A Caveira da Mártir

Camilo Castelo Branco · Capítulo 42 de 42

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A Caveira da Mártir

À herança de D. Antónia, Joaquina Xavier…

CONCLUSÃO

 

À herança de D. Antónia, Joaquina Xavier concorreram três famílias de Lisboa, Évora e Tavira que se apelidavam Nobres. Para honrarem a sua parente reabilitada pela sentença, os herdeiros requereram a exumação e trasladação do cadáver para o jazigo de Camarate, e lhe mandaram fazer solenes sufrágios na igreja paroquial dos Mártires.

A quinta de Camarate coube aos Nobres de Évora, que a deixaram entregue ao antigo feitor do padre Francisco Xavier.

Na espaçosa casa hospedava-se alguns meses dos anos, decorridos até 1739, aquele estrangeiro loiro que as mulheres se lembravam de ter visto atravessar o adro, quando os sinos festejavam o casamento da fidalga. Achavam-no envelhecido, quando acertavam de o ver perpassar como um espectro nos arredores da quinta.

Naquele ano de 1739, Josse Frisch, com o auxílio do feitor, abriu o sarcófago dos Mendes Nobres, e extraiu o crânio sobreposto a outro, deslocando-o facilmente das vértebras cervicais.

Depois, abraçou o feitor, repartindo com ele das lágrimas que derramava sobre a caveira da mártir.

O restante, releiam-no os leitores esquecidos no prefácio deste livro.

Nesta história de Antónia Xavier, última representante de Domingos Leite Pereira e Maria Isabel Traga-malhas, a menos desgraçada foi Catarina de Castro; porque, enlouquecendo, morrera, digamo-lo assim, antes da filha; e, acabando de morrer, na filha do Faial em 1740, nos braços de Paula Perestrelo, não levou desta vida a mínima recordação.

 

FIM

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