Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 22 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Vinte e Dois

VINTE E

DOIS

 

Em

Jam es m e encara.

— O quê? — ele diz, os restos chocados de um sorriso ainda no rosto.

— Jam es... — eu sussurro.

— Não entendo. Por quê...

Eu puxo a arm a do cinto, e ele engole o resto da frase a seco.

— Jesus Cristo, Marina.

— Eu não uso m ais esse nom e. — Levanto a arm a. — Sinto m uito, m as tenho de fazer isso.

— Espere! Pare! — Jam es se afasta de m im e vai em direção a Finn, que deve parecer m ais am igável, j á que não tem um a arm a apontada para a cabeça dele. — Eu não entendo. O que está acontecendo?

Eu deveria apertar o m aldito gatilho e acabar com isto. Odeio que m inha últim a m em ória deste m undo vá ser de Jam es olhando para m im desse j eito, m as não posso falhar de novo. Pressiono m ais o dedo no gatilho. Aperte-o, eu digo a m im m esm a.

Aperte-o!

— Espere! — Finn j oga um a das m ãos em frente ao peito de Jam es, e eu solto o gatilho. Meu coração está m artelando. Talvez eu tivesse conseguido atirar e estou ao m esm o tem po enfurecida e grata pela interrupção. — Ele ainda não fez nada. Pelo m enos m erece saber o porquê. — Finn se vira para Jam es. — Sinto m uito, cara, m as o futuro é um lugar horrível. A m áquina m uda tudo.

— Ela estraga tudo — eu falo. — E você fica m uito assustador, Jam es.

— O quê? — ele sussurra. — Não.

— Nós tentam os todas as outras form as de evitar que isso acontecesse — eu conto. — Versões anteriores nossas tentaram convencer você a parar a pesquisa, queim aram suas anotações, se livraram das pessoas que aj udaram você, tudo. Nada funcionou. Mas isto? — Indico a arm a com a cabeça. — Isto tem de funcionar.

A expressão dele se fecha.

— Ah, m eu Deus. Eram vocês. Do lado de fora do hospital. Foram vocês que a Marina viu.

Eu faço que sim com a cabeça.

— E o m eu irm ão?

A voz dele se eleva até falhar na últim a palavra, o nom e de Nate pairando no ar sem ser dito, com o um fantasm a.

— Não fom os nós — Finn diz.

Jam es segura a cabeça entre as m ãos, com o se a pressão dos pensam entos dele fosse dolorosa.

— Não. Não. Não. Eu não entendo.

— Nós sabem os que você nunca teve a intenção de virar um m onstro — Finn afirm a —, m as virou. Você não pôde evitar.

— Não posso deixar que você a m achuque de novo — eu falo, levantando a arm a.

— Marina, espere! — Um brilho forte de pânico passa nos olhos de Jam es quando ele percebe que tenho m esm o a intenção de atirar nele. — Nós podem os conversar sobre isso! O que quer que eu sej a no futuro, não sou essa pessoa agora, aqui, neste quarto.

Eu travo os dentes.

— Não. Isso j á é difícil o bastante para m im .

Finn para ao m eu lado, colocando a m ão m acia e firm e no m eu om bro.

— Eu não entendo isso. — Jam es ergue as m ãos, rendendo-se, e olha ao redor, m as não há para onde correr. — Vocês são m eus m elhores am igos. Eu nunca m achucaria os dois.

Na m inha cabeça, vej o o doutor sentado em um a cadeira em frente à m inha enquanto a eletricidade quente e aguda passa chiando por m im . Suportei porque a dor era a única alternativa a m orrer e, por m ais que não consiga entender o porquê às vezes, não queria m orrer. Mas o sentim ento de im potência, de ser tão fraca dentro do m eu próprio corpo, era pior do que todos os ferim entos e cicatrizes. Pergunto-m e se Jam es sabe disso agora, com m inha arm a apontada para a cabeça dele.

Ele deve ver algo em m inha expressão, porque sua voz está baixa e pesada quando ele fala.

— Meu Deus. O que eu fiz com vocês?

Ele dá um passo em direção a m im , com o se quisesse m e pegar em seus braços de novo.

— Não se aproxim e m ais!

Os olhos dele se enchem de lágrim as.

— Marina, por favor.

Eu engulo a seco.

— Sinto m uito, Jam es. Sinto m uito m esm o.

Meus dedos com eçam a pressionar o gatilho. Em um a fração de segundo, haverá som e sangue e, depois, nada. Eu ainda não quero m orrer, m as Marina vai viver. Aquela m enina coraj osa, leal e inocente que só quer alguém para am ar vai ter a vida que eu nunca tive, e isso é m ais do que o bastante.

Há um a batida na porta. Eu m e retraio, e Jam es usa a oportunidade para pular em m im .

— Jam es? — Marina cham a do outro lado da porta. — Pode abrir a porta? Estam os com as m ãos cheias.

Jam es está lutando com igo para tentar tirar a arm a da m inha m ão. Eu m e viro e a parte de trás dos m eus j oelhos acerta um a cam a. Caio para trás, ele em cim a de m im . Continuo segurando a arm a, m as Jam es m e prendeu dolorosam ente ao colchão, seu antebraço cruzado sobre o m eu pescoço. Seguro a arm a acim a da m inha cabeça para m antê-la fora do seu alcance, m as não consigo apontá-la para ele.

Finn puxa Jam es de cim a de m im , e eu ofego em busca de ar e rolo para longe dos m eninos. Finn é forte, m as Jam es é m aior e tem com o com bustível o puro terror; a luta não vai durar m uito tem po.

— Jam es?

Ouço o barulho de um cartão no leitor.

— Tem os de ir em bora! — sibilo para Finn.

A porta com eça a ser aberta, m as é parada de repente pela corrente.

— Jim bo, abra a porta! — o Finn m ais j ovem grita pela fenda.

Eu corro para a j anela e forço-a para abrir. Poderia tentar dar um tiro em Jam es agora, m as arriscaria acertar Finn. E Marina, m eu Deus, ela só está a alguns m etros de distância. Não consigo suportar. Chuto a tela e ela cai no estacionam ento lá em baixo.

Jam es j oga Finn para trás com um soco desaj eitado, m as poderoso, no queixo. Ele se levanta com dificuldade.

— Vocês não podem ficar no m esm o lugar que eles, podem ?

Ele corre para a porta e Finn corre até m im . Finn pula para os arbustos lá em baixo e levanta as m ãos para m im . Dou um a olhada para trás na direção de Jam es, que está tendo problem as com a corrente da porta, m as ergue o olhar para m im ao m esm o tem po.

— Sinto m uito — digo —, m as isso não acabou. Nós não vam os parar.

Pulo para os braços de Finn que m e esperam e, j untos, nós correm os.