Atlas de Anatomia para Implantodontia
Morfologia geral
FIG. 1.4 Partes do esqueleto facial superior. 1: osso maxilar, que constitui a maior parte; 2: osso zigomático; 3: osso nasal; 4: etmoide; 5: osso lacrimal; 6: concha nasal inferior; 7: vômer; 8: osso palatino.
Morfologia geral
O osso maxilar tem forma irregular que lembra uma pirâmide triangular.
Seu ápice é cortado com orientação para fora, articulando-se com o osso
zigomático. A sua base corresponde à parede lateral da cavidade nasal. Este
osso pode ser dividido em três faces: superior ou orbitária, anterolateral ou
jugal e posterolateral ou infratemporal (Figuras 1.5 e 1.6).
FIG. 1.5 Forma de pirâmide triangular do osso maxilar, com base medial e ápice lateral. 1: ápice; 2: face orbitária; 3: face jugal; 4: face infratemporal.
FIG. 1.6 Pela vista medial do osso maxilar observa-se o hiato do seio maxilar (1). 2: processo frontal; 3: processo palatino.
O seio maxilar ocupa a maior parte do osso maxilar, além do osso
alveolar (Figura 1.7).
FIG. 1.7 Corte horizontal dos maxilares: os seios maxilares pneumatizam bastante o osso. 1: seio maxilar; 2: cavidade nasal.
Face superior ou orbitária (Figuras 1.8 a
1.16)
Muito fina e normalmente translúcida, a face superior forma a maior parte
da parede inferior da cavidade orbitária. Ela é ligeiramente voltada para
baixo, para frente e para fora, é lisa e triangular e contata, posteriormente, o
processo orbitário do osso palatino, completando essa face. Sua metade
posterior é marcada pelo sulco infraorbitário que é seguido pelo canal
infraorbitário e termina no forame infraorbitário.
FIG. 1.8 Corte frontal da maxila e da cavidade orbitária. A parede orbitária da maxila é muito fina.
FIG. 1.9 Parede orbitária da maxila. O nervo infraorbitário fica visível pela transparência do osso (1).
FIG. 1.10 A transiluminação do osso maxilar mostra a fina espessura da parede orbitária.
FIG. 1.11 A metade posterior da parede orbitária é marcada pelo sulco infraorbitário (1). 2: osso lacrimal; 3: fenda nasolacrimal; 4: fissura orbitária inferior.
FIG. 1.12 A parede orbitária da maxila apresenta uma forma triangular com sua base anterior (1). Posteriormente se completa com o processo orbitário do osso palatino (2). 3: osso lacrimal; 4: face orbitária do osso etmoide; 5: face orbitária da asa maior do osso esfenoide.
FIG. 1.13 O processo orbitário (1) do osso palatino completa, na região posterior, o assoalho da órbita.
FIG. 1.14 O nervo alveolar superior anterior (1) origina-se do nervo infraorbitário (2) dentro do canal infraorbitário.
FIG. 1.15 A borda anterior da face orbitária é lisa (1) e continua lateralmente com o osso zigomático (2). A sua borda posterior (3) constitui a borda anterior da fissura orbitária inferior (4).
FIG. 1.16 A borda medial da face orbitária do osso maxilar (1) articula-se internamente com o osso lacrimal (2) e o etmoide (3).
É no canal infraorbitário que surgem os nervos alveolares superior
anterior e médio.
Face anterolateral ou jugal (Figuras 1.17a
1.23)
Esta face, orientada para frente e para fora, é ligeiramente côncava e
facilmente palpável sob a pele.
FIG. 1.17 Face anterolateral ou jugal da maxila. Clássicas vias de acesso ao seio maxilar. 1: Caldwell-Luc; 2: Denker.
FIG. 1.18 Face anterolateral ou jugal da maxila. A eminência canina (1) separa a face em duas regiões: anterior ou incisiva, onde se insere o músculo abaixador do septo nasal (2); posterior, onde se insere o músculo levantador do lábio superior e da asa do nariz (3) e o músculo levantador do ângulo da boca (4).
FIG. 1.19 A face anterolateral ou jugal da maxila é fina, deixando transparecer o pedículo do nervo alveolar superior anterior (1). 2: pedículo do nervo alveolar superior posterior.
FIG. 1.20 Na região anterior da face anterolateral ou jugal da maxila insere-se o músculo abaixador do septo nasal (1).
FIG. 1.21 Na região posterior da face anterolateral ou jugal da maxila inserem-se o músculo levantador do lábio superior e da asa do nariz (1) e o levantador do ângulo da boca (2).
FIG. 1.22 O pedículo do nervo infraorbitário emerge da face jugal de 8 a 10 mm da margem inferior da cavidade orbitário (1). Aqui um forame acessório (2) distribui-se especificamente para o nariz.
FIG. 1.23 As ramificações do nervo e da artéria infraorbitários avançam por toda a região anterolateral da face (1) e se confundem com as da artéria facial (2).
Ela é marcada pela presença do forame infraorbitário, limitada
superiormente pela inserção do músculo levantador do lábio superior e da
asa do nariz e, inferiormente, pela inserção do músculo levantador do
ângulo da boca. A raiz do canino forma uma saliência: a eminência canina.
Na altura das concavidades ósseas presentes entre as raízes dos incisivos
superiores, encontra-se a inserção do músculo abaixador do septo nasal.
A parede óssea se reduz a uma fina película óssea dentro da qual caminha
o pedículo do nervo alveolar superior anterior.
Nota
Esta face era utilizada como via de acesso na cirurgia sinusal
(intervenção de Caldwell-Luc e Denker). Em 1990, esta intervenção
começou a cair em desuso na França, sendo substituída pelas
meatotomias médias, que provocam menos inconvenientes no pós-
operatório.
Face posterolateral ou infratemporal
Essa parede é dividida em duas porções:
1. Uma, anterior e lateral, ligeiramente côncava, formando com o osso
zigomático a fossa maxilozigomática. Corresponde à parte anterior do
corpo adiposo da bochecha (Figuras 1.24 a 1.28);
FIG. 1.24 Face posterior ou infratemporal da maxila. Essa face é ligeiramente côncava anteriormente e convexa posteriormente.
FIG. 1.25 A face posterior ou infratemporal da maxila é fina e deixa transparecer os ramos mediais do pedículo do nervo alveolar superior posterior (1).
FIG. 1.26 Os ramos laterais do nervo alveolar superior posterior (1) estão em contato com a tuberosidade maxilar pela aponeurose do músculo bucinador.
FIG. 1.27 O corpo adiposo da bochecha (6) apoia-se na aponeurose do músculo bucinador que recobre a face lateral da tuberosidade maxilar. 1: ducto parotídeo; 2: músculo zigomático maior; 3: músculo bucinador; 4: músculo masseter; 5: veia facial; 6: corpo adiposo da bochecha.
FIG. 1.28 A parede medial da cavidade que abriga o corpo adiposo da bochecha corresponde, posteriormente, à tuberosidade da maxila (1) e, anteriormente, à face lateral do músculo bucinador (2). 3: ducto parotídeo; 4: músculo masseter.
2. Outra, posterior, corresponde à tuberosidade maxilar que separa o seio
maxilar da fossa infratemporal, para trás e para fora, e da fossa
pterigopalatina, para trás.
Superiormente, articula-se com o processo orbitário do osso palatino;
inferiormente, com o processo piramidal do osso palatino e, posteriormente,
com o processo pterigoide do osso esfenoide.
Essa parede contém vasos e nervos alveolares superiores posteriores
cujas ramificações penetram o osso pelos forames alveolares posteriores e
superiores.
Superficialmente, filetes mucosos e musculares do pedículo do nervo
alveolar superior posterior seguem adaptados entre o periósteo e a
aponeurose do músculo bucinador.
Em sua parte posterossuperior, a tuberosidade maxilar encontra a
curvatura da artéria maxilar antes de penetrar na fissura pterigomaxilar.
Os músculos pterigóideos, lateral e medial, inserem-se na parte
posteroinferior do túber da maxila tuberosidade e o músculo bucinador, na
face lateral do processo alveolar adjacente aos molares (Figuras 1.29 a
1.33).
FIG. 1.29 A artéria maxilar (1) faz seu trajeto pela região infratemporal antes de penetrar na fissura pterigomaxilar (2). 3: Osso zigomático; 4: tuberosidade maxilar; 5: mandíbula.
FIG. 1.30 Vista lateral do músculo pterigóideo lateral esquerdo (1), sobre o qual a artéria maxilar repousa (2), aqui, superficialmente, em uma variação anatômica. 3: Tuberosidade maxilar; 4: mandíbula; 5: articulação temporomandibular; 6: processo estiloide.
FIG. 1.31 Reconstrução em 3D do músculo pterigoide lateral in situ a partir de um exame de tomografia computadorizada.
FIG. 1.32 Vista lateral do músculo pterigóideo lateral direito. 1: região discal do músculo; 2: região mandibular; 3: colo do côndilo mandibular; 4: tuberosidade da maxila; 5: inserções do pterigóideo lateral nas tuberosidades; 6: ramo medial da artéria alveolar superior posterior.
FIG. 1.33 O músculo pterigóideo medial (1) fixa-se na porção posteroinferior da tuberosidade da maxila (2). 3: Nervo lingual. → tuberosidade da maxila.
Ápice (Figuras 1.34 e 1.35)
De orientação superolateral, o ápice constitui o processo zigomático cuja
extremidade cortada se articula com o osso zigomático.
FIG. 1.34 O osso maxilar (1) articula-se pelo seu ápice com o osso zigomático (2).
FIG. 1.35 Vista lateral do osso maxilar: seu ápice (1) tem a forma de um triângulo com uma base superior de superfície irregular.
O processo zigomático constitui o prolongamento lateral das três faces do
osso maxilar.
Base (Figura 1.36)
Essa face é medial e apresenta, no geral, forma quadrilátera irregular
dividida em duas áreas pelo processo palatino da maxila: nasal e oral.
FIG. 1.36 Base do osso maxilar. Ela é dividida em duas porções pelo processo palatino (1). No centro da face nasal está o hiato maxilar (2). A face oral forma o palato ósseo (3). 4: alvéolos maxilares; 5: sulco lacrimal; 6: crista conchal; 7: sulco palatino maior; 8: fissura maxilar.
A borda anterior forma, com osso maxilar antagônico e com os ossos
nasais, a abertura piriforme.
A borda posterior corresponde à porção anterior da fissura
pterigomaxilar.
Articulando-se com o osso lacrimal e etmoide, a borda superior forma o
ângulo inferomedial da cavidade orbitária.
A borda inferior é formada pelos rebordos alveolares.
A base é dividida em duas faces: uma parte superior nasal e outra inferior
oral, separadas por uma extensa lâmina horizontal, denominada processo
palatino da maxila.
Parte oral (Figuras 1.37 a 1.39)
A parte oral é curvilínea e rugosa, representando o palato ósseo. A sua
altura é variável de acordo com o grau de reabsorção do osso alveolar. A
sua superfície é marcada por sulcos sinuosos que são contornados por espículas ósseas correspondentes à passagem dos ramos do nervo palatino
maior.
FIG. 1.37 A face oral (1) da base da maxila é limitada, inferiormente, pelos alvéolos dentários (2) e, superiormente, pelo processo palatino da maxila (3). Geralmente, apresenta-se côncava.
FIG. 1.38 A face oral (1) da base da maxila é rugosa e apresenta sulcos (2) marcando a presença do nervo palatino maior. 3: forame palatino maior.
FIG. 1.39 Emergência do nervo palatino maior na face oral.
Parte nasal (Figuras 1.40 a 1.42)
A parte nasal é plana e contribui para formar a parede lateral da cavidade
nasal.
FIG. 1.40 A face nasal da base da maxila é plana e apresenta o hiato maxilar ao centro (1). Acima do hiato: os alvéolos maxilares (2); por trás: o trígono maxilar perfurado pelo canal palatino maior (3); abaixo, o osso constitui a parede lateral do meato nasal inferior (5); à frente, o sulco lacrimal (4).
FIG. 1.41 Face nasal da base da maxila. O hiato maxilar (1) é reduzido em virtude da interposição dos labirintos etmoidais (2). A concha nasal inferior (3) forma, com o sulco inferior, o meato inferior (4).
FIG. 1.42 Face nasal da base da maxila. 1: hiato maxilar; 2: bolha etmoidal; 3: processo uncinado do etmoide; 4: canal uncibular; 5: concha nasal inferior.
Ao centro dessa parede existe um orifício triangular - o hiato maxilar,
cujo ápice, inferiormente localizado, se prolonga para baixo por uma
estreita fissura, a fissura maxilar.
Acima do hiato, o osso apresenta pequenas bolsas, os alvéolos maxilares,
que se comunicam para dentro com as células etmoidais.
Anteriormente ao hiato, o osso apresenta uma fenda vertical, o sulco
lacrimal, que forma, com o osso lacrimal, o canal nasolacrimal. Do limite
anterior desse sulco surge uma crista horizontal, a crista conchal inferior, na
qual se fixa a concha nasal inferior.
Posteriormente ao hiato, a superfície rugosa do osso forma o trígono do
osso palatino, que apresenta uma fenda oblíqua direcionada para baixo e
para frente, o sulco palatino maior, que forma o canal palatino maior,
juntamente com a face lateral da lâmina vertical do osso palatino. O canal
palatino maior permite a passagem à artéria e às veias palatinas
descendentes e aos nervos palatinos (palatino maior e palatinos acessórios).
Inferiormente ao hiato, o osso é marcado por uma grande fenda
horizontal que corresponde ao meato nasal inferior.
Processos
Três processos prolongam o osso maxilar. Exceto o processo alveolar, que
não apresenta nenhuma articulação e que sustenta os dentes, os dois outros
processos são articulados com os ossos adjacentes do esqueleto facial para
constituir as cavidades nasais.
Processo frontal (Figuras 1.43 a 1.45)
Essa lâmina óssea aplainada transversalmente é voltada para frente e para
fora, e forma, articulando-se com os ossos nasais, a parte anterolateral da
parede lateral das cavidades nasais, originando, com o seu homólogo
contralateral, o orifício piriforme.
FIG. 1.43 O processo frontal da maxila (1) articula-se, superiormente, com o osso frontal (2) e com o osso nasal (3). Sua vertente anterior é lisa (4), e sua face posterior articula-se com o osso nasal (5).
FIG. 1.44 Os dois processos frontais (1) formam, com os processos palatinos (2), a abertura piriforme.
FIG. 1.45 Face medial do processo frontal da maxila (1). Na crista conchal inferior, insere-se a concha nasal inferior (2). 3: osso nasal; 4: seio esfenoidal.
A face lateral divide-se em duas partes: uma anterior lisa, que se articula
superiormente com o osso frontal e com o osso nasal, na qual se inserem os
músculos orbiculares do olho e o elevador do lábio superior e da asa do
nariz; a outra, direcionada obliquamente para dentro, forma a porção
anterior do canal lacrimal, articulando-se com o osso lacrimal.
A face medial corresponde à porção anterolateral da cavidade nasal e
apresenta duas cristas horizontais: a crista etmoidal e a crista conchal, que
permitem a inserção às conchas nasais média e inferior, respectivamente.
Processo palatino (Figuras 1.46 a 1.48)
De forma geral triangular, o processo palatino se une ao seu homólogo e às
lâminas horizontais do osso palatino para formar o palato ósseo.
FIG. 1.46 O processo palatino da maxila (1) articula-se com seu homólogo para formar a parte anterior do palato ósseo. 2: crista nasal.
FIG. 1.47 Processo palatino da maxila (1), vista endonasal. 2: crista nasal; 3: lâmina horizontal do osso palatino; 4: seio maxilar.
FIG. 1.48 Processo palatino da maxila (1) (vista bucal) que se une ao seu homólogo na lâmina horizontal do osso palatino (2). 3: forame palatino maior; 4: forame acessório; 5: forame incisivo; 6: espículas ósseas cercam os sulcos por onde passa o nervo palatino maior.
Sua face superior, lisa e côncava, forma o assoalho da cavidade nasal.
Sua face inferior é rugosa e perfurada por ductos que permitem a
passagem do pedículo do nervo palatino maior.
A união das duas bordas mediais forma, na face superior, uma crista na
qual se fixa o vômer. Na face inferior, a união dos dois processos é
representada por uma fina sutura que pode, às vezes, formar uma
proeminência mais ou menos desenvolvida: o toro palatino.
Processo alveolar (Figuras 1.49 a 1.54)
O processo alveolar limita abaixo as faces anterolateral e infratemporal da
maxila. Ele projeta uma curva de concavidade mediana que acompanha o
seu desenvolvimento e a evolução das diferentes fases de erupção dentária.
É a estrutura mais sujeita a variações. Esse processo é constituído de duas
lâminas de tecido compacto, as eminências alveolares, unidas por um
trabeculado que forma o tecido esponjoso, onde se inserem os dentes. A
forma desse processo varia da região incisiva à região molar.
FIG. 1.49 Processo alveolar da maxila de uma criança de 20 meses (1).
FIG. 1.50 Vista palatina do processo alveolar da maxila de uma criança de 20 meses (1).
FIG. 1.51 Vista de perfil de uma maxila e uma mandíbula de uma criança de 5 anos.
FIG. 1.52 Aspecto dos processos alveolares em um indivíduo parcialmente dentado. 1: eminência alveolar; 2: alvéolos dentários.
FIG. 1.53 Processo alveolar da maxila de um indivíduo desdentado. Neste indivíduo, uma reabsorção pronunciada reduziu transversalmente os processos alveolares.