Atlas de Anatomia para Implantodontia

Jean-François Gaudy, Bernard Cannas, Luc Gillot, Thierry Gorce · Capítulo 52 de 66

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Atlas de Anatomia para Implantodontia

Meio anatômico

FIG. 10.30 Dissecção do pedículo vasculonervoso da mandíbula em uma mandíbula fresca injetada. 1: pedículo mentual; 2: pedículo incisivo. Aqui, o pedículo incisivo está situado à meia altura do osso.

 

Uma vascularização complementar é garantida pelos ramos terminais das

artérias submentual e sublingual.

 

Nota

A estrutura dessa região explica a taxa de insucesso particularmente

baixa na implantodontia.

 

Nota

O papel desse pedículo é sensitivo e trófico para a região. A sua

eventual lesão não apresenta consequências danosas para os pacientes.

 

Meio anatômico

 

Não existem grandes riscos anatômicos na implantodontia, com a condição

de não ultrapassar as corticais basal e lingual, na busca de uma maior estabilização.

Essa região pode ser destinada à instalação de implantes e de enxertos

ósseos, a técnicas para alargamento da crista, ou mesmo, para distração

alveolar.

 

Relações anteriores ou vestibulares (Figuras

 

10.31 a 10.34)

 

Relacionados diretamente com as tábuas ósseas, os músculos mentuais são

sistematicamente descolados ou seccionados na abordagem cirúrgica dessa

região. As ramificações do nervo mentual estão em íntima relação com a

tábua óssea vestibular. A artéria submentual origina, na maioria dos casos,

ramos terminais que passam pela superfície do osso, resultando, às vezes,

em ramos perfurantes. Mais externamente, o lábio inferior recobre a

gengiva vestibular.

 

FIG. 10.31 Os músculos mentuais (1) inserem-se na tábua óssea vestibular ao nível dos incisivos mandibulares.

FIG. 10.32 Dissecção de uma peça anatômica fresca injetada, mostrando ramos terminais (1) da artéria submentual aderidos à tábua óssea vestibular.

FIG. 10.33 Dissecção do lábio inferior mostrando, sob a mucosa que se repousa sobre o músculo orbicular da boca (1), as ramificações do nervo mentual (2) e a artéria labial inferior (3).

 

FIG. 10.34 Dissecção mostrando a distribuição em forma de leque do pedículo mentual.

Relações posteriores ou linguais (Figuras

 

10.35 a 10.40)

 

Há, essencialmente, dois grupos musculares que se inserem às espinhas

genianas superiores e inferiores: os músculos genioglossos e gênio-

hióideos. De cada lado desses músculos, a gengiva de fina espessura faz

com que os ramos terminais das artérias sublinguais ou submentais, quando

estas substituem as primeiras, se adiram à tábua óssea lingual.

 

FIG. 10.35 Corte sagital de uma ressonância magnética. O destaque na imagem (1) revela um osso esponjoso pouco denso. 2: músculo gênio-hióideo; 3: músculo genioglosso; 4: incisivo central; 5: epiglote.

FIG. 10.36 Corte anatômico sagital da mandíbula passando por um incisivo (1). 2: músculo gênio-hióideo; 3: músculo genioglosso. Pode-se ver nesse corte a penetração de um ramo vascular (4).

FIG. 10.37 Vista superior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando a terminação da artéria lingual (1) em artéria profunda da língua (2) e artéria sublingual (3).

FIG. 10.38 Vista superior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando ramos perfurantes da artéria sublingual (1).

FIG. 10.39 Vista superior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando um ramo perfurante da artéria submentual (1), que substitui a artéria sublingual. 2: músculo gênio-hioideo.

FIG. 10.40 Vista superior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando, de cada lado, um ramo perfurante da artéria sublingual (1), substituindo a artéria submentual, a qual penetra a cortical lingual em uma posição alta, em direção ao colo dos incisivos (2). 3: músculo gênio-hióideo.

 

A artéria sublingual avança em direção ao músculo milo-hióideo,

alcançando a cortical lingual, onde faz contato na base do dente canino da

mandíbula, ao nível da fóvea sublingual. Neste nível ela fica mais acessível,

portanto mais vulnerável. Como apresenta um calibre considerável, a sua

lesão representa um risco anatômico importante.

Em diferentes forames, penetram ramos terminais pouco calibrosos, cuja

lesão não representa um risco. O forame lingual dá passagem a uma

anastomose terminal medial direita do homólogo contralateral.

 

Relações inferiores ou basais (Figuras 10.41

 

a 10.44)

 

Um elemento anatômico importante é constituído pela passagem do ramo

terminal da artéria submentual. Em alguns casos, ele termina na fóvea

submandibular, fornecendo ramos terminais a estruturas anatômicas

vizinhas. Em outros casos, ele segue o trajeto através do ventre anterior do

músculo digástrico, contornando a borda inferior da mandíbula, terminando

na vestibular do incisivo. O diâmetro desse ramo arterial é na maioria das

vezes pequeno. Mesmo assim, em caso de lesão, pelo fato de atravessar o

músculo digástrico, a hemorragia fica contida nesse espaço a cada

movimento de deglutição do ventre anterior. Em poucas horas, um

hematoma é formado, podendo levar a uma compressão laríngea.

FIG. 10.41 Vista inferior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando a artéria submentual (1), que se divide em um ramo lateral (2) em direção à mucosa vestibular da região pré-molar, e um ramo medial (3) que atravessa o músculo digástrico (4).

FIG. 10.42 Vista inferior do assoalho bucal na região incisivo-canina, mostrando duas artérias submentuais (1) e suas ramificações. Os ramos que atravessam o músculo milo-hióideo (2) têm diâmetro médio de 0,5 mm.

FIG. 10.43 Vista inferior do assoalho bucal na região incisivo-canina mostrando dois implantes (1) que ultrapassaram a cortical basal, porém se mantiveram a distância dos ramos da artéria submentual (2).

 

FIG. 10.44 Vista clínica de um paciente em que a bandagem elástica foi colocada para comprimir a região mentual e submentual, a fim de prevenir sangramento pós-operatório nos casos remoção de enxerto ósseo da região ou quando o implante ultrapassa a cortical.