Atlas de Anatomia para Implantodontia
Suporte ósseo
FIG. 5.2 Região incisiva da maxila. Vista da maxila direita mostrando a forma triangular da base superior da região incisiva. 1: espinha nasal anterior; 2: cortical vestibular; 3: canal incisivo; 4: cavidade nasal direita; 5: processo palatino da maxila.
Para a implantodontia, esta região não apresenta maiores riscos
anatômicos; no entanto, a instalação de implantes pode se tornar
complicada por causa dos fenômenos centrípetos de reabsorção
que podem ser grandes.
Os músculos abaixadores do septo nasal, curtos e maciços, são as
únicas inserções musculares dessa região.
Em virtude da forma centrípeta da reabsorção óssea, os implantes
são geralmente posicionados na região palatina anterior.
Suporte ósseo
Forma geral ( Figuras 5.3a 5.8)
A região incisiva apresenta uma forma geral triangular no corte. Sua base
é constituída pela porção anterior do assoalho da cavidade nasal. A face
anterior ou vestibular é geralmente côncava para cima e para frente. A face palatina é levemente côncava para baixo e para trás. Em razão da orientação
dos incisivos, as tábuas ósseas vestibulares são muito finas e, por isso,
sofrem rápida reabsorção após uma extração dentária, constituindo as
cristas em “lâminas de faca” que, posteriormente, sofrem reabsorção
vertical.
FIG. 5.3 Corte anatômico sagital mediano mostrando a forma triangular da região incisiva. 1: canal incisivo; 2: espinha nasal anterior; 3: lábio superior; 4: mucosa palatina descolada.
FIG. 5.4 Vista anterior da região incisiva de um osso seco mostrando a concavidade anterossuperior da face anterior da região incisiva. 1: eminências alveolares; 2: espinha nasal anterior; 3: sutura intermaxilar.
FIG. 5.5 Vista inferior da região incisiva da maxila mostrando a delgada espessura das tábuas externas (1) em relação aos incisivos de um indivíduo dentado.
FIG. 5.6 Vista inferior da região incisiva da maxila mostrando, do lado esquerdo, uma crista “em lâmina de faca” (1) no segmento desdentado, e do lado direito, a delgada espessura das tábuas ósseas vestibulares (2) em relação aos dois dentes remanescentes.
FIG. 5.7 Vista anterior da região incisiva em um osso seco mostrando a destruição das tábuas ósseas, fortemente relacionada com uma doença periodontal.
FIG. 5.8 Vista anterior da região incisiva em um osso seco mostrando a destruição das tabuas ósseas ao nível dos ápices dentários, fortemente associada a um problema endodôntico.
Face anterior vestibular (Figuras 5.9a 5.15)
Esta face é marcada pela sutura intermaxilar, cujas duas bordas formam
uma saliência ou crista mediana, mais ou menos marcada. No adulto, as
bordas são unidas, ao passo que, na criança, esta junção ainda é frouxa. A
espinha nasal anterior limita superiormente esta sutura. Sua forma e seu
volume são variáveis de um indivíduo para outro.
FIG. 5.9 Vista da face anterior da região incisiva em um osso seco adulto. 1: sutura intermaxilar; 2: espinha nasal anterior; 3: por transparência, a fina espessura óssea aponta as raízes dentárias.
FIG. 5.10 Vista da face anterior da região incisiva em um osso seco de uma criança de 4 anos. A sutura intermaxilar ainda se encontra amplamente aberta (1).
FIG. 5.11 Vista clínica de um freio de lábio hipertrófico associado a uma falha na união da sutura intermaxilar.
FIG. 5.12 Vista anterior da região incisiva em um osso seco. De cada lado da espinha nasal anterior (1), a borda nasal encontra-se em “lâmina de faca” (2). 3: sutura intermaxilar.
FIG. 5.13 Dissecção da região incisiva maxilar mostra o volume e a orientação do músculo abaixador do septo nasal (1). 2: crista do rebordo desdentado.
FIG. 5.14 Osso seco maxilar. Vista anterior de um indivíduo desdentado. A reabsorção das tábuas externas fez desaparecer a concavidade anterior.
FIG. 5.15 Osso seco maxilar. Vista de perfil de um indivíduo desdentado. Observe que a concavidade anterior desapareceu.
A borda da incisura nasal é constituída de uma lâmina óssea fina e
cortante, projetando-se anteriormente a partir do assoalho da cavidade
nasal.
De cada lado da crista, encontram-se as fossas incisivas que são zonas de
inserção do músculo abaixador do septo nasal. Estes deprimem a superfície
acima dos processos alveolares no indivíduo dentado.
O osso alveolar, que constitui a parede vestibular dos alvéolos dos
incisivos, é muito fino, geralmente inframilimétrico, o que explica a sua
rápida reabsorção após uma extração dentária, ou mesmo antes quando da
presença de infecções periodontais ou endodônticas. A reabsorção,
inicialmente da tábua óssea anterior, tende a se estender por baixo das
fossas incisivas, tornando a face anterior regularmente inclinada em direção
à cavidade nasal.
Nota
O ápice da crista da sutura intermaxilar às vezes é deprimido,
formando uma uma fenda, mais ou menos larga, o que resulta em uma
inserção hipertrófica do freio labial.
Face nasal (Figuras 5.16e 5.17)
De cada lado da inserção do vômer na sutura palatina mediana, a face nasal
é lisa e levemente côncava. De cada lado da linha mediana, e por trás da
espinha nasal anterior, ela apresenta dois forames: os incisivos, que dão
passagem aos ramos septais posteriores da artéria esfenopalatina e aos
nervos nasopalatinos.
FIG. 5.16 Vista anterossuperior da face nasal da região incisiva (1). No corte transversal é côncava e, internamente, é limitada pelo vômer (2). 3: canal incisivo.
FIG. 5.17 Vista superior da face nasal da região incisiva (1). Côncava, transversalmente, limita-se por dentro pelo vômer (2). 3: canais incisivos; 4: canal nasolacrimal; 5: processo frontal da maxila; 6: espinha nasal anterior.
Face palatina (Figuras 5.18a 5.24)
Levemente côncava, essa face apresenta rugosidades mais ou menos
marcadas, nas quais se insere a mucosa palatina. Os dois canais incisivos,
oriundos das cavidades nasais, unem-se para formar o forame incisivo, que
é geralmente único e em forma de cratera de tamanho variável.
FIG. 5.18 Face palatina da região incisiva. É uma face rugosa e perfurada com pequenos forames vasculares (1). 2: forame incisivo.
FIG. 5.19 Face palatina da região incisiva de um indivíduo desdentado. O forame incisivo (1) localiza-se por atrás da crista do rebordo e tem pequeno tamanho.
FIG. 5.20 Face palatina da região incisiva. Nesta imagem, os forames incisivos emergem separadamente, são de tamanho pequeno e não representam um obstáculo para a implantodontia.
FIG. 5.21 Face palatina da região incisiva. Os forames incisivos emergem separadamente; os seus tamanhos podem representar um problemas na instalação de implantes ao nível dos incisivos centrais.
FIG. 5.22 Face palatina da região incisiva. Os canais incisivos são muito volumosos (1) e emergem em um forame incisivo único de tamanho grande (2).
FIG. 5.23 Face palatina da região incisiva. Os canais incisivos são finos (1) e emergem em um forame incisivo único de tamanho grande (2).
FIG. 5.24 Intervenção cirúrgica para o tracionamento de dois caninos inclusos na região palatina (1). O pedículo vasculonervoso incisivo foi seccionado (2) para liberar a zona operatória.
Este forame incisivo, por ser volumoso, pode representar um obstáculo
anatômico, classificado na implantodontia como lacunar. Necessária, para a
instabilidade de um implante, esta lacuna pode ser preenchida após remoção
do pedículo vasculonervoso que ela contém.
Nota
A eliminação do pedículo incisivo não representa nenhuma
consequência clínica, já que este só desempenha um papel complementar
de inervação e vascularização da região anterior do palato. A
vascularização também é garantida pelos pedículos dos palatinos
maiores.
Estrutura (Figuras 5.25 a 5.28)
Se por um lado, a região incisiva da maxila se caracteriza por uma pequena
espessura de osso esponjoso em torno dos alvéolos dentários, por outro,
apresenta uma grande diferença na espessura das corticais vestibular e
palatina.
FIG. 5.25 Corte anatômico sagital de um osso na região incisiva mostrando a sua estrutura. 1: cortical externa; 2: osso esponjoso; 3: canal incisivo; 4: espinha nasal anterior.
FIG. 5.26 Corte axial de uma tomografia computadorizada mostrando a reabsorção de parte da tábua óssea vestibular após a extração de um incisivo central (1).
FIG. 5.27 Corte axial de uma tomografia computadorizada mostrando a fina espessura da tábua óssea vestibular na região
apical de um incisivo central (1) (mesmo paciente da Figura 5.26).
FIG. 5.28 Dois cortes sucessivos de uma tomografia computadorizada, no plano vestibulopalatino, passando pelo alvéolo de um incisivo central 8 dias após a extração. A fina cortical vestibular (1) será reabsorvida rapidamente.
A cortical vestibular muitas vezes é inframilimétrica e faz contato direto
com as raízes dentárias. A cortical palatina é mais espessa e está mais distante dos alvéolos dentários por um volume considerável de osso
esponjoso.
Nota
A pequena espessura de osso cortical e a proximidade com processos
alveolares dificultam a instalação de implante em um eixo considerado
ideal ao nível dos incisivos centrais e laterais.
Conteúdo (Figuras 5.29 e 5.30)
O pedículo incisivo é o único elemento anatômico que atravessa a região
em questão. É constituído, no meio do osso, pela união de ramos terminais
da artéria e do nervo esfenopalatino. Os dois pedículos podem emergir
separadamente na região palatina. De qualquer maneira, têm papel
acessório na troficidade e na inervação palatina anterior.
FIG. 5.29 Vista em transiluminação da mucosa da parede sagital das cavidades nasais mostrando a rede vascular. 1: artéria esfenopalatina; 2: ramos mediais da artéria etmoidal anterior; 3: ramos mediais da artéria etmoidal posterior; 4: artéria do septo nasal (ramo da artéria labial superior); 5: mancha vascular.