Todos os Nossos Ontens

Cristin Terrill · Capítulo 27 de 40

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Todos os Nossos Ontens

Vinte e Sete

VINTE E

SETE

 

Marina

Jam es nos leva até The Ham ilton na esquina da F com a Fourteenth Street e entrega a chave do carro para um m anobrista. A hostess nos leva para um a m esa com sofá de couro no canto dos fundos, que tem um a placa de RESERVADO. Quinze m inutos depois, ela volta com Richter logo atrás.

— Obrigado, Sherry — Richter diz ao sentar-se no sofá. — Vou querer um a água com gás quando você puder m e trazer. O que vocês querem , crianças?

— Nada — Jam es diz.

Nós três, eu entre os m eninos, nos sentam os apertados do outro lado da m esa em frente a ele.

— Meus m ais sinceros pêsam es pelo seu irm ão, sr. Shaw — Richter diz assim que a hostess sai. — Ele era um grande hom em .

— Obrigado — Jam es fala, j ogando as palavras para passar ao que realm ente im porta para ele. — Com o está indo a investigação?

— Estam os fazendo progresso. Sinto m uito por não poder ser m ais específico agora.

Eu olho para Richter com tanta raiva que acho que ele deve conseguir sentir, m as ele m antém seu olhar estável em Jam es.

— Há algo em especial sobre o qual você queira falar com igo?

— Na verdade, sim . — Jam es pega a pasta e a deixa cair na m esa de form a barulhenta. — Isto.

— Sinto m uito, eu não...

— Eu encontrei nas coisas do m eu irm ão — Jam es explica. — Ela contém um a troca de e-m ails entre você e um colega para o qual você pede inform ações sobre m im e, depois, questiona se m eu irm ão vai ser um “problem a”. Nate estava m onitorando seus e-m ails com o parte da investigação dele da SIA, a organização secreta para a qual você trabalha, e, de algum a form a, você foi a pessoa colocada no com ando da investigação sobre o tiro nele?

Minha respiração fica presa dolorosam ente no peito. O que Jam es está pensando, revelando tudo assim ? Se Richter m atou Nate, um congressista, em um salão cheio de pessoas e agentes do Serviço Secreto, ele não vai hesitar em nos m atar. Este tem po todo, eu estava tentando im pedir que Jam es pirasse, m as talvez ele j á tenha enlouquecido e eu não reparei.

Richter abre a pasta e olha a prim eira página.

— Então, você acha que eu tive algo a ver com o tiro no congressista?

Ele pergunta de form a tão casual, com o m esm o tom de voz que usou para perguntar se queríam os beber algum a coisa, que eu estrem eço. Juro que a tem peratura do restaurante caiu.

Richter pode ser frio, m as Jam es é feito de gelo.

— Alguém teve de aj udar aquele atirador a acessar o salão de baile do Mandarin. O que o Nate tinha feito? Ele estava chegando perto dem ais de algo que você queria m anter escondido?

A m ão de Finn encontra a m inha sob a toalha da m esa, e ele aperta m eus dedos com força. Não preciso olhar para ele para saber que seu rosto contém tanto terror m al disfarçado quanto o m eu.

Os olhos de Richter se arregalam e, pela prim eira vez, seu rosto não parece um a m áscara cuidadosam ente cultivada.

— Que m erda, Jam es. Olhe, você sabe que seu irm ão era agressivo quando se tratava de inform ações e sabe com o nossa com unidade é pequena. Era inevitável que alguém que o congressista tenha investigado em algum m om ento fosse acabar liderando esta investigação.

— Então, você está m e dizendo que é um a coincidência?

Eu preciso parar essa conversa antes de ele fazer com que todos nós sej am os m ortos.

— Jam es...

Porém , ele nem olha para m im , e Richter m e interrom pe com o se eu não tivesse falado.

— É exatam ente isso que eu estou dizendo. É verdade, seu irm ão e eu discordávam os das coisas. Para ser sincero, eu achava que ele era um chato com ares de superioridade que estava m ais interessado em m arcar pontos políticos do que em m anter o país seguro.

Jam es estrem ece de raiva ao m eu lado.

— Mas, por Deus, eu não atiraria nele por causa disso! É assim que as coisas funcionam no nosso m undo, as pessoas discordam e isso não é nada pessoal. Deus sabe que eu tenho um a opinião pior da m aioria dos políticos.

Ele é um m entiroso. Sinto a certeza disso pulsando pelas m inhas veias, m as é um m entiroso esperto. Ceder um pouco em vez de negar tudo direto. Aprendi isso com m eus pais há anos. Adm itir que faltei no treino de tênis para parecer m ais crível quando eu j urava que não tinha ido às com pras com o cartão de crédito. Algo está m ais do que errado aqui.

— E eu? — Jam es se inclina para a frente. — Qual é o seu interesse em m im ?

Um sorriso toca os lábios de Richter, com o se ele pensasse que ganhou algum a coisa.

— Eu estava interessado no trabalho que você está fazendo na Johns Hopkins. Ainda estou. Achei que você gostaria de vir trabalhar com a gente.

— Por que eu faria isso?

A voz de Jam es está ressoando com m ais intensidade do que antes, m esm o quando perguntou sobre a m orte de Nate. Dou um a olhada em Finn e ele está franzindo as sobrancelhas. O que Jam es está procurando? Quem se importa com o m otivo de Richter querer trabalhar com ele?

— Porque eu tenho recursos que você não vai encontrar nem na sua universidade nem no setor privado — Richter fala. — Nós acham os que a sua pesquisa poderia ter consequências m uito reais para o m undo. Poderia aj udar a m elhorar as coisas.

Sem saber, Richter disse as palavras m ágicas. Eu olho para Jam es. Seu m axilar está relaxado, a linha fina dos lábios suavizada. O desconforto no m eu estôm ago vira m edo.

— Você não vai ficar ouvindo isso — eu digo, virando-m e tanto para Jam es que nem consigo ver Richter pelo canto do olho. Baixo a voz: — O Nate tinha um arquivo sobre esse cara, e eu tenho certeza de que ele tinha seus m otivos para não contar a você que ele estava fazendo perguntas a seu respeito.

— A Marina está certa. Se o Nate achasse que você deveria trabalhar com ele — Finn acrescenta —, ele teria contado.

Richter se recosta no sofá, unindo as m ãos sobre a m esa em frente a ele.

— Obrigado, crianças, m as acho que o Jam es entende a situação m elhor do que vocês. Eu ainda gostaria de trabalhar com você, Jam es. Acho que você e eu poderíam os form ar um grande tim e.

— Vam os — eu falo, ignorando-o. — Por favor.

— Não, nós ainda tem os m uito para discutir. Agora que...

Richter coloca a m ão no bolso do paletó para pegar o telefone, que está vibrando.

— Desculpe, pode ser im portante. Acho que você vai querer ficar para falar sobre isso, Jam es. Alô?

Richter fica em pé e se afasta alguns passos da m esa, falando em voz baixa ao telefone, e eu uso a oportunidade para pegar a m ão de Jam es.

— Vam os. Vam os falar com o diretor Nolan com o você queria fazer antes. Tem algum a coisa errada aqui.

— A Marina está certa, cara — Finn diz. — Esse cara é esquisito. Eu não confio nele.

Jam es aperta os punhos contra os olhos.

— Vocês não entendem . Há m ais coisas em j ogo aqui do que...

— Então deixe a gente aj udar você! — eu falo. — Ou o diretor Nolan ou o vice-presidente ou qualquer outra pessoa. Não ele.

Jam es vacila. Entrelaço m eus dedos aos dele, pronto para arrastá-lo para fora do sofá se precisar, quando Richter desliga o telefone e se vira para nós.

— Jam es, estam os com a pessoa que atirou no seu irm ão sob custódia.