Atlas de Anatomia para Implantodontia

Jean-François Gaudy, Bernard Cannas, Luc Gillot, Thierry Gorce · Capítulo 8 de 66

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Atlas de Anatomia para Implantodontia

Seio maxilar

FIG. 1.54 A forma do processo alveolar da maxila pode ser modificada por distúrbios de crescimento ou por anomalias congênitas.

 

Seio maxilar

 

Os seios da face aparecem a partir do 3° mês da vida fetal. Eles são

formados por evaginações da cavidade nos ossos do esqueleto facial. No

nascimento, a relação entre o volume do crânio e do esqueleto facial é de

1/7. O desenvolvimento dentário e dos seios paranasais diminuem

progressivamente essa proporção (Figuras 1.55 e 1.56).

FIG. 1.55 Cabeça de feto de 3 meses e meio mostrando a relação entre o volume craniano e o esqueleto facial.

 

FIG. 1.56 Cabeça de feto de 8 meses mostrando um ligeiro aumento da relação entre o volume craniano e o esqueleto facial.

Desenvolvimento

 

O seio maxilar existe desde a 12ª semana da vida fetal. Ele é visível

radiologicamente a partir dos 5 meses de idade. Seu volume aumenta

rapidamente na criança até os 12 anos de idade. O seu desenvolvimento é

paralelo ao do osso maxilar e dos dentes, ocupando progressivamente o

volume ósseo liberado pelos dentes. Aos 6 anos, a cavidade toma sua forma

piramidal e começa a ficar visível nas radiografias. Após os 12 anos, o seio

maxilar cresce mais lentamente para se estabilizar com a erupção dos

últimos molares (Figuras 1.57 e 1.69).

 

FIG. 1.57 Cabeça de recém-nascido mostrando a relação entre o volume craniano e o esqueleto facial.

FIG. 1.58 Cabeça de uma criança de 2 anos. A relação entre o volume craniano e o esqueleto facial é de 1/4.

FIG. 1.59 Cabeça de uma criança de 4 anos mostrando a relação entre o volume craniano e o esqueleto facial.

FIG. 1.60 Cabeça de um adulto mostrando a relação entre o volume craniano e o esqueleto facial.

FIG. 1.61 Maxila de uma criança de 10 meses. A pequena altura do osso maxilar e a presença dos germes dentários limitam o volume residual do seio maxilar (1).

FIG. 1.62 Vista de perfil de uma maxila de uma criança de 24 meses. A evolução dentária cedeu espaço na região pré-molar (1).

FIG. 1.63 Vista de perfil de uma maxila de uma criança de 5 anos.

FIG. 1.64 Radiografia panorâmica de uma criança de 5 anos. Os limites do seio maxilar confundem-se com a projeção das cavidades orbitais (1).

 

FIG. 1.65 Panorâmica de uma criança de 8 anos. O seio maxilar está bem visível.

FIG. 1.66 Maxila de uma criança de 8 anos.

FIG. 1.67 Panorâmica de uma criança de 9 anos. Aqui, o seio maxilar apresenta uma expansão no processo frontal da maxila (1).

 

FIG. 1.68 Panorâmica de uma criança de 10 anos. O seio maxilar está bem desenvolvido (1).

FIG. 1.69 Radiografia panorâmica de uma criança de 12 anos. Os seios maxilares (2) apresentam subdivisões (1).

 

Seio adulto (Figuras 1.70a 1.75)

 

As proporções de um seio adulto variam consideravelmente de um

indivíduo para outro e também em um mesmo indivíduo, de um lado para

outro. Assim, é possível distinguir:

FIG. 1.70 Corte anatômico frontal mostrando um pequeno seio (1) na mesma altura da concha nasal inferior (2).

FIG. 1.71 Corte anatômico axial mostrando assimetria entre os seios: de um lado, um seio de tamanho médio (1) e, de outro, um seio pequeno (2).

 

FIG. 1.72 Corte anatômico parassagital mostrando um seio de tamanho médio (1). Seu volume é equivalente ao da cavidade orbitário (2).

FIG. 1.73 Corte anatômico axial mostrando dois seios de tamanho grande (1).

FIG. 1.74 Corte anatômico coronal mostrando um seio de tamanho muito grande (1) em um indivíduo desdentado.

FIG. 1.75 Corte anatômico axial mostrando um seio de tamanho médio (1) e um seio reduzido transversalmente (2).

 

1. os pequenos seios podem ter sido a consequência de interrupção do

desenvolvimento da cavidade;

2. os seios médios que ocupam todo o corpo ósseo são os mais

frequentemente encontrados;

3. dos grandes seios saem prolongamentos para regiões adjacentes.

 

Paredes (Figuras 1.76 a 1.92)

As paredes correspondem, de forma geral, às diferentes faces do osso.

FIG. 1.76 A parede anterolateral do seio maxilar é muito fina em sua parte superior (1).

FIG. 1.77 Na parede anterolateral do seio maxilar passa o pedículo do nervo alveolar superior anterior (1).

FIG. 1.78 A parede anterolateral do seio maxilar (1) é fina e superficial. 2: canal palatino maior.

FIG. 1.79 Maxila isolada mostrando a espessura da parede anterolateral. 1: canal nasolacrimal; 2: parede anterolateral.

FIG. 1.80 Corte anatômico frontal mostrando a parede posterolateral do seio maxilar (1). 2: globo ocular; 3: labirinto etmoidal; 4 concha nasal inferior.

FIG. 1.81 Vista da transiluminação do osso maxilar, mostrando o pedículo do nervo alveolar superior posterior (1), passando dentro da parede posterolateral do seio maxilar. 2: osso zigomático; 3: pedículo do nervo infraorbitário.

FIG. 1.82 O pedículo do alveolar superior posterior, visto em transiluminação, de um corte frontal do osso maxilar (1), visível por transparência dentro da parede posterolateral do seio maxilar. 2: globo ocular; 3: parede superior do seio maxilar; 4: concha nasal inferior; 5; labirinto etmoidal.

FIG. 1.83 Corte anatômico parassagital do seio maxilar e da cavidade orbitária. A parede superior (1) é muito fina e contém o nervo infraorbitário. 2: globo ocular; 3: gordura periorbitária; 4: parede medial do seio maxilar; 5: pedículo do nervo infraorbitário.

FIG. 1.84 Corte anatômico axial passando pelo teto sinusal. A película óssea foi retirada para mostrar a íntima relação entre o nervo infraorbitário (1) e a mucosa sinusal (2). 3: cavidade sinusal; 4: concha nasal inferior.

FIG. 1.85 Corte anatômico parassagital do seio maxilar mostrando a parede medial (1). 2: cavidade orbitária; 3: nervo palatino maior; 4: hiato maxilar.

FIG. 1.86 Parede medial do seio maxilar em transiluminação. 1: bolha etmoidal; 2: nervo palatino maior; 3: processo uncinado; 4: crista conchal; 5: artéria etmoidal anterior.

 

FIG. 1.87 Parede medial do seio maxilar em vista nasal. 1: concha nasal inferior; 2: concha nasal média; 3: seio esfenoidal.

FIG. 1.88 Parede medial do seio maxilar em transiluminação. A concha média apresenta-se elevada (1). 2: processo uncinado; 3: hiato maxilar.

 

 

FIG. 1.89 Corte axial da maxila, parede medial do seio maxilar. 1: seio maxilar; 2: canal nasolacrimal; 3: cavidades nasais; 4: mucosa sinusal; 5: subdivisões intrassinusais.

FIG. 1.90 A parede inferior do seio maxilar é alongada no sentido anteroposterior. Ela pode ser lisa ou apresentar irregularidades em forma de subdivisões mais ou menos demarcadas.

FIG. 1.91 Parede inferior do seio maxilar. Aqui, um implante foi instalado e provoca uma saliência vista através da mucosa.

FIG. 1.92 Radiografia panorâmica enquadrada na região molar, mostrando as relações da parede inferior do seio maxilar e dos dentes.

 

A parede anterolateral é espessa em sua parte inferior e, logo, estreita-se

até a margem orbitário inferior. Na criança, contém os germes dentários.

A parede posterolateral geralmente é espessa (mais de 2 mm), e por ela

passa o pedículo nervoalveolar superoposterior.

A parede superior ou teto do seio é, particularmente, fina e apresenta uma

fenda que compõe o canal infraorbitário.

A parede medial é a mais complexa, pois o largo orifício do hiato maxilar

é parcialmente vedado pela concha nasal inferior, na parte mais inferior,

pelo labirinto etmoidal e pelos diferentes prolongamentos que partem dela.

Nessa parede, encontra-se o canal ostial, que comunica o seio maxilar com

a cavidade nasal. Ela fica situada na junção dos 2/3 posteriores e 1/3

anterior do ângulo formado pelas paredes anteriores e superiores. O canal

ostial mede de 6 a 8 mm de comprimento e de 3 a 5 mm de diâmetro.

O assoalho corresponde à parte inclinada do seio e forma uma fenda

alongada no sentido anteroposterior. Ele se sobrepõe aos ápices dentários.

Sua espessura média é de 3 a 4 mm. Nos grandes seios, esta parede pode apresentar saliências que correspondem aos ápices dentários dos pré-

molares e molares.

 

Extensões (Figuras 1.93 a 1.95)

FIG. 1.93 Corte anatômico passando por um molar e mostrando um prolongamento inter-radicular (1) do seio maxilar (2).

FIG. 1.94 Reconstrução em 3D, por tomografia computadorizada, de uma criança de 13 anos, mostra que extensões zigomáticas (1) podem pneumatizar, completamente o osso.

FIG. 1.95 Corte anatômico no plano axial mostrando um prolongamento anterior do seio maxilar (1) no processo frontal da maxila. 2: prolongamento zigomático; 3: pedículo do osso palatino maior; 4: concha nasal inferior.

 

Quando o seio é muito desenvolvido, ele pode apresentar

prolongamentos nos ossos adjacentes. O prolongamento anterior no

processo frontal da maxila é comum e pode atrapalhar a instalação de um

implante na região de canino. O prolongamento zigomático é muito frequente e pode pneumatizar completamente o osso. O prolongamento

alveolar pode alcançar as raízes dentárias, podendo acontecer complicações

decorrentes dos tratamentos endodônticos (Figuras 1.96 a 1.97).

 

FIG. 1.96 ® Corte em um plano coronal do Scanora, mostrando o extravasamento de cimento endodôntico em contato direto com a mucosa sinusal.

FIG. 1.97 ® Corte em plano parassagital do Scanora, mostrando o extravasamento de cimento endodôntico em contato direto com a mucosa sinusal.

 

Configuração interna (Figuras 1.98 a 1.101)

A configuração interna dos seios é muito variável. O seio pode ser liso e

regular ou apresentar subdivisões, mais ou menos grandes, que podem

resultar em uma separação da cavidade sinusal em duas ou várias

cavidades.

FIG. 1.98 Corte anatômico no plano coronal mostrando o seio subdividido.

FIG. 1.99 Corte anatômico no plano coronal mostrando um seio de tamanho médio sem subdivisões.

FIG. 1.100 Corte anatômico axial de um seio maxilar esquerdo apresentando uma crista transversal de pequena altura em sua parte anterior (1). 2: canal nasolacrimal; 3: forame infraorbitário.

FIG. 1.101 Corte anatômico em um plano axial de um seio maxilar apresentando subdivisões transversais e longitudinais.

 

Vascularização (Figuras 1.102 a 1.109)

A vascularização do seio maxilar é garantida, basicamente, por diferentes

ramos colaterais da artéria maxilar e pelas ramificações etmoidais da artéria

oftálmica:

FIG. 1.102 Vista em transiluminação da parede medial do seio maxilar mostrando a distribuição da artéria etmoidal anterior (1). 2: bolha etmoidal; 3: osso nasal; 4: processo uncinado.

FIG. 1.103 Vista em transiluminação da parede lateral do seio maxilar mostrando o trajeto da artéria alveolar superior posterior (1), que sofrerá anastomose mais à frente com os ramos da artéria infraorbitária.

 

FIG. 1.104 Dissecção da parede lateral do seio maxilar mostrando a situação entre a cortical óssea e a membrana sinusal (1) da artéria alveolar superior posterior (2).

FIG. 1.105 Vista em transiluminação da parede laterolateral do seio maxilar mostrando o trajeto da artéria anterossuperior (1) e sua distribuição.

FIG. 1.106 Vista em transiluminação da parede medial do seio maxilar mostrando o nervo palatino maior (1). 2: processo palatino da maxila; 3: osso nasal; 4: bolha etmoidal.

FIG. 1.107 Dissecção do canal palatino, mostrando os elementos do pedículo. 1: artéria palatina descendente; 2: nervo palatino maior; 3: nervo palatino acessório; 4: artéria palatina acessória.

FIG. 1.108 Dissecção da artéria maxilar (1) e de seu ramo alveolar superior poaterior (2). 3: osso zigomático.

FIG. 1.109 Vista em transiluminação da artéria alveolar superior (1) mostrando um ramo lateral (2) e um ramo medial (3).

 

1. a artéria infraorbitária que caminha pelo assoalho da órbita garante,

fundamentalmente, a vascularização do teto do seio e de toda parte

anterolateral;

2. a artéria alveolar superior posterior distribui-se em ramos laterais,

mediais e inferiores, e garante grande parte da região posterior do seio;

3. a artéria palatina descendente fornece ramificações à região posterior da

parede medial do seio;

4. as artérias etmoidais anterior e posterior participam da vascularização

superior da região medial.

 

Leituras sugeridas

Caliot, C., Midy, D., Plessis, J. L. The surgical anatomy of the middle nasal meatus. Surg Radiol Anat. 1990; 12:97–101.

de Lima Navarro, J., de Lima Navarro, P. The nasal cavity and parasinusal sinuses. Berlin: Springer-

Verlag; 1997. [145 p].

 

Demard, F., Charvet, B. Les sinus de la face. Otorhino-laryngologie. 1982; 31:449–460.

 

Larsen, W. J., Embryologie humaine. française. 2e éd. de Boeck Université, Paris, Bruxelles, 2004.

 

Libersa, C., Laude, M., Libersa, J. C. La pneumatisation des cavités annexes des fosses nasales au

cours de la croissance. Anat Clin. 1980; 2:265–272.

 

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