Todos os Nossos Ontens
Trinta e Nove
TRINTA E
NOVE
Marina
Eu acordo com um solavanco. Não m e lem bro de ter dorm ido, m as m eus sonhos foram cheios de correria, gritos e m edo. Afundo de volta nos m eus travesseiros, aliviada, alongando-m e contra os lençóis m acios.
A cam painha toca lá em baixo e eu dou um a olhada no relógio. Nem são nove horas da m anhã ainda. Jam es queria sair para tom ar café e ele sem pre se adianta, m as isso é ridículo.
— Eu atendo! — grito para Luz.
Fico em pé e balanço por causa do fluxo repentino de sangue para a m inha cabeça. Sinto-m e pesada e entorpecida, e os cantos esfarrapados dos sonhos continuam roçando na m inha m ente. Tento agarrá-los, m as volto de m ãos vazias. Na verdade, agora que estou pensando a respeito disso, os últim os dias são um borrão. Lem bro-m e de Jam es usando sm oking, do lindo discurso de Nate naquela arrecadação de fundo e do idiota do Finn Abbott indo conosco para todo lado. Lem bro-m e de Jam es m e convidando para o café da m anhã e de j urar que eu contaria a ele com o m e sinto antes de as panquecas acabarem , m as todo o resto é um a confusão.
— Eu am o você, Jam es — sussurro, praticando as palavras.
Meu Deus, parece um a estupidez.
Desço a escada depressa até a porta da frente e a abro totalm ente. Tenho pronta nos lábios um a piada sobre a m ania crônica de Jam es se adiantar, m as paro no ato.
— Congressista — eu falo. — Oi.
Nate se parece tanto com Jam es, os m esm os traços elegantes e fortes e a cabeça tom bada de um j eito hum ilde. Ele levanta os olhos para m im devagar, um peso puxando para baixo os cantos da boca, os olhos inchados e verm elhos.
De algum a form a, nem tenho de perguntar.