo m e consolar, m as não sou tão egoísta.
— É. Estou bem .
— É só que você está com aquela cara desde que m e pegou — ele diz.
— Que cara?
— A cara de Marina-está-sofrendo-em -silêncio, quando você aperta os dentes e faz um bico com o se algo pudesse escapar de você a qualquer segundo e você estivesse tentando segurar.
— Não estou com essa cara.
Ele sorri.
— Claro que está. Estava com ela no rosto o tem po todo em que eu tentei ensinar você a velej ar no verão passado, e é a cara que você faz basicam ente toda vez que sua m ãe fala.
— Você com certeza está com essa cara, M — Finn diz do banco de trás.
Eu viro um olhar feio para ele. Ele não está aj udando.
— Eu conheço você, Marina — Jam es diz com suavidade. — Não pode esconder nada de m im .
Ah, eu posso. Se ele soubesse.
— Estou bem — afirm o. — De verdade. Não se preocupem com igo.
Jam es deve ver que não vai chegar a lugar nenhum agora, então deixa o assunto m orrer, e passam os o resto da viagem em silêncio. Está escuro quando entram os em Greenwich, Connecticut, um a daquelas suntuosas cidades antigas para onde CEOs e neurocirurgiões voltam depois de um longo dia de trabalho em Manhattan. Assim com o Georgetown, porém m ais fria. A casa fica nos lim ites da cidade, protegida por um portão com um guarda posicionado lá 24 horas por dia. Jam es desacelera até parar ao lado da guarita, baixando o vidro conform e o guarda sai.
— Sr. Shaw — o hom em diz. — Eu sinto m uitíssim o...
— Obrigado, Mark — Jam es fala. — Não vam os ficar m uito tem po aqui, m as, se alguém vier procurar por nós... qualquer pessoa... por favor, diga que não nos viu.
— Com o quiser, senhor.
— E ligue para a casa se alguém aparecer, sim ?
— Sim , senhor.
Jam es agradece ao hom em e sobe o vidro. A entrada da guarita até a casa tem 1,6 quilôm etro de extensão e leva alguns m inutos. Finn solta um palavrão baixinho no banco de trás quando enfim passam os as árvores e a casa fica à vista. Jam es insiste em cham á-la de casa, m as, na verdade, é m ais um a mansão no campo. Até m am ãe ficaria im pressionada.
— Meu bisavô construiu — Jam es conta, oferecendo as palavras com o um a desculpa.
— É linda — eu falo.
É um a construção de pedras com três andares no estilo gótico, com j anelas arqueadas altas e hera subindo pelas paredes externas. É com o um a casa de film e, onde os habitantes usam vestidos de seda com corpete e dão festas extravagantes com fontes de cham panhe.
— É legalzinha — Finn diz, e um rápido sorriso toca os lábios de Jam es conform e ele estaciona o carro no cam inho circular da entrada.
Nós descem os e nos aproxim am os das enorm es portas da frente, que são feitas de carvalho esculpido. Jam es as destranca e desativa o sistem a de segurança que soltava um bipe e, depois, apenas fica parado no vestíbulo, no escuro.
— Onde acham que devem os procurar? — ele pergunta.
Dou um passo para dentro e im ediatam ente tropeço em um pequeno degrau. A m ão de Finn aparece do nada e segura m eu cotovelo.
— Você está bem ?
— Estou — respondo e apalpo a parede, procurando o interruptor. — Obrigada.
Acho o painel e acendo todas as luzes. Jam es aperta os olhos e olha ao redor com o se nunca tivesse visto o lugar antes.
— Onde o Nate passa m ais tem po trabalhando? — questiono.
— No escritório dele. Lá em cim a.
— Certo — eu falo. — Vam os com eçar lá.
Jam es nos guia pelo vestíbulo até a larga escada de m árm ore que sobe em curva ao patam ar do segundo andar. Ele não acende um a única luz enquanto anda, então, sigo atrás dele, e Finn e eu trocam os olhares.
— Onde estão os em pregados? — pergunto enquanto Jam es nos leva por um longo corredor.
— Eles sem pre têm a sem ana de folga depois da nossa estadia aqui — ele fala. — É aqui.
Ele abre a porta do escritório de Nate e fica parado ali no corredor, olhando para dentro, Finn e eu espiando por cim a do seu om bro. Não sei o que eu estava esperando, m as o aposento é um alívio. Não há nada característico de Nate nas paredes escuras ou na m obília pesada. O lugar cheira a polidor de m adeira, não à colônia de Nate, e não há um a caneca m eio bebida de café ou um a caneta sem tam pa na escrivaninha esperando por ele.
É apenas um aposento.
Eu passo por Jam es e sigo para os arm ários de arquivam ento no canto. Abro a prim eira porta com um rangido alto e com eço a m exer nas pastas penduradas. Declaração de im posto, declaração de im posto, declaração de im posto...
— Ei, tudo bem — ouço Finn dizer com delicadeza.
Ele e Jam es ainda estão parados à porta, e Finn está com a m ão no braço dele.
— Estam os aqui para aj udar o Nate.
Jam es responde algo baixo dem ais para eu ouvir. Percebo que pode parecer só um aposento para m im , m as Jam es provavelm ente viu o irm ão sentado naquela cadeira, folheando estes arquivos, trabalhando naquele com putador m il vezes.
Finn sorri.
— Eu sei, m as não tem os m uita escolha, tem os?
Jam es ri baixinho e entra no escritório, abrindo o segundo arm ário de arquivos. Meus olhos se encontram com os de Finn por um instante. Nunca entendi por que eles dois são am igos, além do fato de Finn não ter ninguém e Jam es sem pre gostar de pessoas que não se im pressionam com o sobrenom e dele. Mas talvez sej a m ais sim ples do que isso. Talvez sej a porque Finn tem a habilidade m ágica de fazer um a pessoa sorrir m esm o quando a situação é triste. Isso faz bem para Jam es.
Finn se acom oda em frente ao com putador, de algum a form a atravessando suas m edidas de segurança quando Jam es diz que não sabe a senha. Ele sai clicando enquanto Jam es e eu tiram os pilha atrás de pilha de docum entos dos arm ários, colocando-os pelo tapete persa. Tudo o que encontram os são papéis chatos — declarações de im posto antigas, extratos de banco — que não poderiam ter relação com o hom em que disparou dois tiros no peito de Nate.
Fecho a porta do arm ário com um pouco m ais de força do que queria e a batida de m etal contra m etal reverbera por todo o escritório silencioso.
— Não há nada aqui. E quanto ao quarto dele? Ou a sala?
Jam es suspira.
— Talvez.
— Ou talvez não exista nada para encontrarm os? — Finn diz.
— Não. — Eu m e levanto e alongo as pernas duras. — Nate não teria gastado energia m e dizendo para vir aqui se não fosse im portante.
— Mas ele não disse isso de verdade, disse? — Finn pergunta.
Eu abro e fecho a boca antes de poder reunir as palavras.
— Não exatam ente. Não teve tem po. Mas é o que ele quis dizer, sei disso.
Finn parece cético, m as, antes que possa dizer algum a coisa, Jam es levanta de repente e sai da sala.
— Aonde você vai? — eu grito para ele.
— Cozinha. Estou m orrendo de fom e.
Finn e eu seguim os Jam es para o andar de baixo, e ele j unta os ingredientes para sanduíches de m anteiga de am endoim e geleia. Jam es espalha a m anteiga de am endoim com passadas rápidas e fortes que rasgam o pão e, depois de suas fatias desm anteladas, ele pega o pacote todo e o j oga pela cozinha com um grito gutural. Eu dou um pulo, e Finn se retrai. Jam es enterra o rosto nas m ãos e, por um m om ento, não há m ovim ento nem som além da sua respiração difícil.
Depois, Finn dá um passo à frente e pega a faca suj a de m anteiga de am endoim da m ão de Jam es. Ele a enfia de volta no pote e pega o pão do chão. Joga as fatias suj as no lixo e, com calm a, com eça a fazer sanduíches com as lim pas.
Jam es se senta no chão no canto da cozinha, esfregando um a das m ãos na testa, os lábios m ovendo-se em silêncio enquanto ele fala consigo m esm o.
Eu fico parada, congelada, perto do balcão, tão indecisa quanto ao que fazer que não consigo fazer nada.
Finn coloca um sanduíche de m anteiga de am endoim em um a toalha de papel e o em purra para m im . Coloca um ao lado de Jam es, que nem levanta o olhar para ele e, depois, senta-se ao m eu lado no balcão para com er um .
Quando nossos olhos se encontram , ele faz que não com a cabeça em um m ovim ento contido, as sobrancelhas franzidas. Ele está preocupado. Desvio o olhar e dou um a m ordida no m eu sanduíche.
O som m etálico do telefone em um a m esa lateral corta o ar, e nós todos nos assustam os. Jam es fica em pé com um pulo e cruza a cozinha para olhar a identificação da cham ada.
— É a Vivianne — ele diz.
O sanduíche vira serragem na m inha boca, e eu afasto o resto dele.
— Acho que você deveria atender — Finn com enta.
Jam es faz que não com a cabeça.
— Ela só está tentando descobrir onde estam os.
A voz de Finn está suave.
— Você não sabe, cara.
— Nós vam os voltar em algum as horas — Jam es fala e fica ao lado do telefone até ele parar de tocar.
Rasgo m inha toalha de papel em pequenos quadrados. Meu Deus, por que eu nos trouxe até aqui? Tudo parecia tão claro antes, m as agora m e sinto equivocada e envergonhada por arrastar Jam es para longe da fam ília neste m om ento. Tudo por causa de um a conversa estranha com Nate na neve e algum as letras que ele sinalizou para m im e que posso não ter interpretado do j eito certo. Talvez eu realm ente estej a ficando louca.
E Jam es, ele está...
Finn term ina seu sanduíche e com eça a arrum ar a ilha da cozinha, recolocando os potes e o pacote de pão nos lugares e lim pando as m igalhas.
— Deveríam os voltar agora, hã? — ele diz.
Na m inha m ente, ouço o estalo de um a arm a de fogo, vej o o sangue e as pessoas se espalhando. Jam es está seguro aqui. Posso não ter certeza de m ais nada, m as pelo m enos sei disso.
— Ainda há lugares onde não olham os — digo. — Ainda podem os encontrar algum a coisa...
— Droga, Marina! Essa sua caçada inútil j á foi longe dem ais — Finn briga com igo. Ele se vira para Jam es. — Desculpe, cara, m as ela não está aj udando você fingindo que há um a solução perfeita para tudo isso. A verdade é que às vezes o m undo sim plesm ente é um a m erda.
Não tenho certeza de por que m e sinto tão ferida pelas palavras. Talvez por elas soarem tão verdadeiras. Mas, antes que eu consiga descobrir, ouço-m e j ogando palavras de volta para Finn.
— Ninguém forçou você a vir com a gente — eu digo. — Você poderia ter ficado em Washington. Sozinho. Com o sem pre.
Finn trava os dentes conform e a tensão entre nós aum enta igual a gás, que só precisa de um a faísca.
— Ele deveria estar com o irm ão agora, e você sabe — ele fala. — Não desconte sua culpa em m im ...
— Eu só estou tentando...
— Parem , parem , parem ! — Jam es grita. Ele está balançando para a frente e para trás, os dedos agarrando os cabelos. — Não consigo pensar!
Finn e eu trocam os um olhar assustado com a explosão dele, de repente j ogando no m esm o tim e de novo. Um silêncio espesso e sufocante enche o ar. Estendo a m ão para Jam es, hesitante.
— Você está bem ?
— O cofre. — Jam es de repente fica m ole. — Eu sou tão idiota.
Ele sai correndo da cozinha sem esperar por nenhum de nós.
— Isso não é bom , M — Finn sussurra. — Ele está com eçando a m e preocupar de verdade. Isso não é norm al.
— O James não é norm al — eu digo, enterrando m inha própria preocupação. — Ele só pensa de um j eito diferente do nosso. Ele está bem .
— Talvez, m as...
— Sem m as! Ele está bem !
Nós alcançam os Jam es no terceiro andar. Ele abre a porta de um quarto escurecido e aperta o interruptor, revelando um a cam a enorm e com um a dúzia de alm ofadas perfeitam ente arrum adas contra a cabeceira, um a penteadeira cheia de potinhos e pincéis e um colar de pérolas, e m óveis antigos e elegantes precisando de um bom espanador.
— É o quarto dos m eus pais — Jam es diz, e eu trem o, reconhecendo o quarto pelo que ele é: um m ausoléu.
Parece não ter sido tocado a não ser por lim pezas eventuais desde o dia em que eles m orreram .
— Vi Nate sair daqui em um a m anhã da sem ana passada. Ele nunca entra aqui.
Jam es anda até a estante em frente à cam a e puxa um livro. Um a seção toda do que pareciam volum es com capa de couro revela ser um painel cobrindo um pequeno cofre na parede.
— Legal — Finn sussurra.
— Você sabe a com binação? — pergunto.
— Não, m as Nate era terrível com núm eros. Ele teria escolhido algo de que pudesse se lem brar.
Jam es digita várias com binações. O aniversário de Nate; o aniversário dele; o endereço deles em Georgetown, Martha’s Viney ard, Chesapeake e aqui. Cada um é seguido por um a luz verm elha piscante e um afundam ento das rugas na testa de Jam es.
— Vocês têm algum a outra casa? — Finn pergunta.
— Acho que não.
Jam es tenta m ais algum as com binações e, no piscar de olhos entre a digitação dos núm eros e o acendim ento da luz verm elha, eu seguro a respiração. Está ali, eu sei. O que quer que Nate tenha m e m andado procurar está nesse cofre. Pelo canto do olho, vej o Finn olhando para m im , m as não vou olhar para ele. Ele pode achar que isso é um a perda de tem po, m as vou ficar parada aqui enquanto Jam es digita núm eros a noite toda se precisar.
Mais duas com binações e a luz fica verde. Jam es solta o fôlego.
— O aniversário da m am ãe.
A m açaneta faz um barulho alto de m etal quando ele a vira e abre a porta. Dentro, há um a caixa de j oias, várias pilhas de dinheiro estrangeiro e pastas cheias de docum entos. Em cim a de tudo, com um canto dobrado com o se tivesse sido enfiado com pressa, está um envelope de m anilha. Jam es estende a m ão para pegá-lo e o segura com leveza, com o se estivesse tentando pesar seu conteúdo.
— Abra — eu digo.
Ele dobra as tachinhas que fecham o envelope e tira de dentro dele um a pilha de papéis. Corre os olhos pela prim eira página, arregalando-os m ais e m ais enquanto lê.
— Você estava certa, Marina — ele fala.
Eu m e inclino para poder ver por cim a do om bro dele. É um e-m ail e eu passo os olhos por ele rapidam ente. Vej o o nom e de Nate e de Jam es, e na parte de baixo há a assinatura de CR. Verifico o endereço de e-m ail no topo para ver quem escreveu.
Chris Richter.
Nós três ficam os tão pasm os que levam os um m om ento para reconhecer o som baixo do telefone tocando em outro aposento.