A Caveira da Mártir
Capítulo XLV · Quando Antónia esperava em ânsias a resposta…
Quando Antónia esperava em ânsias a resposta do bilhete, chegou a irmã do trinitário com o seu marido.
— Bem hajam que me acudiram! — exclamou ela, abraçando-se na amiga. — Eu já temia que te não dessem o meu escrito...
— Estava lá teu marido quando o recebi.
— Meu marido!... ah! foi contar-te que eu... O filha! eu estou inocente... O teu irmão sabe que eu estou inocente...
— Sabemo-lo nós também — afirmou Alberto Borges — aliás não estaríamos aqui, Sra. D. Antónia. O Sr. Eliot pareceu-me atribulado; mas, contra o que era de esperar, ia arrependido do feio espetáculo que deu aos seus domésticos. A minha mulher, convencida da virtude da Sra. D. Antónia, disse a Eliot: «sua esposa está pura e inocente como os anjos». Ele quis saber em que bases assentava a nossa convicção. Disse eu que o meu cunhado Frei André Guilherme possuía os segredos das duas consciências suspeitas a Eliot. Ele então mais consternado se mostrou, e pediu-nos que no seu nome viéssemos rogar a sua esposa que lhe perdoasse. Diz mais ele que, envergonhado do seu péssimo proceder, não ousa aparecer à sua vítima, e talvez vã passar alguma temporada em França.
— E eu então — acrescentou a irmã do trino — pedi-lhe que te deixasse ir para a nossa companhia...
— Muito agradecida, minha querida amiga... — atalhou Antónia — eu quisera antes ir para um convento.
— O meu irmão André já deu alguns passos nesse sentido; mas encontrou embaraços; é preciso justificar a separação, ou obter consentimento do teu esposo.
— Porque não lho pede, Sr. Alberto? — rogou Antónia.
— Pedir-lho-ei. Entretanto, venha a menina para nossa casa; e mais devagar meditaremos, de harmonia com o meu cunhado.
Nessa mesma hora, Antónia saiu da sua casa, com uma pequena arca da roupa de uso. Deixou todas as preciosidades em joias, já muito desfalcadas por ignominiosas subtrações do marido. As Caldeironas, excetuada Leonor, e as madrilenas da companhia de António Rodrigues, enfeitavam os pulsos e as orelhas com as manilhas e pingentes de Maria Isabel Traga-malhas, e de Angela Mendes Nobre, filha do regicida.
Quanto a Leonor, essa, de todo alheia aos conluios do seu cunhado, continuava a requestar o primo Luís. Ouvira dizer muitas vezes à mana Maria Teresa que Antónia tinha lesão mortal, e que Eliot ficaria viúvo muito cedo com cento e cinquenta mil cruzados.
— Pobre Antoninha! — dizia Leonor compadecida — ma estrela lhe deu a sorte! Eu folguei que alguma mulher me livrasse deste homem odioso; mas não queria que fosse ela, tão meiga, tão galantinha! Adivinhava o seu destino aquela tristeza que a dominava sempre!...
— Deixe-o enviuvar. — observou Darcet — e verá a mana quantas formosas de Lisboa o disputam.
— Pode ser; mas eu, se fosse uma dessas formosas de Lisboa, e tivesse lacaio, mandava-o baldear à rua, se ele me subisse a escada para me oferecer a sua mão e o saco dos cento e cinquenta mil cruzados; e, não tendo lacaio, como não tenho, fazia-lhe assim...
E tirando do avental de seda azul um lenço branco, salivou nele com uma visagem de nojo.
Estas palestras em família eram às vezes interrompidas por Isaac Eliot.
Uma vez, logo que ele arrastou cadeira para junto do canapé em que as senhoras recebiam, perguntou-lhe Leonor:
— Como está Antoninha?
Era a primeira vez que o interrogava a tal respeito.
— Penso que está melhor — disse ele.
— Pensa! Está ou não está?
— Eu não a vejo há um mês, minha senhora.
— Essa é boa! que marido é o Sr. Eliot que está um mês sem ver sua esposa?!
— Folgo muito que a Sr. D. Leonor seja bastante inocente para ignorar os motivos.
— Agradeço-lhe então que mos não diga...-E, decorridos alguns minutos, juntou voltando-se para as irmãs: — é triste coisa que haja nos casamentos estas más e misteriosas razões que obrigam dois esposos a não se verem um mês!... O Sr. doutor Eliot, decerto sem querer, obriga-me a passar esta noite em claro; como tenciono brevemente ser casada, quero antecipadamente calcular onde estão ocultos os baixios de tais naufrágios.
Desta linguagem transparecia o malicioso propósito de se fazer riscar do número das formosas que o seu cunhado imaginara a competirem na conquista do viúvo.
Eliot gaguejou uns dizeres tão entalados nos gorgomilos, que tresandavam a parvoíces de namorista bisonho.
A menina retirou-se para uma janela da sala de espera quando soaram onze horas. Maria Teresa foi repicar nas teclas do cravo uns sarambotes sevilhanos. D. Joana, a mais velha, foi para outra sacada com um prebendado da real basílica, seu primo em quarto grau, e, ao mesmo tempo, pai de uns rapazolas que estudavam em Évora, e vinham através deste contorcido parentesco a ser filhos também daquela Sra. D. Joana Caldeirão, Eliot acercou-se de Darcet, que parecia dormitar, afofado numa poltrona que fora do uso do Dr. Francisco Xavier.
— Ouviste? — perguntou Isaac.
— O quê?
— O que a tua cunhada agora disse?
— Não; que disse ela?
— Que ia casar.
— É tola minha cunhada... Não faças caso... O Luís Mendes já anda a namorar a Maria Inácia, cunhada do general Pedro de Sousa, senhor do Guardão. O negócio está pela minha conta. Quando for tempo, aparece; por enquanto, estás casado, homem.
Eliot aproximou-se do parapeito de uma janela, e viu que Leonor conversava com um encapotado. Deteve-se indelicadamente na janela; e a menina, irritada pela espionagem, inclinou-se para o vulto, e disse:
— Porque não sobes, primo Luís?
— É tarde, prima Leonor.
— Então até amanhã, que está muito fresca a viração do mar. Eu amanhã respondo à tua carta.
Eliot recolheu-se, pegou do chapéu e despediu-se desabridamente.
Darcet acompanhou-o até à sege.
Quando desciam para o pátio, disse-lhe o mercador de veludos e damascos:
— Que tens?
— Tenho a convicção de que me tens logrado, Tomás...
— Que se passa?
— A tua cunhada mata-me; mas... a tua condenação há de ser pública.
E meteu-se à sege, mandando largar a trote.
O seu único amigo nas aflições enormes era Henrique Rutier. Foi aldravar-lhe à porta na rua de S. José. Fê-lo erguer. Relatou-lhe o sucedido em casa do ladrão Darcet, e da ladra da mulher. Adjetivando-os deste feitio, fora justiceiro pela primeira vez na sua vida.
Rutier ouviu-o, bebeu algumas taças de uma aguardente que Eliot deglutia com frenesi, como se estivesse bebendo o sangue do tredo patrício, e disse:
— Amigo meu Sr. doutor se vossa mercê hoje fosse livre e rico, a sua vingança havia de ser redonda, perfeita, digna de um filho das Gálias. Sabe o que eu faria? eu? este homem que aqui vê? Raptava-lhe aquela mulher como o boi raptou Europa; entregava-lha nas fronteiras, e dizia-lhe: «leve-a para a Franca ou para o inferno; e, quando se enfastiar dessa boneca de cera, mande-a de presente ao primo Luís Mendes ou ao diabo».
— Falas sério, Rutier? — exclamou Eliot, empunhando um copo de aguardente.
— Tão sério como quando espreitei o defunto boticário por detrás da vidraça...
— À tua saúde, meu único, meu adorado amigo! — bradou Isaac emborcando a taça, e quebrando-a na mesa. — Tu és o meu cérebro, és o meu braço, és o meu coração que adora e que se vinga, és a garra poderosa do meu rancor, és o homem que eu desejara ser, quando tivesse outro que me estimasse quanto eu te quero.
E, embriagado de ódio, de lascívia e aguardente, beijava-o nas faces e nos olhos, abarcando-o pela cintura.
CAPÍTULO XLVI
Dois meses depois, em Outubro de 1731, Isaac Eliot parecia reconciliado com a esposa, que voltara para a rua do Outeiro, e achara nas duas criadas, Antónia e Maria, cortesias, submissões e respeitos desacostumados. Não obstante, Simoa dos Santos, muito a ocultas, segredava-lhe:
— Olhe que elas murmuram muito da senhora. Eu desconfio de alguma tramoia. O Henrique, antes da senhora vir para casa, fechava-se com elas lá em baixo, e o Sr. doutor sei eu que as tem presenteado com coisas de oiro, e a mim não me deu o valor de um chavo galego. Tenha cuidado, senhora...
Antónia via a miúdo Frei André Guilherme, e pedia-lhe sempre que, pelas chagas de Cristo, lhe alcançasse a licença para entrar no convento. Ia a Odivelas e pedia a mesma proteção a Paula Perestrelo. A freira, posto que desamada do rei, correspondia-se com alguns ministros. D. João V, o lúbrico beato, viu a carta que solicitava a licença, e respondeu:
— Não permita Deus que o império intervenha incompetentemente nas atribuições da igreja. Não nos compete a nós, rei fidelíssimo, entender com os direitos outorgados aos maridos pelo sacramento do matrimónio.
Dizia-o ele, o amante de D. Luísa Clara de Portugal, esposa de D. Jorge de Meneses, e mãe dos Meninos da Palhavã!
Neste mês de Novembro fazia anos D. Antónia. Eliot convidou algumas famílias. Concorreram, entre as mais distintas da colónia francesa, algumas nacionais: as duas senhoras Caldeirões, sem a mana Leonor, que estava constipada; as irmãs e a mãe de Frei André Guilherme; Alberto Borges com a sua mulher e irmãs; alguns professores de cirurgia do hospital real com as suas esposas.
Durou o sarau até ao dia. A vizinhança ouvia as músicas maravilhada: era a primeira festa que se presenciava naquela opulenta casa!
Antónia, na florescência dos dezasseis anos, parecera triste, desmerecida de cores e brilhantismo de olhos. Não dançara nem fizera parte dos jogos. Cumpria primorosamente os deveres de senhora festejada pelos seus hóspedes; e, assim que a dispensavam, acantoava-se com a sua amiga, irmã de Frei André.
— Nem sequer podes fingir-te alegre, Antónia! — disse-lhe a outra.
— Fazes-me lembrar umas palavras que o meu tio Francisco dizia muitas vezes: Triste é minha alma até à morte... É a primeira vez que os meus anos se festejam, e adivinho que é a última. De hoje a um ano, lembra-te desta hora e desta profecia.
— Que ideias, santo nome de Jesus!
— Vai lá dentro, ao meu quarto, e lê esta carta. Recebi-a hoje já de noite. Olha que prenda de anos! Depois, guarda-a, e amanhã manda-a ao teu mano, sim?
— De quem é?
— Da Leonor Caldeirão.
A carta continha isto:
Minha boa e infeliz Antoninha. Não a vi há ano e meio mas todos os dias me lembro da sua desventura. Bem queria eu escrever-lhe muitas folhas de papel; mas falta-me tempo, e a Possibilidade de o fazer em segredo. Resumo em poucas linhas o que só em muitas poderia explicar. Fuja da companhia do seu marido o mais breve que possa. Ele é capaz de a matara como diz meu cunhado que já o fez a outras. Há uma senhora que o despreza, e ele persegue com vilíssima impertinência. Esta senhora acaba de receber uma carta dele em que lhe pede que seja sua esposa quando ele enviuvar. A respeito do casamento com Antoninha dá infames desculpas. Se Eliot não fosse um malvado sem igual, eu pensaria que ele estava embriagado quando escreveu tal carta a uma criatura que o abomina e desfeiteia sempre que o pode fazer como senhora. Quisera eu enganar-me, — permitisse-o Deus! — mas receio muito que Antoninha seja assassinada com veneno, se não foge desse algoz.
Sua do coração
Leonor da Veiga Cabral.
Frei André Guilherme, lendo esta carta, comunicada pela irmã, considerou-a documento valioso para mover o patriarca a favor da enclausuração de Antónia.
Apresentou-a a D. Tomás de Almeida, e obteve do prelado a promessa de deferir ao requerimento da esposa de Eliot. Retirou-se contente o trinitário, e facilmente transmitiu a Antónia a boa-nova. Todavia o patriarca, por saber que el-rei estimava o médico francês, quis esgotar os recursos conciliadores, mandando chamar Eliot. Expôs-lhe as reiteradas solicitações que se lhe faziam para dar refúgio a sua mulher em convento; deplorou que ele desse motivos a isso; insinuou que tinha no seu poder provas de um plano tão singularmente odioso que tinha pejo de o referir. Disse, finalmente, contestando as redarguições do francês, que o procurador de Antónia Xavier era um frade de exemplares virtudes que não podia mentir, e muito honrava a sua cliente.
— Fr. André Guilherme? — atalhou Eliot.
— Sim, senhor.
— E quem disse a vossa eminência que esse frade não é amante...
— Amante?... de quem?...
— Da minha mulher.
D. Tomás levantou-se colericamente majestoso, e bradou:
— Saia desta casa! Esconda-se de mim, caluniador monstruoso! Eu podia esmagá-lo com uma carta, que tenho aqui, em que o Sr. Eliot é exatamente retratado por quem lhe conhece de perto a alma aleijada pelos vícios! Eu já sabia da voz da fama as proezas da sua vida. Agora as acredito, e me pejo de o receber nesta sala.
Eliot saíra às recuadas como se cada frase do trovejante prelado lhe fosse um pé arremessado ao estômago.
Como de costume foi apear-se em casa de Rutier; e, em curto diálogo, discutiu-se e fixou-se o último e decisivo plano: matar Fr. André Guilherme em flagrante adultério com D. Antónia Xavier!
Henrique, fiel ao seu propósito de reformação em matéria de homicídio, ratificou energicamente que não matava ninguém.
Eliot dispensou-o; mas exigiu-lhe que escrevesse cartas amorosas da sua mulher ao frade, e as respetivas respostas.
Pediu Rutier a letra do trinitário para exame e ensaio. Eliot ofereceu-lhe uma carta de quitação redigida e escrita por André, quando ainda era estudante, em que a sua tia se dava por paga e satisfeita das mensalidades que ajustara com o doutor Francisco Xavier pela educação da sua sobrinha. Não havia outro modelo. Rutier desdenhou-o como safado e ruim de imitar.
— Estas cartas hão de ser examinadas por peritos? — perguntou Rutier.
— Veremos, quando o frade estiver no inferno à espera do patriarca...
A irmã de Fr. André costumava festejar os anos do seu esposo em 18 de Novembro com uma merenda à portuguesa antiga. Reunia Alberto Borges a mais seleta porção de comerciantes, e muita parentela da classe média. Depois de um lauto banquete, dançavam-se danças honestas, minuetes graves sem o desnalgado das sarandas e sarambeques. Concorriam ali religiosos de boa conta, e alguns da Santíssima Trindade, convidados pelo cunhado do respeitável Borges.
Eliot foi convidado com a sua esposa. Aceitou muito agraciado o convite, e recomendou a Antónia que comprasse vestido novo e se enfeitasse a primor.
— Dizem por aí, menina — disse ele — que andas muito desmazelada no teu vestir, porque vives desgostosa. Quisera eu que desmentisses esta gentalha. Aí estás tu vestida sujamente. Essa saia de cetim branco matizada conheço-ta há quatro anos: está surrada que faz nojo! esse mantéu de baetilha seria insuportável nos ombros de uma tua criada. Há mulheres que por dentro e por fora afugentam os maridos. E esse penteado? quem te penteia?
— É a cozinheira.
— Bem se vê... O penteado é como as iguarias que ela faz... Caiu-te no goto esta Simoa! Até a improvisaste cabeleireira!...
Era este o estilo de Eliot quando mais forcejava por embair a esposa com jeitos carinhosos.
Ela escutava-o silenciosa, e ouvia o arquejar alvoroçado do seu coração. Tinha-lhe medo. Pedia a Simoa que estivesse perto dela, quando o marido entrasse, e não comia sem Eliot lhe dar o exemplo.
— Tem cuidado que me não deitem peçonha na comida... — dizia Antónia à cozinheira, que nunca saia da beira do fogão.
No dia 18 de Novembro, estiveram na festa natalícia de Alberto Borges. Eliot cumprimentou Fr. André Guilherme, com expressões de respeitosa e antiga consideração. O frade respondeu cortesmente, sem lhas retribuir. E evitava encontrá-lo na sala.
Ao fim da tarde despediu-se de Antónia, a quem singelamente cumprimentara. No acto de se despedir, ela apertou-lhe a mão, e murmurou:
— Ainda não?
— No dia 1 do mês que vem, recolhe-se ao convento de Santa Ana — disse o frade.
— Graças, meu Deus! — exclamou ela radiando alegria dos olhos, e apertou-lhe, segunda vez, a mão convulsamente.
Neste acto, caiu-lhe uma luva. Fr. André abaixou-se a erguer a luva, que beijou e restituiu com a polida graça e cortesãos requintes daquele tempo.
Desde este dia até 26 de Novembro o médico jantou sempre com a sua mulher. Uma ou outra vez, perguntava-lhe:
— Que dizias tu a Fr. André, quando lhe apertavas a mão sacudindo-lha à inglesa?
— Nem me lembro, Isaac...
— Que esquecida!...
E desandava logo para o gracejo.
Na manhã daquele dia 26, Eliot madrugou em casa de Rutier, e disse-lhe:
— Há de ser hoje.
— Seja — condescendeu o outro mal-humorado.
— Deixa ver o bilhete...
— Não está perfeito; mas remediará. Aí o tem.
Eliot leu:
Meu caro amigo. Estou sozinha hoje às 4 horas e meia. Ele vai para fora da terra às 3. Só vem depois de amanhã. Temos duas tardes livres. Se hoje lhe não falo, se me não acode, dou um passo desesperado. Venha infalivelmente.
Sua infeliz Antónia.
— Está bom, perfeitamente bom — aplaudiu Eliot — E as cartas do frade? e as dela?
— Seis de cada um. As dele não me agradam. Tem péssima letra, muito engaratujada... Isto é muito difícil...
Eliot confrontou a carta de quitação com as cartas falsificadas; alongou os beiços, e desdenhou:
— A falar verdade, não foste feliz... mas servem... Mau será se isto vai aos tribunais...
— Oh! se vai! — emendou Rutier — O senhor que pensa? Tudo nos há de ser preciso para nos salvarmos... se nos salvarmos...
E o flagrante delito?... — replicou o médico — Pois não entendes, homem? Estas cartas são a prova do crime que eu vou punir...
— Doutor! — contraveio Rutier pensativo — doutor, este mundo é governado por Deus ou pelo diabo...
— Sim? Tens medo?
— Tenho, palavra!
— Que se tem importado Deus ou o diabo com as tuas ações?...
— Ainda não é tarde... — murmurou o celerado forçando um sorriso de incredulidade.