Atlas de Anatomia para Implantodontia
Abordagem dos volumes ósseos conforme a variação anatômica do forame mentual
FIG. 9.48 ® Reconstruções em 3D ( software Procera, Nobel Biocare®) (A) e corte vestibulolingual correspondente (B) a um forame oval. 1: pedículo incisivo.
Abordagem dos volumes ósseos conforme a
variação anatômica do forame mentual
Determinar a organização estrutural dessa área favorece o estudo do volume
ósseo disponível para a instalação de implantes adjacentes às estruturas
vasculonervosas, respeitando uma distância mínima de segurança de 2 mm
em todos os planos espaciais.
Apenas o conhecimento dessa arquitetura, por meio da leitura adequada
dos exames tridimensionais, viabiliza a execução de tal procedimento.
Nota
Não é possível prever a instalação de um implante em uma região pré-
molar da mandíbula sem uma tomografia pré-cirúrgica e um minucioso
estudo dessas imagens.
Forame redondo com alça anterior (Figuras
9.49 a 9.53)
Se a reabsorção óssea não for muito extensa, o trajeto do pedículo mentual
em direção à parte externa, indo para trás e para cima, antes de sua saída,
libera a formação de um espaço ósseo útil.
FIG. 9.49 Condição pré-implante evidencia um forame de trajeto retrógrado. Vista tomográfica vestibulolingual.
FIG. 9.50 Situação pós-implante do mesmo caso (imagem periapical de controle) e simulação tomográfica do uso do volume ósseo internamente ao forame.
FIG. 9.51 Reconstrução virtual dos trajetos vasculonervosos de um forame redondo em vista lateral. 1: pedículo incisivo; 2: alça anterior; 3: pedículo mentual; 4: pedículo da mandíbula.
FIG. 9.52 Simulação virtual dos trajetos vasculonervosos de um forame redondo em vista superior. 1: pedículo incisivo; 2: alça anterior; 3: pedículo mentual; 4: pedículo da mandíbula.
FIG. 9.53 Situação virtual pré-implante próximo de um implante instalado dentro de um forame redondo. Vista lateral (A) e de 3/4 anteriores (B). 1: pedículo incisivo; 2: alça anterior; 3: pedículo mentual; 4: pedículo da mandíbula; 5: cabeça da mandíbula.
A imagem radiológica em vista lateral (em uma imagem periapical, por
exemplo) dará a falsa impressão de um contato entre o forame e o ápice do
implante. Na realidade, o implante passa por dentro do forame.
Nota
No momento da perfuração, o gesto será guiado pela cortical lingual,
para não desviar para a vestibular e correr o risco de tocar o pedículo.
Forame oval
O pedículo ocupa um posicionamento mais central no corpo da mandíbula.
Se seu diâmetro for pequeno, ele pode ocupar um espaço dentro do
forame, explorável mesmo em caso de perda óssea da crista (Figuras 9.54 a
9.56).
FIG. 9.54 Situação pré-implante próximo a um forame oval pequeno (1). Neste caso, os limites externos do pedículo da mandíbula são difíceis de determinar. 2: crista reabsorvida.
FIG. 9.55 Controle pós-implante, após 36 meses, do caso da
Figura 9.54. Um implante intermediário curto pôde, dessa forma, ser colocado. 1: forame.
FIG. 9.56 Reconstruções virtuais da relação de um forame pequeno oval com um implante colocado do lado de dentro. Vista superior (A) e vista lateral de 3/4 anteriores (B). 1: pedículo incisivo; 2: pedículo mentual; 3: pedículo da mandíbula; 4: cabeça da mandíbula; 5: implante.
Nota
O cirurgião terá o cuidado de guiar sua perfuração ao longo da cortical
lingual e deverá tomar muito cuidado para não ultrapassar o
comprimento de trabalho medido na tomografia pré-cirúrgica,
respeitando uma zona de segurança mínima de 2 mm.
Quando o forame oval é de tamanho grande, geralmente é associado à
existência de um pedículo de maior diâmetro, deixando pouco osso do lado
de dentro. Uma reabsorção importante nessa situação impedirá a instalação
de implantes próximo à base do pedículo. Assim, será preciso inclinar o
implante, permitindo sua passagem anteriormente ao pedículo (o risco de
seccionar o pedículo incisivo acarretará parestesia dos dentes anteriores
residuais) (Figuras 9.57 a 9.59).
FIG. 9.57 Corte tomográfico pré-implante passando por um forame grande oval. 1: forame mentual; 2: crista óssea residual.
FIG. 9.58 Controle panorâmico pós-implante do mesmo caso. A ausência de volume ósseo explorável obriga que se incline o implante próximo ao forame. 1: forame mentual.
FIG. 9.59 Reconstrução virtual da relação de um forame oval grande com o implante instalado do lado de dentro e com riscos de contato devidos ao volume considerável do pedículo. Vista lateral de 3/4 anteriores. 1: pedículo incisivo; 2: pedículo mentual; 3: pedículo da mandíbula; 4: cabeça da mandíbula; 5: implante.
Forame incisivo
Ele resulta de uma saída quase completa do pedículo para fora do corpo da
mandíbula, liberando um espaço ósseo do lado de dentro do forame
frequentemente explorável em implantodontia, sobretudo se a perda óssea
após o desdentamento for reduzida (Figuras 9.60 a 9.64).
FIG. 9.60 Situação pré-implante próximo a um forame incisivo. Vista panorâmica.
FIG. 9.61 Reconstituição panorâmica tomográfica do caso da
Figura 9.54. 1: pedículo incisivo; 2: forame; 3: pedículo da mandíbula.
FIG. 9.62 Controle radiográfico após 4 anos do mesmo caso.
FIG. 9.63 A reconstrução mostra o afastamento vestibular do pedículo e dos volumes ósseos exploráveis dentro do forame incisivo. 1: entrada do pedículo incisivo; 2: pedículo mandibular; 3: pedículo mentual; 4: implante.
FIG. 9.64 Reconstrução virtual da relação de um forame incisivo com um implante instalado e a saída, para o lado externo, do conjunto dos pedículos próximo ao forame. Vista lateral de 3/4 anteriores. 1: entrada do pedículo incisivo; 2: pedículo da mandíbula; 3: pedículo mentual; 4: cabeça da mandíbula.
Forames múltiplos
A separação das ramificações do pedículo mentual inicia dentro do osso.
Uma extensa área óssea é geralmente ocupada por essa organização, o
que contraindica a instalação de um implante por dentro do forame. Se uma
pequena reabsorção da crista permitir, um implante curto pode ser colocado
acima do pedículo (Figura 9.65).